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Vozes Verbais: Ativa, Passiva e Reflexiva – Português | Tuco-Tuco

Como identificar e converter vozes verbais, com foco na passiva analítica e sintética.

Introdução: A Relação entre o Sujeito e a Ação Em Língua Portuguesa, chamamos de Vozes Verbais a forma como o verbo se flexiona para indicar qual é a relação de atuação entre ele e o sujeito da oração. Em outras palavras, as vozes verbais nos mostram se o sujeito gramatical é quem pratica a ação (agente), se é quem sofre a ação (paciente) ou se ele faz as duas coisas ao mesmo tempo. Dominar as vozes verbais é essencial não apenas para questões de gramática (principalmente conversão de vozes), mas também para a construção de textos mais impessoais e objetivos na sua redação. Voz Ativa Ocorre quando o sujeito da oração é o agente da ação verbal, ou seja, é ele quem executa o que o verbo indica. Estrutura básica: Sujeito Agente + Verbo + Complemento (Objeto). Exemplo: "O governo (sujeito agente) construiu (verbo) a nova ponte (objeto direto)." Voz Passiva Ocorre quando o sujeito gramatical da oração é o paciente, ou seja, ele sofre ou recebe a ação executada por outro elemento (o agente da passiva). Atenção Máxima: Somente verbos que possuem Objeto Direto (Verbos Transitivos Diretos - VTD, ou Bitransitivos - VTDI) podem ser passados para a voz passiva! Verbos intransitivos ou transitivos indiretos não aceitam voz passiva. A voz passiva se divide em duas formas estruturais muito cobradas em provas: 2.1 Voz Passiva Analítica É a forma mais "extensa". É construída com a ajuda de um verbo auxiliar. Estrutura: Sujeito Paciente + Verbo Auxiliar (ser, estar, ficar) + Verbo Principal no Particípio (-ado, -ido) + Agente da Passiva (geralmente precedido pela preposição "por" ou "de"). Exemplo: "A nova ponte (sujeito paciente) foi construída (locução verbal) pelo governo (agente da passiva)." 2.2 Voz Passiva Sintética (ou Pronominal) É a forma mais "curta". Não utiliza locução verbal, mas sim o pronome "SE" atuando como Partícula Apassivadora (PA). Estrutura: Verbo Transitivo Direto (VTD) na 3ª pessoa + pronome SE + Sujeito Paciente. Exemplo: "Construiu-se (VTD + SE) a nova ponte (sujeito paciente)." A Regra de Ouro da Sintética: O verbo DEVE concordar com o sujeito paciente. Se o sujeito estiver no plural, o verbo vai para o plural: "Construíram-se as novas pontes." (As novas pontes foram construídas). A Regra de Ouro: Como converter as Vozes Verbais? A transposição da voz ativa para a voz passiva analítica (e vice-versa) é o exercício matemático da gramática. Ocorre um cruzamento em "X" dos termos da oração. Passo a passo da conversão (Ativa -> Passiva Analítica): O Objeto Direto da voz ativa vira o Sujeito Paciente da voz passiva. O Sujeito Agente da voz ativa vira o Agente da Passiva. O Verbo Principal da voz ativa se transforma em uma Locução Verbal (Verbo Auxiliar "SER" + Particípio do verbo principal). Cuidado Extremo: O verbo auxiliar da voz passiva DEVE ficar no mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa! Exemplos Práticos de Conversão mantendo o Tempo Verbal: Presente: O vento derruba a árvore. -> A árvore é derrubada pelo vento. Pretérito Perfeito: O vento derrubou a árvore. -> A árvore foi derrubada pelo vento. Pretérito Imperfeito: O vento derrubava a árvore. -> A árvore era derrubada pelo vento. Futuro do Presente: O vento derrubará a árvore. -> A árvore será derrubada pelo vento. Futuro do Pretérito: O vento derrubaria a árvore. -> A árvore seria derrubada pelo vento. Forma Reflexiva e Recíproca (Voz Ativa com pronome reflexivo) Na verdade, a chamada "voz reflexiva" não é uma terceira voz verbal, mas sim um caso especial da voz ativa. Ocorre quando o sujeito, simultaneamente, pratica e sofre a ação. Para isso, utiliza-se um pronome oblíquo átono (me, te, se, nos, vos). Forma Reflexiva: O sujeito age sobre si mesmo. Exemplo: "A menina cortou-se com a faca." (Cortou a si mesma). Forma Recíproca: O sujeito é plural (mais de um indivíduo) e a ação ocorre mutuamente entre eles. Exemplo: "Os lutadores cumprimentaram-se antes do combate." (Cumprimentaram um ao outro). Importante: Na Gramática Normativa, existem apenas duas vozes verbais: Ativa (sujeito é agente) e Passiva (sujeito é paciente). As formas reflexiva e recíproca são construções da voz ativa com pronome reflexivo. Como isso cai nos vestibulares (FUVEST e ENEM)? A Armadilha do Tempo Verbal (Ambas): A questão te dá uma frase na voz ativa, por exemplo, no "Futuro do Pretérito" (Ex: "Os cientistas descobririam a cura"), e pede a alternativa com a transposição correta. Nas alternativas erradas, eles mudam o tempo verbal (ex: "A cura foi descoberta"). A certa deve manter o tempo: "A cura seria descoberta pelos cientistas". A Pegadinha da Concordância na Passiva Sintética (FUVEST/UNESP): Vão colocar frases como "Concerta-se sapatos" e perguntar se está correto. Como "sapatos" é o sujeito paciente plural (Sapatos são consertados), o correto é "Consertam-se sapatos". Impossibilidade de Passiva: A prova pedirá para você assinalar a única frase que NÃO pode ser passada para a voz passiva. Basta procurar a alternativa que tem um Verbo Intransitivo (ex: "Ele dormiu cedo") ou um Verbo Transitivo Indireto (ex: "Eles precisam de ajuda"). Como não têm Objeto Direto, não podem virar voz passiva! Ocultação do Agente na Redação: No ENEM, ao descrever um problema histórico onde você não quer ou não pode culpar um indivíduo específico, usar a voz passiva sintética é uma excelente estratégia de impessoalidade (Ex: "Nota-se, historicamente, a negligência com os povos indígenas...").