Pronomes: Uso e Variedades - Português | Tuco-Tuco
Aula de Português (Classes Gramaticais): Pronomes: Uso e Variedades. Definição e tipos de pronomes: pessoais, possessivos, demonstrativos, relativos, interrogativos e indefinidos. Estude gratuitamente para vestibular e ENEM no Tuco-Tuco.
Pronomes: Uso e Variedades
Os pronomes constituem uma classe de palavras essencial para a coesão e a economia do discurso, substituindo ou acompanhando substantivos e, em alguns casos, retomando ou antecipando informações textuais. Por meio deles, é possível evitar repetições desnecessárias, situar os interlocutores, indicar posse, estabelecer relações entre termos e orações e expressar indefinição ou questionamento. O estudo aprofundado dos pronomes abrange sua classificação, suas flexões, suas funções sintáticas e, sobretudo, as regras de colocação pronominal, ponto de grande relevância em provas de concursos e vestibulares.
Definição e Função Geral
Pronome é a palavra que substitui um substantivo (função pronominal substantiva) ou que o acompanha, determinando-o (função pronominal adjetiva). Do ponto de vista semântico, os pronomes remetem às pessoas do discurso (quem fala, com quem se fala, de quem se fala) e podem indicar posse, localização temporal/espacial, indefinição, questionamento etc.
A função textual dos pronomes é primordial: os pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos, por exemplo, operam a retomada de termos já mencionados (anáfora) ou a antecipação de informações (catáfora), contribuindo decisivamente para a coesão referencial. Os pronomes relativos permitem encadear orações, evitando a repetição de nomes e conferindo fluidez ao período composto.
Classificação dos Pronomes
A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) e as gramáticas normativas classificam os pronomes em seis grandes grupos: pessoais, possessivos, demonstrativos, relativos, interrogativos e indefinidos. Além desses, incluem-se os chamados pronomes de tratamento, que, na verdade, são uma subcategoria dos pronomes pessoais, mas com peculiaridades formais e de concordância.
Pronomes Pessoais
Os pronomes pessoais indicam diretamente as três pessoas do discurso (quem fala – 1ª pessoa; com quem se fala – 2ª pessoa; de quem se fala – 3ª pessoa). Dividem-se em retos e oblíquos.
Pronomes Pessoais Retos
São aqueles que normalmente exercem a função de sujeito da oração ou, em certos contextos, de predicativo do sujeito. São: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas.
Embora a tradição gramatical reserve ao pronome reto a função de sujeito, na língua culta contemporânea, especialmente no Brasil, as formas oblíquas tônicas são frequentemente empregadas em contextos de objeto direto preposicionado ou em construções com preposições (por exemplo: "Entregaram o livro a mim", e não "a eu"). Já o uso de pronomes retos como objeto direto sem preposição (ex.: "Eu vi ele") é considerado inadequado na norma culta, devendo-se empregar o oblíquo correspondente ("Eu o vi").
Pronomes Pessoais Oblíquos
Os pronomes oblíquos funcionam tipicamente como complementos verbais (objeto direto, indireto) ou nominais, e como adjuntos adverbiais. Subdividem-se em átonos e tônicos.
Oblíquos Átonos (Clíticos)
São me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes. Caracterizam-se por serem dependentes fonologicamente, apoiando-se no verbo. Sua colocação em relação ao verbo obedece às regras de próclise, mesóclise e ênclise.
Formas o, a, os, as: exercem função de objeto direto. Exemplo: "Eu o vi ontem."
Forma lhe, lhes: exercem função de objeto indireto, correspondendo a "a ele(s)", "a ela(s)". Exemplo: "Comuniquei-lhe a decisão."
Formas me, te, se, nos, vos: podem ser objeto direto ou indireto, dependendo da transitividade do verbo. Exemplo: "Ela me viu" (objeto direto); "Ela me deu um presente" (objeto indireto).
Oblíquos Tônicos (Preposicionados)
São mim, comigo, ti, contigo, si, consigo, ele, ela, nós, conosco, vós, convosco, eles, elas. São sempre regidos por preposição. Exemplos: "Fez isso por mim." "Conversou consigo mesmo." "Gosto de ti."
Os pronomes oblíquos tônicos podem aparecer como complementos, mas nunca como sujeito. Emprega-se "para eu fazer" (sujeito do verbo no infinitivo) e "para mim fazer" é considerado incorreto na norma culta, pois "mim" não pode ser sujeito. Contudo, em locuções como "para mim, isso é indiferente", "mim" é complemento da preposição, não sujeito.
Pronomes de Tratamento
Embora designem a segunda pessoa (com quem se fala), os pronomes de tratamento exigem concordância verbal e nominal na terceira pessoa. Os mais comuns são: você, senhor, senhora, Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Vossa Majestade, entre outros. O uso do pronome "você" no Brasil popularizou-se de tal modo que, em muitas regiões, substituiu o "tu", coexistindo com flexões verbais de terceira pessoa.
Formas de tratamento como "Vossa Excelência" são empregadas para altas autoridades (Presidente da República, Ministros, Governadores, Deputados, Senadores, Juízes). "Vossa Senhoria" para autoridades intermediárias. "Vossa Majestade" para reis e imperadores. Importante: quando se fala sobre essas autoridades, usa-se "Sua Excelência", "Sua Majestade" etc., pois a referência é indireta.
Pronomes Possessivos
Indicam posse, relacionando o objeto possuído à pessoa do discurso. Concordam em gênero e número com a coisa possuída e em pessoa com o possuidor. Exemplos: meu/minha, teu/tua, seu/sua, nosso/nossa, vosso/vossa e seus plurais.
Os possessivos podem vir antecedidos ou não de artigo; a presença ou ausência do artigo frequentemente é uma questão de estilo ou de ênfase, sem alterar substancialmente o significado. Contudo, em algumas expressões fixas, a ausência do artigo é obrigatória: "em meu favor", "a seu dispor".
A forma "seu" pode gerar ambiguidade quanto ao possuidor, especialmente quando há mais de uma terceira pessoa no discurso. Para desfazê-la, pode-se empregar "dele(s)", "dela(s)" ou repetir o substantivo possuidor.
Pronomes Demonstrativos
Situam os seres no espaço, no tempo ou no discurso, em relação às três pessoas. São: este(s), esta(s), isto (1ª pessoa, próximo de quem fala); esse(s), essa(s), isso (2ª pessoa, próximo de com quem se fala); aquele(s), aquela(s), aquilo (3ª pessoa, distante de ambos). Também indicam referências temporais: este ano (ano em curso), esse ano (ano anterior), aquele ano (ano mais remoto). No texto, "este" remete ao que ainda será dito (catáfora); "esse" retoma o que já foi dito (anáfora). "Aquele" retoma um elemento mais distante no texto.
Os demonstrativos podem ser reforçados com "mesmo" e "próprio" (este mesmo, esse próprio) e podem aparecer contraídos com preposições (disto, nisso, àquele). "Isso", "isto" e "aquilo" são invariáveis e funcionam como substantivos.
Pronomes Relativos
Os pronomes relativos retomam um termo antecedente, introduzindo uma oração subordinada adjetiva. São: que, quem, cujo(s)/cuja(s), onde, o qual/a qual/os quais/as quais, quanto(s)/quanta(s) (em contextos específicos, pode ser relativo, embora raro). Exercem a função de conectivo e também de termo da oração subordinada (sujeito, objeto, complemento etc.).
Que: é o relativo mais versátil, podendo referir-se a pessoas ou coisas, exercendo funções como sujeito, objeto direto, objeto indireto (quando precedido de preposição). Exemplo: "O livro que comprei é interessante" (objeto direto). "A cidade a que me referi é bela" (objeto indireto).
Quem: refere-se apenas a pessoas e é sempre precedido de preposição. Exemplo: "A pessoa a quem entreguei o documento não foi encontrada."
Cujo: expressa posse, concordando com a coisa possuída, e não se flexiona em gênero e número com o antecedente, mas com o termo posterior. Exemplo: "O aluno cuja redação foi premiada está aqui." "Os livros cujas páginas estão soltas precisam de reparo." Cujo nunca é seguido de artigo, pois já contém a ideia de posse.
Onde: refere-se a lugar físico, equivalendo a "em que". Exemplo: "A casa onde moro é antiga." Não deve ser usado para situações abstratas; nesse caso, emprega-se "em que" ou "no qual". Exemplo correto: "A situação em que nos encontramos é difícil."
O qual/a qual/os quais/as quais: variantes de "que", usadas para evitar ambiguidade ou quando o relativo é precedido de preposição de mais de uma sílaba. Exemplo: "O assunto sobre o qual discutimos é polêmico."
Pronomes Interrogativos
Introduzem perguntas diretas ou indiretas. São: que, quem, qual, quanto. Concordam com o substantivo a que se referem quando exercerem função adjetiva. Exemplos: "Que livro você prefere?" "Quem chegou?" "Qual é o seu nome?" "Quantos convidados virão?"
Pronomes Indefinidos
Referem-se à terceira pessoa do discurso de modo vago, impreciso. Incluem: alguém, ninguém, tudo, nada, algo, cada, todo, outro, certo, algum, nenhum, muito, pouco, vários, tanto, qualquer etc. Podem variar em gênero e número, exceto os que são invariáveis (alguém, ninguém, tudo, nada, algo, cada).
Os indefinidos podem assumir valor de adjetivo ou substantivo. Quando substantivos, exercem as funções normais dos substantivos (sujeito, objeto etc.); quando adjetivos, determinam o substantivo. Exemplos: "Certas pessoas não aceitam críticas" (adjetivo). "Alguém bateu à porta" (substantivo).
Algumas locuções pronominais indefinidas são comuns: cada um, qualquer um, todo aquele que, seja quem for.
Colocação dos Pronomes Oblíquos Átonos
A colocação pronominal é o estudo da posição dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) em relação ao verbo. Três posições são possíveis: próclise (antes do verbo), mesóclise (no meio do verbo) e ênclise (depois do verbo). A escolha obedece a princípios de eufonia, de tradição gramatical e de funcionamento sintático.
Próclise
A próclise é obrigatória quando há, antes do verbo, palavras ou expressões atrativas, que funcionam como ímãs para o pronome átono. São elas:
Palavras de sentido negativo: não, nunca, jamais, ninguém, nada, de modo algum etc. Exemplo: "Não me disse a verdade."
Advérbios (sem pausa): sempre, ontem, aqui, talvez, já, ainda etc. Exemplo: "Sempre me ajudou nas dificuldades." Se houver pausa após o advérbio, a próclise pode não ocorrer: "Aqui, trabalha-se bem."
Conjunções subordinativas: que, se, embora, quando, como, porque etc. Exemplo: "Quero que me entendas."
Pronomes relativos, indefinidos e interrogativos: que, qual, alguém, ninguém, tudo etc. Exemplo: "Alguém me chamou?" "O livro que me emprestaste é ótimo."
Orações optativas (que exprimem desejo): Exemplo: "Bons ventos o levem!"
Gerúndio precedido da preposição em: "Em se tratando de esportes, prefiro futebol."
Mesóclise
A mesóclise ocorre exclusivamente com verbos no futuro do presente ou no futuro do pretérito, desde que não haja palavra atrativa exigindo a próclise. Exemplos: "Convidar-me-ão para a festa." "Ajudar-te-ia se pudesse." Se houver palavra atrativa, a próclise será obrigatória: "Não me convidarão."
Ênclise
A ênclise é a colocação do pronome depois do verbo, e é a posição normal na ausência de fatores que determinem a próclise ou a mesóclise. Ocorre principalmente:
No início de frases, segundo a norma culta padrão: "Entregaram-me o pacote." Embora a próclise seja onipresente na linguagem coloquial brasileira ("Me entregaram o pacote"), a tradição gramatical normativa exige a ênclise em início de período.
Com verbos no imperativo afirmativo: "Alunos, comportem-se."
Com verbos no infinitivo impessoal, sem palavra atrativa: "É preciso ajudar o próximo; dedicar-se a ele."
Com gerúndio sem palavra atrativa: "Saiu, deixando-nos sozinhos."
É vedada a ênclise com verbos no particípio: "Tinha entregado-lhe" é erro; o correto é "Tinha-lhe entregado" ou "Tinha lhe entregado".
Colocação em Locuções Verbais e Tempos Compostos
Quando há um verbo auxiliar seguido de verbo principal no infinitivo ou gerúndio, há maior flexibilidade, mas com algumas preferências:
Infinitivo: o pronome pode estar ligado ao auxiliar por ênclise ("Posso-lhe contar") ou solto entre os verbos ("Posso lhe contar"). A ênclise ao infinitivo também é aceita: "Posso contar-lhe".
Gerúndio: "Estou-lhe dizendo" ou "Estou dizendo-lhe".
Se houver palavra atrativa antes do auxiliar, a próclise ao auxiliar é obrigatória: "Não lhe posso contar".
Em tempos compostos, o pronome liga-se ao verbo auxiliar, e não ao particípio: "Haviam-me contado", "Tinha-lhes entregado".
Funções Sintáticas dos Pronomes
Os pronomes pessoais retos e oblíquos, bem como os possessivos, demonstrativos e indefinidos, podem exercer diversas funções sintáticas: sujeito, objeto direto, indireto, complemento nominal, adjunto adnominal, adjunto adverbial, predicativo e agente da passiva. Os pronomes relativos, por sua vez, acumulam a função de conectivo e de termo da oração subordinada adjetiva (sujeito, objeto direto, indireto, complemento nominal etc.). A análise correta da função sintática do pronome é fundamental para a compreensão da estrutura da oração e para a resolução de questões de interpretação e de colocação pronominal.
Observações Importantes
O pronome "si" e "consigo" são reflexivos e referem-se ao sujeito da oração: "Ele só pensa em si." "Ela levou o dinheiro consigo."
As formas "com nós" e "com vós" são raras; em geral, usam-se as formas "conosco" e "convosco", exceto quando esses pronomes são seguidos de numerais ou de "todos", "outros", "mesmos": "com nós dois", "com vós mesmos".
O pronome "você" no Brasil, apesar de ser segunda pessoa, rege verbos e possessivos na terceira pessoa. Isso gera a mistura de tratamento (você / teu) comum na fala, mas que deve ser evitada na escrita formal, optando-se por uniformidade: ou se usa "tu" e suas formas, ou "você" e suas formas.
O emprego dos pronomes de tratamento deve seguir as normas de concordância verbal e nominal com a terceira pessoa. O uso do artigo é proibido antes de pronomes de tratamento como Vossa Excelência, Vossa Majestade, Vossa Senhoria. As exceções a essa regra são os pronomes Senhor, Senhora e Senhorita, que admitem artigo: "a senhora", "o senhor".
O domínio do uso e da classificação dos pronomes constitui um dos pilares da competência gramatical exigida em concursos e vestibulares, não apenas para responder questões específicas, mas também para produzir textos coesos, coerentes e formalmente adequados.
Exercícios:
Identifique a alternativa em que o termo sublinhado funciona como um pronome demonstrativo (equivalente a 'isto', 'isso', 'aquilo'):
Os pronomes possessivos podem assumir funções adjetivas ou substantivas. Assinale a opção que apresenta um pronome possessivo com função substantiva:
Em relação aos pronomes demonstrativos no discurso, qual termo é TRADICIONALMENTE ASSOCIADO, pela gramática normativa, para se referir a algo que será dito adiante (função catafórica)?
O pronome 'se' pode assumir diversas funções. Quando indica que o sujeito é, ao mesmo tempo, o agente e o paciente da ação verbal (pratica e sofre a ação), ele é classificado como:
Os pronomes pessoais do caso reto funcionam como sujeito da oração, enquanto os pronomes oblíquos exercem a função de complementos verbais.
Construções como 'Isto é para mim fazer' estão corretas, pois o pronome oblíquo tônico deve ser utilizado sempre que houver uma preposição antes dele.
Os pronomes de tratamento exigem que a concordância verbal e os pronomes relacionados a eles sejam obrigatoriamente flexionados na terceira pessoa.
O pronome relativo 'cujo' estabelece uma ideia de posse e deve concordar em gênero e número com o substantivo que vem depois dele.
Os pronomes demonstrativos 'este' e 'esta' referem-se a objetos que estão localizados próximos à pessoa com quem se fala (o ouvinte).
Os pronomes oblíquos átonos 'o', 'a', 'os' e 'as' atuam como objetos diretos, enquanto 'lhe' e 'lhes' desempenham a função de objeto indireto.
Todos os pronomes indefinidos são palavras invariáveis, o que significa que nunca sofrem flexão de gênero ou número nas frases.
O pronome relativo 'onde' pode ser empregado para retomar tanto lugares físicos quanto conceitos abstratos ou períodos de tempo.
Os pronomes possessivos concordam em gênero e número com a coisa possuída, mas sua forma básica é determinada pela pessoa gramatical que possui o objeto.
Os pronomes 'si' e 'consigo' são reflexivos e podem ser usados para se referir a qualquer pessoa do discurso, inclusive à pessoa com quem se fala.
Assinale a alternativa em que o uso do pronome pessoal obedece à norma padrão da língua portuguesa em contextos de infinitivo verbal.
Na frase 'Esta é a ferramenta de que necessito', o uso da preposição antes do pronome relativo ocorre porque:
Os pronomes relativos são fundamentais para a coesão textual. Sobre o uso do pronome 'cujo', assinale a afirmação CORRETA:
Qual é a distinção gramatical entre os pronomes pessoais do caso reto e os do caso oblíquo?
Observe a frase: "Por favor, devolva seus livros amanhã." O pronome destacado ('seus') é classificado, segundo a aula, como:
Segundo o conteúdo da aula, marque a alternativa correta sobre o uso de pronomes de tratamento:
Qual é a regra de concordância verbal padrão, na norma culta formal, ao se utilizar pronomes de tratamento como 'Vossa Excelência' ou 'Vossa Magnificência'?
Complete a frase: Na norma culta padrão da língua portuguesa, as formas oblíquas tônicas não exercem a função de sujeito, sendo correto o emprego do pronome pessoal reto em construções como 'trouxeram o relatório para ______ analisar'.
Complete a frase: Apesar de fazerem referência direta à segunda pessoa do discurso, isto é, ao interlocutor, os pronomes de tratamento exigem que a concordância do verbo seja feita em ______
Complete a frase: O pronome relativo 'cujo' estabelece uma relação de posse entre dois termos e apresenta a particularidade de nunca ser sucedido por ______
Complete a frase: Na norma culta padrão, o pronome relativo 'onde' é restrito à indicação de lugar físico, devendo ser substituído em contextos abstratos por ______
Complete a frase: No estudo da colocação pronominal em tempos compostos ou locuções, a norma padrão estabelece que é expressamente proibida a ocorrência de ênclise com o verbo principal se este estiver flexionado no ______
Complete a frase: Na organização e coesão textual, o emprego do pronome demonstrativo 'este' desempenha um papel específico quando se refere a um elemento que ainda será mencionado no discurso, caracterizando uma ______
Complete a frase: Os pronomes oblíquos tônicos 'si' e 'consigo' possuem natureza estritamente reflexiva na norma padrão da língua, o que exige que eles façam referência direta ao ______
Complete a frase: A colocação do pronome oblíquo átono no meio do verbo, processo denominado mesóclise, é permitida na norma padrão apenas com formas verbais flexionadas no ______
Complete a frase: Embora o emprego de artigo antes de pronomes possessivos seja geralmente facultativo, a norma culta determina que em expressões fixas como 'a seu dispor' ocorre obrigatoriamente a ______
Complete a frase: De acordo com as normas gramaticais, a substituição da forma sintética 'conosco' pela expressão analítica 'com nós' torna-se obrigatória sempre que o pronome for sucedido por ______
[INSPER - 2026 - Vestibular] Para responder à questão, leia um trecho do conto "Último capítulo", do escritor Machado de Assis, publicado originalmente em 1884 no livro Histórias sem data.
"Estava casado. Rufina não dispunha, é verdade, de certas qualidades brilhantes e elegantes; não seria, por exemplo, e desde logo, uma dona de salão. Tinha, porém, as qualidades caseiras, e eu não queria outras. A vida obscura bastava-me; e contanto que ela ma enchesse, tudo iria bem. Mas esse era justamente o agro¹ da empresa. Rufina (permitam-me esta figuração cromática) não tinha a alma negra de lady Macbeth, nem a vermelha de Cleópatra, nem a azul de Julieta, nem a alva de Beatriz², mas cinzenta e apagada como a multidão dos seres humanos. Era boa por apatia, fiel sem virtude, amiga sem ternura nem eleição. Um anjo a levaria ao céu, um diabo ao inferno, sem esforço em ambos os casos, e sem que no primeiro lhe coubesse a ela nenhuma glória, nem o menor desdouro³ no segundo. [...] O pai armou-me o casamento para ter um genro doutor; ela, não; aceitou-me como aceitaria um sacristão, um magistrado, um general, um empregado público, um alferes, e não por impaciência de casar, mas por obediência à família, e, até certo ponto, para fazer como as outras. Usavam-se maridos; ela queria usar também o seu. Nada mais antipático à minha própria natureza; mas estava casado.
Felizmente --- ah! um felizmente neste último capítulo de um caipora é, na verdade, uma anomalia; mas vão lendo, e verão que o advérbio pertence ao estilo, não à vida; é um modo de transição e nada mais. O que vou dizer não altera o que está dito. Vou dizer que as qualidades domésticas de Rufina davam-lhe muito mérito. Era modesta; não amava bailes, nem passeios, nem janelas. Vivia consigo. Não mourejava⁴ em casa, nem era preciso; para dar-lhe tudo, trabalhava eu, e os vestidos e chapéus, tudo vinha "das francesas", como então se dizia, em vez de modistas. Rufina, no intervalo das ordens que dava, sentava-se horas e horas, bocejando o espírito, matando o tempo, uma hidra de cem cabeças, que não morria nunca; mas, repito, com todas essas lacunas, era boa dona de casa. Pela minha parte, estava no papel das rãs que queriam um rei; a diferença é que, mandando-me Júpiter um cepo⁵, não lhe pedi outro, porque viria a cobra e engolia-me. Viva o cepo! disse comigo. Nem conto estas coisas, senão para mostrar a lógica e a constância do meu destino."
(Machado de Assis. Histórias sem data, 2022.)
¹ agro: que ou o que é árduo, duro, rigoroso.
² Macbeth, Cleópatra, Julieta e Beatriz: personagens de conhecidas
obras literárias.
³ desdouro: descrédito, desonra.
⁴ mourejar: trabalhar duro.
⁵ cepo: pedaço de um tronco de árvore. O narrador refere-se aqui a uma fábula de Esopo intitulada “As râs que pediam um rei”.
Em "A vida obscura bastava-me; e contanto que ela ma enchesse, tudo iria bem." (1º parágrafo) O termo "ma" constitui a contração de dois pronomes. Esses dois pronomes referem-se
[INSPER - 2026 - Vestibular] Leia o artigo para responder à questão.
Em janeiro de 2026, a juventude das periferias de São Paulo enfrenta um paradoxo cruel: a cidade é o motor econômico do país, mas o caminho até a escola ou ao trabalho é uma corrida de obstáculos. Enquanto o senso comum diz que "não há verba", a realidade técnica revela uma escolha política. A crise do transporte público coletivo no Brasil não é um acidente, mas o resultado de um sistema rodoviarista que, historicamente, priorizou o transporte sobre pneus em detrimento de sistemas de alta capacidade.
O modelo atual de São Paulo, baseado em uma lógica de mercado que chamamos de Logística 4.0, trata o estudante como "massa" ou "carga viva" a ser movimentada pelo menor custo operacional possível. A eficiência, medida por planilhas de custo, ignora a dignidade humana. O jovem perde tempo de vida no trânsito porque a falha do sistema não é técnica; como argumentamos em pesquisa, ela é ontológica: falha em sua missão humana. A miopia da Logística 4.0 revela-se quando o transporte público cumpre horários rastreados por algoritmos, mas falha em sua missão humana de garantir o bem-estar coletivo.
O tempo de deslocamento médio em grandes cidades brasileiras pode ultrapassar duas horas, segundo a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP). Para o jovem da escola pública, esse tempo é um custo de oportunidade elevado, um roubo do tempo de estudo, lazer e descanso. Esse "pedágio de vida" é um marcador de classe social, uma forma de exclusão que impede o acesso à faculdade ou ao primeiro emprego.
O urbanista Eduardo Alcântara de Vasconcellos alerta que a rede de transporte deve ser dinâmica para evitar a exclusão das periferias. A ausência de um alinhamento entre os diferentes órgãos gestores impede uma análise sistêmica que integre a gestão do trânsito com a função social do transporte, o que impede a democratização do espaço viário, impactando negativamente a produtividade urbana e a qualidade de vida.
A gestão pública da mobilidade deve ser compreendida como um tema transversal, onde o Estado reassume o protagonismo estratégico. Propomos a classificação da logística urbana como uma Infraestrutura de Suporte à Vida (ISV), no mesmo nível de saneamento básico.
O futuro da ciência do fluxo reside na orquestração de movimentos que respeitem a escala humana. A Logística 5.0 define-se como a ética do movimento: um compromisso técnico e social que transforma a circulação de massa e energia em suporte fundamental à soberania coletiva. O seu papel, jovem estudante, é cobrar essa transparência radical.
(Eduardo Facchini e Mariana Domingues Facchini. “Por que a ciência prova que o modelo de transporte de SP falhou (e como o SUM 5.0 é a solução)?”. https://diplomatique.org.br, 10.02.2026. Adaptado.)
Em conformidade com a norma-padrão da língua e com o sentido do texto, o pronome sublinhado em "A gestão pública da mobilidade deve ser compreendida como um tema transversal, [onde] o Estado reassume o protagonismo estratégico" (5º parágrafo) pode ser substituído por:
[UNESP - 2025] Leia o soneto da poeta portuguesa Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, também conhecida como Marquesa de Alorna, para responder:
Arguindo-me várias pessoas de fazer sempre versos tristes
Como posso explicar em brando verso
Doce prazer, se o peito nunca o sente?
Musas, vós não ditais ao descontente
Senão queixas do seu fado adverso!
Linda cena, espetáculo diverso
Embora alegre o mundo me apresente,
Que em luto, isto que choro amargamente,
Me sepulta o vastíssimo Universo.
Jamais um dia alegre me afigura
A incerta e voadora fantasia,
Que a mágoa o não transborde em sombra escura.
Que quereis que vos diga da alegria,
Se vítima da negra desventura
Sirvo sempre a cruel melancolia?!
(Marquesa de Alorna. Sonetos, 2007.)
Uma característica da estética neoclássica presente nesse soneto é
[CEBRASPE - 2025 - Advogado - CAESB] No primeiro parágrafo do texto CG1A1, a forma pronominal empregada em “convertê-la” (último período) retoma