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Processos de Formação de Palavras - Português | Tuco-Tuco

Aula de Português (Fonologia e Morfologia): Processos de Formação de Palavras. Estudo dos processos morfológicos, como derivação e composição, na formação de palavras. Estude gratuitamente para vestibular e ENEM no Tuco-Tuco.

Processos de Formação de Palavras A Língua Portuguesa dispõe de mecanismos internos que permitem a ampliação constante de seu léxico. Os processos de formação de palavras são os recursos morfológicos pelos quais novas unidades lexicais são criadas a partir de palavras já existentes, ou por meio da combinação de radicais e afixos. Conhecer esses processos é essencial para a análise da estrutura das palavras, para a compreensão do significado de vocábulos desconhecidos e para o domínio da ortografia oficial, especialmente em relação ao uso do hífen e às regras de acentuação. Os processos de formação de palavras dividem-se, tradicionalmente, em dois grandes grupos: a derivação e a composição. Além desses, há outros processos, como a abreviação, a onomatopeia e o empréstimo linguístico, que também contribuem para a renovação vocabular. Derivação A derivação consiste na formação de uma nova palavra a partir de um único radical, ao qual se acrescentam afixos (prefixos e/ou sufixos) ou ao qual se suprimem elementos. A palavra primitiva é aquela que dá origem à derivada, e o radical é o morfema que concentra o significado básico comum a todas as palavras de uma mesma família. Derivação Prefixal A derivação prefixal ocorre quando se acrescenta um prefixo ao radical da palavra primitiva. O prefixo é um morfema que antecede o radical e modifica seu sentido, sem alterar a classe gramatical da palavra. Exemplos: in- + feliz → infeliz (prefixo de negação) des- + fazer → desfazer (prefixo de ação contrária) re- + ler → reler (prefixo de repetição) pre- + ver → prever (prefixo de anterioridade) anti- + social → antissocial (prefixo de oposição) hiper- + sensível → hipersensível (prefixo de intensidade) super- + homem → super-homem (prefixo de superioridade) Os prefixos em português têm origem predominantemente latina e grega, e muitos deles apresentam formas variantes em função da eufonia ou da etimologia. Por exemplo, o prefixo de negação apresenta-se como in- (infeliz), i- (ilegal), im- (impossível) e ir- (irreal), de acordo com a primeira letra do radical. O conhecimento do sentido dos prefixos é ferramenta valiosa para a interpretação de palavras desconhecidas. Derivação Sufixal Na derivação sufixal, acrescenta-se um sufixo ao radical da palavra primitiva. O sufixo pode alterar a classe gramatical da palavra ou acrescentar-lhe uma nuance semântica. Exemplos: feliz + -mente → felizmente (formação de advérbio a partir de adjetivo) belo + -eza → beleza (formação de substantivo a partir de adjetivo) pedra + -eiro → pedreiro (formação de substantivo que indica profissão) leal + -dade → lealdade (formação de substantivo abstrato) livro + -eco → livreco (sufixo depreciativo) casa + -inha → casinha (sufixo diminutivo) dentista + -ico → dentístico (sufixo formador de adjetivo) planta + -ar → plantar (formação de verbo a partir de substantivo) Os sufixos podem ser classificados de acordo com a classe gramatical da palavra derivada (sufixos nominais, verbais, adverbiais) ou segundo o valor semântico que acrescentam (aumentativos, diminutivos, agentivos, coletivos etc.). A versatilidade do sistema sufixal do português permite a criação de inúmeras palavras derivadas, o que explica a riqueza do vocabulário. Derivação Prefixal e Sufixal (ou Derivação por Anexação de Afixos Não Simultâneos) Diferentemente da derivação parassintética, neste processo há a adição de um prefixo e de um sufixo ao radical, mas de modo não simultâneo: é possível retirar apenas o prefixo ou apenas o sufixo, e a palavra resultante mantém existência autônoma no léxico. Exemplos: des- + leal + -dade → deslealdade (existe "lealdade" e também "desleal") in- + feliz + -mente → infelizmente (existe "felizmente" e também "infeliz") A verificação da existência de uma forma intermediária é o critério fundamental para distinguir esse processo da parassíntese. Derivação Parassintética A derivação parassintética caracteriza-se pela adição simultânea de um prefixo e de um sufixo ao radical, de tal modo que a palavra resultante não existe se retirarmos qualquer um dos dois afixos. Esse caráter simultâneo é decisivo para a classificação. Exemplos: en- + triste + -ecer → entristecer (não existem "entriste" nem "tristecer") a- + manhã + -ecer → amanhecer (não existem "amanhã" como verbo, nem "manhecer") en- + gaiola + -ar → engaiolar (não existem "engaiola" como verbo autônomo, nem "gaiolar") a- + pavor + -ar → apavorar a- + ferro + -ar → aferrar A presença simultânea de prefixo e sufixo é a marca registrada da parassíntese. Em provas, o equívoco mais comum é classificar palavras de derivação prefixal e sufixal como parassintéticas e vice-versa. A análise da existência ou não das formas intermediárias resolve a dúvida. Derivação Regressiva Trata-se da formação de uma nova palavra pela redução do radical, e não pelo acréscimo de afixos. O processo mais produtivo é a formação de substantivos a partir de verbos, chamados de substantivos deverbais. Nesses casos, elimina-se a terminação verbal e, eventualmente, ajusta-se a vogal temática. Exemplos: vender → venda (substantivo que designa o ato ou o local de vender) pescar → pesca lutar → luta errar → erro alcançar → alcance atacar → ataque beijar → beijo trocar → troca É importante observar que a derivação regressiva forma substantivos a partir de verbos. Quando um verbo é criado a partir de um substantivo — como "plantar", que deriva de "planta", ou "ancorar", que deriva de "âncora" —, o processo é classificado como derivação sufixal, pois há o acréscimo de sufixo verbal (-ar, -er, -ir) ao radical do substantivo. O sentido da derivação, nesses casos, é determinado pelo contexto histórico: a palavra mais antiga é a primitiva, e a mais recente, a derivada. Derivação Imprópria (Conversão) Na derivação imprópria, uma palavra muda de classe gramatical sem sofrer alteração na forma. Esse processo revela-se essencialmente contextual: a palavra não recebe afixos, mas o uso em determinada função sintática faz com que passe a pertencer a outra classe. Exemplos: adjetivo usado como substantivo: "os bons são recompensados" (bons = pessoas boas) verbo usado como substantivo: "o jantar está servido" (jantar = refeição) substantivo próprio usado como comum: "Ele é um judas" (judas = traidor) advérbio usado como substantivo: "O sim foi unânime" (sim = voto favorável) adjetivo invariável usado como advérbio: "A criança falou baixo" (baixo = de modo baixo) A derivação imprópria é um processo extremamente produtivo e está na base de muitas expressões cotidianas. Em concursos e vestibulares, é comum sua cobrança associada ao estudo das classes gramaticais e da análise sintática. Composição Na composição, a nova palavra é formada pela união de dois ou mais radicais, diferentemente da derivação, que envolve apenas um radical. O sentido da palavra composta resulta da combinação dos significados dos radicais envolvidos. Há dois tipos: a justaposição e a aglutinação. Composição por Justaposição Os radicais unem-se sem que haja alteração fonética significativa; mantêm sua integridade sonora e gráfica. Apenas a proximidade e a unidade semântica indicam que se trata de uma nova palavra. Exemplos: guarda + chuva → guarda-chuva gira + sol → girassol (embora haja algumas alterações ortográficas menores, a estrutura fonológica permanece íntegra) amor + perfeito → amor-perfeito arco + íris → arco-íris meio + dia → meio-dia pé + de + moleque → pé de moleque (locução que funciona como unidade lexical) couve + flor → couve-flor Na justaposição, o uso do hífen é regido pelas normas ortográficas vigentes, que determinam a manutenção ou supressão do hífen em compostos por justaposição conforme a presença ou não de elementos de ligação e o tipo de elemento. Composição por Aglutinação Na aglutinação, os radicais unem-se com alteração fonética e gráfica de pelo menos um dos elementos. Há perda de fonemas, mudança de acentuação e adaptação da forma. Exemplos: plano + alto → planalto (perda do "o" de "plano", alteração da tonicidade) água + ardente → aguardente (perda do "a" de "água", crase vocálica) perna + alta → pernalta em + boa + hora → embora filho + de + algo → fidalgo desta + arte → destarte As palavras formadas por aglutinação tendem a ser percebidas como uma unidade indivisível, e sua origem etimológica muitas vezes só é recuperada por análise histórica. A aglutinação é menos produtiva na sincronia atual do que a justaposição, mas muitos vocábulos de uso corrente foram formados por esse processo. Outros Processos de Formação Abreviação ou Redução A abreviação consiste na redução de uma palavra extensa, mantendo seu significado original. É um processo informal, mas algumas abreviações se incorporam ao léxico e passam a ser usadas em contextos formais. Exemplos: fotografia → foto professor → profe pneumático → pneu telefone celular → celular (e, posteriormente, cel) motocicleta → moto neurose → neura (informal) A abreviação não deve ser confundida com a derivação regressiva, pois nesta última há mudança de classe gramatical e de significado lexical, enquanto na abreviação a palavra reduzida mantém a mesma classe e o mesmo significado da original. Onomatopeia Formação de palavras que imitam sons naturais ou artificiais. As onomatopeias são signos motivados, pois guardam relação de semelhança com o som que representam. Exemplos: tique-taque (relógio) miau (gato) zumbido (inseto) pingue-pongue (som de objeto batendo) cocoricó (galo) atchim (espirro) As onomatopeias podem ser integradas ao sistema morfológico da língua, gerando derivações: "zumbir", "miar", "pingar", entre outros. Empréstimo Linguístico O empréstimo é a incorporação de palavras de outras línguas ao vocabulário do português. Esse processo reflete contatos culturais, científicos e tecnológicos. Muitas palavras estrangeiras passam por adaptação fonética e gráfica (aportuguesamento), enquanto outras mantêm a grafia original. Exemplos: do inglês: futebol (football), xampu (shampoo), deletar (delete), mouse (sem adaptação gráfica em muitos contextos), hambúrguer (hamburger) do francês: abajur (abat-jour), sutiã (soutien), maiô (maillot), creme (crème) do italiano: pizza, macarrão (maccheroni), maestro, soneto (sonetto) do japonês: quimono, samurai, sashimi O aportuguesamento segue regras ortográficas que podem variar conforme o Acordo Ortográfico e as convenções lexicográficas. Algumas formas estrangeiras convivem com formas adaptadas, como "shampoo" e "xampu", "check-up" e "checape". Hibridismo Trata-se da formação de uma palavra por elementos provenientes de línguas diferentes. É um processo comum em terminologias científicas e técnicas. Exemplos: auto (grego) + móvel (latim) → automóvel tele (grego) + visão (latim) → televisão socio (latim) + logia (grego) → sociologia Embora muitos gramáticos considerem o hibridismo uma categoria autônoma, outros o incluem no rol da composição ou da derivação, dependendo da natureza dos formantes. O que importa é reconhecer que a língua combina radicais de origens diversas com naturalidade. Siglas e Acronímia As siglas são formadas pelas letras iniciais de palavras de uma expressão, e podem ser pronunciadas como sequência de letras (siglas alfabéticas) ou como palavra (acrônimos). Exemplos: CPF (Cadastro de Pessoas Físicas) – sigla alfabética, pronunciada como "cê-pê-efe" IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) – sigla alfabética, pronunciada como "i-bê-gê-e" RG (Registro Geral) – sigla alfabética, pronunciada como "erre-gê" Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) – acrônimo, pronunciado como palavra "eném" Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) – acrônimo ONU (Organização das Nações Unidas) – acrônimo, pronunciado como "ônu" As siglas constituem um processo de criação lexical extremamente produtivo na contemporaneidade, especialmente nos campos técnico, administrativo e político. A Importância do Estudo dos Processos de Formação Conhecer os processos de formação de palavras permite ao estudante: Analisar a estrutura vocabular, identificando radicais, prefixos e sufixos, o que facilita a dedução de significados de palavras desconhecidas; Compreender as relações entre palavras da mesma família etimológica, enriquecendo o vocabulário; Aplicar corretamente as regras de ortografia, especialmente as relacionadas ao uso do hífen em compostos (justaposição) e às alterações gráficas em aglutinações; Interpretar textos com maior precisão, percebendo os efeitos de sentido produzidos pela escolha de palavras derivadas, compostas ou formadas por processos expressivos (onomatopeia, por exemplo); Dominar a norma culta da língua em suas diversas manifestações escritas. O estudo aprofundado desses processos constitui um dos pilares da competência lexical, indispensável para o êxito em provas e na comunicação formal. Exercícios: Complete a frase: Os prefixos em português apresentam diferentes variantes formais em razão da _____ ou da origem etimológica, como ocorre na modificação do prefixo de negação 'in-' para 'ir-' antes de palavras iniciadas por R. Complete a frase: A comprovação da existência real de uma forma _____ constitui o critério definitivo para diferenciar o processo de derivação prefixal e sufixal da parassíntese. Complete a frase: A derivação parassintética caracteriza-se pela anexação _____ de um prefixo e de um sufixo ao radical, fazendo com que a palavra não tenha existência autônoma se um dos afixos for removido. Complete a frase: Na criação de palavras por derivação regressiva, o mecanismo mais comum é a formação de substantivos criados a partir de verbos, os quais recebem o nome de substantivos _____. Complete a frase: Na derivação imprópria ou conversão, uma palavra muda de classe gramatical sem sofrer nenhuma alteração em sua forma original, mostrando-se um fenômeno essencialmente _____. Complete a frase: Na composição por aglutinação, os radicais unem-se ocorrendo necessariamente uma perda ou modificação _____ de pelo menos um dos elementos originais. Complete a frase: Ao contrário da derivação regressiva, que acarreta mudança de classe gramatical, no processo de abreviação ou redução a palavra resultante mantém inalterados tanto a sua classe quanto o seu _____ original. Complete a frase: Em termos linguísticos, as onomatopeias são consideradas signos _____ devido ao fato de estabelecerem uma relação direta de semelhança com os sons reais que tentam reproduzir. Complete a frase: Nas palavras 'água' e 'quase', as letras GU e QU não formam dígrafos porque a letra U é pronunciada, funcionando como uma _____. Complete a frase: A sequência SC varia de acordo com a palavra: em 'nascer' ela é um dígrafo, mas em 'escada' ela forma um _____ porque as duas letras são pronunciadas. Observe as palavras abaixo e assinale a alternativa que apresenta UMA PALAVRA FORMADA POR DERIVAÇÃO PREFIXAL E SUFIXAL, conforme explicado na aula. Analise as alternativas abaixo e escolha aquela em que a explicação do processo de formação da palavra está correta, de acordo com o que foi apresentado na aula. Na derivação prefixal e sufixal, o prefixo e o sufixo são independentes, o que permite que a palavra continue existindo mesmo se retirarmos um desses pedaços. A composição por aglutinação acontece quando juntamos duas palavras para formar uma nova sem que nenhuma delas perca letras ou sons. A derivação parassintética ocorre quando um prefixo e um sufixo são colados ao radical ao mesmo tempo, sendo impossível separar um deles sem destruir o sentido da palavra. A derivação imprópria é o processo onde uma palavra muda sua classe gramatical (como um verbo que vira substantivo) sem que nenhuma letra da sua escrita original seja alterada. A derivação regressiva cria substantivos a partir de verbos, resultando em uma palavra maior e com mais letras do que o verbo original. Na composição por justaposição, as palavras se unem mas mantêm sua pronúncia e escrita originais, como acontece em 'passatempo'. A palavra 'infelizmente' é um exemplo de derivação parassintética, pois utiliza um prefixo e um sufixo para modificar a palavra 'feliz'. O processo de onomatopeia consiste em reduzir o tamanho de uma palavra para torná-la mais prática, como usar 'foto' em vez de 'fotografia'. A palavra 'planalto' é formada por aglutinação, pois houve a perda de um som durante a união de 'plano' com 'alto'. Na derivação prefixal, acrescentamos um pedaço chamado afixo depois do radical da palavra, o que geralmente muda a sua classe gramatical. A palavra 'empedernir' é formada por parassíntese. O que aconteceria se tentássemos aplicar apenas o prefixo 'em-' ao radical? Qual é o critério fundamental para diferenciar a derivação parassintética da derivação prefixal e sufixal? A palavra 'infelizmente' é um exemplo de qual processo de formação de palavras? O substantivo 'ajuda' (derivado do verbo ajudar) é classificado como: A palavra 'embora' (em + boa + hora) exemplifica o processo de: Em qual das frases abaixo a palavra em destaque sofreu derivação imprópria? Qual é a característica principal da derivação sufixal em termos morfológicos? Na formação da palavra 'girassol', ocorre o processo de: Como podemos distinguir, na língua portuguesa, se um substantivo é derivado de um verbo por derivação regressiva (deverbal) ou se um verbo é derivado de um substantivo (denominal)?