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Principais Preposições na Regência Verbal e Nominal – Português | Tuco-Tuco

Identificação das preposições mais recorrentes e sua aplicação.

As Preposições e a Regência A regência, tanto verbal quanto nominal, depende essencialmente do uso correto das preposições. São elas que estabelecem a conexão entre o termo regente e o termo regido, determinando relações de sentido como direção, posse, causa, companhia, entre outras. Conhecer as preposições mais recorrentes, seus valores semânticos e suas exigências específicas é imprescindível para dominar a sintaxe da língua portuguesa e para o sucesso em concursos e vestibulares. Nesta aula, vamos analisar detalhadamente as principais preposições que aparecem na regência verbal e nominal, apresentando seus usos, exemplos e casos especiais. O foco será na aplicação prática, com situações frequentemente cobradas em provas. A Preposição "A" A preposição "a" é uma das mais versáteis e também uma das mais exigidas na regência. Ela pode indicar direção, finalidade, modo, tempo, entre outras circunstâncias. Na regência verbal Movimento ou destino: Chegou a São Paulo. Foi ao cinema. Verbos que pedem "a": Assistir ao filme (ver, presenciar); Aspirar ao cargo (desejar); Visar ao sucesso (ter como meta); Obedecer à lei; Agradar a todos (no sentido de ser agradável). Atenção especial: "Perdoar" e "Pagar" – Esses verbos são frequentemente cobrados em provas de concurso e vestibular por apresentarem regência dupla, que segue uma lógica rigorosa na norma culta: - Verbo transitivo direto (sem preposição) quando o complemento é uma COISA: Perdoar a ofensa. / Pagar a dívida. - Verbo transitivo indireto (com preposição "a") quando o complemento é uma PESSOA: Perdoar ao ofensor. / Pagar ao credor. - Embora na fala cotidiana seja comum "perdoar alguém", a tradição gramatical mais rígida adotada pelas bancas examinadoras exige a preposição "a" para o complemento pessoal. Portanto, para fins de prova, grave: perdoar alguma coisa (VTD) e perdoar a alguém (VTI); pagar alguma coisa (VTD) e pagar a alguém (VTI). Na regência nominal Substantivos e adjetivos que exigem "a": amor à vida, fiel ao compromisso, próximo à realidade, acessível a todos, contrário à proposta, apto ao trabalho. A preposição "a" combinada com artigo definido feminino resulta em crase: à, às. A Preposição "De" "De" é a preposição mais frequente na regência nominal, mas também aparece em muitos verbos. Indica origem, posse, causa, matéria, entre outras relações. Na regência verbal Origem ou afastamento: Saiu de casa. Desistiu do projeto. Verbos que pedem "de": Gostar de música, Precisar de ajuda, Lembrar-se de algo (pronominal), Esquecer-se de algo (pronominal), Depender de, Duvidar de, Cuidar de, Discordar de (a regência correta é com "de", não com "com"). Verbos que mudam de sentido com ou sem "de": Lembrar (direto: lembrei o fato) vs. lembrar-se de (pronominal indireto). O uso sem "de" é comum na linguagem coloquial, mas na norma culta, a forma pronominal exige preposição. Na regência nominal Substantivos e adjetivos que exigem "de": medo de escuro, orgulho de si, capaz de tudo, digno de nota, cheio de esperança, longe da verdade, perto de casa, ansioso de notícias (menos comum que "por", mas aceito). A combinação "de" + artigo pode gerar contrações: do, da, dos, das, dum, duns, duma, dumas. A Preposição "Em" "Em" indica lugar, tempo, modo, estado, entre outros. É muito usada com verbos que denotam permanência ou contato. Na regência verbal Localização estática: Morar em São Paulo. Estar no trabalho. Verbos que pedem "em": Consistir em (ter por essência); Acreditar em; Confiar em; Tocar em (pôr a mão); Pensar em (refletir); Incidir em (recair). Atenção ao verbo chegar: ele exige a preposição "a" (movimento), e não "em". Na norma culta, diz-se Chegar a algum lugar. A forma Chegar em é coloquial e deve ser evitada em textos formais. Um caso especial é a palavra casa: usa-se Cheguei a casa (sem crase) quando nos referimos ao próprio lar, pois a palavra "casa" nesse sentido não admite artigo. A crase ocorre apenas se a casa estiver especificada com um determinante: Cheguei à casa de meus pais, Cheguei à casa da praia. Na regência nominal Nomes que exigem "em": fé em Deus, esperança no futuro, baseado em fatos, residente em Brasília, interesse em participar. A preposição "em" combina-se com artigos: no, na, nos, nas, num, nuns, numa, numas. A Preposição "Por" "Por" expressa causa, meio, agente da passiva, entre outras ideias. Na regência verbal Causa: Chorou por dor. Lutou pela liberdade. Agente da passiva: O trabalho foi feito por mim. Verbos que pedem "por": Ansiar por (desejar intensamente); Zelar por (cuidar); Interessar-se por; Esforçar-se por; Optar por. O verbo ansiar também admite "para" ou "de", mas "por" é a mais clássica. Na regência nominal Nomes que exigem "por": amor pela arte, paixão por música, respeito pela opinião alheia, responsabilidade por atos, admiração por alguém, interesse por algo. Muitos adjetivos de sentimento usam "por": preocupado por, feliz por, contente por. A Preposição "Com" "Com" indica companhia, instrumento, modo, causa, oposição, entre outras relações. Na regência verbal Companhia: Foi com os amigos. Instrumento: Cortou com a faca. Verbos que pedem "com": Concordar com, Simpatizar com, Antipatizar com, Casar com (unir-se em matrimônio), Comparar com (estabelecer semelhanças ou diferenças). Cuidado: simpatizar não é pronominal (simpatizar com alguém, não "se simpatizar"). E lembre-se: discordar rege a preposição "de", e não "com". Na regência nominal Nomes que exigem "com": compatível com o sistema, incompatível com a norma, relacionamento com clientes, contato com a natureza, acordo com as partes. Também se usa em expressões como de acordo com, junto com. A Preposição "Para" "Para" indica direção, finalidade, destino, prazo, entre outros. Na regência verbal Finalidade: Estudou para aprender. Veio para ajudar. Destino: Partiu para o exterior. Enviou para o cliente. Verbos que pedem "para": Habilitar para, Capacitar para, Preparar para, Nomear para (designar para cargo), Eleger para. Alguns verbos podem reger "a" ou "para" com pequena diferença de sentido: entregar a (dar a posse) / entregar para (destinar). Na regência nominal Nomes que exigem "para": apto para o serviço, pronto para usar, necessário para a vida, disponível para todos, capacidade para liderar. Outras Preposições Relevantes "Sobre" e "Sob" Sobre (posição superior, assunto): O livro está sobre a mesa.; Discutimos sobre o projeto.; Livro sobre história. Sob (posição inferior, debaixo de): viver sob pressão; estar sob controle; agir sob ordens. Ambas aparecem na regência de verbos como falar sobre, discorrer sobre, e em expressões nominais: debate sobre educação, situação sob controle. "Contra" Indica oposição, choque, contrariedade. Verbos: Lutar contra, Protestar contra, Chocar-se contra. Nomes: vacina contra gripe, revolta contra a injustiça, jogo contra o rival. "Entre" Indica intervalo, interação recíproca, relação. Verbos: Dividir entre os irmãos, Escolher entre duas opções, Partilhar entre. Nomes: relação entre pais e filhos, distância entre cidades, comparação entre. Observações Importantes para Provas As preposições podem ser exigidas por mais de um termo na mesma frase, e a omissão indevida de uma delas pode causar erro de regência. Verbos e nomes que compartilham o mesmo radical frequentemente mantêm a mesma preposição, como obedecer a → obediência a; gostar de → gosto de; confiar em → confiança em. Esse princípio auxilia na memorização. Algumas preposições se contraem com artigos, pronomes ou advérbios, formando combinações obrigatórias ou facultativas. O domínio dessas contrações faz parte da escrita formal. A preposição "a" se funde com o artigo definido feminino, gerando crase. É essencial verificar se o nome ou verbo rege "a" e se a palavra seguinte admite artigo, para aplicar o acento grave corretamente. Fique atento aos casos em que a preposição é exigida por um termo distante, como em períodos mais complexos. O correto é sempre respeitar a regência, independentemente da posição do complemento. Para os verbos perdoar e pagar, lembre-se: complemento de coisa = sem preposição (VTD); complemento de pessoa = com preposição "a" (VTI). Essa distinção é clássica e recorrente em questões de múltipla escolha. O verbo chegar pede "a" (e não "em"). Com a palavra "casa" (lar), não há crase: Cheguei a casa. A crase aparece quando a casa está determinada: Cheguei à casa dos avós. Dominar o uso das preposições na regência verbal e nominal é um passo decisivo para a clareza e a correção gramatical, tanto na produção de textos quanto na resolução de questões objetivas. O estudo sistemático desses casos, aliado à prática constante, consolidará esse conhecimento.