Aula de Português (Sintaxe: Estrutura e Organização da Frase): Orações Subordinadas Substantivas. Classificação e análise das orações subordinadas substantivas. Estude gratuitamente para vestibular e ENEM no Tuco-Tuco.
Orações Subordinadas Substantivas
As orações subordinadas substantivas constituem um dos pilares da sintaxe do período composto por subordinação. Elas são assim denominadas porque exercem, em relação à oração principal, as mesmas funções sintáticas que um substantivo poderia exercer: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo e aposto. Dominar a identificação, a classificação e as particularidades dessas orações é indispensável para a análise sintática completa, para a correta pontuação e para a compreensão do papel que desempenham na construção do sentido nos textos. Este tema é frequentemente cobrado em concursos e vestibulares, tanto em questões objetivas de gramática quanto na interpretação de textos mais complexos.
Caracterização Geral
Uma oração subordinada substantiva é aquela que, introduzida por uma conjunção integrante (tipicamente "que" ou "se"), atua como um substantivo na estrutura da oração principal. Isso significa que todo o conteúdo da oração subordinada pode ser substituído por um substantivo ou por um pronome substantivo ("isso", "isto", "aquilo"), o que constitui um teste prático para identificá-la.
Exemplo:
"É fundamental que todos colaborem."
Substituição: "É fundamental a colaboração de todos." / "É fundamental isso."
Como se vê, a oração "que todos colaborem" pode ser substituída por um substantivo ("colaboração") ou pelo pronome "isso", e desempenha a função de sujeito da oração principal.
As conjunções integrantes "que" e "se" são os conectivos típicos das substantivas, mas também podem aparecer pronomes interrogativos (quem, qual, quanto) quando a subordinada é introduzida por uma pergunta indireta. Exemplo: "Não sei quem fez isso." (oração subordinada substantiva objetiva direta).
Classificação das Orações Subordinadas Substantivas
A classificação baseia-se na função sintática que a oração subordinada exerce em relação à oração principal. São seis os tipos: subjetiva, objetiva direta, objetiva indireta, completiva nominal, predicativa e apositiva.
Orações Subordinadas Substantivas Subjetivas
Exercem a função de sujeito da oração principal. A oração principal, nesses casos, apresenta verbo de ligação (ser, estar, parecer) + predicativo, ou verbo na 3ª pessoa do singular acompanhado de "se" (partícula apassivadora). O verbo da oração principal fica sempre na 3ª pessoa do singular, pois tem como sujeito toda a oração subordinada.
Exemplos:
"É necessário que você compareça." (sujeito: "que você compareça")
"Consta que o projeto foi aprovado." (sujeito: "que o projeto foi aprovado")
"Parece que tudo se resolveu." (sujeito: "que tudo se resolveu")
"Foi anunciado que as inscrições estão abertas." (sujeito: "que as inscrições estão abertas")
Observe que, em todos os casos, o verbo da principal está no singular ("é", "consta", "parece", "foi anunciado"), concordando com o sujeito oracional.
Orações Subordinadas Substantivas Objetivas Diretas
Exercem a função de objeto direto do verbo da oração principal. O verbo da principal é transitivo direto, e a oração subordinada completa seu sentido, respondendo à pergunta "o quê?".
Exemplos:
"Ela afirmou que viria à reunião." (objeto direto: "que viria à reunião")
"Não sei se ele chegará a tempo." (objeto direto: "se ele chegará a tempo")
"Perguntei quem estava na sala." (objeto direto: "quem estava na sala")
"Todos desejam que a paz prevaleça." (objeto direto: "que a paz prevaleça")
A substituição por "isso" comprova a função: "Ela afirmou isso." "Não sei isso."
Orações Subordinadas Substantivas Objetivas Indiretas
Exercem a função de objeto indireto do verbo da oração principal. O verbo da principal é transitivo indireto, e a oração subordinada é introduzida por preposição obrigatória, geralmente "de", "a", "em" ou "para", seguida da conjunção integrante.
Exemplos:
"Preciso de que você me ajude." (objeto indireto: "de que você me ajude")
"Lembrei-me de que a prova é amanhã." (objeto indireto: "de que a prova é amanhã")
"Ele aspira a que todos sejam felizes." (objeto indireto: "a que todos sejam felizes")
"Confio em que tudo dará certo." (objeto indireto: "em que tudo dará certo")
A preposição é exigida pela regência do verbo e não pode ser omitida. Em muitas situações, a preposição se contrai com o "que" de forma sutil na fala, mas deve estar presente na escrita: "Preciso de que...", "Lembrei-me de que...".
Orações Subordinadas Substantivas Completivas Nominais
Exercem a função de complemento nominal de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) presente na oração principal. São sempre introduzidas por preposição, que é exigida pelo nome que complementam.
Exemplos:
"Tenho certeza de que você passará." (complemento nominal de "certeza")
"Ela tem necessidade de que a escutem." (complemento nominal de "necessidade")
"Estou convicto de que ele é inocente." (complemento nominal do adjetivo "convicto")
"Estamos longe de que isso seja verdade." (complemento nominal do advérbio "longe")
A estrutura é muito semelhante à das objetivas indiretas, mas a diferença crucial é que aqui a preposição é regida por um nome, e não por um verbo. Compare:
"Gosto de que me ouçam." (objetiva indireta: verbo "gostar" rege "de")
"Tenho gosto de que me ouçam." (completiva nominal: substantivo "gosto" rege "de")
Orações Subordinadas Substantivas Predicativas
Exercem a função de predicativo do sujeito da oração principal. O verbo da principal é sempre um verbo de ligação (ser, estar, parecer, permanecer, continuar, ficar, tornar-se). A oração subordinada completa a predicação, atribuindo uma qualidade ou característica ao sujeito.
Exemplos:
"A verdade é que ninguém compareceu." (predicativo: "que ninguém compareceu")
"O fato é que não houve acordo." (predicativo: "que não houve acordo")
"Meu desejo é que todos se entendam." (predicativo: "que todos se entendam")
"A dúvida era se ele viria." (predicativo: "se ele viria")
A substituição por um substantivo comprova a função: "A verdade é a sua ausência."
Orações Subordinadas Substantivas Apositivas
Exercem a função de aposto de um termo da oração principal. Vêm geralmente separadas por dois-pontos ou, menos frequentemente, entre vírgulas. Esclarecem, especificam ou desenvolvem o conteúdo do termo antecedente.
Exemplos:
"Só desejo uma coisa: que você seja feliz." (aposto de "uma coisa")
"Lembro-me do seguinte: tudo depende de esforço." (aposto de "seguinte")
"Ele fez uma promessa: que nunca mais mentiria." (aposto de "promessa")
A apositiva é, em muitos contextos, uma oração que detalha o conteúdo de palavras como "coisa", "fato", "promessa", "desejo", "verdade", etc. Aparece com frequência em textos argumentativos e literários.
Orações Reduzidas de Infinitivo
Todas as funções sintáticas descritas podem também ser desempenhadas por orações subordinadas substantivas reduzidas de infinitivo, que não possuem conjunção integrante, e cujo verbo está no infinitivo (flexionado ou não). Exemplos:
Subjetiva reduzida: "É importante estudar." (ou "É importante estudarmos.")
Objetiva direta reduzida: "Desejo passar no concurso."
Objetiva indireta reduzida: "Ele nos convenceu a aceitar a proposta." (verbo "convencer" rege a preposição "a")
Completiva nominal reduzida: "Ela tem necessidade de descansar."
Predicativa reduzida: "A intenção é ajudar."
Apositiva reduzida: "Só peço uma coisa: ser feliz."
A redução do infinitivo é um recurso de concisão e elegância, especialmente na escrita formal. É importante que o estudante saiba que a classificação da oração reduzida é a mesma da desenvolvida correspondente. Nos casos em que o verbo ou nome exige preposição, esta deve ser mantida na forma reduzida.
Quadro Comparativo das Orações Subordinadas Substantivas
| Tipo | Função sintática | Pergunta-chave | Exemplo |
| :--- | :--- | :--- | :--- |
| Subjetiva | Sujeito | O quê + verbo da principal? | "É bom que estude." |
| Objetiva direta | Objeto direto | Verbo + o quê? | "Afirmou que viria." |
| Objetiva indireta | Objeto indireto | Verbo + preposição + o quê? | "Preciso de que ajude." |
| Completiva nominal | Complemento nominal | Nome + preposição + o quê? | "Tenho certeza de que virá." |
| Predicativa | Predicativo do sujeito | Verbo de ligação + o quê? | "A verdade é que ninguém veio." |
| Apositiva | Aposto | O quê, em aposição? | "Só desejo isto: que seja feliz." |
Pontos de Atenção e Dificuldades Comuns
Distinção entre Objetiva Indireta e Completiva Nominal
Essa é uma das confusões mais recorrentes. O critério é verificar se o termo que rege a preposição é um verbo ou um nome.
Verbo → objetiva indireta: "Gosto de que participem."
Nome → completiva nominal: "Tenho gosto de que participem."
Presença da Preposição nas Objetivas Indiretas e Completivas Nominais
É obrigatória. Quando a oração é reduzida de infinitivo, a preposição também é necessária se o verbo ou o nome a exigir: "Preciso de estudar." "Ela tem necessidade de descansar." A omissão da preposição em contextos que a exigem configura erro de regência.
Orações com Verbo de Ligação e Predicativo
Muitas orações com verbo de ligação e predicativo na principal têm como sujeito uma oração subjetiva. Exemplo: "É urgente que tomemos providências." O verbo da principal fica no singular (é urgente) e o sujeito é a oração subordinada. A concordância é impessoal.
Orações com "se" e Sujeito Oracional
Em frases como "Sabe-se que a situação é grave", a análise correta identifica o "se" como partícula apassivadora (PA), e não como índice de indeterminação do sujeito (IIS). O verbo "saber" é transitivo direto; na voz passiva sintética, a oração subordinada substantiva exerce a função de sujeito paciente. A confirmação aparece na transposição para a voz passiva analítica: "Que a situação é grave é sabido." O IIS (sujeito indeterminado) ocorre apenas com verbos que não admitem sujeito (intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação), o que não é o caso de "saber".
Oração Subjetiva vs. Objetiva Direta após "ser" + adjetivo
Compare:
"É necessário que todos estudem." (subjetiva: sujeito)
"Tenho certeza de que é necessário estudar." (a subjetiva está dentro de uma completiva nominal; a análise deve ser feita por níveis).
Cuidado com a Pontuação
As orações subordinadas substantivas não são separadas por vírgula da oração principal, exceto a apositiva, que pode ser isolada por dois-pontos ou vírgulas, conforme o caso. A pontuação inadequada pode gerar truncamento sintático e deve ser evitada.
A Importância do Estudo das Substantivas
O domínio da classificação das orações subordinadas substantivas permite ao estudante:
Realizar a análise sintática completa de períodos complexos, identificando sujeitos e complementos oracionais.
Evitar erros de concordância verbal, como flexionar o verbo da principal quando o sujeito é oracional ("É necessário que todos estudem"; nunca "São necessários...").
Aplicar corretamente as regras de regência, diferenciando objetos indiretos de complementos nominais.
Interpretar textos com maior precisão, reconhecendo as relações de dependência entre ideias e a hierarquia das informações.
Produzir textos coesos, variando entre orações desenvolvidas e reduzidas para obter clareza e fluência.
O estudo das substantivas, em conjunto com as adjetivas e adverbiais, completa o panorama das orações subordinadas, fornecendo as ferramentas necessárias para a compreensão da arquitetura do período composto na Língua Portuguesa.
Exercícios:
Observe a seguinte frase:
"Eles precisam de que você participe."
Considerando o conteúdo da aula, assinale a alternativa correta sobre a classificação da oração subordinada destacada e a conjunção utilizada.
As orações subordinadas substantivas subjetivas exercem a função de sujeito da oração principal, sendo comuns em estruturas com o verbo ser acompanhado de um predicativo.
Na estrutura sintática 'Sabe-se que a prova será difícil', a oração iniciada pela conjunção integrante exerce a função de objeto direto do verbo saber.
A distinção entre oração objetiva indireta e completiva nominal depende da classe gramatical do termo que exige o complemento: se for um verbo, é objetiva; se for um nome, é completiva.
Para que uma oração seja classificada como substantiva predicativa, a oração principal deve obrigatoriamente apresentar um sujeito e um verbo de ligação.
As conjunções integrantes 'que' e 'se' são elementos de ligação que não exercem função sintática dentro da oração subordinada, servindo apenas para introduzi-la.
As orações subordinadas substantivas apositivas devem vir isoladas obrigatoriamente por vírgulas, sendo vedado o uso de dois-pontos para introduzi-las na norma culta.
As orações subordinadas substantivas são introduzidas exclusivamente por conjunções integrantes, não sendo possível o uso de pronomes interrogativos nessa função.
O método de substituir a oração subordinada pelo pronome demonstrativo 'isso' comprova que a oração é substantiva e garante que ela seja sempre objetiva direta.
As orações substantivas reduzidas caracterizam-se pela ausência de conjunção integrante e pelo emprego do verbo em uma forma nominal, geralmente o infinitivo.
A utilização de vírgula para separar a oração subordinada substantiva da oração principal é facultativa, visando auxiliar a pausa respiratória na leitura do período.
No período 'É fundamental que a equipe mantenha o foco no projeto', como se classifica a oração subordinada?
Analise a frase: 'A verdade é que ninguém estava preparado para a notícia'. A oração destacada exerce a função de:
Diferencie as funções sintáticas em: 'Tenho medo de que você desista' e 'Duvido de que você desista'. As orações são, respectivamente:
No enunciado 'Convém que todos mantenham a discrição', o verbo da oração principal é classificado como:
A oração subordinada substantiva objetiva indireta é obrigatoriamente introduzida por:
Assinale a alternativa que apresenta uma oração subordinada substantiva apositiva:
Considere a frase: "Tenho certeza de que você está preparado."
Em relação à oração subordinada destacada, assinale a alternativa que indica corretamente a função que ela desempenha em relação ao termo regente.
A frase 'Meu receio era que você não compreendesse o motivo' contém uma oração:
Na frase 'Não sabemos se ele aceitará a proposta', a oração subordinada é classificada como:
Identifique a oração subordinada substantiva reduzida de infinitivo:
Qual é a classificação da oração subordinada em: 'Sabe-se que a economia global enfrentará desafios'?