Aula de Português (Sintaxe: Estrutura e Organização da Frase): Orações Subordinadas Adverbiais. Tipos de orações subordinadas adverbiais e suas relações de sentido. Estude gratuitamente para vestibular e ENEM no Tuco-Tuco.
Orações Subordinadas Adverbiais
As orações subordinadas adverbiais constituem um dos eixos centrais do período composto por subordinação. Elas desempenham a função de adjunto adverbial da oração principal, acrescentando circunstâncias de causa, consequência, condição, tempo, concessão, finalidade, comparação, proporção e conformidade. A riqueza dessas orações reside na diversidade de nexos lógico-semânticos que podem estabelecer, sendo instrumentos fundamentais para a argumentação, a descrição e a narração. O domínio de sua classificação, das conjunções e locuções conjuntivas que as introduzem e das regras de pontuação é indispensável para a análise sintática avançada, para a interpretação aprofundada de textos e para a produção de redações coerentes e coesas, habilidades constantemente avaliadas em concursos públicos e vestibulares.
Caracterização Geral
A oração subordinada adverbial é aquela que se liga a uma oração principal (ou a outra subordinada) para exprimir uma circunstância: tempo, causa, finalidade, condição, concessão, consequência, comparação, conformidade ou proporção. Ela é introduzida por uma conjunção subordinativa adverbial (ou locução conjuntiva) e pode ser desenvolvida (com verbo conjugado e conjunção explícita) ou reduzida (com verbo no infinitivo, gerúndio ou particípio, sem conjunção, mas mantendo o valor circunstancial).
Diferentemente das orações coordenadas, as adverbiais são sintaticamente dependentes: exercem a função de adjunto adverbial da oração a que se subordinam. A ausência da oração adverbial torna a principal incompleta em termos de sentido circunstancial, embora a estrutura sintática permaneça íntegra.
Classificação das Orações Subordinadas Adverbiais
A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) classifica as adverbiais de acordo com a circunstância que expressam. A seguir, são apresentados os nove tipos, com as conjunções/locuções mais frequentes e exemplos detalhados.
Orações Subordinadas Adverbiais Causais
Expressam a causa, o motivo ou a razão do fato enunciado na oração principal. As conjunções e locuções causais mais comuns são: porque, visto que, já que, uma vez que, como (quando anteposto à principal), porquanto, na medida em que, dado que, sendo que.
Exemplos:
"Faltou à aula porque estava doente." (causa da falta)
"Como choveu muito, o evento foi cancelado." (a causa aparece no início; a principal é "o evento foi cancelado")
"Visto que não houve tempo hábil, adiaremos a reunião."
"Já que você insiste, vou reconsiderar minha decisão."
"Ele foi absolvido, porquanto sua inocência ficou provada."
A oração causal pode vir antes ou depois da principal. Quando anteposta, é comum separá-la por vírgula. A conjunção "como" causal sempre inicia o período, com a subordinada anteposta à principal.
Orações Subordinadas Adverbiais Consecutivas
Expressam a consequência ou o efeito do fato enunciado na oração principal. As conjunções e locuções consecutivas mais comuns são: que (precedido de tão, tal, tanto, tamanho, de modo que, de sorte que, de forma que, de maneira que).
Exemplos:
"Estava tão cansado que adormeceu imediatamente." (a intensidade "tão" na principal gera a consequência na subordinada)
"Falou alto, de modo que todos ouviram."
"Tal era seu entusiasmo que contagiou a plateia."
"Bebeu tamanha quantidade de água que passou mal."
"Choveu torrencialmente, de sorte que as ruas ficaram alagadas."
A oração consecutiva é, em geral, posposta à principal. Os intensificadores (tão, tal, tanto, tamanho) na principal são a marca registrada desse tipo de adverbial.
Orações Subordinadas Adverbiais Condicionais
Expressam uma condição ou hipótese para que o fato da oração principal se realize. As conjunções e locuções condicionais mais comuns são: se, caso, desde que, contanto que, a não ser que, a menos que, sem que, salvo se, uma vez que (com valor condicional), na hipótese de que.
Exemplos:
"Se você estudar, será aprovado."
"Irei ao passeio, desde que me convidem." (a condição é o convite)
"Caso precise, peça ajuda."
"Contanto que todos colaborem, o projeto será concluído."
"Não sairei, a não ser que a chuva pare."
"Sem que haja diálogo, não haverá entendimento."
A oração condicional pode ser anteposta ou posposta à principal. Quando anteposta, a vírgula é de regra. As condicionais são fundamentais na estruturação de raciocínios hipotéticos e argumentos jurídicos e científicos.
Orações Subordinadas Adverbiais Temporais
Indicam o tempo em que ocorre o fato expresso na oração principal. As conjunções e locuções temporais mais comuns são: quando, enquanto, assim que, logo que, depois que, antes que, sempre que, até que, agora que, mal (equivalente a "assim que"), desde que (com valor temporal), ao passo que.
Exemplos:
"Quando o sol nasceu, os pássaros começaram a cantar."
"Fique aqui enquanto eu vou buscar os documentos."
"Assim que terminar, avise-me."
"Depois que o expediente terminou, todos foram para casa."
"Antes que a chuva caísse, guardamos a roupa do varal."
"Sempre que posso, visito meus avós."
"Mal chegou, já foi cercado de perguntas."
As temporais situam a ação em um eixo cronológico, podendo expressar simultaneidade ("enquanto"), anterioridade ("antes que") ou posterioridade ("depois que", "assim que"). A pontuação segue o padrão: anteposta à principal, exige vírgula; posposta, a vírgula é facultativa, dependendo da extensão e da ênfase.
Orações Subordinadas Adverbiais Concessivas
Indicam uma concessão, ou seja, uma ideia contrária ou um obstáculo que não impede a realização do fato principal. As conjunções e locuções concessivas mais comuns são: embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que, por mais que, por menos que, apesar de que, não obstante.
Exemplos:
"Embora estivesse cansado, terminou o trabalho." (a concessão não impediu a conclusão)
"Sairemos, mesmo que chova." (a chuva não é impeditivo)
"Ainda que me peça, não perdoarei."
"Posto que fosse tarde, continuamos a conversa."
"Por mais que estudasse, não conseguia a aprovação."
"Se bem que o salário seja baixo, o ambiente de trabalho é agradável."
As concessivas são muito empregadas em textos argumentativos para reconhecer objeções e, ao mesmo tempo, sustentar a posição defendida. A vírgula é obrigatória quando a concessiva antecede a principal; quando posposta, a vírgula é recomendada.
Orações Subordinadas Adverbiais Finais
Expressam a finalidade ou o objetivo do fato enunciado na oração principal. As conjunções e locuções finais mais comuns são: para que, a fim de que, que (equivalente a "para que"), porque (em linguagem mais antiga ou formal).
Exemplos:
"Estudou muito para que pudesse passar no concurso." (finalidade do estudo)
"Fechou as janelas, a fim de que o vento não entrasse."
"Vamos logo, que eu não quero me atrasar." (uso coloquial/formal de "que" final)
"Esforcei-me para que tudo desse certo."
"Tomou o remédio porque a dor passasse." (uso antigo/literário de "porque" final)
As finais são geralmente pospostas à principal, mas podem ser antepostas para ênfase. A pontuação é semelhante à das demais adverbiais. As finais são muito comuns em textos injuntivos e argumentativos, onde se apontam propósitos e metas.
Orações Subordinadas Adverbiais Comparativas
Estabelecem uma comparação entre dois termos ou orações. As conjunções comparativas mais comuns são: como, (tal) qual, assim como, que (precedido de mais, menos, tão, tanto), do que.
Exemplos:
"Ela é dedicada como a mãe era."
"Corre mais rápido do que o adversário."
"Ele agiu tal qual o pai agiria."
"Estuda tanto quanto trabalha."
"O dia estava tão quente como no verão passado."
Nas comparativas, é frequente a elipse do verbo quando este é o mesmo da principal. Exemplo: "Ela canta como um anjo (canta)." A análise deve identificar a oração comparativa mesmo quando o verbo está implícito.
Orações Subordinadas Adverbiais Proporcionais
Indicam que dois fatos variam proporcionalmente, ou seja, à medida que um fato aumenta ou diminui, o outro também se altera no mesmo ritmo. As conjunções e locuções proporcionais mais comuns são: à medida que, à proporção que, quanto mais... (mais/menos), quanto menos... (menos/mais), ao passo que.
Exemplos:
"À medida que o tempo passa, a sabedoria aumenta." (relação de progressão)
"Quanto mais estudava, mais aprendia."
"Quanto menos reclamava, mais era ouvido."
"À proporção que a noite caía, a temperatura baixava."
"Ao passo que envelhecemos, ganhamos experiência."
É importante não confundir "à medida que" (proporcional) com "na medida em que" (causal). A proporcional descreve uma correlação contínua entre dois eventos.
Orações Subordinadas Adverbiais Conformativas
Indicam conformidade, acordo ou consonância com o que se enuncia na oração principal. As conjunções conformativas mais comuns são: conforme, segundo, consoante, como.
Exemplos:
"Fizemos o trabalho conforme o professor havia orientado."
"Segundo consta no relatório, houve avanços."
"Tudo ocorreu como estava previsto."
"Consoante as leis vigentes, o ato é ilegal."
As conformativas são frequentes em textos jornalísticos, acadêmicos e jurídicos para citar fontes, referências e disposições normativas.
Quadro Comparativo das Orações Adverbiais
| Tipo | Conjunções/locuções principais | Relação de sentido | Exemplo |
| :--- | :--- | :--- | :--- |
| Causal | porque, visto que, já que, como | Causa, motivo | "Faltou porque estava doente." |
| Consecutiva | que (precedido de tão, tal...), de modo que | Consequência, efeito | "Tão cansado que dormiu." |
| Condicional | se, caso, desde que, contanto que | Condição, hipótese | "Se estudar, passará." |
| Temporal | quando, enquanto, assim que, logo que | Tempo | "Quando amanheceu, partiram." |
| Concessiva | embora, ainda que, mesmo que, posto que | Concessão, oposição | "Embora chova, sairei." |
| Final | para que, a fim de que | Finalidade, objetivo | "Estudou para que passasse." |
| Comparativa | como, assim como, do que, qual | Comparação | "É forte como um touro." |
| Proporcional | à medida que, quanto mais... mais | Proporção, progressão | "À medida que estuda, aprende." |
| Conformativa | conforme, segundo, consoante, como | Conformidade | "Fez conforme o manual." |
Orações Reduzidas de Infinitivo, Gerúndio e Particípio
As orações subordinadas adverbiais podem aparecer na forma reduzida, sem a conjunção explícita, com o verbo em uma das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio. A classificação da oração reduzida é a mesma da desenvolvida correspondente.
Reduzidas de Infinitivo
Causal: "Por estar doente, faltou ao trabalho." (porque estava doente)
Condicional: "A persistir o sintoma, procure um médico." (se o sintoma persistir)
Temporal: "Ao chegar, cumprimentou a todos." (quando chegou)
Final: "Estudou para passar." (para que passasse)
Concessiva: "Apesar de ter estudado, não conseguiu a nota." (embora tivesse estudado)
Reduzidas de Gerúndio
Causal: "Estando doente, não compareceu." (porque estava doente)
Temporal: "Chegando ao local, avise-me." (quando chegar)
Concessiva: "Mesmo chovendo, saiu." (embora chovesse)
Condicional: "Estudando, passará." (se estudar)
Reduzidas de Particípio
Temporal: "Terminada a aula, os alunos saíram." (quando a aula terminou)
Causal: "Atrasado, não pôde entrar." (porque estava atrasado)
Condicional: "Feito o pagamento, a mercadoria será enviada." (se o pagamento for feito)
As orações reduzidas são um recurso de concisão e fluência, amplamente utilizado na linguagem formal e literária. A pontuação das reduzidas segue os mesmos princípios das desenvolvidas.
Pontuação das Orações Adverbiais
A pontuação das adverbiais é um aspecto relevante para a clareza do período. A regra geral é:
Oração adverbial anteposta à principal: usa-se vírgula, obrigatoriamente. Exemplo: "Quando cheguei, todos estavam reunidos."
Oração adverbial posposta à principal: a vírgula é facultativa, sendo empregada quando se deseja dar ênfase, marcar pausa ou quando a oração é longa. Exemplo: "Todos estavam reunidos quando cheguei." (sem vírgula) ou "Todos estavam reunidos, quando cheguei." (com vírgula enfática).
Oração adverbial intercalada: deve ser isolada por vírgulas. Exemplo: "A reunião, embora longa, foi produtiva."
As concessivas e as condicionais, quando pospostas, frequentemente são marcadas por vírgula, especialmente se forem extensas ou se houver intenção de realce.
Pontos de Atenção e Dificuldades Comuns
Distinção entre Causal e Consecutiva
A oração causal indica a origem do fato; a consecutiva, o resultado. Uma dica prática: se a conjunção puder ser substituída por "porque" e a oração expressar a razão, é causal; se a oração expressar o efeito e houver um intensificador na principal, é consecutiva. Exemplo: "Correu tanto que se cansou." (consecutiva); "Porque correu, cansou-se." (causal).
Distinção entre Causal e Final
A causal aponta para trás (a razão); a final aponta para frente (o objetivo). Exemplo: "Estudou porque queria passar." (causal: a vontade de passar motivou o estudo); "Estudou para que passasse." (final: o objetivo era passar).
Distinção entre Concessiva e Adversativa
A concessiva é subordinada; a adversativa é coordenada. A concessiva usa "embora", "ainda que"; a adversativa usa "mas", "porém". Exemplo: "Embora estudasse, não passou." (concessiva) × "Estudou, mas não passou." (adversativa). Note que, na adversativa, as duas orações são independentes; na concessiva, a oração é dependente.
Cuidado com o uso de "como"
A palavra "como" pode introduzir orações causais (anteposta), comparativas ou conformativas. O contexto e a posição são os guias. Como causal: "Como choveu, não saí." (anteposta); comparativa: "Ela é como o pai."; conformativa: "Fez como mandei."
Cuidado com "porque" final e "porque" causal
O "porque" final é de uso mais restrito, aparecendo em contextos formais e literários com verbo no subjuntivo. Exemplo: "Rezava porque não chovesse." (final). O "porque" causal é o mais comum, com verbo no indicativo.
Cuidado com "à medida que" e "na medida em que"
"À medida que" é locução proporcional; "na medida em que" é locução causal. Exemplo: "À medida que o tempo passa, envelhecemos." (proporcional); "Na medida em que não houve acordo, a reunião foi cancelada." (causal).
Importância para a Análise Sintática e Textual
Dominar as orações subordinadas adverbiais permite ao estudante:
Identificar e classificar com precisão as relações lógico-semânticas em períodos complexos.
Analisar o encadeamento argumentativo de textos dissertativos, reconhecendo causas, consequências, condições e concessões.
Aplicar corretamente a pontuação, marcando as pausas necessárias para a clareza e a ênfase.
Reconhecer e empregar adequadamente orações reduzidas, ampliando os recursos estilísticos.
Evitar ambiguidades e desvios de regência associados ao uso das conjunções adverbiais.
As orações adverbiais, portanto, não são apenas um tópico a ser memorizado; são as ferramentas lógicas que organizam o pensamento e a expressão na Língua Portuguesa, sendo indispensáveis para a leitura crítica e a produção textual de alto nível.
Exercícios:
Embora a conjunção 'se' seja tipicamente condicional, analise o período: 'Se todo mundo tinha ido mal, o problema não era somente a falta de estudo'. Qual a circunstância expressa pela oração iniciada por 'se' em relação à oração principal?
Leia a frase abaixo e, com base no conteúdo apresentado, assinale o tipo correto de oração subordinada adverbial que o termo destacado expressa:
"Assim que o sinal tocou, os alunos entraram na sala."
No período "O rio transbordou tanto que a cidade foi alagada", qual é a classificação da oração iniciada pelo conectivo?
A conjunção 'como' pode assumir diferentes valores. Analise os exemplos e identifique em qual caso ela estabelece uma relação de causa com a oração subsequente.
Qual é a classificação da oração destacada em: "Iremos ao parque, contanto que não chova"?
As orações proporcionais indicam fatos que variam de forma simultânea e proporcional, mantendo uma relação de causa e efeito gradual. Qual alternativa apresenta orações subordinadas com esse valor?
Assinale a alternativa em que a oração destacada é uma oração subordinada adverbial causal.
As orações subordinadas adverbiais desempenham o papel de adjunto adverbial em relação à oração principal, expressando diferentes circunstâncias.
A conjunção 'como' é utilizada de forma exclusiva para introduzir orações comparativas, sendo incorreto o seu uso para expressar causa.
Nas orações subordinadas adverbiais consecutivas, a conjunção 'que' geralmente aparece depois de palavras intensificadoras na oração principal, como 'tão', 'tal' ou 'tanto'.
Quando a oração subordinada adverbial aparece antes da oração principal na frase, a vírgula costuma ser empregada para separar as duas orações.
As orações subordinadas adverbiais concessivas, iniciadas por locuções como 'ainda que' ou 'mesmo que', indicam uma condição obrigatória para a oração principal acontecer.
As orações subordinadas adverbiais proporcionais transmitem a ideia de que dois fatos variam de forma simultânea, usando conectivos como 'à proporção que' ou 'à medida que'.
As orações subordinadas adverbiais possuem sentido independente e não precisam da presença de uma oração principal para serem totalmente compreendidas.
No período 'Estudamos muito para que pudéssemos passar na prova', a oração iniciada por 'para que' é classificada como consecutiva, pois indica o resultado final do estudo.
As orações subordinadas adverbiais conformativas indicam que a ação da oração principal acontece de acordo com um modelo, regra ou informação citada anteriormente.
A palavra 'quando' é a principal conjunção das orações temporais, podendo ser substituída livremente pela locução 'desde que' sem alterar o sentido de tempo da frase.
Qual a diferença sintática fundamental entre uma oração subordinada adverbial causal e uma consecutiva?
Identifique a circunstância da oração: "Sentei-me na primeira fila para que pudesse ouvir melhor".
No uso das orações concessivas, a correlação verbal é fundamental. Se a oração principal estiver no Presente do Indicativo, como deve ficar a subordinada concessiva?
Observe o período: 'Posto que a luta fosse longa, eles venceram.' A oração 'Posto que a luta fosse longa' classifica-se como adversativa concessiva de:
No período 'Mal entrou em casa, o telefone tocou', a palavra 'Mal' é uma conjunção subordinativa de que tipo?
[INSPER - 2026 - Vestibular] Leia um trecho do livro Criação imperfeita, do físico brasileiro Marcelo Gleiser, para responder à questão.
'Não é fácil para um cientista abandonar a simetria nos seus estudos dos fenômenos naturais e dos objetos do mundo. Existem pelo menos duas excelentes razões para isso. A primeira é que a simetria é uma ferramenta extremamente poderosa para descrever a Natureza. Da cosmologia à física de partículas, muito do que aprendemos depende, de alguma forma, da manifestação de tipos diversos de simetrias. Sistemas que exibem simetrias são muito mais fáceis de ser analisados matematicamente; equações simétricas têm soluções mais simples. Às vezes, ao impormos um tipo especial de simetria num sistema físico, fazemos previsões que são confirmadas espetacularmente por experimentos. É como se o pensamento humano pudesse antever os mecanismos da Natureza, apreender a estética que existe na ordem natural das coisas. Isso é particularmente verdade na química e na física de partículas. Impondo certos tipos de simetria nas teorias que descrevem como as partículas de matéria interagem entre si, físicos foram capazes de prever a existência de novas partículas, que ainda não eram conhecidas. A outra razão para o nosso amor pela simetria é a sua beleza. É bem verdade que beleza não é fácil de ser definida, mesmo dentro de um contexto científico. Em geral, uma teoria considerada bela combina simplicidade e poder explanatório: baseada num número mínimo de suposições, é capaz de explicar uma grande variedade de fenômenos naturais. Uma teoria bela é, também, mais próxima de uma teoria perfeita: se uma das peças é removida, o edifício inteiro despenca. Como Weinberg escreveu em Sonhos de uma teoria final: "A beleza que encontramos em teorias como a relatividade geral ou o Modelo Padrão [das partículas elementares] é como a beleza conferida a algumas obras de arte, que são ditas belas pelo senso de inevitabilidade que têm --- o senso de que não é possível mudar sequer uma nota ou uma pincelada ou uma linha." É muito importante que o leitor compreenda que este livro não é um manifesto contra a simetria. Isso seria tanto tolo quanto errado. A simetria é, e continuará a ser, um ingrediente fundamental de nossas teorias. Ela simplifica as coisas e, ao menos no senso definido acima, nossas teorias físicas são belas também. Muitas estruturas na Natureza são simétricas. Basta olharmos para um girassol, uma formiga ou um cristal de quartzo para apreciarmos isso. O problema começa quando a noção de simetria é exagerada e entronizada como dogma."
(Criação imperfeita: cosmo, vida e o código oculto da natureza, 2024. Adaptado.)
Marcelo Gleiser lança mão de um comentário metalinguístico em:
[INSPER - 2026 - Vestibular] Para responder, examine a tirinha do cartunista Adão Iturrusgarai, publicada em seu perfil do Instagram em 14.01.2025.
A oração adverbial que consta da tirinha expressa ideia de
[INSPER - 2026 - Vestibular] Leia um trecho do livro Criação imperfeita, do físico brasileiro Marcelo Gleiser, para responder à questão.
'Não é fácil para um cientista abandonar a simetria nos seus estudos dos fenômenos naturais e dos objetos do mundo. Existem pelo menos duas excelentes razões para isso. A primeira é que a simetria é uma ferramenta extremamente poderosa para descrever a Natureza. Da cosmologia à física de partículas, muito do que aprendemos depende, de alguma forma, da manifestação de tipos diversos de simetrias. Sistemas que exibem simetrias são muito mais fáceis de ser analisados matematicamente; equações simétricas têm soluções mais simples. Às vezes, ao impormos um tipo especial de simetria num sistema físico, fazemos previsões que são confirmadas espetacularmente por experimentos. É como se o pensamento humano pudesse antever os mecanismos da Natureza, apreender a estética que existe na ordem natural das coisas. Isso é particularmente verdade na química e na física de partículas. Impondo certos tipos de simetria nas teorias que descrevem como as partículas de matéria interagem entre si, físicos foram capazes de prever a existência de novas partículas, que ainda não eram conhecidas. A outra razão para o nosso amor pela simetria é a sua beleza. É bem verdade que beleza não é fácil de ser definida, mesmo dentro de um contexto científico. Em geral, uma teoria considerada bela combina simplicidade e poder explanatório: baseada num número mínimo de suposições, é capaz de explicar uma grande variedade de fenômenos naturais. Uma teoria bela é, também, mais próxima de uma teoria perfeita: se uma das peças é removida, o edifício inteiro despenca. Como Weinberg escreveu em Sonhos de uma teoria final: "A beleza que encontramos em teorias como a relatividade geral ou o Modelo Padrão [das partículas elementares] é como a beleza conferida a algumas obras de arte, que são ditas belas pelo senso de inevitabilidade que têm --- o senso de que não é possível mudar sequer uma nota ou uma pincelada ou uma linha." É muito importante que o leitor compreenda que este livro não é um manifesto contra a simetria. Isso seria tanto tolo quanto errado. A simetria é, e continuará a ser, um ingrediente fundamental de nossas teorias. Ela simplifica as coisas e, ao menos no senso definido acima, nossas teorias físicas são belas também. Muitas estruturas na Natureza são simétricas. Basta olharmos para um girassol, uma formiga ou um cristal de quartzo para apreciarmos isso. O problema começa quando a noção de simetria é exagerada e entronizada como dogma."
(Criação imperfeita: cosmo, vida e o código oculto da natureza, 2024. Adaptado.)
Constata-se, por meio do emprego de um pronome, uma manifestação explícita do autor em seu próprio texto em:
[INSPER - 2026 - Vestibular] Leia um trecho do livro Criação imperfeita, do físico brasileiro Marcelo Gleiser, para responder à questão.
'Não é fácil para um cientista abandonar a simetria nos seus estudos dos fenômenos naturais e dos objetos do mundo. Existem pelo menos duas excelentes razões para isso. A primeira é que a simetria é uma ferramenta extremamente poderosa para descrever a Natureza. Da cosmologia à física de partículas, muito do que aprendemos depende, de alguma forma, da manifestação de tipos diversos de simetrias. Sistemas que exibem simetrias são muito mais fáceis de ser analisados matematicamente; equações simétricas têm soluções mais simples. Às vezes, ao impormos um tipo especial de simetria num sistema físico, fazemos previsões que são confirmadas espetacularmente por experimentos. É como se o pensamento humano pudesse antever os mecanismos da Natureza, apreender a estética que existe na ordem natural das coisas. Isso é particularmente verdade na química e na física de partículas. Impondo certos tipos de simetria nas teorias que descrevem como as partículas de matéria interagem entre si, físicos foram capazes de prever a existência de novas partículas, que ainda não eram conhecidas. A outra razão para o nosso amor pela simetria é a sua beleza. É bem verdade que beleza não é fácil de ser definida, mesmo dentro de um contexto científico. Em geral, uma teoria considerada bela combina simplicidade e poder explanatório: baseada num número mínimo de suposições, é capaz de explicar uma grande variedade de fenômenos naturais. Uma teoria bela é, também, mais próxima de uma teoria perfeita: se uma das peças é removida, o edifício inteiro despenca. Como Weinberg escreveu em Sonhos de uma teoria final: "A beleza que encontramos em teorias como a relatividade geral ou o Modelo Padrão [das partículas elementares] é como a beleza conferida a algumas obras de arte, que são ditas belas pelo senso de inevitabilidade que têm --- o senso de que não é possível mudar sequer uma nota ou uma pincelada ou uma linha." É muito importante que o leitor compreenda que este livro não é um manifesto contra a simetria. Isso seria tanto tolo quanto errado. A simetria é, e continuará a ser, um ingrediente fundamental de nossas teorias. Ela simplifica as coisas e, ao menos no senso definido acima, nossas teorias físicas são belas também. Muitas estruturas na Natureza são simétricas. Basta olharmos para um girassol, uma formiga ou um cristal de quartzo para apreciarmos isso. O problema começa quando a noção de simetria é exagerada e entronizada como dogma."
(Criação imperfeita: cosmo, vida e o código oculto da natureza, 2024. Adaptado.)
Observa-se o emprego de palavra formada com prefixo que exprime ideia de reciprocidade em:
[INSPER - 2026 - Vestibular] Para responder à questão, leia um trecho do conto "Último capítulo", do escritor Machado de Assis, publicado originalmente em 1884 no livro Histórias sem data.
"Estava casado. Rufina não dispunha, é verdade, de certas qualidades brilhantes e elegantes; não seria, por exemplo, e desde logo, uma dona de salão. Tinha, porém, as qualidades caseiras, e eu não queria outras. A vida obscura bastava-me; e contanto que ela ma enchesse, tudo iria bem. Mas esse era justamente o agro da empresa. Rufina (permitam-me esta figuração cromática) não tinha a alma negra de lady Macbeth, nem a vermelha de Cleópatra, nem a azul de Julieta, nem a alva de Beatriz, mas cinzenta e apagada como a multidão dos seres humanos. Era boa por apatia, fiel sem virtude, amiga sem ternura nem eleição. Um anjo a levaria ao céu, um diabo ao inferno, sem esforço em ambos os casos, e sem que no primeiro lhe coubesse a ela nenhuma glória, nem o menor desdouro no segundo. [...] O pai armou-me o casamento para ter um genro doutor; ela, não; aceitou-me como aceitaria um sacristão, um magistrado, um general, um empregado público, um alferes, e não por impaciência de casar, mas por obediência à família, e, até certo ponto, para fazer como as outras. Usavam-se maridos; ela queria usar também o seu. Nada mais antipático à minha própria natureza; mas estava casado.
Felizmente --- ah! um felizmente neste último capítulo de um caipora é, na verdade, uma anomalia; mas vão lendo, e verão que o advérbio pertence ao estilo, não à vida; é um modo de transição e nada mais. O que vou dizer não altera o que está dito. Vou dizer que as qualidades domésticas de Rufina davam-lhe muito mérito. Era modesta; não amava bailes, nem passeios, nem janelas. Vivia consigo. Não mourejava em casa, nem era preciso; para dar-lhe tudo, trabalhava eu, e os vestidos e chapéus, tudo vinha "das francesas", como então se dizia, em vez de modistas. Rufina, no intervalo das ordens que dava, sentava-se horas e horas, bocejando o espírito, matando o tempo, uma hidra de cem cabeças, que não morria nunca; mas, repito, com todas essas lacunas, era boa dona de casa. Pela minha parte, estava no papel das rãs que queriam um rei; a diferença é que, mandando-me Júpiter um cepo, não lhe pedi outro, porque viria a cobra e engolia-me. Viva o cepo! disse comigo. Nem conto estas coisas, senão para mostrar a lógica e a constância do meu destino."
(Machado de Assis. Histórias sem data, 2022.)
"Nem conto estas coisas, <u>[senão para mostrar a lógica e a constância do meu destino]</u>." (último parágrafo)
Em relação à oração que a antecede, a oração sublinhada expressa ideia de
[UNESP - 2025] \Para responder à questão, leia um trecho do livro Incerteza, um ensaio, do jornalista Eugênio Bucci.
Pensemos agora em Capitu, de Machado de Assis. Ela costuma ser lembrada por estar associada à infidelidade. De minha parte, não creio que repouse nisso o charme daquela jovem dama com “olhos de ressaca”. Em hipótese nenhuma eu a escalaria para o mesmo time de Madame Bovary, de Flaubert, Anna Kariênina, de Tolstói, ou Luísa, de O primo Basílio, de Eça de Queiroz. Capitu, mais do que a probabilidade do adultério incerto, representa a incerteza.
O tema de Machado em Dom Casmurro é menos a traição conjugal e mais a impossibilidade de saber, o tempo todo. Daí que seu tema é também a modernidade. Dom Casmurro vem ao leitor como advertência permanente: é preciso conviver com ela, Capitu, do mesmo modo que é preciso conviver com o que não é certo e sabido, nem será. O que o Princípio da Incerteza, de Heisenberg, avisou na Física Quântica, Machado já avisava na literatura fazia tempo. [...]
O amor cortês do século XII, aquele que idealizava a mulher amada, teve desdobramentos poéticos na forma narrativa dos contos de fada e, em boa medida, no amor romântico, que viria mais tarde. O que me interessa destacar é a fantasia do “final feliz”, que tem forte apelo especialmente nos namoros de príncipes e moças de nobreza incerta. Em que consistia o arremate “E foram felizes para sempre”? Eu diria, modestamente, que consistia na morte: na morte da incerteza.
Aquele “final feliz” matava a imprevisibilidade, qualquer que ela fosse, e dava curso a uma utopia, em que é preciso encerrar a história para que o amor possa, enfim, principiar. Sim, nesse modelo de ficção, o amor só se faz depois do
final. O “felizes para sempre” tem o sabor de um epitáfio. O moderno, que duvida da felicidade e do “para sempre”, vai se levantar contra esse tipo de final tolo para amar o incerto e o indefinido, ainda que não o confesse.
(Incerteza, um ensaio, 2023. Adaptado.)
"O moderno, que duvida da felicidade e do 'para sempre', vai se levantar contra esse tipo de final tolo para amar o incerto e o indefinido, ainda que não o confesse.\" (4º parágrafo) No contexto em que se insere, o trecho sublinhado expressa ideia de
[UNESP-2025] Para responder à questão, leia o trecho de uma crônica de José de Alencar, publicada originalmente em 03.09.1854.
Um belo dia, não sei de que ano, uma linda fada, que chamareis como quiserdes, a poesia ou a imaginação, tomou-se
de amores por um moço de talento, um tanto volúvel como de ordinário o são as fantasias ricas e brilhantes que se deleitam
admirando o belo em todas as formas. Ora, dizem que as fadas não podem sofrer a inconstância, no que lhes acho toda a razão; e por isso a fada de meu conto, temendo a rivalidade dos anjinhos cá deste mundo, onde os há tão belos, tomou as formas de uma pena, pena de cisne, linda como os amores, e entregou-se ao seu amante de corpo e alma.
Não serei eu que desvendarei os mistérios desses amores fantásticos, e vos contarei as horas deliciosas que corriam no silêncio do gabinete, mudas e sem palavras. Só vos direi, e isto mesmo é confidência, que, depois de muito sonho e de muita inspiração, a pena se lançava sobre o papel, deslizava docemente, brincava como uma fada que era, bordando as flores mais delicadas, destilando perfumes mais esquisitos que todos os perfumes do Oriente. As folhas se animavam ao seu contato, a poesia corria em ondas de ouro, donde saltavam chispas brilhantes de graça e espírito.
Por fim, a desoras¹, quando já não havia mais papel, quando a luz a morrer apenas empalidecia as sombras da noite, a pena trêmula e vacilante caía sobre a mesa sem forças e sem vida, e soltava uns acentos doces, notas estremecidas como as cordas da harpa ferida pelo vento. Era o último beijo da fada que se despedia, o último canto do cisne moribundo.
Assim se passou muito tempo; mas já não há amores que durem sempre, principalmente em dias como os nossos, nos quais o símbolo da constância é uma borboleta. Acabou o poema fantástico no fim de dois anos; e um dia o herói do meu conto, chamado a estudos mais graves, lembrou-se de um amigo obscuro, e deu-lhe a sua pena de ouro.
(José de Alencar. Crônicas escolhidas, 1995.)
¹desoras: altas horas da noite.
“temendo a rivalidade dos anjinhos cá deste mundo, [...] tomou as formas de uma pena [...] e entregou-se ao seu amante de corpo e alma.” (1º parágrafo). Em relação ao trecho que a sucede, a oração sublinhada expressa ideia de
[FUNDATEC - 2026 - DPE/SC] Assinale a alternativa em que a(s) vírgula(s) demarque(m) a ocorrência de uma oração subordinada deslocada.
[CEBRASPE - 2025 - Advogado - CAESB] No primeiro parágrafo do texto CG1A1, o segmento “Como todas as grandes iniciativas” (terceiro período) expressa uma