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Orações Subordinadas Adjetivas - Português | Tuco-Tuco

Aula de Português (Sintaxe: Estrutura e Organização da Frase): Orações Subordinadas Adjetivas. Estudo das orações subordinadas adjetivas restritivas e explicativas. Estude gratuitamente para vestibular e ENEM no Tuco-Tuco.

Orações Subordinadas Adjetivas As orações subordinadas adjetivas constituem um dos pilares do período composto por subordinação, desempenhando a função sintática de adjunto adnominal de um substantivo ou pronome da oração principal. Elas são assim denominadas porque equivalem a um adjetivo, qualificando ou restringindo o significado de um termo antecedente. Dominar a classificação, o uso dos pronomes relativos e as regras de pontuação dessas orações é essencial para a análise sintática, para a interpretação precisa de textos e para a produção de redações claras e coesas. Este tema é recorrente em concursos e vestibulares, seja em questões objetivas, seja em reescritas e correções gramaticais. Caracterização Geral Uma oração subordinada adjetiva é aquela que se liga a um substantivo (ou pronome substantivo) da oração principal, chamado antecedente, por meio de um pronome relativo. Esse pronome exerce, ao mesmo tempo, a função de conectivo (introduzindo a oração subordinada) e de termo da oração adjetiva (sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, adjunto adverbial, agente da passiva etc.). Em outras palavras, o pronome relativo substitui o antecedente dentro da oração adjetiva, evitando sua repetição. Exemplo: "O livro que comprei é excelente." A oração "que comprei" é subordinada adjetiva; seu antecedente é "livro". O pronome relativo "que" retoma "livro" e funciona, na oração adjetiva, como objeto direto do verbo "comprar" (comprei o livro). Se desenvolvermos a ideia, teríamos: "Comprei o livro + O livro é excelente." O uso do pronome relativo "que" evita a repetição e integra as duas informações em um único período. Pronomes Relativos como Conectores Os pronomes relativos são as peças centrais das orações subordinadas adjetivas. Os principais são: que (invariável, refere-se a pessoas ou coisas) quem (invariável, refere-se apenas a pessoas, sempre precedido de preposição) cujo, cuja, cujos, cujas (expressam posse, concordam com o termo posterior) onde (invariável, refere-se a lugar físico, equivale a "em que") o qual, a qual, os quais, as quais (variáveis, usados para evitar ambiguidade ou após preposições de mais de uma sílaba) quanto, quantos, quantas (relativo de valor quantitativo, antecedido por "tudo", "todos", "toda", etc.) Cada pronome relativo desempenha uma função sintática dentro da oração adjetiva, que deve ser analisada separadamente. Funções sintáticas do pronome relativo: Sujeito: "O aluno que estuda vence." (que = o aluno, sujeito de "estuda") Objeto direto: "O livro que li é ótimo." (que = o livro, objeto direto de "li") Objeto indireto: "A professora a quem me referi é competente." (a quem = à professora, objeto indireto de "referi-me") Complemento nominal: "Esta é a regra a que sou fiel." (a que = à regra, complemento nominal do adjetivo "fiel") Adjunto adverbial: "A cidade onde nasci é bela." (onde = na cidade, adjunto adverbial de lugar) Agente da passiva: "O médico por quem fui atendido é excelente." (por quem = pelo médico, agente da passiva) A análise da função sintática do pronome relativo é essencial para compreender a estrutura interna da oração adjetiva e para aplicar corretamente as regras de regência e colocação pronominal. Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas As orações subordinadas adjetivas dividem-se em dois tipos: restritivas e explicativas. A classificação baseia-se no valor semântico, na presença ou ausência de pausa (vírgulas) e no escopo de referência do antecedente. Orações Adjetivas Restritivas Restringem, delimitam ou especificam o significado do antecedente, individualizando-o dentro de um conjunto maior. Elas não são isoladas por vírgulas, pois constituem informação indispensável à compreensão precisa do termo a que se referem. Exemplos: "Os alunos que estudaram foram aprovados." (Restringe: apenas os que estudaram foram aprovados; isso implica que houve outros alunos que não estudaram.) "O carro que comprei é vermelho." (Especifica qual carro é vermelho; sem a restritiva, a referência seria genérica.) "As pessoas que praticam exercícios têm melhor qualidade de vida." A restritiva não pode ser retirada sem que o sentido da frase se altere substancialmente. Sua ausência tornaria a afirmação generalizante e, muitas vezes, falsa no contexto. Orações Adjetivas Explicativas Acrescentam uma informação acessória, uma característica já inerente ou conhecida do antecedente, ou uma explicação válida para todo o conjunto referido. Elas são sempre isoladas por vírgulas (ou travessões), indicando pausa e entonação explicativa. Exemplos: "Os alunos, que estudaram, foram aprovados." (Explica que todos os alunos mencionados estudaram e, por isso, foram aprovados; não restringe, apenas explica.) "O sol, que é uma estrela, ilumina a Terra." (A oração acrescenta uma informação sobre o sol, que é único.) "Machado de Assis, que escreveu Dom Casmurro, é um dos maiores escritores brasileiros." (A oração explica quem é Machado de Assis, sem restringir.) A explicativa pode ser suprimida sem prejuízo da identificação do antecedente; a informação permanece correta, apenas menos detalhada. Pontuação e Mudança de Sentido A presença ou ausência de vírgulas é o que, na escrita, distingue a restritiva da explicativa. O mesmo par de orações pode ter sentidos completamente diferentes conforme a pontuação. Compare: "Os funcionários que fizeram greve foram demitidos." (Restritiva: apenas os grevistas foram demitidos; os demais não.) "Os funcionários, que fizeram greve, foram demitidos." (Explicativa: todos os funcionários fizeram greve e todos foram demitidos; a greve é uma informação adicional.) Esse contraste é um dos tópicos mais explorados em provas de interpretação e reescrita. Emprego Detalhado dos Pronomes Relativos Pronome "que" É o relativo mais versátil, podendo referir-se a pessoas ou coisas. Exerce funções de sujeito, objeto direto, objeto indireto (precedido de preposição), complemento nominal, predicativo e adjunto adverbial. Exemplos: Sujeito: "O atleta que venceu é brasileiro." Objeto direto: "O caderno que comprei é pautado." Objeto indireto: "O filme a que assistimos é emocionante." (verbo assistir rege "a") Complemento nominal: "A notícia de que tínhamos medo confirmou-se." (substantivo "medo" rege "de") Adjunto adverbial: "A rua em que moro é tranquila." Pronome "quem" Refere-se exclusivamente a pessoas e é sempre precedido de preposição. Pode exercer funções de objeto direto preposicionado, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva e adjunto adverbial. Em orações adjetivas com antecedente explícito, normalmente não funciona como sujeito; nessa função, prefere-se "que" (ex.: "O homem que chegou"). Exemplos de "quem": Objeto indireto: "A pessoa a quem entreguei o documento é o gerente." Complemento nominal: "O amigo de quem sinto saudade mudou-se." Agente da passiva: "A médica por quem fui atendida é atenciosa." Pronome "cujo" Expressa relação de posse, concordando em gênero e número com a coisa possuída (o termo seguinte). Não admite artigo depois dele, pois já contém a ideia de posse. Exemplos: "O aluno cuja redação foi premiada está feliz." (cuja redação = a redação do aluno) "As pessoas cujos nomes constam na lista devem comparecer." (cujos nomes = os nomes das pessoas) "A cidade cujas belezas naturais são famosas atrai turistas." (cujas belezas = as belezas da cidade) "Cujo" pode vir precedido de preposição se a regência do termo seguinte o exigir: "O autor a cuja obra me refiro é Machado de Assis." (referir-se a) Pronome "onde" Refere-se a lugar físico e equivale a "em que". Exemplos: "A escola onde estudei é tradicional." "Visitamos a cidade onde nasceram meus avós." Não se deve usar "onde" para situações abstratas; nesses casos, empregam-se "em que", "no qual" ou "na qual". Exemplo correto: "A situação em que nos encontramos é delicada." (Em vez de "A situação onde nos encontramos"). Pronome "o qual" (e flexões) Utilizado para evitar ambiguidade ou após preposições de mais de uma sílaba (durante, sobre, através de, perante, etc.) ou locuções prepositivas. Exemplos: "O irmão de João, o qual viajou, é médico." (evita ambiguidade: pode ser João ou o irmão quem viajou) "O assunto sobre o qual discutimos é polêmico." (preposição "sobre" com mais de uma sílaba) "A ponte através da qual passamos é histórica." Quando o relativo é precedido de preposição monossilábica (a, de, em, por), o uso de "o qual" é facultativo, mas preferível o "que". Pronome "quanto" (e flexões) Empregado com valor quantitativo, antecedido por pronomes indefinidos como "tudo", "todos", "todas", ou por "tanto", "tanta". Exemplos: "Comprei tudo quanto pude." "Trouxe todos os livros quantos havia." Orações Subordinadas Adjetivas Reduzidas As orações adjetivas também podem aparecer na forma reduzida, sem pronome relativo, com o verbo no infinitivo, gerúndio ou particípio. Reduzida de infinitivo: "Ela foi a primeira a chegar." ( = que chegou) Reduzida de gerúndio: "Vi um pássaro cantando." ( = que cantava) Reduzida de particípio: "O livro escrito por ela é um sucesso." ( = que foi escrito) A classificação (restritiva ou explicativa) permanece a mesma, e a pontuação segue os mesmos princípios: sem vírgulas para restritivas reduzidas, com vírgulas para explicativas reduzidas. Quadro Comparativo: Restritiva vs. Explicativa | Característica | Restritiva | Explicativa | | :--- | :--- | :--- | | Sentido | Especifica, restringe o antecedente | Acrescenta informação acessória | | Pontuação | Sem vírgulas | Com vírgulas (ou travessões) | | Escopo | Refere-se a parte do conjunto | Refere-se ao todo do conjunto | | Exemplo | "Os alunos que estudaram passaram." | "Os alunos, que estudaram, passaram." | Pontos de Atenção e Dificuldades Comuns Distinção entre Restritiva e Explicativa com Nomes Próprios Nomes próprios, por serem intrinsecamente definidos, geralmente são acompanhados de orações explicativas. Exemplo: "Machado de Assis, que escreveu Dom Casmurro, é genial." No entanto, se houver mais de uma entidade com o mesmo nome, pode-se usar restritiva: "O Machado de Assis que escreveu Dom Casmurro é o mesmo que fundou a ABL." (contexto hipotético de diferenciação). Ambiguidade com Pronomes Relativos Em alguns períodos, o pronome relativo pode gerar ambiguidade se o antecedente não estiver claro. O uso de "o qual" e flexões auxilia a desfazê-la. Exemplo ambíguo: "O pai do aluno que foi premiado está feliz." (quem foi premiado? O pai ou o aluno?) Desambiguado: "O pai do aluno o qual foi premiado está feliz." (o aluno foi premiado) ou "O pai do aluno, o qual foi premiado, está feliz." (o pai foi premiado). Função Sintática do Pronome "que" e a Preposição Quando o "que" exerce função que exige preposição (objeto indireto, complemento nominal, adjunto adverbial), a preposição deve antecedê-lo obrigatoriamente. A omissão da preposição configura erro de regência. Exemplo correto: "A pessoa a que me refiro." (referir-se a). Incorreto: "A pessoa que me refiro." "Cujo" e a Proibição de Artigo É erro frequente empregar artigo após "cujo". Exemplo incorreto: "O aluno cujo o caderno sumiu." O correto é: "O aluno cujo caderno sumiu." (cujo já contém a ideia de posse). "Onde" e Situações Abstratas Deve-se evitar o uso de "onde" para referências não locativas. Em contextos abstratos, prefira "em que", "no qual". Exemplo correto: "A época em que vivemos é desafiadora." Incorreto: "A época onde vivemos..." Importância para a Análise Sintática e a Interpretação O domínio das orações subordinadas adjetivas possibilita ao estudante: Identificar e classificar corretamente os períodos compostos, distinguindo orações adjetivas de substantivas e adverbiais. Analisar a função sintática dos pronomes relativos, o que é frequentemente exigido em questões de regência e de análise interna da oração. Compreender as sutilezas de sentido decorrentes da pontuação (restritiva versus explicativa) e suas implicações argumentativas. Produzir textos com maior precisão, variando entre orações desenvolvidas e reduzidas e utilizando os pronomes relativos adequados para evitar repetições e ambiguidades. Interpretar corretamente textos literários, jornalísticos e científicos, nos quais as adjetivas são largamente empregadas para qualificar e restringir conceitos. As orações subordinadas adjetivas, articuladas pelos pronomes relativos, são um dos recursos mais expressivos e complexos da sintaxe portuguesa. Sua compreensão completa arremata o estudo da subordinação e prepara o aluno para enfrentar com segurança os desafios da análise sintática e da produção textual. Exercícios: Considere as frases abaixo: I. O cachorro que estava no parque latiu para mim. II. O cachorro, que estava no parque, latiu para mim. Sobre as orações subordinadas adjetivas presentes em cada uma, assinale a alternativa correta: As orações subordinadas adjetivas exercem a função sintática de adjunto adnominal em relação ao substantivo ou pronome da oração principal que elas qualificam. O pronome relativo 'que', ao introduzir uma oração adjetiva, possui a mesma natureza das conjunções integrantes, servindo apenas como conectivo sem função sintática interna. A oração subordinada adjetiva explicativa deve ser obrigatoriamente isolada por vírgulas, parênteses ou travessões, indicando uma característica que pertence à totalidade do termo antecedente. O pronome relativo 'cujo' deve concordar em gênero e número com o substantivo que o sucede (o termo possuído), estabelecendo uma relação de posse com o antecedente. O pronome relativo 'onde' é a forma gramatical correta para retomar substantivos que indicam conceitos abstratos, momentos temporais ou situações complexas. As orações subordinadas adjetivas restritivas delimitam o sentido do antecedente, sendo indispensáveis para a identificação precisa do ser a que a oração se refere. As orações subordinadas adjetivas podem ser utilizadas para modificar verbos ou advérbios, desde que o pronome relativo concorde com a ideia central da oração principal. O uso de vírgulas nas orações subordinadas adjetivas é facultativo, dependendo apenas da intenção do autor em enfatizar ou não a característica do substantivo. O emprego do pronome relativo 'o qual' (e suas flexões) é recomendado para evitar ambiguidade quando houver mais de um antecedente possível na oração principal. As orações subordinadas adjetivas restritivas exercem a função sintática de aposto explicativo, pois visam detalhar o significado de um termo anteriormente mencionado. Qual é a principal diferença formal entre uma oração subordinada adjetiva desenvolvida e uma reduzida? Em "Tudo quanto ele diz é mentira", qual a classificação da oração subordinada? A relação entre o termo 'adjunto adnominal' e as 'orações adjetivas' é comumente discutida na análise sintática. Por quê? Qual das alternativas abaixo apresenta uma oração subordinada adjetiva explicativa? Identifique a função sintática do pronome relativo na oração: "A ferramenta de que necessito sumiu". O que caracteriza as orações adjetivas restritivas como "indispensáveis" ao sentido da frase? Analise as sentenças: I. O homem, que é um ser mortal, teme o fim. II. O homem que é honesto dorme tranquilo. Sobre o uso das vírgulas, é correto afirmar que: Considere o enunciado: "Os alunos que estudaram para o exame obtiveram boas notas." Qual é a implicação semântica da ausência de vírgulas na oração subordinada?