Identificação de Ideias Principais e Secundárias - Português | Tuco-Tuco
Aula de Português (Interpretação de Textos): Identificação de Ideias Principais e Secundárias. Diferenciação entre os pontos principais e os detalhes de apoio. Estude gratuitamente para vestibular e ENEM no Tuco-Tuco.
Identificação de Ideias Principais e Secundárias
A habilidade de distinguir, em um texto, as ideias principais das ideias secundárias é um dos pilares da leitura proficiente. Sem essa competência, o leitor tende a se perder em detalhes, a atribuir a mesma importância a todas as informações e, consequentemente, a não captar a essência da mensagem. Em provas de concursos e vestibulares, a identificação da ideia principal é frequentemente o primeiro passo para responder a questões de interpretação, localizar informações específicas, reconhecer a tese defendida e resumir adequadamente um texto.
O que são ideias principais e secundárias
Em todo texto bem construído, as informações não se distribuem de forma aleatória nem têm o mesmo peso. Há uma hierarquia de sentidos: algumas proposições são essenciais para a mensagem que o autor deseja transmitir, enquanto outras desempenham funções de suporte, ilustração ou detalhamento.
Ideia principal: é o núcleo informativo ou argumentativo do texto (ou do parágrafo). Pode ser uma afirmação, uma tese, uma constatação, uma definição ou um questionamento central. É, em suma, aquilo que o autor considera indispensável para que o leitor compreenda o ponto fundamental do discurso. A ideia principal é a espinha dorsal do texto, sem a qual ele perde sua razão de ser.
Ideias secundárias: são as informações que se articulam em torno da ideia principal para sustentá-la, explicá-la, exemplificá-la, detalhá-la ou contrapô-la. Elas não são supérfluas, mas são dependentes: sua razão de estar no texto é exatamente a serviço da ideia principal. Incluem dados, estatísticas, exemplos, comparações, citações, definições auxiliares, relatos de casos, argumentos específicos, entre outros.
A relação entre a ideia principal e as ideias secundárias é, portanto, de dependência lógica e discursiva. As secundárias existem para que a principal se torne mais clara, mais sólida ou mais persuasiva.
Identificação da ideia principal
A identificação da ideia principal nem sempre é automática, pois ela pode estar explícita ou implícita, e sua posição no texto ou no parágrafo pode variar.
2.1 Ideia principal explícita e implícita
Explícita: a ideia principal está claramente enunciada em uma frase ou período do texto. O leitor a localiza ao percorrer o parágrafo ou o texto e reconhecer a sentença que melhor sintetiza a mensagem central. Exemplo: "A prática de exercícios físicos traz inúmeros benefícios à saúde." — esta frase, que abre um parágrafo, é a ideia principal; o restante do parágrafo trará os benefícios específicos (ideias secundárias).
Implícita: a ideia principal não está formulada em uma única sentença. O leitor precisa inferi-la a partir do conjunto das informações apresentadas, de indícios textuais e de seu conhecimento de mundo. Textos literários, crônicas, charges e certos artigos de opinião muitas vezes trabalham com ideias principais implícitas, exigindo uma leitura mais ativa e interpretativa. Exemplo: uma crônica que, ao narrar um episódio corriqueiro do cotidiano, sugere, sem nunca afirmar explicitamente, que a vida moderna é marcada pela solidão nos grandes centros urbanos.
2.2 Posição da ideia principal no parágrafo
A ideia principal pode ocupar diferentes posições no parágrafo, e reconhecer esses padrões auxilia na leitura:
No início do parágrafo (tópico frasal): é o caso mais frequente em textos dissertativos e expositivos. O autor enuncia a ideia central e, em seguida, a desenvolve. Exemplo: "A tecnologia transformou radicalmente as relações de trabalho." (ideia principal). As frases seguintes detalham essa transformação (ideias secundárias).
No final do parágrafo: a ideia principal é apresentada como conclusão ou síntese do que foi exposto. O parágrafo constrói um raciocínio e culmina na afirmação central. Exemplo: após descrever vários problemas ambientais, o autor finaliza: "Portanto, a crise ecológica exige uma mudança urgente de paradigma."
No meio do parágrafo: a ideia principal aparece entre informações secundárias. Pode vir, por exemplo, depois de uma contextualização e antes de uma exemplificação.
Distribuída ao longo do parágrafo: em alguns casos, a ideia principal não se concentra em uma única frase, mas é construída progressivamente, exigindo do leitor uma operação de síntese.
2.3 Estratégias para identificar a ideia principal
Perguntar-se sobre o propósito do autor: o que o autor quer comunicar? Qual é a mensagem essencial que ele não poderia omitir?
Sublinhar palavras-chave: termos repetidos ou semanticamente relacionados costumam apontar para o núcleo temático.
Tentar resumir o texto ou parágrafo em uma única frase: se o resumo for bem-sucedido, essa frase é candidata a ideia principal.
Observar os conectivos e organizadores textuais: expressões como "portanto", "em suma", "dessa forma" frequentemente introduzem a ideia principal; "por exemplo", "além disso", "assim como" costumam introduzir ideias secundárias.
Diferenciar fato de opinião: em textos argumentativos, a ideia principal é geralmente uma opinião (tese), enquanto as secundárias são fatos, dados ou argumentos que a sustentam.
Identificação das ideias secundárias
As ideias secundárias, embora dependentes, são fundamentais para a compreensão aprofundada do texto. Elas respondem a perguntas como "por quê?", "como?", "quando?", "onde?", "em que condições?", "com que exemplos?".
Tipos comuns de ideias secundárias:
Exemplos: casos concretos que ilustram a ideia principal.
Dados estatísticos e pesquisas: números e resultados de estudos que conferem credibilidade.
Citações: vozes de autoridade que corroboram ou contrapõem a ideia principal.
Comparações e analogias: relações entre domínios diferentes que esclarecem a ideia central.
Definições e conceitos auxiliares: termos que precisam ser explicados para que a ideia principal seja bem compreendida.
Causas e consequências: encadeamentos que mostram a origem ou o impacto da ideia principal.
Detalhamentos e especificações: descrições minuciosas que enriquecem a compreensão.
Para identificar as ideias secundárias, é útil perguntar: "Essa informação pode ser retirada sem que o texto perca seu sentido essencial?" Se a resposta for "sim", trata-se de uma ideia secundária. Se a retirada comprometer a compreensão global, é possível que a informação integre a ideia principal.
A hierarquia de ideias e a estrutura do texto
A identificação de ideias principais e secundárias está diretamente relacionada à compreensão da estrutura do texto, estudada em outra aula. No texto dissertativo-argumentativo, por exemplo:
A ideia principal do texto inteiro é a tese, geralmente apresentada na introdução e retomada na conclusão.
Cada parágrafo de desenvolvimento tem sua própria ideia principal (o tópico frasal), que funciona como um argumento em favor da tese.
As ideias secundárias de cada parágrafo são os dados, exemplos e justificativas que sustentam o tópico frasal.
Em textos narrativos, a ideia principal pode ser o conflito central da história, enquanto as ações dos personagens, as descrições de cenários e os diálogos funcionam como ideias secundárias que desenvolvem a trama. Em textos descritivos, a ideia principal é a impressão ou característica dominante que o autor deseja transmitir; os detalhes sensoriais são as ideias secundárias.
Exemplos práticos de identificação
Exemplo 1: parágrafo dissertativo
"A adoção do ensino remoto durante a pandemia expôs a profunda desigualdade digital no Brasil. Dados do IBGE mostram que cerca de 20% dos domicílios brasileiros não têm acesso à internet. Nas regiões Norte e Nordeste, esse percentual é ainda maior, alcançando quase 30%. Além disso, muitos estudantes não dispõem de equipamentos adequados, como computadores ou tablets, para acompanhar as aulas online."
Ideia principal: "A adoção do ensino remoto durante a pandemia expôs a profunda desigualdade digital no Brasil." (primeira frase).
Ideias secundárias: os dados do IBGE sobre falta de acesso à internet, a variação regional dos percentuais, a menção à falta de equipamentos.
Exemplo 2: parágrafo narrativo
"João acordou mais cedo do que de costume. O sol ainda não havia nascido, e uma neblina fina cobria as ruas de paralelepípedo. Ele tomou um café rápido e saiu de casa com a sensação de que aquele seria um dia diferente. No caminho para o trabalho, encontrou um velho amigo que não via havia anos."
Ideia principal: a sensação de que aquele seria um dia diferente e o reencontro com o amigo são os eventos centrais do parágrafo. Não há uma única frase que a concentre, mas a progressão narrativa constrói a ideia de um dia que se descola da rotina.
Ideias secundárias: o horário em que acordou, a descrição da neblina, o café rápido, o cenário das ruas.
Exemplo 3: parágrafo expositivo
"A fotossíntese é o processo pelo qual as plantas convertem energia luminosa em energia química. A clorofila, pigmento presente nos cloroplastos, capta a luz solar e a utiliza para transformar dióxido de carbono e água em glicose e oxigênio. Esse processo é fundamental para a manutenção da vida na Terra, pois fornece o oxigênio que a maioria dos seres vivos respira."
Ideia principal: "A fotossíntese é o processo pelo qual as plantas convertem energia luminosa em energia química." (primeira frase).
Ideias secundárias: a descrição do papel da clorofila, a equação química simplificada, a importância para a manutenção da vida.
Diferença entre ideia principal e tese
Embora os conceitos de ideia principal e tese estejam intimamente ligados, eles não são sinônimos exatos. A tese é um tipo específico de ideia principal, característica do texto dissertativo-argumentativo, e consiste em um ponto de vista a ser defendido. Já a ideia principal de um texto expositivo, por exemplo, é uma informação central, uma definição ou um conceito, sem caráter argumentativo.
Em uma notícia, a ideia principal é o fato principal relatado (o lead). Em uma fábula, a ideia principal pode ser a moral da história. Em um artigo de opinião, a ideia principal é a tese defendida pelo articulista. Em todos os casos, o conceito de ideia principal remete ao núcleo informativo ou argumentativo do texto.
A relevância da hierarquia de ideias para a interpretação
Compreender a hierarquia de ideias é essencial para:
Localizar informações específicas: o leitor sabe onde procurar o dado exato e onde está a visão geral.
Fazer resumos e sínteses: um bom resumo é aquele que capta as ideias principais e elimina ou condensa as secundárias.
Responder a questões de interpretação: muitas questões de vestibular e concurso perguntam justamente qual é a ideia central do texto ou de um parágrafo, ou pedem que se identifique a função de determinada informação (se é principal ou acessória).
Evitar leituras equivocadas: quem confunde uma ideia secundária com a principal pode distorcer o sentido do texto.
Produzir textos coerentes: na redação, a clareza sobre o que é tese (ideia principal) e o que é argumento (ideia secundária) é condição para uma estrutura sólida.
Pontos fundamentais para recordar
A ideia principal é o núcleo de sentido do texto ou parágrafo; as ideias secundárias gravitam em torno dela para sustentá-la, explicá-la ou exemplificá-la.
A ideia principal pode estar explícita (enunciada em uma frase) ou implícita (exigindo inferência).
A posição da ideia principal no parágrafo é variável (início, meio, fim ou distribuída), mas o tópico frasal no início é o padrão mais frequente em textos dissertativos e expositivos.
Estratégias como sublinhar palavras-chave, resumir mentalmente e perguntar pelo propósito do autor auxiliam na localização da ideia principal.
As ideias secundárias incluem exemplos, dados, citações, definições auxiliares, causas, consequências e detalhamentos.
A tese é a ideia principal específica do texto dissertativo-argumentativo, enquanto em outros tipos textuais outros elementos podem ocupar essa posição central (fato, moral, impressão dominante, etc.).
Dominar a hierarquia de ideias é indispensável para a leitura crítica, a síntese, a resolução de questões e a produção textual de qualidade.
Exercícios:
A sessão do Comitê Olímpico Internacional (COI) aprovou uma mudança histórica e inédita no lema olímpico, criado em 1894 pelo Barão Pierre de Coubertin para expressar os valores e a excelência do esporte. Mais de 120 anos depois, o lema tem sua primeira alteração para ressaltar a solidariedade e incluir a palavra “juntos” mais rápido, mais alto, mais forte – juntos. A mudança foi aprovada por unanimidade pelos membros do COI e celebrada pelo presidente da entidade.
Disponível em: https://ge.globo.com Acesso em: 10 nov. 2021 (adaptado)
De acordo com o texto, a alteração do lema olímpico teve como objetivo a
[ENEM 2022] Contexto: **TEXTO I**
**Projeto Mural Eletrônico desenvolvido no INT, semelhante a um totem, promete tornar o acesso à informação disponível para todos**
A inclusão de pessoas com deficiência se constituiu um dos principais desafios e preocupações para a sociedade ao longo das últimas décadas. E o uso da tecnologia tem se revelado um aliado fundamental em muitas iniciativas voltadas para essa área. Exemplo disso é uma das recentes criações do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Ali, com o objetivo de que as diferenças entre pessoas não sejam sinônimo de obstáculos no acesso à informação ou na comunicação, engenheiros e tecnólogos vêm trabalhando no desenvolvimento do projeto Mural Eletrônico.
O Mural Eletrônico nasceu da necessidade de promover a inclusão nas escolas. Com interface multimídia e interativa, todos têm a possibilidade de acessar o Mural Eletrônico. Por meio do equipamento, podem ser disponibilizados vídeos com Libras, leitura sonora de textos, que também estarão acessíveis em uma plataforma de braile dinâmico, ao lado do teclado.
**KIFFER, D. Inclusão ampla e irrestita. Rio Pesquisa, n. 36, set. 2016 (adaptado).**
**Texto II**
**Projeto Surdonews, desenvolvido na UFRJ, garante acesso de surdos à informação e contribui para sua “inclusão cientifica”**
Para não permitir que a falta de informação seja um fator para o isolamento e a inacessibilidade da comunidade surda, a jornalista e pesquisadora Roberta Savedra Schiaffino criou o projeto “Surdonews: montando os quebra-cabeças das notícias para o surdo”. Trata-se de uma página no Facebook, com notícias constantemente atualizadas e apresentadas por surdos em Libras, e veiculadas por meio de videos.
A ideia de criar o projeto surgiu quando Roberta, ela própria surda profunda, ainda cursava o mestrado. Para isso, ela procurou traçar um diagnóstico do conhecimento informal entre as pessoas com surdez. Ela entrevistou cinquenta alunos surdos do ensino fundamental e viu que eles tinham muita dificuldade de ler, além de não captar a notícia falada. “Isso é muito grave, pois 90% do saber de um indivíduo vem do conhecimento informal, adquirido em feiras científicas, conversas, cinema, teatro, incluindo a mídia, por todas as suas possibilidades disseminadoras”, explica a pesquisadora. “Prezamos pelo conteúdo científico em nossas pautas. Contudo, independentemente disso, nosso principal trabalho é, além de informar e atualizar, fazer com que os textos não sejam empobrecidos no processo de ‘tradução’ e, sim, acessíveis”.
**KIFFER, D. Comunicação sem barreiras. Rio Pesquisa, n. 37, dez. 2016 (adaptado).**
Considerando-se o tema tecnologias e acessibilidade, os textos I e II aproximam-se porque apresentam projetos que
A ideia principal de um texto é:
Leia o trecho: "Ler é fundamental para o desenvolvimento do pensamento crítico. Por meio da leitura, ampliamos o vocabulário, adquirimos novos conhecimentos e estimulamos a criatividade." Considerando os conceitos da aula, qual é a ideia principal desse parágrafo?
De acordo com as dicas apresentadas na aula, qual das estratégias abaixo é recomendada para facilitar a identificação da ideia principal em um parágrafo?
Em um texto informativo sobre tecnologia e comunicação, a ideia secundária tem a função de detalhar, exemplificar ou justificar a ideia central. Com base nessa estrutura, qual das opções abaixo apresenta uma ideia secundária em relação ao tema 'O impacto das transformações tecnológicas na comunicação'?
A ideia principal de um parágrafo pode estar implícita, o que exige que o leitor faça uma síntese mental das informações para entender o núcleo da mensagem.
As ideias secundárias possuem sentido completo por si mesmas, permitindo que o leitor entenda a mensagem do autor mesmo se a ideia principal for removida.
Em textos do tipo dissertativo-argumentativo, a tese é a ideia principal que o autor pretende defender ao longo de toda a sua argumentação.
Um texto bem estruturado funciona como uma hierarquia de informações, onde as ideias principais de cada parágrafo ajudam a sustentar a ideia central do texto inteiro.
Em gêneros como a crônica ou o conto, a ideia central deve ser apresentada obrigatoriamente no primeiro parágrafo para que o leitor não se confunda.
As ideias secundárias costumam se manifestar no texto por meio de exemplos, comparações, justificativas ou apresentação de dados estatísticos.
A identificação da ideia principal de um parágrafo é um processo automático, pois ela ocupa sempre a posição da primeira frase de cada bloco de texto.
O termo "assunto" e o termo "tese" são sinônimos perfeitos, significando exatamente a mesma coisa em qualquer tipo de gênero textual.
Um erro comum de interpretação é a extrapolação, que ocorre quando o leitor dá importância excessiva a um detalhe secundário como se fosse a ideia central.
A técnica para identificar a ideia principal em um poema lírico é idêntica à utilizada em um manual de instruções ou em uma bula de remédio.
Ao analisar a frase 'O café ajuda a despertar e o leite alimenta', em um texto que discute se a mistura é nutritiva, essa frase deve ser lida como:
Se um leitor remover todas as ideias secundárias de um texto bem escrito, o que restará da obra?
Em textos argumentativos, qual é a relação hierárquica entre a tese e os argumentos apresentados no desenvolvimento?
Um texto argumentativo afirma que a economia melhorou e apresenta o aumento do PIB como prova para sustentar essa afirmação. Na hierarquia da argumentação, qual é a função da menção ao aumento do PIB?
O que caracteriza uma ideia principal tácita ou implícita em um parágrafo?
Como a finalidade ou o objetivo do autor auxilia na identificação da ideia principal?
Por que se diz que as ideias secundárias conferem 'múltiplas perspectivas' a um texto?
Se um parágrafo começa apresentando um dado específico e termina com uma conclusão geral, onde provavelmente está a ideia principal?
Segundo a aula, ideias secundárias podem exercer diferentes funções em relação à ideia principal. Qual das alternativas abaixo NÃO representa uma função comum das ideias secundárias em um texto?
[UNESP - 2024] Para responder à questão, leia o epílogo do livro O fim da Terra e do Céu, do físico brasileiro Marcelo Gleiser.
A sabedoria dos céus
Cada vez que tocamos algo na Natureza,
causamos reverberações no resto do Universo.
John Muir (1838-1914)
Existe magia nos céus. E essa magia nos compele a olhar para cima, a explicar, de alguma forma, nosso lugar no vasto Universo em que vivemos. Afinal, nós somos poeira das estrelas, nossa química deriva de explosões estelares que ocorreram antes ainda da formação do sistema solar. Se durante a história da humanidade nossas explicações vieram originalmente das várias religiões, hoje elas provêm da ciência. Mas, conforme procurei argumentar neste livro, não existe uma ruptura abrupta entre o discurso religioso e o discurso científico. O fascínio e o medo dos céus, que são parte integral de muitas religiões, influenciaram e influenciam o desenvolvimento das teorias científicas que criamos para explicar os movimentos celestes. O que antes era inesperado, assustador, tantas vezes interpretado como uma mensagem dos deuses ou mesmo como um prenúncio do Fim, é hoje incorporado nas nossas teorias cósmicas, que visam descrever os diversos fenômenos celestes como sendo consequência de relações de causa e efeito entre objetos materiais. A magia, mesmo que agora faça parte do discurso científico, persiste.
É difícil aceitar a ideia de que nós somos relativamente insignificantes dentro do contexto cósmico, de que nossa existência individual ou mesmo como espécie tem tão pouca influência no desenrolar das criações e destruições que se propagam pelo Universo. Como podemos reconciliar nossa capacidade de refletir sobre o mundo e sobre nós mesmos com o fato de que nossas vidas são tão curtas, de que por mais que amemos e aprendamos, teremos sempre muito mais o que amar e aprender? Não existe uma única resposta para essa pergunta. Cada pessoa tenta, consciente ou inconscientemente, responder a ela de alguma forma. Talvez a resposta esteja na própria pergunta, no fato de que nossa existência é limitada. Sem limites não existem desejos. E sem desejo não existe criação. Seria frustrante passar toda uma vida nos preocupando com o que não teremos chance de fazer após morrermos. Mais do que frustrante, seria um desperdício.
Nós vimos como processos regenerativos ocorrem a partir de eventos destrutivos: asteroides caem sobre a Terra, extinguindo várias espécies mas permitindo que outras evoluam; estrelas são criadas a partir dos restos de outras, em um ciclo de renovação que se perpetua de galáxia em galáxia; até mesmo o nosso Universo tem uma história, cujo começo ainda não conhecemos e cujo fim talvez jamais vamos conhecer. Esses processos de regeneração não são uma exclusividade celeste, mas ocorrem à nossa volta todos os dias. Cada árvore que tomba dá origem a muitas outras; cada vida humana semeia muitas outras. Nós somos seres complicados, imaturos, capazes das mais belas criações e dos crimes mais horrendos. Talvez, ao aprendermos mais sobre o mundo à nossa volta, sobre os vários ciclos de criação e destruição que acontecem continuamente nos céus e na Terra, sejamos capazes de crescer um pouco mais, de enxergar além das nossas diferenças, e de trabalhar juntos para a preservação do nosso planeta e da nossa espécie.
O primeiro passo é simples: é só olhar para os lados, com respeito, curiosidade, humildade e admiração. E não temos sequer um minuto a perder.
(O fim da Terra e do Céu, 2011.)
"É difícil aceitar a ideia de que nós somos relativamente insignificantes dentro do contexto cósmico, de que nossa existência individual ou mesmo como espécie tem tão pouca influência no desenrolar das criações e destruições que se propagam pelo Universo." (2º parágrafo) A dificuldade mencionada pelo autor é consequência da
[UNICAMP - 2026 - Vestibular] Em seu ensaio "A vida não é útil", Ailton Krenak elege Carlos Drummond de Andrade como um de seus "escudos". Ele cita a última estrofe de "O Homem; as Viagens", poema publicado em As impurezas do Branco (1973). Reproduzimos, a seguir, a primeira e a segunda estrofe desse poema:
"O Homem; as Viagens"
O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.
Lua humanizada: tão igual a Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
(...)".
(ANDRADE, C. D. O Homem; As viagens, As impurezas do Branco. In: Poesia Completa. Rio de Janeiro, Editora Nova Aguilar, p. 718, 2002.) (KRENAK, A. A vida não é útil. Pesquisa e organização de Rita Carelli. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.)
Em relação às reflexões de Ailton Krenak, é correto afirmar que esse trecho do poema
[INSPER - 2026 - Vestibular] Para responder, examine a tirinha do cartunista Adão Iturrusgarai, publicada em seu perfil do Instagram em 14.01.2025.
O efeito de humor da tirinha decorre do fato de o personagem ser caracterizado como alguém
[INSPER - 2026 - Vestibular]Leia o soneto "Exortação", de Raul de Leoni, publicado originalmente em 1922 no livro Luz mediterrânea.
Sê na Vida a expressão límpida e exata
Do teu temperamento, homem prudente;
Como a árvore espontânea que retrata
Todas as qualidades da semente!
O que te infelicita é sempre a ingrata
Aspiração de uma alma diferente,
É meditares tua forma inata,
Querendo transformá-la, de repente!
Deixa-te ser!... e vive distraído
Do enigma eterno sobre que repousas,
Sem nunca interpretar o seu sentido!
E terás, de harmonia com tua alma,
Essa felicidade ingênua e calma,
Que é a tendência recôndita das cousas!...
(Raul de Leoni. Luz mediterrânea e outros poemas, 2001.)
Depreende-se da segunda estrofe que a infelicidade humana decorre
[INSPER - 2026 - Vestibular] Leia o conto "O lazer da formiga", de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão
"A formiga entrou no cinema porque achou a porta aberta e ninguém lhe pediu bilhete de entrada. Até aí, nada de mais, porque não é costume exigir bilhete de entrada a formigas. Elas gozam de certos privilégios, sem abusar deles. O filme estava no meio. A formiga pensou em solicitar ao gerente que fosse interrompida a projeção para recomeçar do princípio, já que ela não estava entendendo nada; o filme era triste, e os anúncios falavam de comédia. Desistiu da ideia; talvez o cômico estivesse nisso mesmo. A jovem sentada à sua esquerda fazia ruído ao comer pipoca, mas era uma boa alma e ofereceu pipoca à formiga. --- Obrigada --- respondeu ela ---, estou de luto recente. --- Compreendo --- disse a moça ---, ultimamente há muitas razões para não comer pipoca. A formiga não estava disposta a conversar, e mudou de poltrona. Antes não o fizesse. Ficou ao lado de um senhor que coleciona formigas, e que sentiu, pelo cheiro, a raridade de sua espécie. Você será a 7001ª da minha coleção, disse ele, esfregando as mãos de contente. E abrindo uma caixinha de rapé, colocou dentro a formiga, fechou a caixinha e saiu do cinema."
(Carlos Drummond de Andrade. Contos plausíveis, 2012.)
Depreende-se do conto que a formiga esperava assistir a um filme
[INSPER - 2026 - Vestibular] Leia a tirinha da cartunista Laerte, publicada em 28.11.2025 em seu perfil do Instagram @lartegenial, para responder à questão.O assunto abordado na tirinha é
[UNESP - 2024] Para responder à questão, leia o epílogo do livro O fim da Terra e do Céu, do físico brasileiro Marcelo Gleiser.
A sabedoria dos céus
Cada vez que tocamos algo na Natureza,
causamos reverberações no resto do Universo.
John Muir (1838-1914)
Existe magia nos céus. E essa magia nos compele a olhar para cima, a explicar, de alguma forma, nosso lugar no vasto Universo em que vivemos. Afinal, nós somos poeira das estrelas, nossa química deriva de explosões estelares que ocorreram antes ainda da formação do sistema solar. Se durante a história da humanidade nossas explicações vieram originalmente das várias religiões, hoje elas provêm da ciência. Mas, conforme procurei argumentar neste livro, não existe uma ruptura abrupta entre o discurso religioso e o discurso científico. O fascínio e o medo dos céus, que são parte integral de muitas religiões, influenciaram e influenciam o desenvolvimento das teorias científicas que criamos para explicar os movimentos celestes. O que antes era inesperado, assustador, tantas vezes interpretado como uma mensagem dos deuses ou mesmo como um prenúncio do Fim, é hoje incorporado nas nossas teorias cósmicas, que visam descrever os diversos fenômenos celestes como sendo consequência de relações de causa e efeito entre objetos materiais. A magia, mesmo que agora faça parte do discurso científico, persiste.
É difícil aceitar a ideia de que nós somos relativamente insignificantes dentro do contexto cósmico, de que nossa existência individual ou mesmo como espécie tem tão pouca influência no desenrolar das criações e destruições que se propagam pelo Universo. Como podemos reconciliar nossa capacidade de refletir sobre o mundo e sobre nós mesmos com o fato de que nossas vidas são tão curtas, de que por mais que amemos e aprendamos, teremos sempre muito mais o que amar e aprender? Não existe uma única resposta para essa pergunta. Cada pessoa tenta, consciente ou inconscientemente, responder a ela de alguma forma. Talvez a resposta esteja na própria pergunta, no fato de que nossa existência é limitada. Sem limites não existem desejos. E sem desejo não existe criação. Seria frustrante passar toda uma vida nos preocupando com o que não teremos chance de fazer após morrermos. Mais do que frustrante, seria um desperdício.
Nós vimos como processos regenerativos ocorrem a partir de eventos destrutivos: asteroides caem sobre a Terra, extinguindo várias espécies mas permitindo que outras evoluam; estrelas são criadas a partir dos restos de outras, em um ciclo de renovação que se perpetua de galáxia em galáxia; até mesmo o nosso Universo tem uma história, cujo começo ainda não conhecemos e cujo fim talvez jamais vamos conhecer. Esses processos de regeneração não são uma exclusividade celeste, mas ocorrem à nossa volta todos os dias. Cada árvore que tomba dá origem a muitas outras; cada vida humana semeia muitas outras. Nós somos seres complicados, imaturos, capazes das mais belas criações e dos crimes mais horrendos. Talvez, ao aprendermos mais sobre o mundo à nossa volta, sobre os vários ciclos de criação e destruição que acontecem continuamente nos céus e na Terra, sejamos capazes de crescer um pouco mais, de enxergar além das nossas diferenças, e de trabalhar juntos para a preservação do nosso planeta e da nossa espécie.
O primeiro passo é simples: é só olhar para os lados, com respeito, curiosidade, humildade e admiração. E não temos sequer um minuto a perder.
(O fim da Terra e do Céu, 2011.)
De acordo com o autor:
[CEBRASPE - 2025 - Advogado - CAESB] O objetivo central do texto CG1A1 é
[FUVEST - 2026] Os grotões transformaram-se em jardins cortados a meio pelas avenidas e pela sombra dos viadutos não há mais sapo. Nos jardins encontrareis recintos fechados com instrutoras, dentistas, educadoras sanitárias dentro. São os parques infantis, onde as crianças proletárias se socializam aprendendo nos brinquedos o cooperativismo e a consciência do homem social.
Mário de Andrade. “Dia de São Paulo”. Revista do Arquivo Municipal. São Paulo: Departamento de Cultura, 1936, nº 19.
O excerto relata alterações na paisagem urbana paulistana com a implantação de novos equipamentos que visavam