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Crase Antes de Nomes Próprios e Pronomes - Português | Tuco-Tuco

Aula de Português (Crase e Pontuação): Crase Antes de Nomes Próprios e Pronomes. Regras e exceções para o uso da crase antes de nomes próprios e pronomes. Estude gratuitamente para vestibular e ENEM no Tuco-Tuco.

A Crase Diante de Nomes Próprios e Pronomes O estudo da crase diante de nomes próprios e pronomes é um dos pontos que mais suscitam dúvidas, tanto em provas de concursos e vestibulares quanto na redação de textos formais. A complexidade decorre do fato de que a crase, nesses contextos, depende não apenas da presença da preposição a exigida pelo termo regente, mas também da possibilidade de o nome próprio ou o pronome admitir artigo definido feminino. Além disso, há regras específicas e exceções que precisam ser conhecidas com profundidade. Revisão do Mecanismo da Crase Antes de analisar os casos particulares, convém recordar que a crase é a fusão da preposição a com: o artigo definido feminino a(s); a vogal inicial dos pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo; o artigo que compõe o pronome relativo a qual, as quais. Dessa forma, para que a crase ocorra, duas condições precisam ser satisfeitas simultaneamente: O termo regente (verbo, substantivo, adjetivo ou advérbio) exige a preposição a. O termo regido admite o artigo definido feminino a(s) ou é um pronome iniciado por a em condições de fusão. A ausência de qualquer um desses elementos impede a crase. Agora, aplicaremos esse raciocínio aos nomes próprios e aos diferentes tipos de pronomes. Crase Antes de Nomes Próprios Nomes Próprios Femininos A regra fundamental é: a crase ocorrerá diante de um nome próprio feminino se o termo regente exigir a preposição a e se o nome próprio aceitar artigo definido feminino. A dificuldade reside no fato de que o uso do artigo antes de nomes próprios femininos é variável na língua portuguesa, dependendo de fatores regionais, estilísticos e afetivos. Enviei a carta à Maria. (crase indicando familiaridade ou determinação: a Maria conhecida) Enviei a carta a Maria. (sem crase, tom mais formal ou impessoal) Fiz referência à Joana. (com artigo) Fiz referência a Joana. (sem artigo) Em muitos contextos, especialmente na fala e na escrita informal, a presença do artigo é comum, o que torna a crase praticamente obrigatória. Na escrita formal, porém, é possível omitir o artigo, e a crase não aparece. Essa dupla possibilidade faz com que a crase diante de nomes próprios femininos seja, via de regra, facultativa (exceto quando o nome está acompanhado de um título que exige artigo, como senhora, professora, doutora). Atenção especial: quando o nome próprio feminino é precedido de um título que naturalmente se constrói com artigo, a crase torna-se obrigatória: Entreguei o relatório à professora Ana. Dirigi-me à doutora Helena. Ofereci o prêmio à senhora diretora. Nesses casos, o artigo integra a estrutura do título, e a preposição a funde-se a ele, gerando a crase. A omissão do acento grave seria erro. Contudo, títulos como dona (no sentido de tratamento) rejeitam o artigo na maioria das situações, e a crase não se aplica: Entreguei o recado a Dona Maria. (sem crase) Apenas se dona for empregada com o sentido de proprietária e estiver determinada, a crase pode surgir: Entreguei as chaves à dona do apartamento. (sentido de proprietária, com artigo) A regra da especificação: se um nome próprio feminino (ou mesmo um nome de lugar que normalmente rejeita artigo) vier acompanhado de um adjunto adnominal, oração adjetiva ou qualquer elemento que o determine e especifique, o artigo definido torna-se obrigatório, e a crase passa a ser obrigatória, mesmo que sem esse determinante ela fosse facultativa ou proibida. Refiro-me à Joana que conhecemos ontem. (a oração "que conhecemos ontem" especifica; crase obrigatória) Entreguei o presente à Maria de vestido azul. (o adjunto especifica; crase obrigatória) Fiz menção à Ana da contabilidade. (especificação pelo complemento; crase obrigatória) Nomes Próprios Masculinos Diante de nomes próprios masculinos, a crase é, em regra, proibida, pois o artigo definido feminino a não é compatível com nomes masculinos. Ainda que o termo regente peça preposição a, não haverá fusão. Entreguei o convite a João. Fiz menção a Carlos. Referiu-se a Pedro. A única exceção ocorre quando o nome masculino está inserido em uma expressão que subentende uma palavra feminina, como à moda de: Poesia à Augusto dos Anjos. (à moda de Augusto dos Anjos) Filé à Oswaldo Aranha. (à moda de Oswaldo Aranha) Nesses casos, a crase decorre da palavra feminina implícita (moda), e não do nome masculino em si. Nomes de Lugares (Topônimos) Para nomes de lugares, a crase segue o mesmo princípio: ocorre se o topônimo for feminino e admitir artigo definido. O teste de "voltar de/da" é prático e absolutamente confiável para determinar se há ou não artigo: Fui à Bahia. (Voltei da Bahia → artigo feminino, crase obrigatória) Fui a São Paulo. (Voltei de São Paulo → sem artigo, crase proibida) Fui à Argentina. (Voltei da Argentina → artigo feminino, crase obrigatória) Fui a Portugal. (Voltei de Portugal → sem artigo, crase proibida) Fui à França. (Voltei da França → artigo feminino, crase obrigatória) Fui à Europa. (Voltei da Europa → artigo feminino, crase obrigatória) O critério é simples e soberano: se no retorno dizemos da, é porque há artigo feminino; logo, a crase é obrigatória na ida. Nomes como França, Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha, Bahia, Argentina, Europa, África, Ásia pedem artigo e, portanto, exigem crase quando o termo regente demanda a preposição a. A crase diante desses topônimos não é facultativa, mas obrigatória, de acordo com o padrão das bancas de concursos e vestibulares. A regra da especificação em topônimos: mesmo nomes de lugares que normalmente rejeitam artigo (como Roma, Paris, Fortaleza) passam a exigi-lo quando estão especificados por um adjunto ou oração adjetiva. Nesses casos, a crase torna-se obrigatória: Fui a Roma. (sem especificação, sem crase) Fui à Roma dos Césares. (especificada, crase obrigatória) Viajou a Paris. (sem especificação, sem crase) Viajou à Paris das luzes. (especificada, crase obrigatória) Dirigiu-se a Fortaleza. (sem especificação, sem crase — respeitando-se o fato de Fortaleza rejeitar artigo na norma culta) Dirigiu-se à Fortaleza do século passado. (especificada, crase obrigatória) Crase Antes de Pronomes O comportamento da crase diante de pronomes varia conforme a classe pronominal. É fundamental conhecer cada caso. Pronomes Pessoais Pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas) e oblíquos tônicos (mim, ti, si, nós, vós) não admitem artigo definido. Logo, a crase é proibida. Dirigiu-se a mim. Enviou o presente a ti. Referiu-se a ela. Entregou a nós a tarefa. Atenção: mesmo que o pronome se refira a uma pessoa do gênero feminino (ela), a crase não ocorre, porque ela não é um artigo, é um pronome pessoal. Pronomes de Tratamento A maioria dos pronomes de tratamento (Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Vossa Alteza, Vossa Majestade, Vossa Santidade, etc.) não é precedida de artigo definido. Portanto, a crase é proibida. Comuniquei a Vossa Excelência. Enviei o ofício a Vossa Senhoria. Dirigi-me a Sua Alteza. As exceções são os pronomes de tratamento que admitem artigo definido feminino, como senhora, senhorita, madame. Diante deles, a crase é obrigatória quando houver preposição a: Entreguei o documento à senhora. Fiz referência à senhorita. Ofereceu o brinde à madame. Observação: o pronome dona (como tratamento respeitoso) não admite artigo, e a crase é proibida. Apenas quando dona significa proprietária e está determinado, a crase pode ocorrer. Pronomes Possessivos A crase antes de pronomes possessivos femininos (minha, tua, sua, nossa, vossa) é facultativa, pois o uso do artigo definido antes desses possessivos é opcional. Essa facultatividade só se aplica quando o possessivo funciona como adjetivo (acompanha um substantivo). Referiu-se a minha irmã. / Referiu-se à minha irmã. Fez alusão a nossa proposta. / Fez alusão à nossa proposta. Dirigiu-se a sua residência. / Dirigiu-se à sua residência. Quando o possessivo é substantivo (substitui o substantivo), o artigo definido é obrigatório, e a crase será obrigatória: Minha ideia é igual à sua. (obrigatória) Refiro-me à minha, não à sua. (obrigatória) Nossas propostas são semelhantes às vossas. (obrigatória) Pronomes Demonstrativos A crase diante de pronomes demonstrativos segue regras específicas conforme o pronome. 4.1. Pronomes Iniciados por "A" Os pronomes aquele(s), aquela(s), aquilo começam com a vogal a. Quando o termo regente exige a preposição a, ocorre a fusão com essa vogal inicial, e a crase é obrigatória. Refiro-me àquele episódio. Entregou o presente àquela senhora. Não dê importância àquilo. A crase com esses demonstrativos nunca é facultativa. 4.2. Pronomes Não Iniciados por "A" Os pronomes este(s), esta(s), esse(s), essa(s), isto, isso não contêm artigo definido e não são compatíveis com a fusão. A crase é proibida. Chegou a esta conclusão. Referiu-se a isso. Fez alusão a essa possibilidade. 4.3. Pronome Demonstrativo "A" Antes de "Que" Existe um caso importante que gera dúvidas: o pronome demonstrativo a (equivalente a aquela), quando seguido do pronome relativo que, pode gerar crase se o termo regente pedir preposição a. Essa crase é obrigatória. Sua ideia é semelhante à que apresentei. (à = preposição + pronome demonstrativo a; "à que" = "àquela que") Minha nota é igual à que você tirou. A proposta é idêntica às que foram discutidas. Esse caso não deve ser confundido com as construções interrogativas (A que horas chega?), em que não há crase. Pronomes Relativos Os pronomes relativos que, quem não admitem crase, pois não são palavras que aceitam artigo definido feminino. Já o pronome cujo(s), cuja(s), embora cuja seja feminino, rejeita o artigo; assim, a fusão é impossível e a crase é proibida. O livro a que me referi. (preposição a + relativo que; sem crase) A aluna a quem entreguei o prêmio. (sem crase) A escritora a cuja obra fiz referência. (sem crase, pois cuja rejeita artigo) Contudo, os pronomes a qual, as quais contêm artigo definido feminino em sua estrutura, e a crase é obrigatória quando o termo regente pede preposição a: A moça à qual me referi. As questões às quais dei importância. Se o antecedente for masculino, a construção será ao qual, aos quais, sem crase. Pronomes Indefinidos Pronomes indefinidos como alguém, ninguém, algum, alguma, nenhum, nenhuma, certo, certa, qualquer, toda, tudo, outrem, nada geralmente não são antecedidos de artigo definido, o que impede a crase. Referiu-se a alguma pessoa. Não obedece a ninguém. Isso interessa a qualquer mulher. Dirigiu-se a certa autoridade. Entretanto, quando um pronome indefinido feminino é determinado por artigo (como pouca, muita, tanta em contextos específicos), a crase pode ocorrer, sendo obrigatória se houver restrição (ex.: Refiro-me à pouca atenção que me deram), e facultativa se o substantivo for genérico. Pronomes Interrogativos Os pronomes interrogativos (que, quem, qual, quais, quanto(s), quanta(s)) não geram crase, porque não contêm artigo definido feminino em sua forma. Exemplos: A que horas chega? (preposição a antes de que — sem crase) A quem pertence este livro? A qual candidata se refere? Não confunda: a forma à que existe na língua, mas apenas quando o à resulta da fusão da preposição com o pronome demonstrativo a (equivalente a aquela), como explicado no item 4.3. A expressão interrogativa a que (preposição + pronome interrogativo) jamais leva crase. Quadro-Resumo: Crase Diante de Pronomes | Tipo de Pronome | Crase | Exemplo | |-----------------|-------|---------| | Pessoais | Proibida | Referiu-se a ela | | Tratamento (maioria) | Proibida | Comunicou a Vossa Excelência | | Tratamento (senhora, senhorita, madame) | Obrigatória (se houver prep.)| Entreguei à senhora | | Possessivo adjetivo feminino | Facultativa | Fez alusão a/à nossa proposta | | Possessivo substantivo | Obrigatória (se houver prep.)| Minha ideia é igual à sua | | Demonstrativos (aquele, aquela, aquilo) | Obrigatória (se houver prep.)| Refiro-me àquele livro | | Demonstrativo "a" + "que" | Obrigatória (se houver prep.)| Sua ideia é igual à que apresentei | | Demonstrativos (este, essa, isto) | Proibida | Chegou a esta conclusão | | Relativos (a qual, as quais) | Obrigatória (se houver prep.)| A aluna à qual me referi | | Relativos (que, quem, cujo/cuja) | Proibida | O livro a que me refiro; a aluna a cuja obra... | | Indefinidos (maioria) | Proibida | Referiu-se a alguma pessoa | | Interrogativos | Proibida | A que horas? | Casos Especiais: Expressões com "Moda" e Nomes Próprios Masculinos Já mencionados anteriormente, mas vale reforçar: a crase ocorre diante de nomes masculinos quando está implícita uma palavra feminina (geralmente moda ou maneira). Esse é um caso de crase obrigatória por subentendimento. Escreve à Machado de Assis. Jogou à Pelé. Bife à milanesa. (moda milanesa) Cabelo à príncipe Danilo. (moda de) Nessas construções, a crase não incide sobre o nome masculino, mas sobre o artigo feminino implícito. Pontos Essenciais para a Prova Antes de nomes próprios femininos sem título, a crase é facultativa (com artigo → crase; sem artigo → sem crase). Com títulos femininos que exigem artigo (senhora, professora, doutora), a crase é obrigatória. Antes de nomes próprios masculinos, a crase é proibida, exceto se houver moda implícita. A crase é proibida antes de pronomes pessoais, de tratamento (maioria), demonstrativos não iniciados por "a", relativos como que, quem, cujo, indefinidos e interrogativos. É obrigatória antes de pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo e dos relativos a qual, as quais quando há preposição a. Diante de pronomes possessivos femininos adjetivos, a crase é facultativa; diante de possessivos substantivos, é obrigatória. A regra da especificação: nomes que normalmente rejeitam artigo passam a exigi-lo quando acompanhados de determinantes, tornando a crase obrigatória (Roma → à Roma dos Césares; Maria → à Maria que conhecemos). Dominar essas regras é imprescindível para a redação de textos corretos e para acertar as questões específicas de crase nos exames. Exercícios: Assinale a alternativa em que o uso da crase está correto, considerando as regras específicas para nomes próprios femininos: Considere as frases e indique em qual delas o uso da crase está correto: Por que não ocorre crase na expressão 'Falei a ela tudo o que sabia'? Assinale a alternativa em que o uso da crase está CORRETAMENTE justificado pela elipse de uma locução como 'à moda de' ou 'ao estilo de': A crase diante de nomes de lugares depende de a palavra aceitar ou não o artigo feminino, o que explica o acento em 'fui à França' e a ausência dele em 'fui a Roma'. O uso do acento indicativo de crase é sempre proibido antes de qualquer pronome de tratamento, sem exceções, devido à regra geral de regência. Ocorre crase com os pronomes demonstrativos 'aquele', 'aquela' e 'aquilo' quando o termo anterior exigir a preposição 'a', fundindo essa preposição com a primeira letra do pronome. É proibido usar o sinal indicativo de crase antes de pronomes indefinidos femininos, como 'alguma', 'certa', 'toda' e 'qualquer', mesmo que o verbo exija preposição. Os pronomes demonstrativos 'esta', 'essa' e 'isso' recebem acento grave indicativo de crase quando o verbo da frase exigir a preposição 'a'. Expressões que indicam destino a locais com nomes masculinos, como 'fui a Porto Alegre' e 'retornei a São Paulo', não levam crase em nenhuma hipótese. Como cidades como Roma não aceitam artigo feminino, mesmo que o nome da cidade venha especificado na frase, o uso da crase continuará sendo proibido. A crase ocorre automaticamente antes de qualquer nome geográfico feminino (como países, estados ou cidades), desde que o verbo anterior exija a preposição 'a'. Antes de pronomes possessivos femininos, como na expressão 'entreguei o presente à minha mãe', a crase ocorre quando o verbo exige a preposição 'a' e o substantivo seguinte aceita o artigo. Quando a preposição 'a' vem antes de um verbo no infinitivo que se refere a uma palavra feminina na frase, o uso do acento grave indicativo de crase é obrigatório. Assinale a alternativa que apresenta o uso correto da crase diante de pronomes indefinidos: Assinale a alternativa em que o uso do acento grave é obrigatório diante do pronome demonstrativo. Em qual das sentenças abaixo o uso da crase é facultativo (opcional)? Analise o uso da crase em nomes de lugares e assinale a alternativa correta: No caso de pronomes possessivos substantivos (que substituem o nome), o uso da crase é: Qual é a justificativa para a crase em 'Esta é a mulher à qual me refiro'? Assinale a alternativa em que o uso da crase está CORRETO: Em relação ao uso da crase antes de pronomes possessivos e demonstrativos, assinale a alternativa em que o uso da crase está CORRETO: Diante de nomes próprios femininos de pessoas, o uso da crase é, segundo a norma-padrão da língua portuguesa: Assinale a alternativa CORRETA quanto ao uso da crase: Sobre a ocorrência de crase antes de pronomes de tratamento, qual afirmação é verdadeira?