1. Início
  2. Explorar
  3. Português
  4. Classes Gramaticais
  5. Conjunções: Tipos e Usos

Conjunções: Tipos e Usos - Português | Tuco-Tuco

Aula de Português (Classes Gramaticais): Conjunções: Tipos e Usos. Investigação das conjunções coordenativas e subordinativas e sua função de ligação entre orações. Estude gratuitamente para vestibular e ENEM no Tuco-Tuco.

Conjunções: Tipos e Usos As conjunções são palavras invariáveis que têm por função essencial ligar orações ou termos semelhantes em uma sentença, estabelecendo entre eles relações lógico-semânticas. O estudo das conjunções é central na sintaxe da Língua Portuguesa, pois permite compreender como as ideias se articulam nos períodos compostos, como se estruturam as relações de coordenação e subordinação, e como o sentido global do texto é construído a partir das conexões entre suas partes. Dominar os tipos e os usos das conjunções é indispensável para a análise sintática, para a interpretação de textos e para a produção de redações coesas e coerentes, atendendo às exigências de concursos e vestibulares. Definição e Critérios de Classificação Do ponto de vista morfológico, as conjunções são palavras invariáveis. Do ponto de vista sintático, são conectores que podem ligar: Orações: "Estudei muito e passei no exame." Termos de mesma função sintática: "Pai e filho conversaram longamente." Do ponto de vista semântico, as conjunções expressam valores como adição, adversidade, alternância, conclusão, explicação, causa, consequência, condição, concessão, finalidade, tempo, comparação, conformidade e proporção. A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) classifica as conjunções em dois grandes grupos: conjunções coordenativas e conjunções subordinativas. A diferença fundamental entre elas reside no tipo de relação que estabelecem: as coordenativas ligam orações ou termos sintaticamente independentes; as subordinativas ligam uma oração dependente (subordinada) a uma oração principal. Conjunções Coordenativas As conjunções coordenativas unem orações coordenadas, que são aquelas que mantêm independência sintática entre si, ou seja, cada uma delas poderia constituir um período simples autônomo. As orações coordenadas podem ser assindéticas (sem conjunção, apenas justapostas) ou sindéticas (introduzidas por conjunção coordenativa). As conjunções coordenativas sindéticas classificam-se em cinco tipos: Conjunções Aditivas Estabelecem relação de adição, soma ou acréscimo entre termos ou orações. As principais são: e, nem, não só... mas também, não só... como também, tanto... como, bem como. Exemplos: "Estudou a teoria e resolveu os exercícios." "Não compareceu à reunião, nem justificou a ausência." "Não só leu o livro, como também fez um resumo." A conjunção "nem" equivale a "e não", acumulando valor aditivo e negativo. Em frases com "não só... mas também", a ênfase recai sobre o segundo elemento, que é apresentado como um acréscimo relevante. Conjunções Adversativas Expressam oposição, contraste, ressalva ou compensação. As principais são: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, não obstante, senão (quando equivale a "mas sim"). Exemplos: "Estudou bastante, mas não obteve a nota desejada." "O dia estava chuvoso; contudo, saímos para caminhar." "Não era cansaço, senão profunda tristeza." As conjunções adversativas são frequentemente deslocáveis, podendo aparecer no início da oração ou após um termo enfático. "Mas" é geralmente empregada no início da oração adversativa; as demais podem vir no início ou intercaladas. Conjunções Alternativas Indicam alternância, escolha ou exclusão entre duas possibilidades. As principais são: ou, ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer, seja... seja. Exemplos: "Estude ou não passará no exame." "Ora chovia, ora fazia sol." "Quer goste, quer não goste, terá de comparecer." As locuções alternativas repetidas ("ora... ora", "quer... quer", "seja... seja") conferem ao período um ritmo que enfatiza a alternância ou a indiferença diante das opções. Conjunções Conclusivas Introduzem uma conclusão lógica ou uma consequência extraída do que foi enunciado anteriormente. As principais são: logo, portanto, por isso, assim (quando equivale a "portanto"), por conseguinte, pois (quando posposto ao verbo). Exemplos: "Penso, logo existo." "Estudou com afinco; portanto, foi aprovado." "Não se preparou; por isso, não conseguiu a vaga." "Fez todo o percurso a pé; chegou cansado, pois." A conjunção "pois" conclusiva distingue-se da "pois" explicativa pela posição em relação ao verbo: quando conclusiva, aparece posposta ao verbo ou no final da oração; quando explicativa, anteposta. Conjunções Explicativas Introduzem uma justificativa, uma razão ou um esclarecimento para a ideia contida na oração anterior. As principais são: porque, pois (anteposto ao verbo), que, porquanto. Exemplos: "Feche a janela, porque está ventando muito." "Não se atrase, pois a reunião é pontual." "Vamos logo, que o tempo é curto." A conjunção "que" explicativa é comum em linguagem coloquial e literária, muitas vezes substituindo "porque". A conjunção "pois" explicativa antecede o verbo, ao contrário da conclusiva. Conjunções Subordinativas As conjunções subordinativas ligam uma oração subordinada a uma principal, estabelecendo uma relação de dependência sintática e semântica. A oração subordinada exerce uma função sintática em relação à principal e é introduzida pela conjunção subordinativa. Elas se dividem em dois grandes grupos: integrantes e adverbiais. Conjunções Integrantes As conjunções integrantes introduzem orações subordinadas substantivas, que funcionam como sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto da oração principal. As principais são: que e se. Exemplos: "É importante que você estude." (oração subjetiva) "Perguntou se estava correto." (oração objetiva direta) "Tenho certeza de que ele virá." (oração completiva nominal) "A verdade é que ninguém compareceu." (oração predicativa) A conjunção integrante "que" não deve ser confundida com o pronome relativo "que", que retoma um antecedente e introduz oração subordinada adjetiva. A conjunção integrante não tem antecedente e introduz uma oração substantiva. Conjunções Adverbiais As conjunções adverbiais introduzem orações subordinadas adverbiais, que exercem função de adjunto adverbial da oração principal, indicando circunstâncias diversas. São classificadas conforme a circunstância que expressam. Conjunções Causais Indicam a causa ou o motivo do fato expresso na oração principal. Principais: porque, visto que, já que, uma vez que, como (no início da oração), porquanto, na medida em que. Exemplos: "Faltou à aula porque estava doente." "Como choveu muito, o evento foi cancelado." "Visto que não houve tempo hábil, adiaremos a reunião." A conjunção "como" causal sempre aparece no início da oração subordinada, que antecede a principal. Conjunções Concessivas Indicam uma concessão, ou seja, uma ideia contrária que não impede a realização do fato principal. Principais: embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que, por mais que, por menos que, apesar de que. Exemplos: "Embora estivesse cansado, terminou o trabalho." "Sairemos, mesmo que chova." "Ainda que me peça, não perdoarei." As concessivas são importantes para a argumentação, pois permitem reconhecer objeções e contorná-las. Conjunções Condicionais Indicam uma condição ou hipótese para que o fato principal se realize. Principais: se, caso, desde que, contanto que, a não ser que, a menos que, sem que, salvo se, uma vez que (com valor condicional). Exemplos: "Se estudar, será aprovado." "Irei, desde que me convidem." "Caso precise, peça ajuda." As condicionais são fundamentais na estruturação de raciocínios hipotéticos e argumentativos. Conjunções Consecutivas Indicam uma consequência do fato principal. Principais: que (precedido de tão, tal, tanto, tamanho), de modo que, de sorte que, de forma que, de maneira que. Exemplos: "Estava tão cansado que adormeceu imediatamente." "Falou alto, de modo que todos ouviram." "Tal era seu entusiasmo que contagiou a plateia." A estrutura consecutiva frequentemente envolve um intensificador (tão, tal, tanto, tamanho) na oração principal. Conjunções Temporais Indicam o tempo em que ocorre o fato principal. Principais: quando, enquanto, assim que, logo que, depois que, antes que, sempre que, até que, agora que, mal (equivalente a "assim que"). Exemplos: "Quando o sol nasceu, os pássaros começaram a cantar." "Fique aqui enquanto eu vou buscar os documentos." "Assim que terminar, avise-me." As temporais situam a ação em um eixo cronológico, podendo expressar simultaneidade, anterioridade ou posterioridade. Conjunções Finais Indicam a finalidade ou o objetivo do fato principal. Principais: para que, a fim de que, que (equivalente a "para que"), porque (em linguagem mais antiga ou formal). Exemplos: "Estudou muito para que pudesse passar no concurso." "Fechou as janelas, a fim de que o vento não entrasse." "Vamos logo, que eu não quero me atrasar." As finais são muito usadas em textos injuntivos e argumentativos para apontar propósitos e metas. Conjunções Comparativas Estabelecem uma comparação entre dois termos ou orações. Principais: como, (tal) qual, assim como, que (precedido de mais, menos, tão, tanto), do que. Exemplos: "Ela é dedicada como a mãe." "Corre mais rápido do que o adversário." "Ele agiu tal qual o pai agiria." As comparativas podem apresentar o verbo implícito: "Ela canta como um anjo (canta)." Conjunções Conformativas Indicam conformidade, acordo ou consonância com o que se enuncia na oração principal. Principais: conforme, segundo, consoante, como. Exemplos: "Fizemos o trabalho conforme o professor orientou." "Segundo consta no relatório, houve avanços." "Tudo ocorreu como estava previsto." As conformativas são frequentes em textos jornalísticos e acadêmicos para citar fontes e referências. Conjunções Proporcionais Indicam que dois fatos variam proporcionalmente, ou seja, à medida que um aumenta, o outro também aumenta (ou diminui). Principais: à medida que, à proporção que, quanto mais... (mais/menos), quanto menos... (menos/mais). Exemplos: "À medida que o tempo passa, a sabedoria aumenta." "Quanto mais estudava, mais aprendia." "Quanto menos reclamava, mais era ouvido." É importante não confundir "à medida que" (proporcional) com "na medida em que" (causal). Conjunções e Polissemia Muitas conjunções podem assumir valores semânticos diferentes conforme o contexto. É o caso de "como", que pode ser comparativa ("Fez como mandei"), causal ("Como choveu, não saí") ou conformativa ("Fez como o pai"). Da mesma forma, "que" pode ser integrante, consecutiva, comparativa, explicativa, final, entre outras. A análise do período e a relação lógica entre as orações são os critérios seguros para determinar a classificação. Conjunções e Coesão Textual As conjunções são elementos centrais da coesão sequencial, pois sinalizam para o leitor o tipo de relação que se estabelece entre as ideias. O uso adequado das conjunções garante a progressão lógica do texto e evita ambiguidades. Por outro lado, o uso incorreto ou a omissão indevida de uma conjunção pode comprometer a clareza e a coerência do discurso. Conjunções e o Período Composto No período composto, a identificação das conjunções é o primeiro passo para classificar as orações e para compreender a hierarquia entre elas: Se a conjunção for coordenativa, a oração será coordenada sindética. Se a conjunção for subordinativa integrante, a oração será subordinada substantiva. Se a conjunção for subordinativa adverbial, a oração será subordinada adverbial, com a circunstância indicada pela conjunção. A ausência de conjunção entre orações coordenadas caracteriza a coordenação assindética. Observações Finais As conjunções são invariáveis; não sofrem flexão de qualquer natureza. As locuções conjuntivas são grupos de palavras com valor de conjunção (portanto, no entanto, uma vez que, visto que, a fim de que, ainda que, à medida que, de modo que, etc.) e devem ser classificadas conforme a relação que estabelecem. A forma "se" pode ser conjunção integrante (introduzindo oração substantiva) ou conjunção condicional (introduzindo oração adverbial condicional). A análise da estrutura sintática é que determinará a classificação correta. A forma "que" pode ser conjunção integrante, pronome relativo, conjunção consecutiva, comparativa, explicativa, final, entre outras. O contexto e a função sintática são os guias para a análise. Muitas conjunções compostas (locuções) escrevem-se sem hífen: "a fim de que", "uma vez que", "visto que", "ainda que", "à medida que". O domínio das conjunções é ferramenta indispensável para a compreensão da estrutura interna dos períodos e para a interpretação das relações de sentido que os autores estabelecem em seus textos. A prática frequente de análise de orações e de classificação de conjunções proporciona ao estudante a segurança necessária para enfrentar as questões de sintaxe, coesão e interpretação nos exames de seleção. Exercícios: Analise o uso da conjunção em: 'Como não havia estudado, sentiu dificuldade na prova'. Qual é o valor semântico estabelecido pela palavra 'como' neste contexto? Em qual das frases abaixo a conjunção 'se' é classificada como integrante? A locução conjuntiva 'visto que' pode ser substituída, sem alteração de sentido e mantendo a correção gramatical, por: A conjunção 'nem' é classificada como aditiva. Em qual contexto ela é corretamente empregada? Na frase 'Caso você mude de ideia, avise-nos', a conjunção 'caso' estabelece uma relação de: Identifique a frase que contém uma locução conjuntiva proporcional. Observe a frase abaixo e escolha a alternativa que identifica corretamente o tipo de relação estabelecida pela conjunção destacada: "Embora estivesse cansado, continuou trabalhando." Complete a frase: Enquanto as conjunções coordenativas unem orações independentes, as conjunções subordinativas ligam uma oração dependente a uma principal, estabelecendo uma relação de ______ Complete a frase: A conjunção conclusiva pois possui uma característica posicional rígida na língua padrão, devendo aparecer obrigatoriamente ______ Complete a frase: A conjunção como introduz uma oração subordinada adverbial causal sempre que estiver posicionada ______ Complete a frase: Na estruturação de textos argumentativos, as conjunções que introduzem uma ideia contrária à da oração principal, mas sem impedir a sua realização, são classificadas como ______ Complete a frase: Diferente do pronome relativo que, que introduz uma oração adjetiva e retoma um termo anterior, a conjunção integrante que atua na introdução de uma oração subordinada ______ Complete a frase: A locução conjuntiva à medida que expressa uma variação proporcional entre dois fatos, não devendo ser confundida com a locução na medida em que, que possui valor ______ Complete a frase: Na frase 'Não compareceu à reunião, nem justificou a ausência', a conjunção nem cumpre o papel de conectar as orações estabelecendo uma relação de ______ Complete a frase: A conjunção que introduz uma oração subordinada adverbial consecutiva sempre que a oração principal contiver um elemento ______ Complete a frase: No período composto por coordenação, as orações que não vêm introduzidas por nenhuma conjunção e aparecem apenas justapostas ou separadas por vírgula são chamadas de ______ Complete a frase: No período composto, as conjunções que introduzem orações com a função de apontar o objetivo, o propósito ou a meta do fato expresso na oração principal são as ______ Conjunções coordenativas ligam orações ou termos que possuem autonomia sintática, o que significa que cada parte mantém seu sentido completo mesmo se for isolada. As palavras 'todavia' e 'entretanto' são classificadas como conjunções aditivas, pois sua função é acrescentar uma nova ideia a um pensamento já apresentado. As conjunções integrantes 'que' e 'se' introduzem orações que funcionam como substantivos, completando o sentido de um verbo ou de um nome da oração principal. Conjunções concessivas indicam uma oposição ou um obstáculo que, embora real, não é forte o suficiente para impedir a realização do fato principal. Conjunções subordinativas comparativas são utilizadas para indicar a causa ou o motivo principal que gerou a ação descrita na oração principal. A conjunção 'pois' é considerada explicativa quando inicia a oração, mas assume valor conclusivo quando aparece deslocada para o meio da frase, geralmente entre vírgulas. As palavras 'conquanto' e 'posto que' pertencem à classe das conjunções proporcionais, indicando que dois eventos aumentam na mesma medida. Conjunções coordenativas alternativas têm a função de fornecer uma explicação detalhada sobre por que uma escolha específica foi feita pelo sujeito. Locuções como 'para que' e 'a fim de que' são classificadas como finais, pois introduzem orações que expressam o objetivo ou a intenção da ação principal. As conjunções integrantes podem ser substituídas por conjunções aditivas em qualquer contexto, pois ambas servem apenas para somar orações. Na sentença 'Estudou muito, pois desejava a aprovação', a conjunção exerce um papel específico. No entanto, se a frase fosse 'Não obteve a nota; não será, pois, aprovado', a classificação mudaria. Qual é a classificação da conjunção na segunda frase? As conjunções 'conquanto' e 'porquanto' são frequentemente confundidas. Assinale a alternativa que define corretamente a relação que elas estabelecem, respectivamente.