Aula de Português (Concordância Verbal e Nominal): Concordância Nominal: Casos Especiais. Análise de casos especiais, como expressões de quantidade e pronomes. Estude gratuitamente para vestibular e ENEM no Tuco-Tuco.
Concordância Nominal: Casos Especiais
A concordância nominal, embora tenha uma regra geral clara — adjetivos, artigos, pronomes e numerais concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem —, apresenta uma série de situações particulares que exigem análise cuidadosa. São os chamados casos especiais de concordância nominal, que envolvem palavras e expressões cujo comportamento foge ao padrão básico ou que admitem mais de uma possibilidade de concordância. O domínio desses casos é indispensável para resolver questões de concursos e vestibulares, nos quais frequentemente aparecem exemplos com as palavras "meio", "bastante", "anexo", "só", "mesmo", "próprio", além de construções com "é proibido", "é necessário" e outras expressões impessoais.
Adjetivo Pós-Posto a Substantivos de Gêneros e Números Diferentes
Quando um adjetivo aparece depois de dois ou mais substantivos, a regra geral de concordância nominal determina que ele deve ir para o plural, assumindo o gênero dos substantivos. Se os substantivos forem todos do mesmo gênero, o adjetivo fica nesse gênero, no plural. Se forem de gêneros diferentes, o adjetivo assume o masculino plural, que funciona como gênero não marcado.
Exemplos de substantivos do mesmo gênero:
"Comprei uma camisa e uma calça novas." (feminino plural)
"O prédio e o monumento foram restaurados." (masculino plural)
Exemplos de substantivos de gêneros diferentes:
"O aluno e a professora estavam entusiasmados." (masculino plural)
"Admiro a coragem e o otimismo infantis." (masculino plural, embora "coragem" seja feminino)
A norma culta também admite a chamada concordância atrativa, em que o adjetivo concorda apenas com o substantivo mais próximo, ficando no singular. Essa possibilidade é particularmente útil quando se deseja enfatizar que a qualidade se aplica especialmente ao último substantivo, ou quando a concordância no plural poderia gerar ambiguidade.
Exemplos de concordância atrativa:
"Comprei uma camisa e uma calça nova." (concordância com "calça", feminino singular)
"O aluno e a professora estavam entusiasmada." (concordância do adjetivo com "professora", feminino singular; o verbo, obrigatoriamente no plural, concorda com o sujeito composto "O aluno e a professora")
É importante observar que, com sujeito composto anteposto ao verbo, o verbo deve sempre estar no plural, independentemente de o adjetivo sofrer concordância atrativa. A concordância atrativa atinge apenas o adjetivo (ou particípio), e não o verbo. Em provas, ambas as formas de concordância do adjetivo são aceitas, a menos que o contexto indique claramente que a qualidade se refere a um único substantivo.
Adjetivo Anteposto a Substantivos
Quando o adjetivo aparece antes de dois ou mais substantivos, a concordância segue a regra do adjunto adnominal anteposto: o adjetivo concorda com o substantivo mais próximo em gênero e número. Esse caso foi detalhado na aula anterior, mas convém relembrar os exemplos:
Bela casa e jardim. (concordância com "casa", feminino singular)
Belos casa e jardim. (concordância no plural, menos comum e considerada inovação estilística pela tradição escolar)
Na função de predicativo anteposto, o adjetivo deve ir para o plural para concordar com todos os núcleos: "Belos são a casa e o jardim."
Expressões Formadas por "É Proibido", "É Necessário", "É Permitido"
Um dos casos especiais mais cobrados em provas é o comportamento de expressões como "é proibido", "é necessário", "é permitido", "é bom", "é preciso", "é vedado", quando seguidas de substantivo. A concordância dessas expressões depende da presença ou ausência de um determinante (artigo, pronome, numeral) antes do substantivo.
Sem determinante: A expressão permanece invariável, no masculino singular, pois não há um substantivo determinado com o qual concordar. A noção é genérica, e a concordância é considerada impessoal. Exemplos: "É proibido entrada de animais." "É necessário paciência." "É permitido crianças no recinto." "É bom cautela." "É preciso dedicação."
Com determinante (artigo, pronome etc.): A expressão concorda em gênero e número com o substantivo determinado. Exemplos: "É proibida a entrada de animais." "É necessária a paciência." "É permitida a presença de crianças." "São proibidas as filmagens." "Serão necessários muitos cuidados."
A chave para a aplicação correta é verificar se o substantivo que segue a expressão está ou não acompanhado de um artigo ou outro determinante. Se houver artigo, a concordância é obrigatória; se não houver, a expressão fica invariável.
O mesmo princípio aplica-se a "é bom", "é preciso", "é vedado", "é defeso": "É bom cautela" / "É boa a cautela"; "É preciso paciência" / "É precisa a paciência"; "É vedado entrada" / "É vedada a entrada"; "É defeso caça" / "É defesa a caça".
Concordância com Pronomes de Tratamento
Os pronomes de tratamento (Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Vossa Majestade, Sua Excelência, etc.) têm um comportamento especial na concordância nominal. Embora designem a segunda pessoa (com quem se fala), exigem concordância verbal e nominal na terceira pessoa do singular. Quanto ao gênero do adjetivo ou particípio que acompanha o pronome, ele concorda com o sexo da pessoa a que se refere, e não com o gênero gramatical do pronome.
Exemplos:
"Vossa Excelência é bondoso." (referindo-se a um homem)
"Vossa Excelência é bondosa." (referindo-se a uma mulher)
"Sua Senhoria está cansado?" (homem)
"Sua Senhoria está cansada?" (mulher)
"Vossa Majestade está satisfeito?" / "Vossa Majestade está satisfeita?"
Os pronomes "senhor", "senhora" e "senhorita" aceitam artigo e o adjetivo concorda com eles diretamente: "O senhor está satisfeito?" / "A senhora está satisfeita?" / "A senhorita está satisfeita?"
É importante lembrar que os pronomes de tratamento como Vossa Excelência não admitem artigo (exceto "senhor", "senhora", "senhorita"), e a concordância é sempre na terceira pessoa, ainda que o interlocutor seja "vós" ou "tu" na comunicação direta.
Palavras que Indicam Peso, Medida e Quantidade
Expressões que indicam peso, medida ou quantidade, quando aparecem após numerais, apresentam um comportamento peculiar. As palavras que denominam as unidades de medida (quilo, metro, litro, dúzia, etc.) flexionam-se normalmente no plural quando o numeral é maior que um. O adjetivo que acompanha a expressão, no entanto, concorda com o substantivo a que se refere (o produto medido), e não com a unidade de medida.
Exemplos:
"Comprei dois quilos de carne moída." (a palavra "quilos" está no plural; o adjetivo "moída" concorda com "carne", que é feminino singular)
"Ela comeu três fatias de bolo deliciosas." ("fatias" é substantivo feminino plural; o adjetivo concorda com "fatias")
"Foram utilizados cem metros de fita colorida." ("metros" no plural; "colorida" concorda com "fita", feminino singular)
"Compre duas dúzias de ovos frescos." ("dúzias" concorda com o numeral; "frescos" concorda com "ovos", masculino plural)
O que pode permanecer invariável são expressões de valor quantitativo como "é muito", "é pouco", "é tanto" quando se referem a uma quantidade de forma genérica: "Dois quilos é pouco para a receita." "Dez reais é muito por este produto." Nessas construções, o verbo "ser" concorda com a ideia de quantidade, e não com o numeral.
A concordância correta nesses casos evita erros comuns. Por exemplo: "Comprei duzentos gramas de presunto magro." (a palavra "grama" no sentido de unidade de massa é masculina: "o grama", portanto "duzentos gramas"; "magro" concorda com "presunto"). Já "a grama" (vegetal) é feminina: "a grama está verde".
Concordância com o Pronome "Mesmo"
O pronome "mesmo" (e suas flexões mesma, mesmos, mesmas) pode exercer função de adjetivo ou de pronome substantivo, e sua concordância segue o termo a que se refere.
Função adjetiva (reforço de identidade): "mesmo" concorda com o substantivo ou pronome que reforça. Exemplos: "Ela mesma redigiu o ofício." "Eles mesmos assumiram a responsabilidade." "Eu mesmo farei o conserto." (se for homem) / "Eu mesma farei o conserto." (se for mulher)
Função substantiva (equivalente a "a mesma coisa", "o mesmo fato"): "mesmo" concorda com o termo a que se refere. Exemplos: "A situação continua a mesma." "Os problemas são os mesmos." "A explicação foi a mesma de sempre."
Função adverbial (invariável): Em contextos como "Eles chegaram mesmo", "Farei mesmo assim", a palavra "mesmo" é invariável, funcionando como advérbio de afirmação ou de realce. Nesse caso, não há concordância.
Locução "isso mesmo" / "essa mesma": Invariável quando se refere a uma afirmação ou fato: "Isso mesmo!" (não varia). Contudo, em referência a um substantivo feminino, pode-se usar "essa mesma": "Não foi essa a camisa que comprei; foi essa mesma."
Concordância com "Meio" e "Meia"
A palavra "meio" pode funcionar como numeral (metade) ou como advérbio (um pouco). A concordância depende dessa função.
Numeral: "meio" varia em gênero e número, concordando com o substantivo. Exemplos: "Bebeu meia garrafa de vinho." "Comi meio quilo de pão." "Já passam de meia-noite e meia." (a palavra "meia" refere-se a "hora", subentendido: "e meia hora").
Advérbio: "meio" é invariável, significando "um pouco". Exemplos: "Ela está meio cansada." "A porta ficou meio aberta." "Ele parece meio triste."
A distinção é crucial para evitar construções incorretas como "Ela está meia cansada", que é um erro comum na fala e na escrita informal.
Outros Casos Notáveis
"Bastante" e "Bastantes"
Adjetivo (suficiente): concorda com o substantivo. Exemplo: "Há bastantes razões para comemorar."
Advérbio (muito): invariável. Exemplo: "Ela estudou bastante."
"Só" e "Sós"
Adjetivo (sozinho): concorda com o substantivo. Exemplo: "Eles ficaram sós."
Advérbio (somente): invariável. Exemplo: "Só Deus sabe."
"Caro" e "Barato"
Adjetivos: concordam com o substantivo. Exemplo: "As roupas estão caras."
Advérbios: invariáveis. Exemplo: "As roupas custaram caro."
"Anexo" e "Incluso"
Concordam com o substantivo a que se referem. Exemplos: "Segue anexa a cópia." "Seguem anexos os documentos." "Está inclusa a taxa." "Estão inclusos os impostos."
"Quite"
Concorda com o sujeito. Exemplos: "Estou quite com minhas obrigações." "Estamos quites."
"Tal" e "Qual"
"Tal" concorda com o substantivo seguinte: "Tais fatos não se repetirão." "Qual" concorda com o termo antecedente: "Os filhos são quais os pais."
"Haja Vista"
A locução "haja vista" é invariável, mas pode ser seguida de preposição "a": "Haja vista os problemas" ou "Haja vista aos problemas".
Quadro Resumo dos Casos Especiais de Concordância Nominal
| Caso Especial | Regra | Exemplo |
| :--- | :--- | :--- |
| Adjetivo pós-posto a subst. de gêneros diferentes | Plural: masc. plural; sing.: concordância atrativa com o mais próximo | "Carro e moto novos" / "Carro e moto nova" |
| "É proibido" + subst. sem artigo | Invariável | "É proibido entrada." |
| "É proibido" + subst. com artigo | Concorda com o substantivo | "É proibida a entrada." |
| Pronome de tratamento | Gênero pelo sexo; número: 3ª singular | "Vossa Excelência é bondoso." |
| Unidades de medida | Flexionam no plural; adjetivo concorda com o produto medido | "Duzentos gramas de presunto magro." |
| "Mesmo" como adjetivo | Concorda com o termo reforçado | "Ela mesma fez." |
| "Mesmo" como advérbio | Invariável | "Eles chegaram mesmo." |
| "Meio" como numeral | Concorda com o substantivo | "Meia garrafa." |
| "Meio" como advérbio | Invariável | "Meio cansada." |
Importância dos Casos Especiais para a Análise Linguística e para Provas
Os casos especiais de concordância nominal são responsáveis por grande parte das dúvidas que surgem na escrita formal. As bancas examinadoras exploram esses tópicos frequentemente, pois eles exigem do candidato não apenas a memorização de regras, mas também a capacidade de analisar a função sintática e o contexto de cada palavra.
Dominar esses casos especiais permite ao estudante:
Evitar erros comuns em redações, como "É necessário a paciência" (correto: "É necessária a paciência" ou "É necessário paciência").
Identificar o valor semântico de palavras multívocas como "meio", "só", "bastante", escolhendo a forma correta conforme a função.
Reconhecer a concordância adequada com pronomes de tratamento em textos oficiais, cartas e discursos.
Corrigir frases com desvios de concordância, habilidade frequentemente testada em questões de múltipla escolha.
Compreender as sutilezas das expressões de medida e quantidade, que aparecem em textos técnicos e jornalísticos.
O estudo dos casos especiais de concordância nominal complementa o conhecimento das regras gerais e prepara o estudante para lidar com a complexidade da língua portuguesa em contextos formais. A prática com exercícios variados e a leitura atenta de textos cultos são os melhores caminhos para internalizar essas regras e aplicá-las com naturalidade.
Exercícios:
Na expressão "É _____ a entrada de menores", o adjetivo correto é:
Observe as frases a seguir e assinale a alternativa em que o uso do adjetivo pós-posicionado segue corretamente uma das regras de concordância nominal para substantivos de gêneros diferentes:
Sobre a concordância com pronomes de tratamento, como 'Vossa Excelência', qual é a orientação para os adjetivos que os acompanham?
Na expressão "é proibido", a palavra "proibido" fica no masculino singular se o substantivo que vem depois não estiver acompanhado de um artigo ou pronome.
A palavra "meio", quando funciona como advérbio para modificar um adjetivo, deve concordar no feminino se a pessoa for mulher, resultando na frase "Ela está meia cansada hoje".
A palavra "mesmo", quando acompanha um pronome para reforçar quem praticou a ação, deve concordar no feminino e no plural na frase "Elas mesmas resolveram o problema".
Se o substantivo vier acompanhado de um artigo feminino, a expressão "é proibido" deve mudar para concordar com ele, ficando "é proibida".
Quando um adjetivo aparece antes de dois ou mais substantivos de gêneros diferentes, a única regra aceita pela gramática é colocar o adjetivo no plural para englobar as duas palavras.
Quando usamos pronomes de tratamento na frase, a gramática determina que o adjetivo deve ficar no masculino, mesmo que a pessoa a quem o pronome se refere seja uma mulher.
A frase "É permitido a venda de ingressos" está correta, pois a palavra "venda" não exige que a expressão mude para o feminino.
Quando um adjetivo vem depois de uma palavra feminina e de uma palavra masculina, a regra obriga que ele seja colocado no feminino plural.
Em frases com unidades de medida e peso (como "quilos"), o adjetivo que dá uma característica ao produto deve concordar com o nome do produto, e não com a palavra da unidade de medida.
A palavra "meio" funciona sempre como um numeral na frase, por isso é obrigatório usá-la no feminino em frases como "A porta estava meia aberta".
Em qual das frases abaixo a palavra 'caro' funciona como advérbio e, portanto, está corretamente grafada?
Complete corretamente: "As listas de preços seguem ____ à mensagem".
Qual é a justificativa gramatical para a frase 'Fruta é bom para a saúde' estar correta?
Na oração "O menino e a menina estão classificados", por que o adjetivo 'classificados' está no masculino plural?
Qual das frases apresenta a concordância correta, segundo a norma-padrão, para um adjetivo anteposto a dois substantivos que indicam grau de parentesco de gêneros diferentes?
Assinale a alternativa que apresenta UMA concordância correta e aceitável pela norma-padrão para um adjetivo que qualifica nomes próprios de gêneros distintos quando posicionado antes deles.
Como deve ser feita a concordância da palavra 'obrigado' quando proferida por um grupo de mulheres em agradecimento?
Ao utilizar a palavra 'meio' com valor de advérbio (intensidade), qual é a regra de concordância?
Se um adjetivo vier após os substantivos 'carro' e 'moto', quais são as formas de concordância permitidas?
Considerando o adjetivo posicionado ANTES de vários substantivos, como em '... livro e revista', qual é a regra?
A expressão 'em anexo' é frequentemente debatida. Segundo uma das perspectivas gramaticais apresentadas, por que ela deve ser evitada?
Assinale a alternativa em que o uso da concordância nominal está CORRETO, segundo as regras especiais para expressões como 'é proibido', 'é permitido' e 'é necessário':
Analise as frases abaixo e assinale a alternativa em que a concordância nominal está correta, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa para as expressões 'É proibido', 'É necessário' e 'É permitido'.
A regra para a palavra 'junto' permite que ela varie quando possui valor adjetivo. Qual frase está correta?
Qual das frases abaixo apresenta erro de concordância nominal?
Na frase 'Os corajosos embaixador e ministra chegaram', por que o adjetivo 'corajosos' pode estar no plural?
No que diz respeito às expressões como 'é proibido' ou 'é necessário', qual construção está gramaticalmente correta?