Grande Estratégia: conceito, autores e expressão brasileira - Políticas de Segurança e Defesa | Tuco-Tuco
Aula de Políticas de Segurança e Defesa (Organizações Internacionais, Missões de Paz e Grande Estratégia): Grande Estratégia: conceito, autores e expressão brasileira. Grande estratégia (Liddell Hart, Beaufré, Luttwak), poder nacional, estratégia de defesa brasileira (PND/END/LBDN como expressão). Estude gratuitamente para concursos públicos e OAB no Tuco-Tuco.
Grande Estratégia
Conceito e Níveis da Estratégia
A grande estratégia (grand strategy) representa o nível mais elevado da arte estratégica. Para compreendê-la, é preciso primeiro situar os níveis inferiores: a tática cuida do emprego das forças no combate (o "como lutar" em um confronto específico); a estratégia militar coordena os combates para os objetivos da guerra (o "como vencer a guerra"). A grande estratégia transcende o campo de batalha: ela articula fins, meios e modos com que um Estado emprega todos os instrumentos do poder nacional — diplomacia, forças armadas, economia, informação, ciência e tecnologia, cultura — para atingir seus objetivos de longo prazo, tanto na paz quanto na guerra.
O historiador britânico Basil Liddell Hart (1954) popularizou a expressão. Para ele, a grande estratégia consiste em coordenar e dirigir todos os recursos de uma nação — ou de uma coalizão de nações — para a consecução do objetivo político da guerra, objetivo este definido pela própria política nacional. Liddell Hart também é conhecido por defender a abordagem indireta (indirect approach): em vez do choque frontal, a grande estratégia deve explorar o elemento surpresa, as vulnerabilidades psicológicas do adversário e as linhas de menor resistência, preservando os próprios recursos para a construção da paz subsequente.
Autores Clássicos e a Evolução do Pensamento
2.1 Carl von Clausewitz (1780-1831)
Embora Clausewitz não use o termo "grande estratégia", sua obra Da Guerra (Vom Kriege, 1832) é o alicerce sobre o qual a ideia se ergue. Sua máxima de que a guerra é a continuação da política por outros meios (Livro I) assenta que a guerra não é um fenômeno autônomo, mas um instrumento da política. Cabe à política definir os objetivos; à estratégia, alcançá-los. Clausewitz distingue tática (emprego das forças no combate) e estratégia (uso dos combates para o objetivo final da guerra) — distinção que, séculos depois, serviria de ponto de partida para o próprio conceito de grande estratégia.
2.2 Basil Liddell Hart (1895-1970)
Em Strategy (1954, edição revisada de The Decisive Wars of History, 1929), Liddell Hart não apenas emprega e sistematiza o conceito de grande estratégia, como insiste que a paz é o objetivo último, e não a vitória militar pura e simples. Para o autor, uma vitória que deixa o adversário arrasado e disposto à revanche é uma vitória estrategicamente falha, pois o verdadeiro objetivo da guerra é alcançar um estado de paz melhor do que aquele que existia antes do conflito — ainda que apenas sob a ótica do próprio país vencedor.
2.3 André Beaufré (1902-1975)
O general francês André Beaufré, em Introdução à Estratégia (1963), propõe uma hierarquia de quatro níveis:
Estratégia total: conduzida pelo governo, articula todos os campos (político, econômico, militar, psicológico) — é o nível análogo à grande estratégia.
Estratégia geral: a ação dentro de cada campo específico (estratégia política, estratégia econômica, estratégia militar, etc.).
Estratégia operacional: coordena as operações dentro de um teatro de guerra determinado.
Estratégia de meios (ou tática): o emprego concreto dos armamentos e recursos disponíveis.
Beaufré define estratégia como a dialética das vontades que empregam a força para resolver o seu conflito, e sustenta que a dissuasão — impedir que o adversário sequer tente agir — é o objetivo mais elevado que a estratégia pode alcançar, por evitar o próprio confronto.
2.4 Edward Luttwak (1942-)
Em Strategy: The Logic of War and Peace (1987), Luttwak desenvolve a ideia da lógica paradoxal da estratégia. Diferentemente da lógica linear que rege as demais atividades humanas, na guerra ações diretas e aparentemente mais eficientes frequentemente falham; o caminho mais difícil e custoso pode ser o mais bem-sucedido justamente por ser inesperado pelo adversário. A grande estratégia opera nessa lógica paradoxal, decidindo não apenas como vencer, mas que vitórias efetivamente valem o custo empregado para alcançá-las.
Os Instrumentos do Poder Nacional
A grande estratégia coordena os instrumentos que um Estado pode mobilizar para atingir seus objetivos. A doutrina norte-americana moderna resume-os no acrônimo DIME (Diplomático, Informacional, Militar, Econômico). Versões expandidas incluem DIMEFIL (DIME + Financeiro, de Inteligência e de Law Enforcement/aplicação da lei) ou o acrônimo MIDLIFE.
No Brasil, a tradição da Escola Superior de Guerra (ESG) trabalha com as cinco expressões do Poder Nacional:
Política: liderança do Estado, coesão social, legitimidade das instituições, capacidade de formular e executar decisões.
Econômica: recursos naturais, infraestrutura, produto interno bruto, capacidade industrial, autonomia financeira.
Militar: Forças Armadas equipadas, adestradas e motivadas, com capacidade de dissuadir e, se necessário, combater.
Psicossocial: coesão nacional, moral da população, vontade coletiva, identidade cultural.
Científico-tecnológica: domínio de tecnologias sensíveis, capacidade de inovação, autonomia nas áreas espacial, nuclear e cibernética.
A doutrina da ESG prega que o Poder Nacional deve ser desenvolvido de modo equilibrado, pois a fraqueza em uma expressão compromete as demais — um país pode ter Forças Armadas robustas, mas se sua coesão psicossocial for frágil ou sua base tecnológica for dependente do exterior, sua capacidade de sustentar uma grande estratégia de longo prazo fica comprometida. Esse pensamento influenciou diretamente a formulação da Política Nacional de Defesa e da Estratégia Nacional de Defesa do Brasil.
A Equação de Lykke: Fins, Meios e Modos
O coronel norte-americano Arthur F. Lykke Jr. propôs, em artigo de 1989, uma equação simples que se tornou referência para o ensino da estratégia:
Estratégia = Fins + Modos + Meios
Fins (ends): os objetivos que se pretende alcançar.
*Modos (ways): os cursos de ação — como os meios serão empregados para atingir os fins.
*Meios (means): os recursos disponíveis (orçamento, tropas, tecnologia, capital diplomático).
Se os meios não são suficientes para atingir os fins pelos modos escolhidos, ocorre um descompasso estratégico (strategy-resource mismatch, também chamado de risco estratégico). A grande estratégia deve, justamente, equilibrar ambição com realidade: um Estado que formula objetivos grandiosos sem os recursos ou os cursos de ação compatíveis está fadado ao fracasso estratégico, ainda que vença batalhas isoladas.
A Expressão Brasileira da Grande Estratégia
O Brasil formaliza sua grande estratégia em três documentos centrais — a tríade PND, END e LBDN —, cuja atualização periódica é exigida pela Lei Complementar nº 97, de 9 de junho de 1999, com a redação dada pela Lei Complementar nº 136, de 25 de agosto de 2010. O art. 9º, § 3º, da LC 97/1999 estabelece:
"O Poder Executivo encaminhará à apreciação do Congresso Nacional, na primeira metade da sessão legislativa ordinária, de 4 (quatro) em 4 (quatro) anos, a partir do ano de 2012, com as devidas atualizações: I – a Política de Defesa Nacional; II – a Estratégia Nacional de Defesa; III – o Livro Branco de Defesa Nacional."
Ou seja, a periodicidade de atualização e envio ao Congresso é quadrienal, vinculada à primeira metade da sessão legislativa ordinária (aproximadamente entre fevereiro e julho) de cada quarto ano a partir de 2012 — e não, como por vezes se afirma de modo impreciso, "à primeira metade do mandato presidencial". Isso reforça o controle civil sobre a defesa: os documentos passam por debates nas Comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE do Senado e CREDN da Câmara) antes de serem aprovados por decreto legislativo.
A tríade já foi atualizada diversas vezes desde a END original de 2008: revisões em 2012, 2016, 2020 e, mais recentemente, em 2024/2025, quando o Congresso Nacional aprovou os textos atualizados (Decreto Legislativo nº 61, de 2024) e o Poder Executivo os formalizou por meio do Decreto nº 12.725, de 18 de novembro de 2025, que também revogou o antigo decreto de 2008 e determinou que a coordenação dos trabalhos para o próximo ciclo de atualização se inicie a partir de 1º de julho de 2026.
5.1 A Política Nacional de Defesa (PND)
A PND é o documento condicionante de mais alto nível. Tem natureza essencialmente política: estabelece os Objetivos Nacionais de Defesa (OND), analisa o ambiente estratégico e define as diretrizes para o preparo da defesa em todos os campos.
Os Objetivos Nacionais de Defesa englobam, entre outros: garantir a soberania, o patrimônio nacional e a integridade territorial; assegurar a segurança dos brasileiros e dos interesses nacionais no exterior; contribuir para a estabilidade regional e a paz mundial; intensificar a projeção do Brasil no concerto das nações; manter Forças Armadas modernas, integradas e balanceadas; desenvolver a Base Industrial de Defesa; estruturar as Forças em torno de capacidades; e garantir a segurança das infraestruturas críticas.
5.2 A Estratégia Nacional de Defesa (END)
A END é o documento de nível operacional-estratégico, que descreve como os objetivos da PND serão alcançados. Ela estrutura-se em três eixos estruturantes:
Reorganização das Forças Armadas: para atuar de modo conjunto, com capacidades de vigilância, mobilidade, presença e prontidão.
Reestruturação da Base Industrial de Defesa (BID): para alcançar autonomia tecnológica em produtos estratégicos de defesa.
Política de composição dos efetivos: combinação de Serviço Militar Obrigatório com profissionalização progressiva.
A END também define três setores estratégicos e atribui a cada um deles uma Força responsável pela sua gerência: o setor nuclear é gerenciado pela Marinha do Brasil (por meio do Programa Nuclear da Marinha); a defesa cibernética em território nacional é liderada pelo Exército Brasileiro; e o programa espacial cabe à Força Aérea Brasileira. Esses três setores são considerados essenciais porque transcendem a fronteira entre desenvolvimento e defesa, sendo ao mesmo tempo tecnologias de uso dual (civil e militar) e pilares da autonomia estratégica do País.
A versão mais recente da END (2024/2025) reforçou ainda o conceito de Amazônia Azul — a extensa área marítima sob jurisdição brasileira, rica em recursos energéticos, minerais e ambientais — e sistematizou a atuação do Poder Naval em quatro campos: defesa naval, segurança marítima, diplomacia naval e apoio às ações do Estado.
5.3 O Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN)
O LBDN é o documento de transparência por excelência. Destinado à sociedade brasileira e à comunidade internacional, ele descreve a composição das Forças Armadas, a doutrina militar, a infraestrutura, o orçamento de defesa (séries históricas e projeções), a cooperação internacional e as capacidades atuais e futuras. Sua primeira edição foi lançada em 2012 — o Brasil foi um dos últimos países a publicar seu próprio "livro branco" de defesa, quatro anos depois do lançamento da primeira END (2008) e dezesseis anos após a primeira PND (1996). O documento é público na íntegra e configura um instrumento de accountability e de construção de confiança regional.
Hipóteses de Emprego (HE) e Planejamento Estratégico Militar
A END define Hipóteses de Emprego (HE) que orientam o preparo das Forças. As HE não são previsões, mas cenários hipotéticos sobre os quais se elaboram planos de contingência. Elas cobrem desde o emprego em ambiente externo (defesa naval, terrestre e aérea) até o emprego subsidiário, como apoio à Defesa Civil, às Operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e a eventos de grande vulto (eleições, competições esportivas internacionais, cúpulas diplomáticas).
O Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA) — chefiado por um oficial-general do último posto e subordinado diretamente ao Ministro da Defesa — é o órgão responsável por coordenar a elaboração do planejamento estratégico militar, submetendo-o ao Ministro da Defesa. Esse planejamento, por sua vez, desdobra-se nos planos setoriais de cada Força.
A Grande Estratégia Brasileira e a Inserção Internacional
A grande estratégia brasileira não visa ao confronto com grandes potências. Ela se orienta por princípios constitucionais que constam nos incisos do art. 4º da Constituição Federal de 1988:
"Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
I – independência nacional;
II – prevalência dos direitos humanos;
III – autodeterminação dos povos;
IV – não-intervenção;
V – igualdade entre os Estados;
VI – defesa da paz;
VII – solução pacífica dos conflitos."
(A Constituição acrescenta ainda, nos incisos VIII a X, o repúdio ao terrorismo e ao racismo, a cooperação entre os povos para o progresso da humanidade e a concessão de asilo político, além de prever, no parágrafo único, que o Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina.)
A defesa da paz e a solução pacífica de conflitos são valores estruturantes que se refletem na PND e na END. A grande estratégia brasileira combina:
Dissuasão crível: capacidade de negar ao adversário uma vitória que compense o custo do ataque.
Diplomacia ativa e multilateral: participação em organismos como ONU (pleiteando um assento permanente no Conselho de Segurança), BRICS, G20, CELAC e MERCOSUL.
Cooperação Sul-Sul e defesa regional: projetos como a ABACC (Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares) e a UNASUL (mesmo que atualmente com atuação reduzida), além da participação em operações de paz (como a MINUSTAH, no Haiti, e a UNIFIL, no Líbano).
Vale registrar, ainda, que o Conselho de Defesa Nacional (CDN) — órgão de consulta do Presidente da República previsto no art. 91 da Constituição Federal, composto pelo Vice-Presidente, pelos Presidentes da Câmara e do Senado, por Ministros de Estado e pelos Comandantes das três Forças — opina sobre hipóteses de guerra e paz, decretação de estado de defesa, estado de sítio e intervenção federal, funcionando como instância de articulação política da grande estratégia em situações de crise.
Jurisprudência Relevante: Subordinação ao Poder Civil
O controle civil objetivo e a subordinação institucional das Forças Armadas são pressupostos centrais de qualquer grande estratégia em um Estado Democrático de Direito.
Nesse sentido, no julgamento da ADI 6.457 (Rel. Min. Luiz Fux, Plenário, decisão unânime proferida em sessão virtual finalizada em 8/4/2024), o Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que o artigo 142 da Constituição Federal não consagra as Forças Armadas como um "poder moderador" no Brasil. A Corte assentou que as Forças Armadas são instituições de Estado — e não de governo —, submetidas ao poder civil e ao Presidente da República, indiferentes às disputas do processo político. Segundo o voto do relator, confiar às Forças Armadas a missão de dirimir conflitos entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário violaria a cláusula pétrea da separação de Poderes, atribuindo-lhes, na prática, até mesmo o poder de resolver conflitos interpretativos sobre normas constitucionais. A ação foi ajuizada pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) em 2020, questionando interpretações do art. 142 da CF/88 e de dispositivos da própria LC 97/1999. Esse precedente é crucial, pois blinda o desenho estratégico nacional de interpretações que deturpem a função primária de defesa da pátria.
Para a prova
Liddell Hart: introduziu e sistematizou o conceito de grande estratégia; defendeu a abordagem indireta; para ele, o objetivo da guerra é um estado de paz melhor.
Clausewitz: a guerra é a continuação da política por outros meios; distinção entre tática e estratégia.
Beaufré: hierarquia de quatro níveis — estratégia total, geral, operacional e de meios; dissuasão como objetivo máximo.
Luttwak: lógica paradoxal da estratégia.
Lykke: Estratégia = Fins + Modos + Meios; descompasso estratégico quando os meios são insuficientes.
Instrumentos do poder nacional: DIME/DIMEFIL (doutrina EUA) e as cinco expressões do Poder Nacional da ESG: política, econômica, militar, psicossocial e científico-tecnológica.
Tripé documental brasileiro: PND, END e LBDN, previstos na LC 97/1999 (alterada pela LC 136/2010). Atualização a cada 4 anos, a partir de 2012, a ser enviada ao Congresso Nacional na primeira metade da sessão legislativa ordinária (art. 9º, § 3º) — e não "na primeira metade do mandato presidencial". Última atualização formalizada pelo Decreto nº 12.725/2025.
Setores estratégicos da END: nuclear (Marinha), cibernético (Exército) e espacial (Aeronáutica).
LBDN: primeira edição em 2012.
Conselho de Defesa Nacional (CDN): órgão consultivo do art. 91 da CF/88.
STF, ADI 6.457 (Rel. Min. Luiz Fux, decisão unânime): as Forças Armadas são submetidas ao poder civil; o art. 142 da CF não lhes atribui a função de "poder moderador".
CF/88, art. 4º: princípios que regem as relações internacionais do Brasil e orientam sua grande estratégia — independência nacional, prevalência dos direitos humanos, autodeterminação dos povos, não-intervenção, igualdade entre os Estados, defesa da paz e solução pacífica dos conflitos.
Exercícios:
Qual é o conceito central da grande estratégia segundo Basil Liddell Hart?
De acordo com a análise clássica de Arthur Lykke Jr., qual é a equação que representa a estratégia?
Quais são as cinco expressões do Poder Nacional segundo a doutrina brasileira?
Qual é o papel do Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN) na estratégia de defesa do Brasil?
Nos setores estratégicos prioritários identificados pela Estratégia Nacional de Defesa (END), qual Força é responsável pela coordenação do setor espacial?
O que são as Hipóteses de Emprego (HE) na Estratégia Nacional de Defesa do Brasil?
A grande estratégia, conforme sistematizada por Basil Liddell Hart, consiste em coordenar e dirigir todos os recursos de uma nação ou de uma coalizão de nações para a consecução do objetivo político da guerra.
Carl von Clausewitz, em sua obra Da Guerra (1832), utiliza explicitamente o termo 'grande estratégia' e estabelece sua definição como a coordenação dos instrumentos do poder nacional para alcançar os objetivos políticos.
Basil Liddell Hart defendia que a vitória militar não é o objetivo final da guerra; o verdadeiro objetivo é alcançar um estado de paz melhor do que aquele que existia antes do conflito, ainda que apenas sob a ótica do próprio país vencedor.
André Beaufré, em Introdução à Estratégia, propõe uma hierarquia de quatro níveis estratégicos, sendo o mais elevado a 'Estratégia total', conduzida pelo governo e que articula todos os campos do poder nacional – político, econômico, militar, psicológico –, o que corresponde ao conceito de grande estratégia.
A distinção entre tática e estratégia, segundo Clausewitz, é que a tática cuida do emprego das forças no combate e a estratégia diz respeito ao uso dos combates para os objetivos da guerra – essa distinção tem pouca relação com o conceito posterior de grande estratégia, pois a grande estratégia se preocupa exclusivamente com aspectos não militares.
Liddell Hart é conhecido por defender a abordagem indireta (indirect approach), que consiste em explorar o elemento surpresa, as vulnerabilidades psicológicas do adversário e as linhas de menor resistência, em vez do choque frontal, preservando os próprios recursos para a construção da paz subsequente.
A grande estratégia, por ser o nível mais elevado da arte estratégica, preocupa-se exclusivamente com o emprego das forças militares em tempos de guerra, não se aplicando a situações de paz ou a instrumentos não militares do poder nacional.
Para Basil Liddell Hart, o objetivo da grande estratégia é a vitória militar pura e simples, independentemente das condições de paz que se seguirão ao conflito.
A definição de Liddell Hart para grande estratégia inclui a coordenação dos recursos de uma nação ou de uma coalizão de nações para a consecução do objetivo político da guerra, considerando que a guerra é uma continuidade da política.
André Beaufré, em sua hierarquia de quatro níveis, chama de 'Estratégia geral' o nível mais elevado, equivalente à grande estratégia, que articula todos os campos do poder nacional – político, econômico, militar e psicológico.
Complete a frase: A grande estratégia articula fins, meios e modos com que um Estado emprega todos os instrumentos do poder _____ para atingir seus objetivos de longo prazo.
Complete a frase: Para Liddell Hart, a grande estratégia deve explorar a abordagem _____, evitando o choque frontal.
Complete a frase: Segundo Clausewitz, a guerra é a continuação da _____ por outros meios.
Complete a frase: Na hierarquia de quatro níveis proposta por André Beaufré, a estratégia _____ é o nível análogo à grande estratégia.
Complete a frase: Para Liddell Hart, o verdadeiro objetivo da guerra é alcançar um estado de _____ melhor do que aquele que existia antes do conflito.
Complete a frase: Na arte estratégica, a _____ cuida do emprego das forças no combate.
Complete a frase: A estratégia militar coordena os combates para os objetivos da _____, enquanto a grande estratégia transcende o campo de batalha.
Complete a frase: Liddell Hart define a grande estratégia como a coordenação de todos os recursos de uma nação ou de uma _____ de nações.
Complete a frase: Clausewitz distingue tática e estratégia; a estratégia é o uso dos _____ para o objetivo final da guerra.
Complete a frase: No modelo de Beaufré, a estratégia _____ é o nível imediatamente abaixo da estratégia total.