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Movimentos Sociais na República Velha - História | Tuco-Tuco

Aula de História (História do Brasil - República Velha e Era Vargas): Movimentos Sociais na República Velha. Exploração das revoltas populares, como a Revolta da Vacina e a Revolta de Canudos. Estude gratuitamente para vestibular e ENEM no Tuco-Tuco.

Rebeliões e Conflitos na Primeira República do Brasil (1889–1930) Sumário Executivo A Primeira República Brasileira, também conhecida como República Velha, foi um período de intensa instabilidade política, social e econômica. Entre 1889 e 1930, o Brasil foi palco de diversos movimentos de resistência e revoltas, motivados pela desigualdade social profunda, pelo domínio das oligarquias, pelo autoritarismo militar e pela marginalização de grandes parcelas da população. O cenário de conflitos abrangeu tanto o campo, com movimentos de caráter messiânico e disputas de terra, quanto as cidades, com insurreições contra políticas sanitárias, abusos em corporações militares e a emergência do movimento operário. A resposta estatal foi predominantemente repressiva, resultando em milhares de mortes e na destruição de comunidades autônomas, consolidando a vitória republicana por meio da força. Contexto Geral: A Estrutura de Exclusão da República Velha A transição do Império para a República não resolveu as tensões estruturais do país. O novo regime, dominado pelas oligarquias cafeeiras e pelos militares, manteve a população excluída do processo político e perpetuou as desigualdades sociais, gerando um caldo de cultura propício para irrupções de violência e rebeldia em diversas frentes. Estrutura Política Excludente: A República foi proclamada sem a participação popular. O voto não era secreto (era 'aberto'), o que facilitava a prática do 'voto de cabresto' — o controle do voto pelos coronéis por meio de pressão e favores — e era restrito a alfabetizados, excluindo a maioria da população. As eleições eram fraudulentas, e o poder era centralizado nas mãos das oligarquias estaduais por meio da Política dos Governadores. Esse pacto de apoio mútuo entre o governo federal e as elites estaduais resultou, no plano nacional, na conhecida hegemonia das oligarquias paulista e mineira, rotulada de política do "café com leite". Estrutura Econômica Concentradora: A economia permaneceu agroexportadora, baseada no latifúndio e na monocultura do café para o mercado externo. A industrialização incipiente criava uma nova classe operária em condições precárias, enquanto no campo os trabalhadores viviam sob o jugo dos coronéis. Estrutura Social Hierarquizada: A abolição da escravatura em 1888 não foi acompanhada de políticas de inclusão para negros e mestiços, que foram marginalizados e empurrados para a periferia ou para o trabalho informal. O racismo estrutural e a violência estatal eram marcas constantes. A Doutrina Positivista: O lema "Ordem e Progresso" refletia a influência do positivismo, que justificava um governo forte e autoritário para conduzir a nação ao "progresso", mesmo que à custa da repressão a qualquer foco de desordem social. Este cenário de profundas fraturas sociais e políticas seria o pano de fundo para as principais revoltas do período. Conflitos Militares e a Consolidação do Poder A República da Espada (1889–1894) Os primeiros anos da República foram governados pelos marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, caracterizando-se pelo autoritarismo e por crises constitucionais que buscavam consolidar o novo regime. Governo Deodoro da Fonseca: Marcado pelo autoritarismo, seu governo enfrentou forte oposição do Congresso. Em 3 de novembro de 1891, Deodoro dissolveu o Congresso e decretou estado de sítio, violando a própria Constituição que havia jurado proteger. Este ato gerou a Primeira Revolta da Armada, liderada pelo contra-almirante Custódio José de Mello, que ameaçou bombardear o Rio de Janeiro para forçar sua renúncia. Isolado e sem apoio, Deodoro renunciou em 23 de novembro de 1891. Governo Floriano Peixoto: Ao assumir a presidência, Floriano Peixoto o fez sem convocar novas eleições, como exigia a Constituição caso a vacância ocorresse antes de dois anos. Sua postura centralizadora e a interpretação controversa da lei desencadearam a Segunda Revolta da Armada e a Revolução Federalista, aprofundando a crise militar e política. Resumo do resultado das ações: A República da Espada consolidou o regime republicano, mas à custa de profundas divisões nas Forças Armadas e da quebra da ordem constitucional. A renúncia de Deodoro e a resistência de Floriano estabeleceram um precedente de uso da força para resolver disputas políticas, um padrão que se repetiria. Revolução Federalista (1893–1895) Considerada a revolta mais violenta da República Velha, este conflito teve origem no Rio Grande do Sul e expandiu-se para Santa Catarina e Paraná, opondo diferentes visões de organização política e poder regional. Grupos Beligerantes: De um lado, os federalistas (conhecidos como "maragatos"), que buscavam maior autonomia estadual, o parlamentarismo e a reforma da constituição estadual positivista imposta por Júlio de Castilhos. Do outro lado, os republicanos centralistas ("pica-paus" ou "chimangos"), liderados por Júlio de Castilhos e apoiados pelo presidente Floriano Peixoto, defendendo o presidencialismo forte e o controle oligárquico. Consequências: O conflito resultou em aproximadamente 10.000 mortes e foi marcado por grandes atrocidades de ambos os lados, como decapitações. A revolução, que ameaçava se espalhar, só foi contida antes de atingir São Paulo por meio da mobilização de tropas legalistas, em uma operação que envolveu articulações políticas entre o governo federal de Floriano Peixoto e as autoridades estaduais. Resumo do resultado das ações: A Revolução Federalista consolidou o poder da oligarquia gaúcha liderada por Júlio de Castilhos, mas expôs a fragilidade do pacto federativo e a disposição do governo central de intervir militarmente nos estados para garantir a lealdade ao modelo republicano vigente. Movimentos Messiânicos e Revoltas Rurais Guerra de Canudos (1896–1897) Localizada no sertão da Bahia, foi um dos maiores movimentos de resistência popular do Brasil, representando uma alternativa à ordem social excludente da República. Liderança e Ideologia: O líder religioso Antônio Conselheiro, com seu discurso de cunho messiânico e crítica à República (vista como a "lei do cão"), fundou o arraial de Belo Monte (Canudos) em 1893. O local cresceu rapidamente, atraindo cerca de 25.000 pessoas, incluindo ex-escravizados, indígenas e sertanejos fugindo da miséria, da seca e do domínio dos coronéis. Organização Social: Em Canudos, vigorava um sistema de cooperação e subsistência, onde a terra era comunitária e a produção era dividida entre todos. Esta organização representava uma alternativa política e social ao regime republicano centralizador e à exploração imposta pelos latifundiários. A Repressão: O governo republicano, vendo Canudos como uma ameaça monarquista (devido à fé de Conselheiro) e um foco de resistência ao poder dos coronéis e da Igreja, enviou quatro expedições militares. As três primeiras, mal preparadas, foram derrotadas pelos conselheiristas. A quarta expedição, com 6.500 soldados e armamento moderno (como canhões), cercou e destruiu totalmente o vilarejo após meses de combate. Antônio Conselheiro morreu pouco antes do fim do conflito; seu corpo foi exumado e sua cabeça levada para estudos frenológicos que, ironicamente, concluíram que seu crânio era "normal", numa tentativa frustrada de patologizar sua liderança. Resumo do resultado das ações: A Guerra de Canudos terminou com a completa aniquilação do arraial e a morte de milhares de sertanejos. A vitória militar do governo foi uma demonstração brutal de força, mas também um símbolo da incapacidade da República em integrar e atender às demandas das populações marginalizadas do sertão. Guerra do Contestado (1912–1916) Ocorreu em uma região rica em erva-mate e madeira, disputada entre o Paraná e Santa Catarina, envolvendo questões de terra, trabalho e religiosidade popular. Causas: O governo cedeu terras a uma empresa norte-americana (Brazil Railway Company) para a construção de uma ferrovia e exploração de madeira. Milhares de sertanejos e posseiros que viviam na região foram expulsos de suas terras por jagunços contratados pelas empresas de Percival Farquhar, sem qualquer indenização, gerando enorme descontentamento. Liderança e Resistência: Em meio a este cenário de injustiça, surgiu a figura do monge José Maria, que atraiu seguidores pobres com discursos messiânicos, promessas de uma terra sem males e críticas sociais à República e à exploração. Após a morte de José Maria em um ataque inicial das tropas do Paraná em Irani (1912), os sertanejos, agora liderados por novos "monges", formaram comunidades autônomas (os "quadros santos") que resistiram aos ataques das forças estaduais e federais. Desfecho: O conflito se arrastou por cinco anos, com os rebeldes utilizando táticas de guerrilha. Estima-se que tenha causado a morte de cerca de 3.000 a 5.000 pessoas. O conflito armado foi esmagado em 1916 após uma violenta campanha militar que utilizou até mesmo aviões para bombardear os redutos rebeldes. A solução para a disputa territorial foi formalizada em 1917, quando o presidente Venceslau Brás homologou um acordo interestadual (assinado em 1916) que dividiu a área em litígio entre os estados do Paraná e de Santa Catarina. Resumo do resultado das ações: A Guerra do Contestado evidenciou os custos sociais do modelo de desenvolvimento econômico baseado na entrega de terras públicas ao capital estrangeiro. A resistência dos sertanejos, embora derrotada, forçou uma solução política para a disputa territorial, mas a questão fundiária e a exclusão social na região permaneceram. O Cangaço: Banditismo Social no Sertão (Décadas de 1890 a 1930) Paralelamente aos movimentos messiânicos, o sertão nordestino viu florescer o fenômeno do cangaço, grupos armados nômades que viviam à margem da lei e desafiavam o poder dos coronéis. Origens e Motivações: O cangaço surgiu em um contexto de extrema seca, miséria e violência no sertão. Muitos cangaceiros entraram para os bandos como forma de vingança contra injustiças cometidas por coronéis ou policiais, ou simplesmente como alternativa de sobrevivência. Diferente dos movimentos messiânicos, o cangaço não tinha um projeto de sociedade alternativo ou liderança religiosa. Relação com a População: A relação dos cangaceiros com a população sertaneja era ambígua. Por um lado, eram temidos pela violência que podiam praticar. Por outro, eram vistos por alguns como uma forma de resistência ao jugo dos coronéis, chegando a proteger vilarejos ou a distribuir parte dos saques com os pobres, o que caracteriza o que alguns historiadores chamam de "banditismo social". Lampião: O Rei do Cangaço: Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, foi o mais famoso líder cangaceiro. Por quase 20 anos (1920-1938), seu bando percorreu os sertões de vários estados nordestinos, enfrentando polícias e desafiando o poder local. Lampião inovou ao organizar o bando com hierarquia rígida, código de conduta e até mesmo a presença de mulheres, como Maria Bonita. Declínio e Fim: A perseguição ao cangaço tornou-se uma prioridade para o governo federal na década de 1930, com a criação de volantes (forças policiais especializadas). Com o aumento da repressão e a modernização das comunicações, o bando de Lampião foi encurralado e massacrado em 1938 na Grota do Angico, em Sergipe. Resumo do resultado das ações: O cangaço foi derrotado pela força policial, mas sua existência prolongada expôs a fragilidade do Estado no sertão e a permanência de uma estrutura de poder baseada na violência privada dos coronéis. Lampião se tornou um mito, símbolo da resistência e da ambiguidade moral do sertão. Revolta de Juazeiro (1914): A "Sedição de Juazeiro" Este conflito envolveu o Padre Cícero, o governo do Ceará e o governo federal, revelando as complexas alianças entre poder religioso, oligarquias e o povo. Contexto: No Ceará, o governador Franco Rabelo (aliado da política federal) tentou destituir o Padre Cícero do cargo de prefeito de Juazeiro do Norte, rompendo com a oligarquia Accioly, que dominava o estado e tinha forte ligação com o líder religioso. A Revolta: A população de Juazeiro, liderada por Padre Cícero e pelos Accioly, pegou em armas contra a intervenção do governador. Formou-se um exército de 10.000 sertanejos, beatos e jagunços, que marchou sobre a capital Fortaleza. Desfecho: O movimento foi vitorioso. Franco Rabelo renunciou, e Padre Cícero e os Accioly retomaram o controle político do Ceará. O governo federal, sob Hermes da Fonseca, reconheceu o novo governo, demonstrando a fragilidade do poder central diante das alianças oligárquicas regionais. Resumo do resultado das ações: A Revolta de Juazeiro mostrou como as oligarquias locais, com o apoio popular e religioso, podiam se sobrepor às determinações do governo federal. Padre Cícero saiu fortalecido, consolidando seu poder político e religioso no Nordeste. Revoltas Urbanas e Sociais Revolta da Vacina (1904) Um levante popular na capital federal motivado pela violência do processo de modernização urbana e sanitarização, que marginalizou ainda mais a população pobre. Fatores Geradores: O governo de Rodrigues Alves promoveu reformas urbanas (conhecidas como "bota-abaixo") que demoliram cortiços e desalojaram milhares de pessoas pobres do centro da cidade para dar lugar a avenidas e prédios inspirados em Paris. Aliado a isso, a campanha de vacinação obrigatória contra a varíola, liderada pelo sanitarista Oswaldo Cruz, foi executada de forma violenta, com agentes de saúde invadindo domicílios e aplicando a vacina à força, sem qualquer informação ou diálogo com a população. Impacto: O resultado foi uma explosão de revolta popular. Durante seis dias de caos nas ruas, bondes foram virados, lojas saqueadas e barricadas foram erguidas. A repressão foi dura, resultando em 30 mortos, centenas de feridos e mais de mil prisões. Resumo do resultado das ações: A Revolta da Vacina forçou o governo a suspender temporariamente a obrigatoriedade da vacina, mas não impediu o prosseguimento das reformas urbanas. O movimento foi um grito de resistência contra um projeto de "civilização" excludente que tratava as camadas populares como um problema a ser erradicado. Revolta da Chibata (1910) Um levante de marinheiros contra os castigos físicos, a péssima alimentação e as condições desumanas de trabalho na Marinha brasileira. Contexto: A Marinha mantinha uma estrutura hierárquica e racista herdada do Império, onde marinheiros, em sua maioria negros e mestiços, eram submetidos a punições com chibatadas, um resquício da escravidão. O estopim foi a bárbara punição do marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes com 250 chibatadas na frente da tripulação. Ação e Liderança: João Cândido (que ficaria conhecido como o "Almirante Negro") liderou a revolta, tomando o controle de modernos encouraçados, como o Minas Gerais e o São Paulo. Eles exigiram o fim dos castigos corporais e a anistia para todos os envolvidos, sob ameaça de bombardear o Rio de Janeiro, paralisando a capital federal. Consequência: O governo, temendo a destruição, prometeu atender às reivindicações e anistiou os revoltosos. No entanto, a promessa foi traída dias depois. Os marinheiros foram presos, e muitos foram torturados ou enviados para trabalhos forçados nos seringais da Amazônia. Após a rendição, o governo descumpriu a anistia. Os marinheiros foram presos, e centenas foram deportados para trabalhos forçados na Amazônia. Na Ilha das Cobras, um grupo de prisioneiros foi confinado em celas subterrâneas insalubres, onde muitos morreram por asfixia e desidratação, em um episódio conhecido como o 'Massacre da Ilha das Cobras'. Resumo do resultado das ações: Apesar da promessa de anistia, o governo usou de má-fé para punir exemplarmente os líderes da revolta. A Revolta da Chibata, no entanto, teve um impacto duradouro, expondo o racismo e as condições degradantes dentro das Forças Armadas. A revolta levou à criação de uma Comissão de Justificação que, embora não tenha abolido formalmente o uso da chibata, resultou em algumas melhorias nas condições dos marinheiros e abriu precedentes para novas reivindicações. A punição física só seria completamente extinta do código militar muitos anos depois, em 1965. Movimento Operário e as Greves de 1917-1919 Com a industrialização, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, surgiu uma nova classe social: o proletariado urbano. Submetidos a jornadas de 14 a 16 horas, salários baixíssimos e condições insalubres, esses trabalhadores começaram a se organizar. Influências Ideológicas: O movimento operário brasileiro foi fortemente influenciado por ideias anarquistas e socialistas, trazidas por imigrantes italianos, espanhóis e portugueses. Os anarquistas, em particular, defendiam a ação direta (greves) e a organização em sindicatos, rejeitando a participação na política institucional. A Greve Geral de 1917: Considerada a primeira grande greve geral do país, teve início em São Paulo e se espalhou para outras cidades. O estopim foi a morte do operário José Martinez durante um protesto. Cem mil trabalhadores paralisaram a cidade, exigindo aumento salarial, redução da jornada de trabalho para 8 horas e o fim do trabalho infantil. Fábricas foram ocupadas, e a cidade viveu dias de tensão. Repressão e Conquistas: O governo e a burguesia industrial reagiram com violenta repressão, prendendo e deportando líderes sindicais, especialmente os estrangeiros. Apesar disso, algumas conquistas foram obtidas, como aumentos salariais e a promessa (nem sempre cumprida) de redução da jornada. O movimento operário, porém, continuou atuante, realizando novas greves nos anos seguintes. Resumo do resultado das ações: As greves de 1917-1919 marcaram a entrada definitiva da "questão social" na agenda do país. O Estado, que até então ignorava o problema, passou a vê-lo como uma "questão de polícia", reprimindo o movimento, mas também começando a esboçar, lentamente, as primeiras leis trabalhistas nas décadas seguintes. O Tenentismo e a Agitação nos Anos 1920 Na década de 1920, um novo ator político surgiu: os tenentes. Jovens oficiais de média patente do Exército, insatisfeitos com a corrupção eleitoral, o domínio das oligarquias e a falta de modernização do país, iniciaram uma série de revoltas que abalaram a República. A Revolta do Forte de Copacabana (1922) - Os 18 do Forte Foi o primeiro grande levante tenentista, em resposta à posse do presidente Artur Bernardes e à prisão do marechal Hermes da Fonseca. Contexto: A sucessão presidencial de 1922 foi conturbada. O governo de Epitácio Pessoa, apoiando Artur Bernardes, enfrentou a oposição dos militares e de setores urbanos. As "cartas falsas" atribuídas a Bernardes, insultando o marechal Hermes da Fonseca, inflamaram os ânimos. O Levante: Na noite de 4 de julho de 1922, militares do Forte de Copacabana e da Escola Militar do Realengo se rebelaram. Após um dia de combates, a maioria dos revoltosos se rendeu. Um grupo de 28 homens, porém, decidiu resistir e marchar pela Praia de Copacabana em direção às tropas governistas. O Desfecho: No confronto, apenas dois sobreviveram: Siqueira Campos (ferido) e Eduardo Gomes (preso). Os "18 do Forte" (número que entrou para a história, embora o grupo inicial fosse maior) se tornaram mártires do movimento tenentista. A Revolta Paulista de 1924 Dois anos depois, São Paulo foi palco do mais longo combate urbano da história do país. O Levante: Em 5 de julho de 1924, sob a liderança do general Isidoro Dias Lopes, tropas rebeldes tomaram bairros da capital paulista. O governo federal reagiu com bombardeios aéreos sobre a cidade, atingindo bairros operários e causando centenas de mortes. A Retirada: Após 23 dias de combates, os revoltosos, sem conseguir apoio popular, bateram em retirada para o interior do país, onde se conectariam com outros grupos tenentistas. A Coluna Prestes (1925-1927) O movimento tenentista atingiu seu ápice com a formação da Coluna Prestes, uma marcha de cerca de 1.500 homens que percorreu mais de 25.000 quilômetros pelo interior do Brasil. Liderança: A coluna era comandada por Miguel Costa e teve como chefe do estado-maior o capitão Luís Carlos Prestes, que ganharia fama como o "Cavaleiro da Esperança". Objetivo: A Coluna não tinha intenção de tomar o poder, mas sim de percorrer o país, divulgando suas críticas ao regime oligárquico, denunciando a miséria do povo e tentando inspirar novas revoltas contra o governo do presidente Artur Bernardes. Táticas e Perseguição: Utilizando táticas de guerrilha, a Coluna conseguia despistar e derrotar as forças governistas que a perseguiam. Atravessou 13 estados, mas não conseguiu o apoio popular esperado para um levante generalizado. Exílio: Em 1927, exausta e sem perspectivas de vitória, a Coluna refugiou-se na Bolívia, onde se desfez. Luís Carlos Prestes partiu para o exílio, onde mais tarde romperia com o tenentismo e se aproximaria do comunismo. Resumo do resultado das ações tenentistas: Embora derrotados militarmente, os tenentistas tiveram um papel fundamental ao desgastar o regime oligárquico e expor sua fragilidade. Suas ideias de reforma política, voto secreto, moralização administrativa e centralização do poder influenciaram diretamente o movimento que levaria Getúlio Vargas ao poder em 1930. Classificação dos Movimentos A historiografia frequentemente classifica essas revoltas em categorias que ajudam a entender suas motivações e contextos específicos: Revoltas Rurais com Conteúdo Religioso e Carência Social: Esta categoria engloba movimentos que uniam fé e luta por sobrevivência, como Canudos e a Revolta de Juazeiro, onde a liderança religiosa oferecia uma estrutura de apoio e sentido em meio à miséria e ao abandono. Revoltas Rurais com Reivindicação Social e Religiosidade: Movimentos como o Contestado, nos quais a religiosidade popular servia como elemento aglutinador e justificador para a luta contra a exploração econômica e a grilagem de terras, mas não era o único fator. Revoltas Rurais sem Conteúdo Religioso: Aqui se encaixam movimentos como o Cangaço, que, embora complexo, representava uma forma de banditismo social em resposta à opressão dos coronéis, e as primeiras greves operárias no campo. Revoltas Urbanas e Sociais: Englobam os movimentos ligados às transformações das cidades, como a Revolta da Vacina (contra a modernização excludente) e o nascente movimento operário (luta de classes). Revoltas Militares e Políticas: Incluem-se aqui os conflitos ligados às disputas pelo poder no Exército e na Marinha (Revolta da Armada, Revolução Federalista), bem como o movimento tenentista (Forte de Copacabana, Revolta Paulista de 1924, Coluna Prestes). O desfecho de quase todos esses movimentos foi a vitória das forças republicanas oficiais, consolidada através da supressão violenta de quaisquer focos de resistência ao sistema oligárquico vigente até a Revolução de 1930. Dicas para Provas Contextualize sempre: Ao falar de qualquer revolta, relacione-a ao contexto da República Oligárquica (política do café com leite, coronelismo, voto de cabresto, exclusão social). A chave para entender a maioria delas está na estrutura de poder excludente. Diferencie as causas e naturezas: Não confunda os movimentos. Canudos e Contestado são messiânicos, mas o segundo tem causa fundiária ligada ao capital estrangeiro. O Cangaço é banditismo social, sem projeto de sociedade. A Revolta da Vacina é urbana e anti-modernização. A Revolta da Chibata foi uma luta contra os castigos corporais brutais (a chibata) e as péssimas condições na Marinha, protagonizada por marinheiros em sua maioria negros, em um contexto social marcado pelo racismo. As greves operárias são luta de classes. O Tenentismo é uma rebelião militar com agenda política de reformas. Lembre-se dos líderes e datas: Associe cada movimento ao seu principal líder: Antônio Conselheiro (Canudos, 1896-97), José Maria (Contestado, 1912-16), Lampião (Cangaço, 1920-38), Padre Cícero (Juazeiro, 1914), João Cândido (Revolta da Chibata, 1910), Luís Carlos Prestes (Coluna Prestes, 1925-27). Repressão e Resultados: Atente-se ao padrão de resposta do governo: repressão violenta, uso do exército, e, na maioria das vezes, o não atendimento das reivindicações sociais de fundo. A exceção parcial foi a anistia concedida aos participantes da Revolta da Chibata (Lei nº 4.987/1910), que, contudo, não extinguiu o uso da chibata nas Forças Armadas — castigo que permaneceu legal e em vigor por décadas. Embora os líderes tenham sido perseguidos, houve conquistas pontuais dos operários em 1917. Conexões: Perceba como os movimentos se conectam. O Tenentismo, por exemplo, é uma resposta ao desgaste do sistema oligárquico, que já havia sido abalado pelas revoltas sociais anteriores. A Coluna Prestes percorreu áreas do interior brasileiro marcadas por problemas sociais semelhantes aos de Canudos e do Cangaço, evidenciando a continuidade e a extensão nacional da miséria e da exclusão. Conclusão Geral A Primeira República foi um período paradoxal, marcado por um discurso de modernidade e civilização, mas alicerçado na violência, na exclusão e no autoritarismo. As inúmeras revoltas que eclodiram em todo o país, do sertão baiano aos quartéis do Rio de Janeiro, passando pelas fábricas de São Paulo, foram a expressão mais contundente das contradições do regime. Elas revelaram a face brutal de uma República que, forjada por e para as elites, respondia com balas e canhões a qualquer tentativa das camadas populares ou de setores dissidentes das Forças Armadas de reivindicar cidadania, dignidade ou simplesmente o direito de existir à sua própria maneira. Ao massacrar Canudos, ao expulsar os posseiros do Contestado, ao perseguir Lampião, ao reprimir a população pobre do Rio, ao trair os marinheiros, ao prender e deportar operários e ao combater os tenentes, o governo consolidou um projeto de nação que mantinha a maioria da população à margem, plantando as sementes para as crises que levariam ao seu fim em 1930. Foi sobre esse solo de conflitos e exclusão que a Revolução de 1930 encontraria terreno fértil para derrubar a velha República. Exercícios: A Guerra de Canudos (1896-1897) foi um conflito entre: (UNICAMP 2019) A Guerra de Canudos (1896-1897) foi um conflito entre: (UNESP 2019) A Revolta da Vacina (1904) no Rio de Janeiro foi uma reação popular contra: Sobre a Guerra de Canudos (1896-1897), ocorrida durante a República Velha, assinale a alternativa correta de acordo com o conteúdo apresentado na aula: O Cangaço foi um fenômeno social que marcou o sertão nordestino durante a Primeira República. Sobre esse movimento, é correto afirmar que: As greves operárias de 1917-1919, especialmente a Greve Geral de 1917 em São Paulo, representaram um marco na história social do Brasil. Sobre esse movimento, é correto afirmar que: O Tenentismo foi um movimento de jovens oficiais do Exército que marcou a década de 1920. Sobre a Coluna Prestes (1925-1927), um dos principais episódios desse movimento, é correto afirmar que: A Guerra do Contestado (1912-1916) foi um conflito que ocorreu na região entre Paraná e Santa Catarina. Sobre esse movimento, é correto afirmar que: A Guerra de Canudos (1896-1897) representou um choque entre o Brasil litorâneo e o sertão. Qual era a principal característica da comunidade de Belo Monte e a reação do Estado? A Revolta da Chibata (1910) revelou a persistência de práticas arcaicas na Marinha Brasileira. Qual era a principal exigência dos marinheiros liderados por João Cândido? A Greve Geral de 1917, em São Paulo, foi um marco do movimento operário urbano. Qual foi o estopim que unificou as categorias operárias na capital? A elite oligárquica tratava os movimentos sociais de forma específica. Qual frase, comumente associada ao período do governo de Washington Luís (1926-1930), sintetiza a visão repressiva do Estado sobre as greves e a 'questão social'? Os movimentos sociais na República Velha (1889-1930) abrangeram diferentes regiões e grupos sociais. Assinale a alternativa que lista corretamente alguns desses movimentos: Em relação à Revolta da Chibata (1910), qual das alternativas abaixo apresenta corretamente suas principais motivações e desdobramentos, conforme o conteúdo apresentado? A Revolta da Vacina (1904) foi um levante popular no Rio de Janeiro. Além da questão sanitária (a vacinação obrigatória), qual foi um importante contexto de fundo que havia gerado descontentamento prévio na população pobre da cidade? O Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, foi uma figura de grande peso religioso e político. Qual evento marcou sua influência na política nacional em 1914? A Guerra do Contestado (1912-1916) ocorreu em uma área de disputa entre Paraná e Santa Catarina. Qual fator econômico agravou as tensões sociais na região?