Aula de História (História do Brasil - Colonização): A Sociedade Escravista. Estudo da estrutura social no Brasil colonial e o papel da escravidão indígena e africana. Estude gratuitamente para vestibular e ENEM no Tuco-Tuco.
Brasil Colonial: Análise Abrangente de Formação, Sociedade e Crise
Contexto Geral do Brasil Colonial
O Brasil Colonial corresponde ao longo processo histórico de ocupação, exploração, administração e transformação do território americano sob domínio português entre 1500 e 1822. A elevação do Brasil à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves, em 1815, foi um marco importante dentro deste período, mas a estrutura colonial só foi definitivamente rompida com o processo de Independência. Esse período não foi homogêneo nem linear, sendo marcado por profundas desigualdades regionais, pela centralidade do trabalho escravizado, por conflitos constantes e por adaptações institucionais do Antigo Regime europeu às realidades locais. A compreensão desse contexto é fundamental para entender as bases econômicas, sociais e políticas do Brasil independente.
Ao longo de mais de três séculos, a colônia foi moldada por interesses mercantis, pela lógica do pacto colonial e por negociações constantes entre a Coroa, elites locais e grupos subalternizados.
Sumário Executivo
O período conhecido como Brasil Colônia (1500–1822) compreende o conjunto de processos históricos entre o início da ocupação portuguesa na América meridional e a Independência política do Brasil. Durante mais de três séculos, a região integrou o Império Português como uma conquista ultramarina, caracterizada por uma administração policêntrica e uma economia moldada pelo sistema escravista e pela integração ao comércio atlântico.
Os principais pontos de inflexão incluem a transição de um período pré-colonial extrativista para a colonização sistemática via capitanias e Governo-Geral, a consolidação da economia açucareira e aurífera, a elevação a Reino Unido em 1815, e a transformação institucional definitiva com a transferência da Corte em 1808 e a Independência em 1822.
A sociedade colonial, profundamente hierarquizada e patriarcal, revelou-se um mosaico de experiências regionais marcadas por resistências indígenas e africanas, além de uma cultura política baseada em pactos e negociações no âmbito do Antigo Regime.
Resultado geral: O Brasil Colônia foi menos um território passivo e mais um espaço de disputas, adaptações e negociações que moldaram as bases estruturais do Estado brasileiro.
Antecedentes e Formação Territorial
Ocupação Pré-Cabralina e Período Pré-Colonial (1500–1531)
A presença humana no território remonta a pelo menos 12 mil anos, com sociedades indígenas complexas (Tupi-Guarani, Macro-Jê, Aruaques e Caraíbas) que manejavam a paisagem e domesticavam plantas como a mandioca.
O período pré-colonial (1500–1531) foi marcado por uma presença portuguesa esporádica e extrativista, focada no pau-brasil através do escambo com indígenas, sem a fundação de núcleos urbanos permanentes.
A ameaça de invasões estrangeiras, especialmente francesas, forçou a Coroa Portuguesa a iniciar o povoamento permanente com a expedição de Martim Afonso de Sousa em 1531.
Resultado das ações: A ausência inicial de colonização efetiva abriu espaço para disputas internacionais e obrigou Portugal a adotar uma política de ocupação territorial mais estruturada.
Modelos Administrativos: Capitanias e Governo-Geral
O sistema de Capitanias Hereditárias (1534) foi a primeira tentativa de ocupação sistemática, delegando a defesa e o desenvolvimento a donatários. O modelo enfrentou dificuldades pela resistência indígena e escassez de recursos, prosperando apenas em Pernambuco e São Vicente.
Em 1548, a criação do Governo-Geral em Salvador visou centralizar a administração e coordenar a defesa e as finanças, sem extinguir as capitanias, mas introduzindo uma autoridade régia superior (governador-geral, ouvidor-mor e provedor-mor).
Resultado das ações: O Governo-Geral fortaleceu o controle político da Coroa e criou bases administrativas mais eficientes, ainda que mantendo a descentralização prática.
Expansão Territorial e Bandeirismo
A expansão territorial da América portuguesa ocorreu principalmente a partir do interior, impulsionada pelas bandeiras paulistas e por expedições de exploração econômica.
As bandeiras de apresamento tinham como objetivo capturar indígenas para o trabalho escravizado.
As bandeiras de prospecção buscavam metais preciosos, contribuindo para a descoberta do ouro no interior.
O sertanismo de contrato envolvia expedições financiadas pelo poder público ou por particulares para combate a quilombos e grupos indígenas.
Essas expedições ultrapassaram os limites do Tratado de Tordesilhas, ampliando o território sob domínio português.
Resultado das ações: O bandeirismo foi decisivo para a interiorização da colonização e para a configuração territorial do Brasil, embora baseado em violência e exploração.
Organização Político-Administrativa e Institucional
Estados e Governança Imperial
A América portuguesa não era uma unidade homogênea, mas organizada em "Estados" autônomos subordinados diretamente à Coroa: o Estado do Brasil (capital em Salvador e depois Rio de Janeiro) e o Estado do Maranhão (capital em São Luís).
O Conselho Ultramarino (criado em 1642) era o órgão central de decisão em Lisboa para questões militares, fiscais e administrativas das conquistas.
A cultura política era pauta por práticas de Antigo Regime, onde a lealdade ao monarca servia como linguagem para reivindicar mercês e privilégios. As Câmaras Municipais eram instâncias cruciais de poder local e mediação.
Resultado das ações: A administração colonial funcionava por meio de pactos políticos, garantindo relativa autonomia local sem romper com a autoridade régia.
Mudança do Eixo Econômico-Político
A capital foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro em 1763, refletindo a importância crescente do Centro-Sul devido à mineração e à necessidade de maior controle fiscal e articulação no Atlântico Sul.
Resultado das ações: O deslocamento da capital consolidou o Rio de Janeiro como centro político e econômico do período final da colônia.
Igreja Católica, Jesuítas e Catequese
A Igreja Católica desempenhou papel central na colonização portuguesa, atuando como agente religioso, educacional e político. Sua presença foi decisiva na organização social e cultural da colônia.
Os jesuítas lideraram a catequese indígena por meio de aldeamentos, buscando integrar os nativos à ordem colonial e à fé cristã.
Os colégios jesuítas foram os principais centros de ensino da colônia, voltados à formação religiosa e administrativa.
Houve conflitos frequentes entre colonos e missionários, sobretudo em relação à escravização indígena.
Em 1759, os jesuítas foram expulsos por ordem do Marquês de Pombal, como parte de uma política de centralização do poder régio.
Resultado das ações: A atuação da Igreja moldou valores, práticas culturais e educacionais da colônia, enquanto sua expulsão marcou o fortalecimento do Estado português sobre as instituições religiosas.
Reformas Pombalinas
As Reformas Pombalinas, conduzidas pelo Marquês de Pombal no século XVIII, visaram modernizar e centralizar a administração portuguesa, tanto na metrópole quanto na colônia.
Centralização do poder régio e enfraquecimento das elites locais.
Expulsão dos jesuítas e reforma do sistema educacional.
Reorganização fiscal e administrativa.
Estímulo a companhias monopolistas e controle econômico mais rigoroso.
Resultado das ações: As reformas fortaleceram o Estado português, mas aumentaram a insatisfação colonial e contribuíram para o desgaste do sistema colonial.
Economia e Estrutura Social
Bases Econômicas
Ciclo do Açúcar: Baseado na grande propriedade monocultora, no trabalho escravizado e na integração ao mercado europeu, especialmente no Nordeste.
Ciclo do Ouro: No século XVIII, as minerações deslocaram o eixo econômico para o interior, intensificaram o controle fiscal e permitiram uma sociedade urbana mais heterogênea.
Economias Complementares: Pecuária (abastecimento interno e expansão territorial), agricultura de subsistência e extrativismo (drogas do sertão na Amazônia).
Resultado das ações: A economia colonial foi diversificada regionalmente, mas sempre subordinada aos interesses do mercado externo.
A Sociedade Escravista
A escravidão foi o elemento estruturante, nivelando o trabalho manual a um patamar de baixa valorização social. A opção pelo africano em detrimento do indígena consolidou-se devido a um conjunto de fatores: a drástica redução da população indígena (por doenças, guerras e fuga), a inadequação do modelo de escravidão indígena – mais voltado para a extração e serviços – para a agricultura de exportação em larga escala (como os engenhos), a resistência organizada dos nativos, e a atuação da Igreja (especialmente jesuítas) contra a escravização generalizada. O tráfico transatlântico, por sua vez, tornou-se um negócio extremamente lucrativo em função dessa demanda colonial por mão de obra, reforçando e perpetuando o sistema.
A hierarquia social distinguia:
Boçais: Escravos recém-chegados da África.
Ladinos: Africanos aculturados que entendiam o português.
Crioulos: Negros nascidos no Brasil, geralmente preferidos para tarefas domésticas e artesanais.
"Brecha Camponesa": Prática na zona rural onde escravos cultivavam roças próprias para consumo ou venda, garantindo alguma autonomia e fidelidade sob a ótica senhorial.
Escravidão Urbana: Mais fluida que a rural, com a existência dos "escravos de ganho" que exerciam profissões artesanais e podiam acumular renda para comprar a alforria.
Resultado das ações: O sistema escravista sustentou a economia colonial, mas gerou resistências constantes e profundas contradições sociais.
Pacto Colonial e Exclusivo Metropolitano
O pacto colonial foi o princípio estruturante da relação entre Portugal e o Brasil durante todo o período colonial. Ele estabelecia que a colônia existia para beneficiar economicamente a metrópole, subordinando sua produção, circulação de mercadorias e organização econômica aos interesses do Império Português.
A colônia só podia comercializar legalmente com a metrópole, caracterizando o chamado exclusivo metropolitano.
Produtos coloniais eram vendidos a preços baixos, enquanto manufaturados europeus eram comprados a preços elevados, gerando dependência econômica.
A Coroa estabelecia monopólios comerciais e cobrava impostos como o quinto, a derrama e taxas alfandegárias.
A proibição de manufaturas visava impedir concorrência com a produção metropolitana.
Resultado das ações: O pacto colonial garantiu a acumulação de capital em Portugal, mas gerou tensões econômicas crescentes na colônia, contribuindo para revoltas e para a crise do sistema colonial no final do século XVIII.
Cotidiano e Vida Privada na Colônia
Moradia e Hábitos
As habitações eram majoritariamente de taipa e telhado de palha, com mobiliário escasso (mesas baixas, bancos, baús e redes). Mesmo em casas de capitães-mores, a divisão de cômodos era precária.
O "luxo" das casas-grandes é uma construção tardia do século XIX; no período colonial, a precariedade atingia quase todas as camadas.
Em São Paulo, a "língua geral" (Tupi) foi hegemônica no espaço doméstico e público por muito tempo, devido à forte presença de mulheres indígenas e mamelucos.
Alimentação e Saúde
A dieta básica era composta por farinha de mandioca (base indígena), carnes secas, feijão, milho e rapadura. Produtos europeus (vinho, azeite, farinha de trigo) eram caros e valorizados socialmente.
Faziam-se geralmente quatro refeições diárias, iniciando ao nascer do sol.
A medicina era caseira e baseada em curandeiros e conhecimentos das mucamas, devido à raridade de médicos e remédios vindos do Reino. Males comuns incluíam indigestão e picadas de animais peçonhentos; os graves incluíam sífilis e varíola.
Resultado das ações: O cotidiano colonial era marcado por precariedade material e forte intercâmbio de saberes indígenas e africanos.
Cultura, Religiosidade Popular e Sincretismo
A cultura colonial resultou da interação entre tradições portuguesas, indígenas e africanas, formando práticas híbridas e singulares.
As festas religiosas e civis organizavam o calendário social.
O sincretismo religioso mesclava elementos católicos com crenças africanas e indígenas.
Irmandades religiosas funcionavam como espaços de sociabilidade, inclusive para negros e mestiços.
A oralidade e as tradições populares tiveram papel central na transmissão cultural.
Resultado das ações: A cultura colonial consolidou identidades diversas e lançou as bases da cultura brasileira, marcada pela miscigenação e pelo sincretismo.
Transformação da Paisagem
O coqueiro, hoje onipresente nel litoral, é uma planta exótica originária da Índia, trazida por jesuítas no século XVI. Inicialmente ornamental, sua substituição massiva pelo cajueiro nativo foi um processo de longo prazo.
Resultado das ações: A colonização alterou profundamente a paisagem natural, introduzindo espécies exógenas e novas formas de uso do território.
Crise do Sistema Colonial e do Antigo Regime
No final do século XVIII, o sistema colonial entrou em crise, inserido em um contexto mais amplo de transformações globais.
O Iluminismo questionou o absolutismo e os privilégios do Antigo Regime.
As Revoluções Atlânticas influenciaram elites coloniais.
O aumento da carga fiscal agravou tensões econômicas.
Portugal enfrentava fragilidade política e econômica diante das potências europeias.
Resultado das ações: A crise do Antigo Regime enfraqueceu o sistema colonial e criou as condições políticas e ideológicas para a Independência do Brasil.
Quilombos e Resistência Negra: Ênfase no Quilombo dos Palmares
Os quilombos foram comunidades formadas principalmente por africanos escravizados fugitivos, constituindo a mais duradoura e organizada forma de resistência negra ao sistema escravista no Brasil Colonial. Mais do que espaços de fuga, os quilombos representaram experiências de autonomia social, política e econômica em oposição direta à ordem colonial.
Os quilombos surgiram em diversas regiões da colônia, variando em tamanho, duração e grau de organização, frequentemente localizados em áreas de difícil acesso.
Suas economias combinavam agricultura de subsistência, caça, coleta, comércio com populações vizinhas e, em alguns casos, saques a propriedades coloniais.
A organização social dos quilombos baseava-se em lideranças próprias, normas coletivas e forte senso comunitário, incorporando elementos culturais africanos, indígenas e europeus.
O Quilombo dos Palmares
O Quilombo dos Palmares foi o mais extenso, populoso e duradouro quilombo da América portuguesa, localizado na região da Serra da Barriga, no atual estado de Alagoas, existindo aproximadamente entre o final do século XVI e 1694.
Palmares era composto por diversos mocambos interligados, formando uma estrutura política descentralizada, mas coesa.
Sua população chegou a dezenas de milhares de habitantes, incluindo negros africanos, crioulos, indígenas e até brancos marginalizados.
A economia palmarina baseava-se na agricultura, no artesanato e em redes de troca, garantindo relativa autossuficiência.
A liderança de Ganga Zumba marcou uma fase de negociação com as autoridades coloniais, enquanto Zumbi dos Palmares simbolizou a resistência armada e a rejeição de acordos que mantivessem a escravidão.
Palmares enfrentou inúmeras expedições militares portuguesas e luso-brasileiras, sendo definitivamente destruído em 1694 após violenta ofensiva comandada por Domingos Jorge Velho.
Resultado das ações: Os quilombos, especialmente Palmares, evidenciaram os limites do sistema escravista e demonstraram que a resistência negra foi ativa, organizada e contínua, tornando-se símbolo histórico da luta contra a escravidão e da construção de identidades de resistência no Brasil.
Conflitos, Resistências e o Fim do Sistema
Movimentos de Resistência
Indígenas: Enfrentamento militar (Confederação dos Tamoios, Guerra dos Bárbaros) e estratégias de fuga e alianças.
Africanos: Fugas, sabotagens e a formação de quilombos, sendo o de Palmares o exemplo mais duradouro de organização autônoma.
Revoltas Nativistas e Emancipacionistas: Movimentos como a Revolta de Beckman e a Guerra dos Mascates focavam em questões fiscais e locais, enquanto a Inconfidência Mineira (1789) e a Conjuração Baiana (1798) contestavam a própria ordem colonial sob influência iluminista.
Resultado das ações: As resistências demonstram que a dominação colonial foi constantemente questionada, ainda que raramente superada antes do século XIX.
A Transição para a Independência
1808: A transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro promoveu uma "inversão metropolitana", com a abertura dos portos e a criação de instituições burocráticas e judiciais.
1815: O Brasil foi elevado a Reino Unido a Portugal e Algarves, extinguindo formalmente o estatuto jurídico de colônia, embora as relações de dependência política e econômica persistissem.
1822: A Independência foi o desfecho de uma crise gradual, acelerada pela tentativa das Cortes Portuguesas em 1820 de recolonizar o território.
Resultado das ações: A Independência foi o desfecho de um processo predominantemente político-administrativo, conduzido pelas elites, que resultou na separação política de Portugal, mas sem uma ruptura social revolucionária, mantendo estruturas fundamentais como a escravidão, a grande propriedade e a hierarquia social.
Insights e Citações Relevantes
Sobre o Conceito Jurídico: "A documentação oficial do Reino de Portugal raramente empregava o termo 'colônia' para se referir à América portuguesa, recorrendo com maior frequência a designações como 'conquistas', 'domínios' ou 'Estados'."
Sobre a Mentalidade Escravista: 'A mentalidade hegemônica da época via a escravidão como uma instituição natural e legítima, fundamentando-a em preceitos religiosos e pseudo-científicos. Contudo, essa 'certeza' não era absoluta: foi contestada por vozes isoladas (como alguns jesuítas no século XVI e abolicionistas no século XVIII), por rebeliões de escravizados e por debates no exterior. De fato, as revoltas separatistas do século XVIII, como a Inconfidência Mineira, não tinham a abolição da escravidão como bandeira, refletindo os limites do pensamento das elites da época.'
Sobre a Heterogeneidade Social: "A sociedade do Nordeste açucareiro do século XVI, essencialmente ruralizada, patriarcal, elitista... é a matriz sobre a qual se assentarão as modificações dos séculos seguintes... A sociedade do século XVIII era mais aberta, mais heterogênea."
Sobre o Cotidiano: "Trabalho e lazer muitas vezes se confundiam no ambiente doméstico... o dia a dia passava vagaroso, cada um com seus afazeres, pois o trabalho era infindável."
Sobre a Identidade: "O cotidiano e os quadros mentais das populações do Brasil colônia estão condicionados a essa diversidade e a essa mistura de instituições portuguesas, indígenas e africanas."
Dicas para Provas
Sempre diferencie período pré-colonial de colonização efetiva.
Lembre que o Brasil não era administrativamente unificado.
Associe os ciclos econômicos às mudanças regionais e políticas.
Não confunda revoltas nativistas com movimentos emancipacionistas.
Destaque o papel da escravidão como eixo estruturante da sociedade colonial.
Atenção à periodização: 1815 marca a elevação a Reino, mas o fim do período colonial é 1822, com a Independência.
Conclusão Geral
O Brasil Colonial foi um período de longa duração marcado por exploração econômica, hierarquização social e negociações políticas constantes. Longe de ser estático, o sistema colonial passou por adaptações que permitiram sua sobrevivência por mais de três séculos, mas também acumularam tensões que culminaram na Independência em 1822. Entender esse período é essencial para compreender as permanências e desigualdades que atravessam a história brasileira até hoje.
Exercícios:
A sociedade colonial brasileira era marcada por profundas desigualdades. No topo da pirâmide social estavam:
[ENEM 2022] Contexto: Para os Impérios Coloniais, o problema das doenças que atingiam os escravos era algo com que cotidianamente deparavam os senhores. Em vista disso, uma série de obras dedicadas à administração de escravos foi publicada com vista a implementar uma moderna gestão da mão de obra escravista em convergência com O Iluminismo. Nesse contexto, o saber médico adquiria um papel extremamente relevante. Este era encarado como um instrumento fundamental ao desenvolvimento colonial, dada a percepção do impacto que as doenças tropicais causavam na população branca e nos povos escravizados.
**ABREU, J. L. N. A Colônia enferma e a saúde dos povos: a medicina das “luzes” e as informações sobre as enfermidades da América portuguesa. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, n. 3, jul.-set. 2007 (adaptado).**
De acordo com o texto, a importância da medicina se justifica no âmbito dos objetivos
Sobre a mobilidade social na colônia açucareira, qual das seguintes afirmações descreve corretamente a realidade do período clássico?
A resistência escrava manifestava-se de diversas formas. Qual era a natureza política e social de quilombos como o de Palmares?
No contexto urbano colonial, o que caracterizava a atividade dos chamados "escravos de ganho"?
O arranjo arquitetônico "Casa-Grande e Senzala" possuía um simbolismo específico. Qual era a sua principal função social?
Complete a frase: O processo histórico de ocupação e administração do território sob domínio português entre 1500 e 1822 é denominado _____, sendo estruturado pela lógica do mercantilismo e do trabalho escravizado.
Complete a frase: Durante o intervalo de 1500 a 1531, a presença portuguesa no litoral brasileiro restringiu-se ao extrativismo do _____ por meio de feitorias e do escambo com os povos nativos.
Complete a frase: O sistema de Capitanias Hereditárias, implementado em 1534, obteve sucesso econômico e estabilidade administrativa apenas nas regiões de _____ e São Vicente.
Complete a frase: Em 1548, com o intuito de centralizar a administração e coordenar a defesa contra corsários franceses, a Coroa Portuguesa instituiu o _____, sediado em Salvador.
Complete a frase: As incursões paulistas conhecidas como bandeiras de _____ tinham como objetivo primordial o aprisionamento de populações indígenas para servirem como mão de obra compulsória.
Complete a frase: A organização social colonial era caracterizada por uma estrutura profundamente hierarquizada e _____, onde a autoridade emanava da figura do grande proprietário de terras e escravos.
Complete a frase: A integração definitiva da economia colonial ao sistema mercantilista global foi viabilizada pelo _____, que regulava o fluxo de mercadorias e de africanos escravizados entre três continentes.
Complete a frase: Um marco jurídico importante ocorreu em 1815, quando o Brasil foi formalmente elevado à condição de _____, deixando de ser administrativamente uma conquista ultramarina subordinada.
Complete a frase: Antes da colonização, o território era ocupado por diversas nações indígenas organizadas em sociedades complexas, como os _____, que dominavam técnicas de cultivo da mandioca e do milho.
Complete a frase: A estabilidade do domínio português na América baseava-se em uma cultura política de _____ entre a Coroa e as elites locais, buscando garantir a arrecadação e a ordem social.
A substituição em larga escala dos indígenas por africanos como escravizados na colônia brasileira ocorreu principalmente devido:
O que caracterizava a chamada 'brecha camponesa' no contexto do escravismo colonial?
Qual fator econômico-mercantil contribuiu decisivamente para a consolidação da escravidão de africanos, em detrimento da escravidão indígena, no Brasil Colonial, principalmente a partir do século XVII?
De acordo com o material sobre o cotidiano, qual foi a origem e a função inicial do coqueiro no litoral brasileiro?
A sociedade açucareira colonial é caracterizada pelo patriarcalismo. Como se definia o papel do "Senhor de Engenho" nessa estrutura social?
Por que a grande lavoura açucareira tornou-se o modelo econômico preferencial para a ocupação do território no século XVI?
Qual fator biológico é citado como uma das razões para a preferência pelo africano escravizado em detrimento do indígena?
Qual era a principal causa dos conflitos entre os colonos portugueses e os jesuítas no Brasil Colonial?
Qual era a postura predominante da Igreja Católica institucional em relação à escravidão de africanos no Brasil colonial?
[UFRGS - 2026 - Vestibular] Leia o segmento abaixo.
Era um sistema quase perfeito: homens brancos (europeus em sua maioria) desenvolveram uma nova mentalidade, na qual a liberdade e a igualdade são entendidas como conceitos que definem a experiência humana. [...] esse mesmo mundo estava organizado numa prática amplamente sistematizada de exploração do trabalho humano em regime de servidão. Aqueles que estavam sujeitos à escravidão eram seres humanos biologicamente inferiores, assim como os não brancos incivilizados, que, se não fossem escravizados, deveriam ser “salvos” pela colonização. O circuito estava fechado. Mas eis que surgiram os revolucionários de São Domingos, que colocaram em xeque todo esse sistema, ousando projetar possibilidades de mundo até então impensáveis. Não é de estranhar que a Revolução do Haiti tenha sido vista com profundo temor. [...]E o Brasil nisso tudo? Bem, o Brasil foi mais uma nação americana que nasceu em meio a esse processo de profundas transformações, construído em um mundo no qual as ideias de nação, progresso, civilidade e a própria humanidade estavam unicamente vinculadas à população branca vinda da Europa.
SANTOS, Y. L. Racismo brasileiro: uma história da formação do país. São Paulo: Todavia, 2022. p. 95-96.
Considerando a história das relações étnico-raciais no Brasil Colônia e Império, a principal ideia contida no segmento é que
[UFRGS - 2026 - Vestibular] Considere as afirmações abaixo, sobre a relação da dominação europeia com os povos originários.
I - O projeto colonizador promoveu genocídio, por meio de guerras bacteriológicas, aprisionamentos e assassinatos, e ecocídio, por meio de devastação generalizada das florestas.
II - O projeto colonizador garantiu a preservação de territórios indígenas, salvaguardando as florestas e estabelecendo acordos de convivência com as lideranças indígenas.
III- O projeto colonizador foi responsável pela extinção dos indígenas de todo o território nacional, os quais tornaram a aparecer em decorrência da itinerância que marca o tempo presente.
Quais estão corretas?
[UNICAMP - 2024 - Vestibular] “Dos pretos é tão própria e natural a união que a todos os que têm a mesma cor, chamam parentes; a todos os que servem na mesma casa, chamam parceiros; e a todos os que se embarcam no mesmo navio, chamam malungos.”
(VIEIRA, Padre Antônio. Sermão XX. Parte II. Lisboa: Impressão Craesbeeckiana, p. 165, 1688.)
Sobre as comunidades de malungos no período da escravidão, é correto afirmar, de acordo com o texto, que são formadas
[UNICAMP - 2025 - Vestibular] Em meados de fevereiro de 1765, Juana Antonia Gomiciaga, por intermédio do "procurador de pobres", Diego Toribio de la Cueva, se apresentou ao Cabildo de Santiago. Ela confiava que o foro de justiça local pudesse dar solução ao seu pedido principal: obter o reconhecimento de sua liberdade, que, de acordo com sua versão, havia sido concedida verbalmente por sua senhora, Francisca Josefa Gomiciaga, em fevereiro de 1751. Nas palavras do procurador, a liberdade havia sido concedida devido à "piedade e compaixão". Contudo, essa alforria verbal, ao longo do tempo, foi desconsiderada pelas senhoras de Juana, o que motivou a escrava Juana Antonia a recorrer à arena judicial. (Traduzido e adaptado de GONZALEZ, A. F. G. Los matices de la resistencia: Trayectorias vitales de mujeres esclavizadas ante la justicia eclesiástica de Santiago. Chile, siglos XVII y XVIII. Autoctonía (Santiago), 8(1), p. 88-127, janeiro de 2024.) Tendo em vista seus conhecimentos sobre América espanhola e considerando as informações, presentes no excerto, sobre o caso de Juana Antônia Gomiciaga, assinale a alternativa correta.
[UNICAMP - 2026 - Vestibular] "Os dados da alfândega de Buenos Aires fixam em 18.100 o número de africanos oficialmente importados no porto entre 1597 e 1645. Durante alguns anos, a zona platense esteve aberta ao contrato de fornecimento de pessoas escravizadas (Asiento), com os navios negreiros saindo diretamente de Luanda para Buenos Aires. Nos anos de proibição, o contrabando ocorria por meio do Rio de Janeiro. Barcos ligavam os dois portos. No retorno, traziam prata lavrada e por lavrar e ouro, não só para o Rio de Janeiro, mas também para a Bahia e o Recife. Em torno das trocas de africanos pela prata do Peru (Potosi), esses interesses foram consolidados no Rio de Janeiro. Desse episódio resultou uma tradição religiosa conhecida: o culto a Nossa Senhora de Copacabana no Rio de Janeiro, oriundo do Baixo Peru em 1637. Nos anos seguintes, uma capela dedicada à santa foi erigida na praia que recebeu o seu nome."
(Adaptado de ALENCASTRO, L. F. O Trato dos Viventes. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p. 110.)
Com base no excerto, assinale a alternativa correta.
[INSPER - 2026 - Vestibular] "A escravidão não ocupa mais de duas ou três páginas nos livros didáticos de Portugal, sendo tratada de forma vaga e superficial. Também propagam ideias tortuosas. Por exemplo, quando falam sobre as consequências da escravatura, o único país a ganhar maior destaque é o Brasil e mesmo assim para falar sobre a discrição. Por trás disso, está o propósito de destacar a suposta multirracialidade da nossa maior colônia que, neste sentido, seria um exemplo do sucesso das políticas de discrição. Na prática, porém, sabemos que isso não ocorreu da forma como é tratada", questiona a pesquisadora portuguesa Marta Araújo.
(Luis Barrucho. "Ensino de História em Portugal perpetua mito do 'bom colonizador' e banaliza escravidão, diz pesquisadora". www.bbc.com, 31.07.2017. Adaptado.)
A abordagem da escravidão nos livros didáticos portugueses é criticada pela pesquisadora por