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A Igreja Católica e a Colonização - História | Tuco-Tuco

Aula de História (História do Brasil - Colonização): A Igreja Católica e a Colonização. Discussão sobre o papel da Igreja Católica na catequese dos indígenas e na organização da sociedade colonial. Estude gratuitamente para vestibular e ENEM no Tuco-Tuco.

Religião e Poder no Brasil Colônia: Instituições, Conflitos e Religiosidade Contexto Geral A presença da religião no Brasil Colônia não pode ser compreendida apenas como um aspecto espiritual, mas como um elemento central da organização política, social e cultural do território colonial. A Igreja Católica atua como braço ideológico do Estado português, legitimando a colonização, regulando comportamentos e moldando relações de poder. Ao mesmo tempo, a realidade colonial impôs adaptações, conflitos e resistências que resultaram em formas próprias de religiosidade, muitas vezes distantes da ortodoxia europeia. Sumário Executivo A presença da Igreja Católica no Brasil Colônia foi um pilar fundamental do processo colonizador, operando através de uma complexa teia institucional que envolvia a Companhia de Jesus, o Tribunal do Santo Ofício e o sistema de Padroado Régio. Os jesuítas, chegados em 1549, estabeleceram o monopólio da educação e da catequese indígena, entrando em frequentes conflitos com colonos e autoridades devido à defesa da liberdade dos nativos, o que culminou em sua expulsão em 1759. Paralelamente, o Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) atua a partir de 1591 para impor a ortodoxia da Contrarreforma, perseguindo principalmente cristãos-novos, protestantes e práticas de feitiçaria. A estrutura eclesiástica dividia-se entre o clero regular (ordens religiosas) e o secular (clérigos sustentados pela Coroa), mas a carência de sacerdotes no vasto território permitiu o florescimento de uma religiosidade popular sincrética e autônoma. Nesse cenário, as Irmandades e Ordens Terceiras emergiram como instituições leigas vitais, provendo proteção social, assistência material e financiamento artístico em uma sociedade rigidamente estratificada por raça e classe. Resultado Geral do Período O resultado foi a formação de um catolicismo colonial híbrido, no qual o poder institucional da Igreja convivia com práticas populares, resistências culturais e adaptações locais, revelando os limites do controle religioso em um território vasto e socialmente desigual. A Companhia de Jesus: Fundação e Atuação Educacional A história jesuítica no Brasil inicia-se em 1549 com a armada de Tomé de Sousa, trazendo Manuel da Nóbrega e outros religiosos. Em 1553, foi criada a Província do Brasil da Companhia de Jesus, a primeira da ordem no continente americano, subordinada à sua estrutura global e atuando dentro do sistema do Padroado Régio português. Os principais expoentes iniciais foram Manuel da Nóbrega, José de Anchieta e Antônio Vieira, responsáveis pela organização intelectual, religiosa e política da atuação jesuítica. A atuação baseou-se na chamada “inculturação recíproca”, utilizando elementos da cultura indígena para o ensino da doutrina cristã, o que facilitava a catequese. José de Anchieta é autor da primeira gramática da língua tupi, cuja obra 'Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil' foi concluída em 1594 e publicada em 1595, após sua morte, demonstrando a centralidade da língua indígena no projeto missionário. Em cerca de cinquenta anos, os jesuítas estabeleceram colégios do Ceará a Santa Catarina, consolidando uma rede educacional sem precedentes na colônia. A fundação do Pátio do Colégio em 1554 marcou a origem da cidade de São Paulo e simboliza o papel urbano e educacional da Ordem. Os jesuítas detinham grande poder econômico, com extensas propriedades e participação direta na economia colonial escravista. O Engenho Sergipe do Conde, na Bahia, possuía mais de 100 escravos africanos, exemplificando essa atuação. No sul da colônia, estabeleceram as Reduções ou Missões, como os Sete Povos das Missões, criando uma organização social própria baseada em aldeamentos indígenas em áreas disputadas por Portugal e Espanha. Resultado da Atuação Jesuítica A Companhia de Jesus consolidou-se como a principal força educacional e missionária da colônia, formando elites letradas, organizando populações indígenas e acumulando poder econômico, o que acabou gerando tensões com colonos e autoridades civis. Religião e Cultura Escrita na Colônia A Igreja foi a principal responsável pela produção e circulação da cultura escrita no Brasil Colônia, controlando o acesso ao conhecimento formal. A alfabetização era restrita à elite colonial e aos membros das ordens religiosas. O ensino priorizava a doutrina católica, a retórica, o latim e a formação moral. Jesuítas produziram gramáticas, catecismos, sermões e crônicas sobre a colônia. A escrita servia tanto à catequese quanto à administração colonial. A Igreja contribuiu para a construção da memória histórica do período colonial. Resultado da Cultura Escrita Religiosa O domínio da escrita pela Igreja reforçou seu poder simbólico e sua influência sobre as elites coloniais. Conflitos e Expulsão A trajetória da Ordem foi marcada por embates constantes, especialmente devido à defesa da liberdade indígena frente aos interesses escravistas coloniais. Em 1640, ocorreu a chamada “botada dos padres fora” em São Paulo, quando os jesuítas foram expulsos temporariamente após conflitos com bandeirantes. Esses conflitos estavam ligados ao cumprimento das bulas papais que condenavam a escravização dos indígenas. Em 1759, o Marquês de Pombal, influenciado pelo iluminismo anticlerical e por acusações de conspiração contra a Coroa, decretou a expulsão definitiva dos jesuítas. No momento da expulsão, havia cerca de 670 jesuítas no Brasil, distribuídos entre missões, colégios e seminários. Todos os bens, terras e propriedades da Ordem foram confiscados pelo Estado português. Resultado da Expulsão A expulsão dos jesuítas enfraqueceu profundamente a educação colonial e abriu espaço para um maior controle estatal, ao mesmo tempo em que desmontou uma das estruturas mais organizadas de defesa indígena. Inquisição e Controle Social: O Santo Ofício na Colônia A Inquisição no Brasil foi um instrumento da Contrarreforma, com o objetivo de reforçar a ortodoxia católica e combater heresias e desvios morais. O Tribunal do Santo Ofício nunca teve sede permanente no Brasil, concentrando os julgamentos finais em Lisboa. Na colônia, atuavam as chamadas Visitações Episcopais, responsáveis por investigar e recolher denúncias. A primeira visitação ocorreu em 1591, com foco em Pernambuco e na Bahia. Ao todo, houve sete grandes visitações entre os séculos XVI e XVIII. Entre o final do século XVI e meados do XVIII, o Tribunal de Lisboa prendeu 1.074 pessoas oriundas do Brasil, sendo 776 homens e 298 mulheres. Resultado do Controle Inquisitorial A atuação inquisitorial gerou um clima de medo, vigilância e denúncia, moldando comportamentos e reforçando hierarquias sociais baseadas na fé, na origem étnica e na moral. Moral Cristã e Controle da Vida Cotidiana Além da repressão às heresias, a Igreja buscava regular o comportamento diário da população colonial, impondo padrões morais inspirados na doutrina católica. A moral cristã regulava a sexualidade, condenando o adultério, o concubinato e as relações fora do casamento. O casamento religioso era considerado o único legítimo, embora fosse inacessível para grande parte da população pobre. Relações informais eram amplamente toleradas na prática, apesar de condenadas oficialmente. Mulheres eram alvos frequentes de acusações morais, sendo associadas à feitiçaria e à devassidão. A fiscalização moral ocorria por meio das Visitações Episcopais e da vigilância comunitária. Resultado do Controle Moral Formou-se um profundo distanciamento entre a moral oficial da Igreja e as práticas reais da sociedade colonial, revelando os limites da autoridade religiosa. Alvos e Acusações A Inquisição direcionou suas ações principalmente contra grupos considerados ameaças à pureza da fé católica. Os cristãos-novos eram o principal alvo, acusado de praticar secretamente o judaísmo. Hábitos cotidianos, como não comer carne de porco ou usar roupas limpas aos sábados, eram interpretados como indícios de criptojudaísmo. O Estatuto da Pureza de Sangue, focado na ascendência de judeus e muçulmanos, impedia os chamados 'cristãos-novos' de ocupar diversos cargos eclesiásticos, judiciais ou administrativos. Paralelamente, uma rígida hierarquia social baseada na cor e na origem, aliada à condição escrava da maioria dos africanos e seus descendentes, efetivamente os excluía dessas mesmas posições de poder e prestígio. Muitos membros da elite colonial falsificavam ou manipulavam genealogias para ocultar origens consideradas “impuras”. Outras acusações frequentes incluíam protestantismo, feitiçaria (especialmente contra mulheres no Rio de Janeiro), sodomia, blasfêmia e práticas de magia amorosa. Resultado das Perseguições Essas práticas reforçaram o racismo estrutural, a intolerância religiosa e o controle social, consolidando privilégios das elites coloniais brancas. Estrutura da Igreja e o Padroado Régio A Igreja no Brasil funcionava sob o regime do Padroado Régio, que estabelecia uma aliança entre a Coroa portuguesa e o papado. O Papa concedia ao rei de Portugal autoridade espiritual sobre a colônia em troca da expansão da fé católica. O rei, como Grão-Mestre da Ordem de Cristo, recolhia dízimos, nomeava bispos e pagava os salários do clero. Essa estrutura transformava o clero em funcionários do Estado. Em 1551, foi criada a primeira diocese do Brasil, em Salvador, sob a liderança do bispo Pero Fernandes Sardinha. Resultado do Padroado O Padroado Régio subordinou a Igreja aos interesses do Estado português, limitando sua autonomia e reforçando o caráter político da religião colonial. Tensões Internas e Conflitos na Igreja Colonial A Igreja Católica no Brasil Colônia não era uma instituição homogênea, sendo marcada por disputas internas de poder e influência. Ordens religiosas competiam entre si por recursos, prestígio e áreas de atuação. Conflitos entre bispos e ordens religiosas eram frequentes, especialmente com os jesuítas. Divergências surgiam quanto ao tratamento dos indígenas e à relação com os colonos. Disputas por terras, dízimos e privilégios políticos enfraqueceu a unidade eclesiástica. Essas tensões refletiam interesses econômicos e políticos distintos dentro da própria Igreja. Resultado dos Conflitos Internos As divisões internas limitaram a capacidade da Igreja de agir de forma coesa e ampliaram sua dependência do Estado português. Religião e Legitimação da Escravidão A Igreja Católica desempenhou papel central na legitimação ideológica do sistema escravista no Brasil Colônia, conciliando princípios religiosos com interesses econômicos da colonização. A escravidão indígena era oficialmente condenada por parte da Igreja, mas frequentemente tolerada na prática, especialmente quando vinculada à “guerra justa” ou à catequese. A escravidão africana foi amplamente aceita e justificada como meio de conversão religiosa e “salvação das almas”. O batismo cristão dos africanos escravizados era utilizado como argumento moral para legitimar o cativeiro. Ordens religiosas, irmandades e membros do clero possuíam escravizados, participando diretamente da economia colonial. Sermões e escritos religiosos reforçavam a ideia de obediência, hierarquia social e submissão como vontade divina. Resultado da Legitimação Religiosa da Escravidão A religião contribuiu para naturalizar a escravidão, transformando um sistema de exploração econômica em uma prática moralmente aceita e socialmente estruturante. Clero Regular vs. Clero Secular A organização eclesiástica dividia-se em duas esferas distintas, frequentemente marcadas por tensões. O clero regular era composto por ordens religiosas como jesuítas, franciscanos, beneditinos e carmelitas, voltadas à catequese e à educação. Essas ordens garantiam seu sustento por meio de atividades econômicas próprias. O clero secular atuava nas vilas e cidades, subordinado aos bispos e remunerado pela Coroa. Nas chamadas freguesias coladas, os padres recebiam salários fixos. A escassez de sacerdotes gerava freguesias não coladas, onde o clero cobrava taxas elevadas por sacramentos. Nessas áreas, o clero frequentemente agia de forma autônoma e insubmissa ao controle estatal. Resultado da Divisão Clerical A falta de estrutura e de fiscalização contribuiu para abusos, corrupção e para o afastamento entre a Igreja oficial e a população. Diferenças Regionais da Atuação Religiosa A atuação da Igreja Católica variava significativamente conforme as características econômicas, demográficas e geográficas das diferentes regiões da colônia. No Nordeste açucareiro, a presença inquisitorial foi mais intensa devido à concentração de cristãos-novos e à riqueza da região. No Sudeste urbano, destacaram-se as irmandades leigas e a forte religiosidade popular. No Sul, as missões jesuíticas criaram comunidades relativamente autônomas, baseadas na organização indígena. No interior da colônia, a escassez de clérigos favoreceu práticas religiosas híbridas e pouco fiscalizadas. Essas diferenças regionais dificultavam a uniformização da fé e da disciplina religiosa. Resultado das Diferenças Regionais A Igreja nunca conseguiu impor uma prática religiosa homogênea, resultando em múltiplas expressões do catolicismo colonial. Irmandades e Ordens Terceiras: O Catolicismo Leigo Diante das limitações do Estado e da Igreja oficial, as associações leigas tornaram-se fundamentais na vida colonial. Diferentemente de Portugal, as irmandades no Brasil organizavam-se segundo critérios raciais e sociais. A elite branca integrava irmandades como a do Santíssimo Sacramento, da Misericórdia e as Ordens Terceiras do Carmo e de São Francisco. Negros e mulatos organizavam-se em irmandades como a de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e a de São Miguel e Almas. Essas instituições funcionavam como verdadeiras famílias espirituais, oferecendo auxílio financeiro, cuidados médicos e funerais dignos. Algumas irmandades de negros acumulavam recursos para comprar a alforria de seus membros. Foram as principais financiadoras da arte barroca colonial, contratando artistas para ornamentar igrejas com grande ostentação. Resultado da Atuação Leiga As irmandades fortaleceram a solidariedade comunitária, preservaram identidades culturais e deixaram um legado artístico duradouro. Religiosidade Popular e Sincretismo A vastidão do território colonial dificultava o controle religioso, favorecendo práticas sincréticas e populares. A colônia era vista como um espaço de disputa entre Deus e o Diabo, segundo a mentalidade da época. Rituais indígenas e africanos eram sistematicamente demonizados pelas autoridades coloniais. As chamadas Santidades Indígenas, como a Santidade do Jaguaribe em 1586, misturavam mitologia tupi e elementos cristãos. O líder da Santidade do Jaguaribe, um índio chamado Antônio, autodenominava-se “Deus” ou “Papa” e pregava uma inversão da ordem social. Os africanos escravizados associavam seus orixás a santos católicos para manter seus cultos sob disfarce. Entre os pobres, o casamento formal era raro devido aos custos e à burocracia, sendo comuns o concubinato e as uniões informais. Resultado do Sincretismo Formou-se uma religiosidade profundamente híbrida, marcada pela resistência cultural e pela adaptação das crenças à realidade colonial. Heranças da Religião Colonial na Sociedade Brasileira A experiência religiosa do período colonial deixou marcas profundas que ainda podem ser observadas na sociedade brasileira contemporânea. O sincretismo religioso permanece como característica central da religiosidade brasileira. Festas religiosas, procissões e devoções populares têm origem colonial. Irmandades e associações religiosas continuam exercendo funções sociais. Persistem formas de intolerância religiosa cujas raízes históricas remontam ao período colonial, marcado pela hegemonia católica e pela repressão às outras crenças, processo no qual a ação inquisitorial se inseriu. O catolicismo popular brasileiro apresenta características distintas do modelo europeu. Resultado das Heranças Coloniais A religiosidade brasileira atual é fruto direto das adaptações, conflitos e resistências do período colonial. Dicas para Provas Relacione Igreja e Estado ao falar do Padroado Régio, evitando tratá-los como instituições independentes. Lembre-se de que a Inquisição atuava no Brasil sem tribunal fixo, por meio de visitações. Destaque o papel econômico e educacional dos jesuítas, não apenas o religioso. Associe irmandades à assistência social, arte barroca e organização racial. Use o sincretismo religioso como exemplo dos limites do controle colonial. Conclusão Geral A religião no Brasil Colônia foi um instrumento central de poder, controle social e organização cultural, mas também um espaço de resistência, adaptação e criação de identidades próprias. Entre a imposição da ortodoxia católica e as práticas populares sincréticas, construiu-se um catolicismo colonial singular, profundamente marcado pelas tensões entre fé, política, economia e cultura. Exercícios: Os jesuítas tiveram papel fundamental na colonização brasileira, principalmente na: As "Visitações do Santo Ofício" eram missões temporárias da Inquisição no Brasil. Qual era o foco dessas investigações? Quem foram os dois primeiros jesuítas a chegarem ao Brasil, em 1549, para iniciar o trabalho missionário na colônia? O sincretismo religioso surgiu como uma marca da religiosidade brasileira. Qual era a sua natureza básica? Qual era o principal objetivo das reduções jesuíticas durante a colonização do Brasil? Os Aldeamentos (Missões) foram o pilar da ação jesuítica. Qual era o objetivo estrutural dessa organização territorial? No século XVII, colonos e jesuítas entraram em conflito violento em várias regiões. Qual era a causa econômica desse choque? O sistema pedagógico "Ratio Studiorum", aplicado pelos jesuítas, tinha qual função social predominante? As Irmandades Religiosas (como a de Nossa Senhora do Rosário) eram vitais na colônia. Qual era a sua importância para os negros? Qual era uma das principais justificativas teológicas utilizadas por setores da Igreja Católica e colonos para legitimar a escravidão de africanos no Brasil Colonial? Qual era a principal causa dos violentos conflitos entre os jesuítas e os bandeirantes, especialmente na capitania de São Paulo? Qual a distinção funcional entre o clero regular e o clero secular na América Portuguesa? O "Estatuto da Pureza do Sangue" era um mecanismo social na colônia que visava: Complete a frase: O arranjo jurídico-administrativo que conferia à Coroa Portuguesa o controle sobre a Igreja na colônia, permitindo ao rei nomear bispos e recolher dízimos, era o _____. Complete a frase: O jesuíta José de Anchieta foi o autor da primeira gramática da língua _____, publicada em 1595, que serviu como instrumento essencial para o projeto missionário e educacional na costa brasileira. Complete a frase: A expulsão dos jesuítas de todos os territórios portugueses em 1759 foi uma decisão política do _____, fundamentada no desejo de centralizar o poder monárquico e confiscar os vastos bens da Ordem. Complete a frase: Na ausência de um tribunal permanente na colônia, o controle sobre a moral e a ortodoxia religiosa era exercido pela Inquisição através das _____, que coletavam denúncias contra práticas consideradas heréticas. Complete a frase: O episódio conhecido como “_____”, ocorrido em 1640 na vila de São Paulo, evidenciou as tensões entre os colonos escravistas e os jesuítas que defendiam a liberdade dos indígenas conforme bulas papais. Complete a frase: As _____, organizações formadas por leigos, proviam assistência social e proteção mútua aos seus membros, tornando-se espaços vitais de sociabilidade e auxílio material em uma colônia carente de serviços públicos. Complete a frase: No sul da colônia, os jesuítas estabeleceram povoados indígenas autônomos denominados _____, que se tornaram importantes centros produtivos e alvos de ataques de bandeirantes em busca de cativos. Complete a frase: O orador e diplomata _____, um dos nomes mais influentes da Companhia de Jesus, utilizou sua retórica barroca para denunciar os abusos dos colonos contra os indígenas e mediar questões de Estado. Complete a frase: A estratégia pedagógica dos jesuítas de adaptar dogmas cristãos a elementos culturais dos povos nativos para facilitar a conversão religiosa é tecnicamente chamada de _____. Complete a frase: Dentro da hierarquia católica, o _____ era composto por religiosos vinculados a ordens específicas, como franciscanos e jesuítas, que viviam sob regras de pobreza, castidade e obediência. [UNESP - 2025] A Igreja bem cedo estabeleceu um compromisso entre escravidão e cristianismo, encontrando na tradição ocidental os argumentos para justificar a escravidão de negros. Durante o período colonial, a teoria da “guerra justa” forneceu a base lógica para a escravidão: aqueles que se opunham ao cristianismo mereciam ser escravizados. Num mundo governado pela Providência Divina, a escravidão era uma punição para o pecado: os negros deviam pagar por transgressões presentes ou passadas. A Igreja limitava-se a recomendar benevolência ao senhor e resignação ao escravizado; o pecado do senhor era a crueldade, o pecado do escravizado era a revolta. A autora caracteriza o papel da Igreja católica na colonização brasileira e destaca [FUVEST - 2026] Na documentação jesuítica quinhentista, há constantes referências ao desejo dos índios de entregarem seus filhos para que fossem ensinados pelos padres. Talvez o ensino das crianças indígenas pudesse representar, também, uma possibilidade de estabelecer alianças entre grupos indígenas e padres, revelando outra dimensão da evangelização das crianças como "grande meio" para se converter o gentio. É difícil determinar ao certo qual foi a imagem a respeito dos portugueses construída pelas várias tribos indígenas e, principalmente, dos religiosos da Companhia de Jesus, mas a construção de alianças, a partir das crianças (os índios dando seus filhos), pode ter constituído uma possibilidade frutífera de relacionamento para alguns grupos. Rafael Chambouleyron. “Jesuítas e as crianças no Brasil quinhentista”. In: Mary del Priore. História das crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 1999. Com base no excerto, é correto afirmar: [UFRGS - 2025] Leia os excertos abaixo, retirados respectivamente de A terra dos mil povos, de Kaká Werá Jecupé, e de “A fonte”, parte inicial de O continente, de Erico Verissimo. Tiaraju - o santo guerreiro Tiaraju é um nome épico. Alguns historiadores chegam a dizer que graças a ele o Rio Grande do Sul é parte do Brasil. Foi um líder nascido em 1723 e que morreu na batalha no dia 7 de fevereiro de 1756. É considerado herói guarani missioneiro rio-grandense. Chefe dos Sete Povos das Missões Jesuíticas de São Miguel. A fonte — Vi o combate. O alferes foi derrubado do cavalo por um golpe de lança. Vi quando ele quis erguer-se e um homem... um general... de cima do cavalo varou-lhe o peito com uma bala. Alonzo segurou a cabeça do menino com ambas as mãos e aproximou-a de seu rosto como se quisesse ler-lhe os pensamentos no fundo dos olhos. — Como podias ter visto isso tudo se o combate foi travado tão longe daqui? Pedro respondeu simplesmente: — Eu vi. — Disseste que estavas conversando com o corregedor. — Estava. — E que te dizia ele? — Dizia que seu corpo tinha sido atirado num mato perto dum rio. E que a batalha estava perdida. — Onde estava ele quando te falou? — Lá em cima. A alma de Sepé subiu ao céu e virou estrela. Alonzo largou a cabeça do menino, que fez meia-volta e se encaminhou para a janela, puxando o padre docemente pela manga da sobretúnica. Ergueu o dedo e mostrou o crescente: — Deus botou também na testa da noite um lunar como o de são Sepé. — São Sepé? — repetiu o padre, meio estonteado. Sem dizer palavra e sem fazer o menor gesto, Alonzo viu o menino guardar o punhal entre a camisa e o peito, e sair da cela em silêncio. Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esses excertos, considerando, também, a leitura integral da obra A terra dos mil povos. ( ) Como se observa, a visão dos dois autores é oposta sobre Sepé Tiaraju. No segundo caso, é um homem derrotado e morto. ( ) No primeiro excerto, Jecupé traz a primeiro plano um herói do enfrentamento “O Brasil de pindorama versus o Brasil das capitanias”. ( ) No segundo excerto, o menino Pedro Alonzo conta ao padre sua visão e que Sepé "virou estrela". ( ) Nos dois trechos, de Jecupé e de Verissimo, Sepé tem a força de um herói fundacional. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é [UFRGS - 2025] Considere o texto abaixo. De volta ao sol O manto tupinambá ganho comprado furtado, quem saberá? - sabemos, é um ninho preso às paredes de outro continente. Depois de séculos, apesar do vidro que lhes tira o oxigênio, o vermelho sangue do guará e o azul oceano da araruna segredam algo que excede o museu nacional de Copenhagen. Todo algodão e envira, o manto tem a dimensão da mata - vale pagar o ingresso para ver o vidro, jamais o espírito que incendeia o egoísmo do alarme? O manto rol de esferas arde de tanta memória. Seu lugar não é aqui, será, quem sabe? No limo que molda todos os corpos. Imagine se insuflado no ar rarefeito o manto se abrisse. Que tese posta à mesa explicaria os mortos, vivos enfim, em resposta ao rapto das almas? O manto quer voar para casa. A morte de seus filhos torna inútil sua permanência. É preciso que ele se perca para acusar os assassinos. Ante essa inominável memória algo será reiniciado — a raiz do que já não é árvore, mas frutífica — o rugido do que não é onça, mas afia as garras — a umidade do que não é chuva, mas afoga a mão criminosa. Exilado num continente onde avós, para irem ao cinema, colam os netos à sombra, o manto reflete sua natureza — ágil urna em território de neve. Ao redor do vidro, línguas tecem em silêncio por respeito ou desprezo, não sei — sabemos. Entre aqueles que fiaram o manto, um canto se alonga alheio ao seu sequestro. Sobre a terra desolada, um pássaro vova. Num filme etnográfico chama os culpados pelo nome. Haverá, diante disso, ossos suficientes para serem atirados contra o vidro? O manto tupinambá é um ninho na escuridão do mundo — respira num oceano de espelhos a sua ira. PEREIRA, E. A. De volta ao sol: o manto tupinambá é um ninho na escuridão do mundo. Plauí, ed.157, outubro de 2019. Disponível em: <https://piaui.folha.uol.com.br/materia/o-manto-tupinamba-e-um-ninho-na-escuridão-domundo/#:~:~text=oculta%20os%20cadáveres.,suas%20mãos%20esculpem%20a%20pélvis>. Acesso em: 15 ago. 2024. O texto acima faz menção à espiritualidade dos povos originários a partir do manto tupinambá que, do século XVII ao século XXI, ficou sob posse dinamarquesa. O manto foi devolvido ao Brasil apenas em 2024. A partir desse caso e dos conhecimentos sobre a colonização europeia e a espiritualidade dos povos originários naquele período, assinale a alternativa correta.