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Gestão de riscos no setor público – Gestão Governamental e Métodos Aplicados | Tuco-Tuco

Conceito de risco, COSO ERM, ISO 31000, processo de gestão de riscos, três linhas de defesa e Decreto 9.203/2017.

<h2>Gestão de Riscos no Setor Público</h2> <p><strong>Risco</strong> é o efeito da incerteza sobre os objetivos (ISO 31000). Pode ser positivo (oportunidade) ou negativo (ameaça). <strong>Gestão de riscos</strong> é o conjunto coordenado de atividades para dirigir e controlar a organização em relação aos riscos.</p> <h3>Marcos normativos no Brasil</h3> <ul> <li><strong>IN Conjunta MP/CGU 01/2016</strong> — primeira norma a exigir gestão de riscos, controles internos e governança nos órgãos do Poder Executivo Federal;</li> <li><strong>Decreto 9.203/2017</strong> — Política de Governança da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional. Define princípios (capacidade de resposta, integridade, confiabilidade, melhoria regulatória, prestação de contas, transparência) e diretrizes (gestão de riscos, controles internos, integridade);</li> <li><strong>Decreto 11.529/2023</strong> — Sistema de Integridade Pública do Poder Executivo Federal;</li> <li><strong>TCU</strong> — Referencial Básico de Gestão de Riscos (RBGR);</li> <li><strong>CGU</strong> — Manual de Gestão de Integridade, Riscos e Controles Internos da Gestão.</li> </ul> <h3>Modelos internacionais de referência</h3> <h4>COSO ERM (2017)</h4> <p>O <strong>Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission</strong>, em sua versão atualizada de 2017 (<em>Enterprise Risk Management — Integrating with Strategy and Performance</em>), organiza a gestão de riscos em <strong>5 componentes</strong> e <strong>20 princípios</strong>:</p> <ol> <li><strong>Governança e cultura</strong>;</li> <li><strong>Estratégia e definição de objetivos</strong>;</li> <li><strong>Desempenho</strong> (identificação, avaliação, priorização e resposta a riscos);</li> <li><strong>Análise crítica e revisão</strong>;</li> <li><strong>Informação, comunicação e divulgação</strong>.</li> </ol> <p>O COSO original (1992 / 2013) cobre <strong>controles internos</strong> com 5 componentes (Ambiente de controle, Avaliação de riscos, Atividades de controle, Informação e comunicação, Atividades de monitoramento) — não confundir com o COSO ERM.</p> <h4>ISO 31000:2018</h4> <p>Norma técnica internacional sobre gestão de riscos. Estrutura:</p> <ul> <li><strong>Princípios</strong> (8): integrada, estruturada, customizada, inclusiva, dinâmica, melhor informação disponível, fatores humanos e culturais, melhoria contínua;</li> <li><strong>Estrutura</strong> (<em>framework</em>): liderança e comprometimento, integração, concepção, implementação, avaliação, melhoria;</li> <li><strong>Processo de gestão de riscos</strong>: comunicação e consulta, escopo/contexto/critérios, identificação, análise, avaliação, tratamento, monitoramento e análise crítica, registro e relato.</li> </ul> <h3>Processo de gestão de riscos (etapas)</h3> <ol> <li><strong>Identificação</strong> — listar eventos potencialmente impactantes (técnicas: brainstorming, análise SWOT, listas de verificação, entrevistas, workshops);</li> <li><strong>Análise</strong> — entender natureza, causas e fontes do risco;</li> <li><strong>Avaliação</strong> — combinar <strong>probabilidade</strong> e <strong>impacto</strong> (ex.: matriz 5x5) para priorizar;</li> <li><strong>Tratamento</strong> — escolher resposta (4T): <strong>tolerar</strong>, <strong>tratar (mitigar)</strong>, <strong>transferir</strong> (seguro/terceirização), <strong>terminar (eliminar)</strong>. Alguns autores acrescentam <strong>aceitar</strong> e <strong>compartilhar</strong>;</li> <li><strong>Monitoramento e análise crítica</strong> — acompanhar a evolução dos riscos e a eficácia dos controles;</li> <li><strong>Comunicação e consulta</strong> — atravessa todas as etapas.</li> </ol> <h3>Apetite e tolerância ao risco</h3> <ul> <li><strong>Apetite a risco</strong> — quantidade ampla de risco que a organização está disposta a assumir para alcançar seus objetivos;</li> <li><strong>Tolerância</strong> — variação aceitável em relação a metas específicas;</li> <li><strong>Capacidade de risco</strong> — quantidade máxima de risco que a organização suporta antes de comprometer sua viabilidade.</li> </ul> <h3>Tipologia de riscos</h3> <ul> <li><strong>Estratégicos</strong> — afetam objetivos de longo prazo;</li> <li><strong>Operacionais</strong> — falhas em processos, pessoas, sistemas;</li> <li><strong>Financeiros</strong> — orçamentários, de mercado, de crédito;</li> <li><strong>de Conformidade (compliance)</strong> — descumprimento de normas;</li> <li><strong>de Imagem/reputação</strong>;</li> <li><strong>Fiscais e legais</strong>;</li> <li><strong>de Integridade</strong> — fraude, corrupção, conflito de interesses;</li> <li><strong>Cibernéticos</strong>.</li> </ul> <h3>As Três Linhas de Defesa (modelo IIA — atualizado em 2020)</h3> <ul> <li><strong>1ª linha</strong> — gerentes operacionais e equipes finalísticas: identificam, avaliam e tratam riscos no dia a dia;</li> <li><strong>2ª linha</strong> — funções de monitoramento de riscos e conformidade (controles internos, gestão de riscos corporativa, integridade);</li> <li><strong>3ª linha</strong> — auditoria interna: avaliação independente da eficácia das duas anteriores;</li> <li>Acima delas: <strong>órgão de governança</strong> (alta administração, conselho); fora: <strong>auditoria externa</strong> (TCU/CGU).</li> </ul> <h3>Matriz de risco e mapa de calor</h3> <p>Ferramenta visual para priorização: eixo X = probabilidade; eixo Y = impacto; cores indicam nível (verde, amarelo, vermelho). Permite focar tratamento nos riscos críticos (alto impacto + alta probabilidade).</p> <h3>Riscos x Oportunidades</h3> <p>A norma ISO 31000 e o COSO ERM enfatizam que risco <strong>não é só ameaça</strong>: o tratamento pode envolver <em>aproveitar</em> ou <em>buscar</em> riscos positivos (oportunidades). Esse aspecto é frequentemente ignorado em prova.</p> <h3>Para a prova</h3> <ul> <li><strong>Risco</strong> = efeito da incerteza sobre objetivos (ISO 31000); pode ser positivo ou negativo.</li> <li>Marcos brasileiros: <strong>IN MP/CGU 01/2016</strong>, <strong>Decreto 9.203/2017</strong>, <strong>Decreto 11.529/2023</strong>.</li> <li><strong>COSO ERM (2017)</strong>: 5 componentes, 20 princípios. <strong>COSO controles internos</strong>: 5 componentes (não confundir).</li> <li><strong>ISO 31000:2018</strong>: princípios, estrutura, processo.</li> <li><strong>4T</strong>: Tolerar, Tratar, Transferir, Terminar.</li> <li><strong>Três Linhas de Defesa</strong>: gestão operacional → funções de risco/compliance → auditoria interna.</li> <li><strong>Apetite</strong> ≠ <strong>tolerância</strong> ≠ <strong>capacidade</strong> de risco.</li> </ul>