Estudo dos principais tipos de relevo do Brasil, incluindo planícies, planaltos e depressões, com destaque para as regiões de maior relevância.
Introdução
O relevo brasileiro é caracterizado por uma estrutura geológica antiga, estabilidade tectônica e predominância de altitudes modestas. Situado no centro da Placa Sul-Americana, o país não possui dobramentos modernos (cadeias montanhosas recentes), o que resulta em um modelado esculpido predominantemente por agentes externos, como o intemperismo e a erosão. Aproximadamente 95% do território é composto por planaltos e depressões, enquanto apenas 5% são planícies.
A classificação atual e mais aceita, proposta por Jurandyr Ross na década de 1980, divide o relevo em 28 unidades morfoesculturais. Geologicamente, o Brasil assenta-se sobre bacias sedimentares (64%) e escudos cristalinos (36%), estruturas que definem tanto a forma da superfície quanto a riqueza mineral do país, incluindo combustíveis fósseis e minerais metálicos.
Características Gerais do Relevo
O relevo brasileiro é o conjunto de formas da superfície da crosta terrestre no território nacional, resultante de uma longa história geológica de bilhões de anos. Sua estrutura geológica assenta-se sobre rochas muito antigas, de bilhões de anos, mas o modelado atual (a forma da superfície) é predominantemente resultado de processos erosivos e climáticos ocorridos nos últimos milhões de anos, especialmente a partir do período Cenozoico.
Altitudes Modestas: O Brasil é um país de altitudes baixas a médias. Cerca de 40% do território está abaixo de 200 metros de altitude e apenas cerca de 0,5% ultrapassa os 1.200 metros.
Estabilidade Geológica: Por estar localizado no centro de uma placa tectônica, o país apresenta baixo índice de abalos sísmicos e ausência de vulcanismo ativo ou dobramentos modernos.
Predomínio de Agentes Exógenos: A configuração atual é fruto de intensos processos de intemperismo e erosão (agentes externos) que desgastaram as estruturas antigas ao longo do tempo.
Pontos Culminantes: Os pontos mais altos são formas residuais (restos de estruturas antigas que resistiram à erosão). Destacam-se o Pico da Neblina (aprox. 2.995m) e o Pico 31 de Março, ambos na Serra do Imeri (AM), além do Pico da Bandeira (aprox. 2.890m) na divisa entre MG e ES.
Estrutura Geológica e Riqueza Mineral
A base do relevo brasileiro é dividida em dois tipos principais de estruturas, que influenciam diretamente a economia extrativista:
Estrutura Geológica Cobertura Territorial Características e Recursos
Bacias Sedimentares ~64% Formadas pelo acúmulo de sedimentos. Ricas em combustíveis fósseis (petróleo, gás natural, carvão mineral e xisto). Exemplos: Bacias de Campos e Santos.
Escudos Cristalinos ~36% Formações antigas (Pré-Cambriano). Ricos em minerais metálicos (ferro, manganês, ouro). Exemplos: Quadrilátero Ferrífero (MG), Serra do Carajás (PA) e Maciço do Urucum (MS).
Evolução das Classificações do Relevo
O entendimento do relevo brasileiro evoluiu conforme o avanço tecnológico e o detalhamento do mapeamento do território:
Aroldo de Azevedo (1949): Utilizou a altimetria como critério. Dividiu o país em oito unidades, classificando áreas acima de 200m como planaltos e abaixo disso como planícies.
Aziz Ab'Saber (1962): Introduziu critérios geomorfológicos. Definiu planaltos como áreas onde predomina a erosão e planícies como áreas onde predomina a sedimentação, independentemente da altitude.
Jurandyr Ross (1985/Atual): Baseou-se no Projeto RadamBrasil (mapeamento por radar). Utilizou três critérios: morfoestrutural (estrutura geológica), morfoclimático (clima e relevo) e morfoescultural (agentes externos). Esta classificação é a mais detalhada, com 28 unidades.
Classificação de Jurandyr Ross: As 28 Unidades
Ross subdivide o relevo em três formas principais, totalizando 28 unidades:
4.1 Planaltos (11 Unidades)
São terrenos elevados (geralmente acima de 300m) onde os processos de erosão superam os de sedimentação.
Exemplos: Planalto da Amazônia Oriental, Planalto da Borborema, Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná, Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste.
Subcategorias: Podem ser sedimentares, cristalinos ou basálticos (vulcânicos).
4.2 Depressões (11 Unidades)
Áreas rebaixadas em relação ao seu entorno, formadas por longos processos erosivos, geralmente situadas entre bacias sedimentares e maciços cristalinos. No Brasil, todas as depressões são relativas (estão acima do nível do mar, mas abaixo do relevo circundante).
Exemplos: Depressão Sertaneja e do São Francisco, Depressão Marginal Norte-Amazônica, Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná.
4.3 Planícies (6 Unidades)
Superfícies predominantemente planas (geralmente até 100m) onde o processo de sedimentação (acúmulo de material) supera o de erosão.
Exemplos: Planície do Rio Amazonas, Planície do Pantanal Mato-grossense, Planícies e Tabuleiros Litorâneos.
Formas Específicas e Modelados Locais
Além das grandes unidades, o relevo brasileiro apresenta feição específicas resultantes da interação entre geologia e clima:
Chapadas: Relevos de topo tabular e encostas escarpadas, comuns no Centro-Oeste e Nordeste (ex: Chapada Diamantina, Chapada dos Veadeiros).
Cuestas: Formas com um lado de declividade suave e outro abrupto (escarpa), comuns na Bacia do Paraná (ex: Cuesta de Botucatu).
Escarpa: Declives acentuados encontrados nas bordas de planaltos (popularmente chamados de "serras", como a Serra do Mar).
Inselbergs: "Morros testemunhos" que resistiram à erosão em áreas de clima árido ou semiárido, comuns no Sertão nordestino.
Mares de Morros: Relevo de formas arredondadas (mamelonares) causadas pelo intenso intemperismo químico em áreas tropicais úmidas, típico do Sudeste.
Impactos Ambientais e Transformações
O relevo não é estático e sofre alterações aceleradas pela atividade humana:
Erosão Acelerada: A remoção da vegetação nativa expõe o solo ao impacto direto das chuvas e ventos, aumentando a degradação e o assoreamento de rios.
Mineração: A exploração intensiva de recursos minerais pode fragilizar a estrutura geológica local e alterar permanentemente a morfologia do terreno.
Urbanização: A ocupação de encostas e serras sem planejamento aumenta o risco de deslizamentos e movimentos de massa, especialmente em regiões de relevo acidentado.