Impactos Ambientais da Agricultura - Geografia | Tuco-Tuco
Aula de Geografia (Geografia Agrária): Impactos Ambientais da Agricultura. Estudo dos efeitos da agricultura sobre o meio ambiente, como desmatamento, uso de agrotóxicos e degradação do solo. Estude gratuitamente para vestibular e ENEM no Tuco-Tuco.
Impactos Ambientais e Sustentabilidade na Agricultura
Contexto e objetivo do documento
A agricultura sustenta a segurança alimentar e grande parte da economia, mas também altera profundamente solo, água, biodiversidade e clima. No Brasil, esse “duplo papel” é especialmente visível porque o país combina produção em larga escala (commodities e pecuária) com alta diversidade de biomas e grande pressão por expansão e produtividade. Este texto organiza os principais vetores de impacto ambiental da agricultura moderna, explica riscos (inclusive à saúde) e reúne estratégias práticas e políticas públicas que ajudam a reduzir danos sem necessariamente reduzir produção.
Principais conclusões
Relevância econômica e social: dependendo da metodologia, o agronegócio (cadeias antes e depois da porteira) representou 23,2% do PIB brasileiro em 2024 ([CEPEA][1]) e respondeu por 49% das exportações totais do país em 2024 ([Serviços e Informações do Brasil][2]); no mercado de trabalho, estimativas Cepea/CNA indicam 28,2 milhões de pessoas ocupadas em 2024 (cerca de 26% das ocupações nacionais). ([Portal CNA Brasil][3])
Consumo de recursos hídricos: globalmente, a agricultura responde por cerca de 70% das retiradas de água doce (freshwater withdrawals), o que torna a eficiência hídrica decisiva para sustentabilidade e resiliência. ([FAOHome][4])
Impactos críticos ambientais: a agricultura contribui para desmatamento e conversão de habitats, poluição por nutrientes e agrotóxicos, e emissões de gases de efeito estufa (com forte peso de metano e óxido nitroso em sistemas agropecuários). ([Agência Fapesp][5])
Riscos à saúde e à cadeia alimentar: a exposição ocupacional e ambiental a agrotóxicos pode causar intoxicações agudas e está associada, em diferentes estudos, a desfechos crônicos; a OMS, em uma estimativa amplamente citada mas de referência antiga (década de 1990), apontou cerca de 20 mil mortes anuais por intoxicações ocupacionais e não intencionais por pesticidas no mundo. É importante notar que este é um dado histórico, e a carga atual de doenças relacionadas a agrotóxicos é um tema de pesquisa contínua, considerando também os efeitos crônicos de longo prazo. ([PubMed][6])
Caminho para a sustentabilidade: o avanço depende de combinar manejo integrado de pragas (MIP), bioinsumos, agricultura regenerativa, gestão hídrica, energia limpa e governança ambiental (ex.: regularização e rastreabilidade), com políticas como o Plano ABC+ (2020–2030). ([Embrapa][7])
Resumo do bloco: a sustentabilidade agrícola não é “um tema paralelo”, mas um conjunto de escolhas técnicas e de governança que determinam risco (climático, regulatório e sanitário), custo de produção e acesso a mercados.
Panorama da agricultura moderna
A agricultura contemporânea foi acelerada por pacotes tecnológicos associados à “Revolução Verde”, com ganhos expressivos de produtividade, porém com maior dependência de energia, fertilizantes sintéticos e defensivos. Esse padrão ampliou a produção, mas também aumentou externalidades: erosão, contaminação, simplificação de paisagens e emissões.
Sistemas de produção
Agricultura industrial de alto insumo: opera com monoculturas, mecanização e uso intensivo de fertilizantes e pesticidas para maximizar rendimento por área, o que tende a elevar pressão sobre biodiversidade e água quando não há boas práticas e salvaguardas.
Agricultura tradicional: inclui subsistência e sistemas tradicionais mais intensos, em geral com menor uso de insumos industriais, mas que podem degradar recursos quando há queima recorrente, ausência de pousio, ou pressão demográfica sobre a área.
Sustentabilidade agrícola (como paradigma): busca produzir hoje sem comprometer a capacidade de produzir amanhã, combinando viabilidade econômica, integridade ambiental e aceitação social.
O que costuma “faltar” nesse debate: sustentabilidade não é apenas “reduzir insumos”; envolve gestão de risco climático, planejamento de paisagem (corredores, APPs, reservas legais) e métricas (solo, água, biodiversidade e carbono) para orientar decisões.
Resumo do bloco: o ganho de produtividade é real, mas a conta ambiental aparece quando o sistema ignora limites ecológicos (solo, água e biodiversidade) e não internaliza custos (perdas, contaminação e emissões).
Vetores de impacto ambiental
A agricultura altera propriedades físicas, químicas e biológicas dos ecossistemas. Parte dos impactos é local (por exemplo, compactação do solo), mas muitos são cumulativos e podem se tornar regionais ou globais (por exemplo, emissões e conversão de habitats).
Impactos no solo, água e biodiversidade
| Recurso | Principais impactos | Consequências típicas |
| -------------- | --------------------------------------------------------------------------------------------- | -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- |
| Solo | Erosão, compactação, salinização, perda de matéria orgânica e de estrutura | Queda de fertilidade, menor infiltração, maior escoamento superficial, risco de desertificação e menor resiliência a secas |
| Água | Retirada excessiva, assoreamento, contaminação por nitratos e pesticidas, alteração de vazões | Eutrofização, perda de fauna aquática, risco a abastecimento e custo de tratamento |
| Biodiversidade | Desmatamento, fragmentação, simplificação da paisagem e redução de habitats | Perda de patrimônio genético, queda de polinizadores e inimigos naturais, desequilíbrios ecológicos |
Desmatamento e conversão: estudos apontam a pecuária como causa imediata dominante em partes da Amazônia Legal, seguida por lavouras (soja, milho, algodão) em proporções menores, variando por região e ano analisado. ([Agência Fapesp][5])
Nutrientes e eutrofização: fertilizantes nitrogenados e fosfatados podem “vazar” para rios e reservatórios via escoamento e lixiviação, favorecendo proliferação de algas e perda de oxigênio na água (impacto típico em cenários de manejo inadequado).
Perda de matéria orgânica: a redução de carbono no solo diminui a capacidade de retenção de água e a estabilidade estrutural, elevando necessidade de insumos e vulnerabilidade a extremos climáticos.
Poluição atmosférica e gases de efeito estufa
A agropecuária contribui para emissões por diferentes vias:
CO₂: associado a queimadas, conversão de vegetação nativa e uso de combustíveis fósseis em máquinas e transporte.
Metano (CH₄): fortemente ligado à pecuária; no Brasil, relatórios do SEEG destacam que o setor agropecuário é a maior fonte de metano, com grande peso da fermentação entérica. ([SEEG Brasil][8])
Óxido nitroso (N₂O): relacionado ao uso de fertilizantes nitrogenados e manejo de dejetos; o IPCC trata CH₄ e N₂O como gases centrais em AFOLU e destaca seu papel no aquecimento global. ([IPCC][9])
Amônia e material particulado: podem surgir de dejetos animais, fertilizantes e poeira do solo, com impactos em qualidade do ar e deposição atmosférica.
Resumo do bloco: os impactos ambientais não são “um item só”; eles se encadeiam (solo piora água, água piora biodiversidade, biodiversidade piora controle biológico), e isso retroalimenta risco e custo agrícola.
Agrotóxicos e fertilizantes: dinâmica ambiental e riscos à saúde
O uso de agrotóxicos e fertilizantes pode elevar produtividade e reduzir perdas, mas também cria riscos quando há dependência excessiva, aplicação inadequada e pouca proteção a trabalhadores, comunidades e ecossistemas.
Dinâmica e persistência ambiental
Volatilidade e deriva: certos produtos podem se dispersar no ar (incluindo durante pulverizações), alcançando áreas vizinhas e retornando por deposição úmida/seca, o que amplia a área potencialmente exposta.
Percolação e lixiviação: moléculas e metabólitos podem infiltrar-se no solo e alcançar lençóis freáticos dependendo de solo, chuva, formulação e manejo.
Bioacumulação e biomagnificação: algumas substâncias persistentes podem se acumular em tecidos e aumentar de concentração ao longo da cadeia alimentar, elevando exposição de predadores e humanos.
Evidências e vigilância em saúde
Intoxicações e subnotificação: registros oficiais e análises acadêmicas apontam que intoxicações por agrotóxicos existem e podem ser subnotificadas; no Brasil, há sistemas e estudos que discutem esse problema e a necessidade de melhor vigilância. ([Agência Fiocruz][10])
Estimativas históricas e desafios de mensuração: Um relatório conjunto da OMS e do UNEP, publicado em 1990, é uma referência histórica frequentemente citada. Ele estimou, com base em dados limitados da época, cerca de um milhão de casos graves não intencionais de intoxicação por agrotóxicos e aproximadamente 20 mil mortes acidentais anuais (excluindo suicídios), concentrados em países em desenvolvimento. É fundamental contextualizar que esses números são estimativas antigas, derivadas de sistemas de vigilância incipientes e heterogêneos, e que a subnotificação sempre foi um desafio global. Estudos de revisão mais recentes (como o artigo de 2020 citado) confirmam a extrema dificuldade de se estabelecer estatísticas globais precisas, reforçando que a referência de 1990 serve mais para ilustrar a magnitude potencial do problema do que para descrever a realidade atual. ([PubMed][6])
Carcinogenicidade e controvérsias: a classificação de substâncias pode variar entre agências, refletindo diferentes metodologias e escopos de avaliação. Por exemplo, em 2015, a IARC (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer) classificou o glifosato como “provavelmente carcinogênico para humanos” (Grupo 2A). No entanto, outras importantes agências reguladoras, como a EPA (EUA), a EFSA (União Europeia) e a ANVISA (Brasil), após revisões de estudos, mantiveram a conclusão de que o glifosato é improvável de representar risco carcinogênico para humanos nas condições de uso aprovadas. Essa divergência ilustra a complexidade da avaliação de risco e a importância de considerar a exposição real e as condições de uso. ([IARC][11])
Monitoramento em alimentos: o PARA, da ANVISA, monitora resíduos de agrotóxicos em alimentos e avalia potenciais riscos, reforçando o papel de fiscalização e boas práticas agrícolas. ([Serviços e Informações do Brasil][12])
O que estava faltando: além do “uso total”, o que mais define risco é como se aplica (dose, momento, vento), quem se expõe (trabalhador, vizinhança), e quais barreiras existem (EPI, buffer zones, treinamento, MIP, tecnologia de aplicação).
Resumo do bloco: reduzir risco não significa “zerar defensivos” automaticamente, mas sim diminuir dependência, evitar uso preventivo sem critério, melhorar aplicação e fortalecer alternativas (MIP, bioinsumos e manejo de solo) — o que também reduz custo e resistência de pragas.
Polinização e biodiversidade: o serviço ecossistêmico que sustenta a produção
A polinização animal é crucial para muitas culturas e para a estabilidade de ecossistemas. A perda de polinizadores afeta rendimento, qualidade de frutos e resiliência do sistema agrícola.
Dependência de polinizadores: avaliações globais indicam que uma grande parcela das culturas alimentares depende, ao menos parcialmente, de polinização por animais, e que há risco crescente devido a múltiplos estressores. ([IPBES Files][13])
Toxicidade e efeitos subletais: pesticidas (incluindo alguns neonicotinoides, citados em avaliações globais) podem afetar orientação, sobrevivência e dinâmica de colônias, além de interagir com doenças e perda de habitat. ([IPBES][14])
Perda de habitat e monoculturas extensivas: paisagens homogêneas reduzem diversidade floral e abrigo, enfraquecendo populações de polinizadores e inimigos naturais de pragas.
Resumo do bloco: polinizadores não são “apenas biodiversidade”; são infraestrutura biológica da produção. Paisagens mais diversas e menor pressão química tendem a reduzir risco produtivo e estabilizar safras.
Estratégias de mitigação e inovação sustentável
A mitigação eficaz costuma mudar o foco do “sintoma” (corrigir o problema na planta) para a causa sistêmica (solo, água, biodiversidade e manejo). As medidas abaixo funcionam melhor em combinação.
Práticas recomendadas
Gestão hídrica eficiente: adotar irrigação mais eficiente (como gotejamento quando aplicável), monitorar umidade, reduzir perdas e planejar captação para evitar exaustão de mananciais; isso é coerente com o peso da agricultura nas retiradas globais de água doce. ([FAOHome][4])
Manejo Integrado de Pragas (MIP): combinar monitoramento, níveis de ação, controle biológico, práticas culturais e uso criterioso de químicos para manter pragas abaixo do nível de dano econômico; a Embrapa descreve o MIP como estratégia baseada em análises e integração de táticas. ([Embrapa][7])
Bioinsumos e controle biológico: usar microrganismos, extratos e outros insumos biológicos para nutrição e sanidade; o Programa Nacional de Bioinsumos (MAPA) busca expandir e fortalecer esse uso no país. ([Serviços e Informações do Brasil][15])
Agricultura regenerativa e saúde do solo: ampliar cobertura permanente do solo, rotação, plantio direto e integração de sistemas (como ILPF), visando aumentar matéria orgânica, reduzir erosão e elevar resiliência. ([Embrapa][7])
Energia renovável na operação: incorporar biogás, solar e eficiência energética para reduzir emissões e custos (especialmente em irrigação e agroindústria).
Planejamento de paisagem e conformidade ambiental: proteger e recuperar APPs e reservas legais, reduzir fragmentação e manter corredores; a implementação do Código Florestal depende de instrumentos como o CAR e programas de regularização. ([CPI][16])
Política climática setorial (ABC+ 2020–2030): orientar adoção de tecnologias e práticas de adaptação e baixa emissão no campo, com metas e governança próprias. ([Serviços e Informações do Brasil][17])
Como transformar isso em rotina de gestão (o que faltava)
Medir para gerenciar: acompanhar indicadores simples (matéria orgânica/compactação do solo, infiltração, eficiência de irrigação, incidência de pragas, uso de N por tonelada produzida) para priorizar ações.
Priorizar “ganhos sem arrependimento”: medidas que reduzem risco e custo ao mesmo tempo (ex.: rotação + cobertura do solo + MIP) tendem a ter maior adoção e impacto.
Rastreabilidade e transparência: integrar registros de aplicação, origem, conformidade ambiental e auditoria para reduzir barreiras comerciais e risco reputacional.
Resumo do bloco: sustentabilidade “de verdade” é um pacote de manejo (solo + água + pragas + energia + paisagem) apoiado por política e governança; quando bem implementado, reduz custo, estabiliza produtividade e melhora acesso a mercados.
Conclusão
A agricultura é indispensável para economia e alimentação, mas o modelo convencional de alta exploração pode ultrapassar limites ecológicos quando depende de conversão de habitats, uso intensivo de insumos e pouca proteção ao solo e à água. A boa notícia é que conservação e produção não precisam ser metas excludentes: já existe base técnica e institucional para avançar em eficiência hídrica, MIP, bioinsumos, regeneração do solo e governança ambiental (CAR/Código Florestal e Plano ABC+), construindo um agro mais resiliente a clima, mais seguro para saúde e mais competitivo no longo prazo. ([UNESCO][18])
[1]: https://cepea.org.br/en/brazilian-agribusiness-gdp.aspx?utmsource=chatgpt.com "Brazilian Agribusiness GDP"
[2]: https://www.gov.br/agricultura/en/news/brazilian-agribusiness-reaches-historic-milestone-in-global-food-security?utmsource=chatgpt.com "Brazilian agribusiness reaches historic milestone in global ..."
[3]: https://www.cnabrasil.org.br/noticias/cna-cepea-mao-de-obra-no-agronegocio-bate-recorde-com-28-2-milhoes-de-pessoas-ocupadas-em-2024?utmsource=chatgpt.com "CNA/Cepea: mão de obra no agronegócio bate recorde ..."
[4]: https://www.fao.org/one-health/areas-of-work/water/en?utmsource=chatgpt.com "Water and One Health"
[5]: https://agencia.fapesp.br/deforestation-in-the-amazon-is-driven-more-by-domestic-demand-than-by-the-export-market/52785?utmsource=chatgpt.com "Deforestation in the Amazon is driven more by domestic demand"
[6]: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33287770/?utmsource=chatgpt.com "The global distribution of acute unintentional pesticide ..."
[7]: https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/milho/producao/pragas-e-doencas/pragas/manejo-integrado-de-pragas?utmsource=chatgpt.com "Manejo Integrado de Pragas"
[8]: https://seeg.eco.br/wp-content/uploads/2024/07/SEEG-METHANE.pdf?utmsource=chatgpt.com "Challenges and Opportunities to Reduce Methane ..."
[9]: https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg3/downloads/report/IPCCAR6WGIIIChapter07.pdf?utmsource=chatgpt.com "7 Agriculture, Forestry and Other Land Uses (AFOLU)"
[10]: https://agencia.fiocruz.br/estudo-aponta-subnotificacao-de-mortes-por-agrotoxicos?utmsource=chatgpt.com "Estudo aponta subnotificação de mortes por agrotóxicos"
[11]: https://www.iarc.who.int/featured-news/media-centre-iarc-news-glyphosate/?utmsource=chatgpt.com "IARC Monograph on Glyphosate"
[12]: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/agrotoxicos/programa-de-analise-de-residuos-em-alimentos?utmsource=chatgpt.com "Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos"
[13]: https://files.ipbes.com/ipbes-web-prod-public-files/spmdeliverable3apollination20170222.pdf?utmsource=chatgpt.com "assessment on pollinators, pollination and food production"
[14]: https://www.ipbes.net/node/11774?utmsource=chatgpt.com "Press Release: Pollinators Vital to Our Food Supply Under ..."
[15]: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/inovacao/bioinsumos/national-bioinputs-program?utmsource=chatgpt.com "BIOINPUTS - Increasing Brazilian Biodiversity"
[16]: https://www.climatepolicyinitiative.org/publication/where-does-brazil-stand-with-the-implementation-of-the-forest-code-a-snapshot-of-car-and-pra-in-brazilian-states-2023-edition/?utmsource=chatgpt.com "Where Does Brazil Stand with the Implementation of ..."
[17]: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sustentabilidade/planoabc-abcmais/abc?utmsource=chatgpt.com "ABC+ (2020-2030) — Ministério da Agricultura e Pecuária"
[18]: https://www.unesco.org/reports/wwdr/en/2024/s?utm_source=chatgpt.com "Statistics | UN World Water Development Report"
Exercícios:
O agronegócio é responsável por grande parte das retiradas globais de água doce e, no contexto brasileiro, contribui significativamente para as exportações e o Produto Interno Bruto (PIB), reforçando que a gestão hídrica é essencial para a resiliência econômica do país.
A agricultura tradicional de subsistência é tipicamente caracterizada pelo uso intensivo de maquinário pesado, aplicação massiva de fertilizantes sintéticos e agrotóxicos em vastas monoculturas, visando maximizar o rendimento por área para o mercado de exportação.
O desmatamento motivado pela expansão das fronteiras agropecuárias e as emissões de gases de efeito estufa, como o metano oriundo do rebanho bovino, configuram impactos ambientais críticos associados aos sistemas produtivos rurais.
A eutrofização de corpos hídricos é um fenômeno ambiental frequentemente deflagrado pelo excesso de fertilizantes nitrogenados e fosfatados aplicados na agricultura, que, ao lixiviarem para rios e lagos, causam a proliferação descontrolada de algas e a subsequente perda de oxigênio na água.
A volatilidade e a lixiviação são mecanismos naturais e exclusivos de regeneração do solo, por meio dos quais as moléculas de agrotóxicos perdem sua toxicidade e se transformam imediatamente em nutrientes orgânicos benéficos ao alcançarem os lençóis freáticos subterrâneos.
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é uma abordagem fitossanitária que substitui a aplicação preventiva indiscriminada de agrotóxicos pela integração de táticas de controle biológico, monitoramento constante e uso de defensivos químicos apenas quando a praga atinge o nível de dano econômico.
A agricultura regenerativa, no intuito de melhorar a saúde do solo, recomenda a prática rotineira de arações profundas e o revolvimento contínuo da terra, visando eliminar totalmente a cobertura de matéria orgânica superficial e maximizar a compactação do terreno.
A polinização animal é um fenômeno de interesse restrito a áreas de preservação ambiental nativas, sendo considerada irrelevante para a agricultura moderna graças à dependência exclusiva de adubos químicos e cultivares geneticamente modificados.
O Plano ABC+ (Plano de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária) constitui uma política pública voltada a fomentar tecnologias e sistemas produtivos, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, que mitiguem as emissões de GEE e aumentem a resiliência climática do campo.
A agricultura industrial baseada em monoculturas extensivas melhora substancialmente e de forma automática o ciclo hidrológico local, uma vez que a supressão de vegetação nativa diminui a competição hídrica e eleva os índices de recarga natural das águas subterrâneas.
O uso intensivo de agrotóxicos na agricultura brasileira gera preocupações sobre:
[ENEM 2022] Contexto: Solos salinos ou alomórficos apresentam como característica comum uma concentração muito alta de sais solúveis e/ou de sódio trocável. Eles ocorrem nos locais mais baixos do relevo, em regiões áridas e semiáridas e próximas do mar. Em regiões semiáridas, por exemplo, o polígono das secas do Nordeste brasileiro, os locais menos elevados recebem água que se escoa dos declives adjacentes, durante as chuvas que caem em alguns meses do ano. Essa água traz soluções de sais minerais e evapora-se rapidamente antes de infiltrar-se totalmente, havendo então, cada vez que esse processo é repetido, um pequeno acúmulo de sais no horizonte superficial que, com o passar dos anos, provoca a salinização do solo. Nas últimas décadas, a expansão das atividades agrícolas na região tem ampliado esse processo.
**LEPSCH, |. F. Solos: formação e conservação. São Paulo: Melhoramentos, 1993 (adaptado).**
As atividades agrícolas, desenvolvidas na região mencionada, intensificam o problema ambiental exposto ao
De acordo com a aula, qual é um dos principais impactos do uso indiscriminado de agrotóxicos na agricultura brasileira?
Qual é a principal causa da eutrofização em corpos d'água adjacentes a áreas agrícolas?
Qual destes gases, associado à pecuária e ao cultivo de arroz, é um dos principais contribuintes para o efeito estufa na agricultura?
Qual é o impacto direto dos agrotóxicos neurotóxicos nas populações de abelhas?
Qual é a relação frequente entre sementes transgênicas e o uso de herbicidas no Brasil?
Qual prática sustentável visa reduzir a erosão e melhorar a fertilidade do solo através da alternância de espécies plantadas?
Qual atividade agropecuária historicamente praticada no Semiárido brasileiro é uma das principais contribuintes para o fenômeno da desertificação na região?
O que caracteriza a 'resiliência' de um agroecossistema?
De que forma o uso intensivo de maquinário agrícola pesado contribui para a degradação física do solo?
Como a prática da monocultura contribui para a perda de biodiversidade em uma região?
Quais são os dois principais gases de efeito estufa emitidos em grande quantidade pelas atividades agrícolas?
Qual é o principal impacto ambiental associado à pecuária extensiva na Amazônia, conforme discutido na aula?
Qual dos impactos ambientais abaixo está diretamente relacionado à substituição de ecossistemas naturais por monoculturas, conforme abordado na aula?
Complete a frase: Globalmente, a atividade agrícola responde por cerca de setenta por cento das retiradas de água _____, o que torna a eficiência hídrica decisiva para a sustentabilidade.
Complete a frase: Entre os gases de efeito estufa, a pecuária é fortemente responsável pelas emissões de _____, provenientes da fermentação entérica dos animais.
Complete a frase: Fertilizantes sintéticos podem vazar para rios e reservatórios, favorecendo a proliferação excessiva de algas e a perda de oxigênio na água, processo conhecido como _____.
Complete a frase: Algumas substâncias tóxicas persistentes podem se acumular em tecidos e aumentar de concentração ao longo da cadeia alimentar, um processo denominado _____.
Complete a frase: A agricultura industrial de alto insumo, impulsionada por pacotes tecnológicos que ampliaram radicalmente a produtividade moderna, ficou conhecida historicamente como Revolução _____.
Complete a frase: Para orientar a adoção de tecnologias de adaptação e de baixa emissão no campo no Brasil, o Estado instituiu a política climática setorial conhecida como Plano _____.
Complete a frase: O uso descuidado de inseticidas pode afetar seriamente a sobrevivência de abelhas e a dinâmica de suas colônias, comprometendo o serviço ecossistêmico de _____.
Complete a frase: O avanço para um modelo menos predatório depende de combinar manejo de pragas e uma agricultura _____, focada diretamente na recuperação estrutural e na saúde do solo.
Complete a frase: O Manejo Integrado de Pragas foca em manter as infestações biológicas ativas apenas enquanto estiverem rigidamente abaixo do chamado nível de dano _____.
Complete a frase: A degradação contínua e excessiva das terras agricultáveis diminui a retenção hídrica do perfil e agrava os extremos climáticos devido à destruição da matéria _____.