Abordagens Quantitativas em Pesquisa – Cultura e Educação | Tuco-Tuco
Fundamentos do método quantitativo, desenho de pesquisa, amostragem e técnicas de coleta.
<h2>Abordagens Quantitativas em Pesquisa</h2>
<h3>Fundamentos epistemológicos</h3>
<p>A pesquisa <strong>quantitativa</strong> baseia-se no paradigma <strong>positivista</strong> (ou pós-positivista): há uma realidade objetiva que pode ser mensurada; o pesquisador mantém distância e neutralidade em relação ao objeto; o conhecimento avança pela testagem de hipóteses e generalização para populações. Raízes em Auguste Comte (positivismo), Émile Durkheim (fatos sociais como coisas mensuráveis) e Karl Popper (falsificacionismo).</p>
<h3>Fases do processo de pesquisa quantitativa</h3>
<ol>
<li><strong>Identificação do problema</strong>: formulação de questão de pesquisa específica e mensurável;</li>
<li><strong>Revisão de literatura</strong>: construção do referencial teórico;</li>
<li><strong>Formulação de hipóteses</strong>: proposições testáveis sobre a relação entre variáveis;</li>
<li><strong>Definição das variáveis</strong>: identificação de variáveis <em>dependente</em> (o que se quer explicar) e <em>independente</em> (o que explica); variáveis de controle e confundidoras;</li>
<li><strong>Definição da amostra e estratégia de coleta</strong>;</li>
<li><strong>Coleta de dados</strong>;</li>
<li><strong>Análise dos dados</strong> (estatística descritiva e inferencial);</li>
<li><strong>Interpretação e apresentação dos resultados</strong>.</li>
</ol>
<h3>Tipos de pesquisa quantitativa</h3>
<ul>
<li><strong>Experimental</strong>: manipulação de variável independente com grupo de controle e grupo experimental; randomização (RCT — Randomized Controlled Trial) é o padrão-ouro causal;</li>
<li><strong>Quasi-experimental</strong>: sem randomização plena, mas com grupo de comparação;</li>
<li><strong>Survey (levantamento)</strong>: aplicação de questionários a amostras representativas; IBGE, Datafolha, Ipsos etc.;</li>
<li><strong>Longitudinal</strong>: acompanhamento da mesma amostra ao longo do tempo;</li>
<li><strong>Transversal</strong>: coleta em um único momento do tempo.</li>
</ul>
<h3>Amostragem</h3>
<ul>
<li><strong>Probabilística</strong>: cada elemento da população tem probabilidade conhecida e não nula de ser selecionado. Tipos: aleatória simples, sistemática, estratificada, por conglomerados. Permite generalizações com margem de erro calculável;</li>
<li><strong>Não probabilística</strong>: seleção sem critério aleatório. Tipos: por conveniência, intencional (propositiva), bola de neve. Não permite generalizações estatísticas, mas é útil para estudos exploratórios.</li>
</ul>
<h3>Técnicas de coleta quantitativa</h3>
<ul>
<li><strong>Questionário estruturado</strong>: perguntas fechadas com alternativas predefinidas;</li>
<li><strong>Escala Likert</strong>: graduação de concordância ou intensidade (geralmente de 1 a 5 ou 1 a 7);</li>
<li><strong>Diferencial semântico</strong>: escala bipolar de adjetivos opostos;</li>
<li><strong>Análise documental quantitativa</strong>: análise de frequência em documentos, análise de conteúdo quantitativa.</li>
</ul>
<h3>Para a prova</h3>
<ul>
<li>Pesquisa quantitativa = paradigma positivista; hipóteses testáveis; generalização.</li>
<li>RCT (ensaio clínico randomizado) = padrão-ouro para estabelecer <strong>causalidade</strong>.</li>
<li>Amostra probabilística: permite generalização com margem de erro; não probabilística: não permite.</li>
<li>Variável dependente = o que se explica; variável independente = o que explica.</li>
<li>Escala Likert: mede <strong>atitudes</strong> em gradação; não é intervalar verdadeira.</li>
</ul>