Testes e Procedimentos de Auditoria; Revisão Analítica - Contabilidade | Tuco-Tuco
Aula de Contabilidade (Auditoria): Testes e Procedimentos de Auditoria; Revisão Analítica. Aula de Contabilidade para estudantes que se preparam para concursos públicos para cargos de Contador. Estude gratuitamente para concursos públicos e OAB no Tuco-Tuco.
Testes e Procedimentos de Auditoria; Revisão Analítica
Evidência de auditoria: o insumo de todo o trabalho
Evidência de auditoria é toda a informação utilizada pelo auditor para chegar às conclusões em que se baseia sua opinião, compreendendo tanto a informação contida nos registros contábeis quanto outras informações obtidas de fontes diversas.
Toda a atividade de auditoria gira em torno da obtenção de evidência suficiente (quantidade) e apropriada (qualidade — relevância e confiabilidade) para fundamentar a opinião do auditor.
1.1. Hierarquia de confiabilidade da evidência (regras gerais)
Evidência obtida de fontes externas independentes é mais confiável que evidência obtida internamente na entidade;
Evidência obtida diretamente pelo auditor (por exemplo, observação própria) é mais confiável que evidência obtida indiretamente ou por inferência;
Evidência em forma documental (papel ou eletrônica) é mais confiável que evidência obtida verbalmente;
Evidência de originais é mais confiável que evidência de fotocópias ou documentos digitalizados sem controle de autenticidade.
Testes de controle × Procedimentos substantivos
Esta é a classificação fundamental dos procedimentos de auditoria, que organiza toda a estratégia de resposta aos riscos identificados:
| Tipo | Objetivo | O que verifica |
|---|---|---|
| Testes de controle | Avaliar a eficácia operacional dos controles internos da entidade na prevenção ou detecção de distorções relevantes | Se o controle funcionou como desenhado, ao longo do período |
| Procedimentos substantivos | Detectar distorções relevantes ao nível de afirmações, diretamente nos saldos, transações e divulgações | Se o saldo ou transação em si está correto |
2.1. Os dois tipos de procedimentos substantivos
| Subtipo | Conteúdo |
|---|---|
| Testes de detalhes | Exame de itens individuais que compõem um saldo ou classe de transações (ex.: testar uma amostra de duplicatas a receber, confirmando cada uma individualmente) |
| Procedimentos analíticos substantivos | Avaliação de informações financeiras mediante análise de relações plausíveis entre dados financeiros e não financeiros (ex.: comparar a receita do período com a média histórica ajustada por fatores conhecidos) |
⚠️ A relação entre os dois tipos de procedimentos: quanto mais eficaz for o controle interno da entidade (avaliado pelos testes de controle), menor pode ser a extensão dos procedimentos substantivos necessários — e vice-versa. Essa relação inversa é a lógica central do enfoque de auditoria baseado em risco: o auditor direciona seus esforços de acordo com onde o risco de distorção é maior.
Técnicas (modalidades) de obtenção de evidência
As principais técnicas utilizadas para obter evidência de auditoria, aplicáveis tanto a testes de controle quanto a procedimentos substantivos:
| Técnica | Conceito |
|---|---|
| Inspeção | Exame de registros, documentos (internos ou externos) ou ativos físicos |
| Observação | Acompanhamento de um processo ou procedimento sendo executado por terceiros (ex.: observar a contagem física de estoque realizada pela entidade) |
| Confirmação externa (circularização) | Obtenção de resposta direta de terceiro independente, confirmando informações ou condições (ex.: circularização de saldos bancários, de clientes, de fornecedores, de advogados) |
| Recálculo | Verificação da exatidão aritmética de documentos ou registros (refazer o cálculo) |
| Reexecução | Execução independente, pelo próprio auditor, de procedimentos ou controles que foram originalmente executados pela entidade |
| Procedimentos analíticos | Avaliações de informações financeiras por meio da análise de relações plausíveis entre dados financeiros e não financeiros |
| Indagação (inquiry) | Busca de informações, financeiras ou não financeiras, junto a pessoas com conhecimento (dentro ou fora da entidade) — geralmente não é suficiente isoladamente, exigindo corroboração por outras técnicas |
⚠️ A indagação, isoladamente, raramente é suficiente: perguntar à administração se determinado controle funciona não é evidência suficiente de que ele efetivamente funciona — a indagação deve ser corroborada por outras técnicas (observação, reexecução, inspeção de documentação) para fundamentar uma conclusão de auditoria.
Confirmação externa (circularização): destaque especial
A circularização merece destaque por ser uma das técnicas mais cobradas em provas, dada sua importância prática:
| Tipo de circularização | Formato de resposta esperado |
|---|---|
| Positiva | O destinatário deve responder em qualquer caso, confirmando concordância ou discordância com o valor apresentado |
| Negativa | O destinatário só deve responder caso discorde do valor apresentado — a ausência de resposta é interpretada (com cautela) como concordância |
⚠️ A circularização negativa fornece evidência menos persuasiva do que a positiva — a ausência de resposta não é uma confirmação ativa; pode simplesmente significar que o destinatário não leu ou ignorou a correspondência. Por isso, a circularização negativa é geralmente reservada para situações de menor risco (grande número de saldos pequenos e homogêneos, com baixa expectativa de erros).
Amostragem em auditoria
Amostragem de auditoria é a aplicação de procedimentos de auditoria a menos de 100% dos itens de uma população relevante para a auditoria, de forma que todas as unidades de amostragem tenham chance de seleção, proporcionando ao auditor uma base razoável para tirar conclusões sobre toda a população.
Amostragem estatística: seleção aleatória, com aplicação de teoria da probabilidade para avaliar os resultados e quantificar o risco de amostragem;
Amostragem não estatística: seleção baseada no julgamento profissional do auditor, sem aplicação formal de métodos estatísticos.
O uso de amostragem é, em si, uma das razões pelas quais a auditoria proporciona apenas segurança razoável (Aula 6.1), e não segurança absoluta — o exame de 100% dos itens de uma população raramente é praticável ou eficiente.
Revisão (procedimentos) analítica
6.1. Conceito
Procedimentos analíticos consistem em avaliações de informações financeiras, obtidas a partir do estudo de relações plausíveis entre dados financeiros e não financeiros, envolvendo comparações entre os valores registrados e as expectativas desenvolvidas pelo auditor.
6.2. Quando os procedimentos analíticos são utilizados
| Momento | Finalidade | Obrigatoriedade |
|---|---|---|
| Fase de planejamento | Auxiliar o auditor a compreender a entidade e identificar áreas de risco de distorção relevante | Obrigatório |
| Fase de execução (substantivos) | Obter evidência substantiva sobre saldos e classes de transações, complementando ou substituindo testes de detalhes | Opcional (escolha do auditor, conforme julgamento) |
| Fase final (revisão global) | Auxiliar o auditor a formar uma conclusão geral sobre se as demonstrações contábeis são consistentes com o entendimento que ele tem da entidade | Obrigatório |
6.3. Modalidades de procedimentos analíticos
Análise de tendências: comparação de saldos ao longo de múltiplos períodos, buscando identificar variações incomuns (essencialmente, a aplicação da Análise Horizontal — Aula 5.1 — como ferramenta de auditoria);
Análise de índices (quocientes): cálculo e comparação de índices financeiros (liquidez, endividamento, rentabilidade — Aulas 5.2 e 5.3) do período corrente com períodos anteriores, com orçamentos, ou com médias do setor;
Testes de razoabilidade: desenvolvimento de uma expectativa independente sobre determinado saldo, com base em dados financeiros e não financeiros relacionados, e comparação com o valor efetivamente registrado (ex.: estimar a despesa de folha de pagamento com base no número de funcionários × salário médio, comparando com o valor contabilizado);
Modelos de regressão/estatísticos: uso de técnicas estatísticas mais sofisticadas para prever valores esperados e identificar desvios significativos, especialmente úteis quando há grande volume de dados e relações complexas entre variáveis.
6.4. Investigação de variações significativas
Quando os procedimentos analíticos identificam flutuações ou relações inconsistentes com outras informações relevantes, ou que diferem significativamente dos valores esperados, o auditor deve investigar essas diferenças, obtendo explicações da administração e corroborando essas explicações com evidência adicional apropriada — a mera aceitação da explicação da administração, sem corroboração, não é suficiente.
Questões comentadas (estilo das principais bancas)
Questão 1 (estilo Cebraspe — Certo/Errado). Os testes de controle têm por objetivo avaliar a eficácia operacional dos controles internos da entidade na prevenção ou detecção de distorções relevantes, ao passo que os procedimentos substantivos têm por objetivo detectar diretamente distorções relevantes nos saldos, transações e divulgações.
Gabarito: CERTO. A distinção conceitual central entre as duas categorias fundamentais de procedimentos de auditoria.
Questão 2 (estilo FGV — múltipla escolha). A circularização (confirmação externa) na modalidade negativa caracteriza-se por:
(A) exigir resposta do destinatário em qualquer circunstância, concordando ou discordando do valor apresentado;
(B) exigir resposta do destinatário apenas quando este discordar do valor apresentado, sendo a ausência de resposta interpretada, com cautela, como indício de concordância, fornecendo evidência menos persuasiva do que a modalidade positiva;
(C) ser sempre mais confiável do que a circularização positiva;
(D) ser vedada pelas normas de auditoria em qualquer circunstância;
(E) aplicar-se exclusivamente a saldos bancários.
Gabarito: B. A circularização negativa e sua menor força probatória em relação à positiva, dada a ausência de confirmação ativa.
Questão 3 (estilo FCC — múltipla escolha). A técnica de obtenção de evidência de auditoria que consiste na execução independente, pelo próprio auditor, de procedimentos ou controles originalmente executados pela entidade, denomina-se:
(A) inspeção;
(B) observação;
(C) indagação;
(D) reexecução;
(E) confirmação externa.
Gabarito: D. A reexecução — o auditor refaz, por conta própria, o procedimento ou controle originalmente executado pela entidade, para verificar se produz o mesmo resultado.
Questão 4 (estilo Cesgranrio — múltipla escolha). Os procedimentos analíticos são obrigatórios, segundo as normas de auditoria, nas seguintes fases do trabalho:
(A) exclusivamente na fase de execução dos testes substantivos;
(B) na fase de planejamento, para auxiliar a identificação de áreas de risco, e na fase final, para auxiliar a formação da conclusão geral sobre a consistência das demonstrações contábeis;
(C) apenas quando a entidade auditada é companhia aberta;
(D) em nenhuma fase, sendo sempre facultativos;
(E) exclusivamente na fase de emissão do relatório de auditoria.
Gabarito: B. As duas fases em que os procedimentos analíticos são obrigatórios (planejamento e revisão final) — na fase de execução como substantivos, são opcionais, conforme julgamento do auditor.
Questão 5 (estilo Cebraspe — Certo/Errado). A indagação (inquiry) junto à administração da entidade, isoladamente, constitui evidência de auditoria suficiente e apropriada para fundamentar as conclusões do auditor sobre qualquer afirmação relevante das demonstrações contábeis.
Gabarito: ERRADO. A indagação, isoladamente, raramente é suficiente — deve ser corroborada por outras técnicas (observação, reexecução, inspeção documental) para fundamentar adequadamente as conclusões do auditor.
Questão 6 (estilo FGV — múltipla escolha). Quando os procedimentos analíticos identificam flutuações ou relações inconsistentes com outras informações relevantes, ou que diferem significativamente dos valores esperados, o auditor deve:
(A) ignorar a divergência, caso o valor seja imaterial em relação ao total das demonstrações;
(B) investigar as diferenças, obtendo explicações da administração e corroborando-as com evidência de auditoria adicional apropriada, não sendo suficiente a mera aceitação da explicação sem corroboração;
(C) automaticamente modificar o relatório do auditor, sem necessidade de investigação adicional;
(D) reportar imediatamente à CVM, independentemente da materialidade da diferença;
(E) desconsiderar os procedimentos analíticos e substituí-los integralmente por testes de detalhes.
Gabarito: B. O dever de investigação e corroboração das explicações obtidas — a simples aceitação da justificativa da administração, sem evidência de suporte, não encerra a investigação.
Questão 7 (estilo Cesgranrio — múltipla escolha). A amostragem de auditoria é utilizada porque:
(A) é sempre obrigatória, independentemente do tamanho da população examinada;
(B) permite ao auditor aplicar procedimentos a menos de 100% dos itens de uma população, com base razoável para tirar conclusões sobre toda ela, sendo uma das razões pelas quais a auditoria proporciona segurança razoável, e não segurança absoluta;
(C) elimina completamente o risco de auditoria;
(D) é aplicável exclusivamente a testes de controle, nunca a procedimentos substantivos;
(E) substitui integralmente a necessidade de avaliação de risco pelo auditor.
Gabarito: B. A justificativa e a consequência da amostragem — viabilidade prática do exame de populações grandes, com o correlato reconhecimento de que isso limita a segurança da auditoria a "razoável", não "absoluta".