1. Início
  2. Explorar
  3. Contabilidade
  4. Demonstrações Contábeis do setor privado (BP, DRE, DFC, DMPL, DVA)
  5. Demonstração do Valor Adicionado (DVA)

Demonstração do Valor Adicionado (DVA) - Contabilidade | Tuco-Tuco

Aula de Contabilidade (Demonstrações Contábeis do setor privado (BP, DRE, DFC, DMPL, DVA)): Demonstração do Valor Adicionado (DVA). Aula de Contabilidade para estudantes que se preparam para concursos públicos para cargos de Contador. Estude gratuitamente para concursos públicos e OAB no Tuco-Tuco.

Demonstração do Valor Adicionado (DVA) Conceito e propósito A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) evidencia a riqueza gerada pela entidade em determinado período, e a forma como essa riqueza foi distribuída entre os agentes que contribuíram para sua criação — empregados, governo, financiadores de capital de terceiros e acionistas. A DVA responde a uma pergunta diferente da DRE: enquanto a DRE mostra quanto lucro a empresa obteve para seus sócios, a DVA mostra quanta riqueza a empresa gerou para a sociedade como um todo, e como essa riqueza foi repartida. É uma demonstração de cunho social, que evidencia a contribuição econômica da entidade além do resultado que sobra para os acionistas. 💡 A analogia com o PIB: o "valor adicionado" de uma empresa, no conceito da DVA, é conceitualmente análogo ao componente que uma empresa individual contribui para o Produto Interno Bruto (PIB) de um país — a soma dos valores adicionados de todas as entidades produtivas, na contabilidade macroeconômica, forma o PIB nacional. Base legal e obrigatoriedade Art. 176, § 3º, da Lei 6.404/76 (redação dada pela Lei 11.941/2009 — Aula 2.5): "As companhias abertas divulgarão também a demonstração do valor adicionado." A norma técnica detalhada é o CPC 09. A DVA é obrigatória apenas para companhias abertas — não para todas as sociedades por ações, nem para todas as sociedades de grande porte (Aula 2.5). Empresas que não são companhias abertas podem elaborá-la voluntariamente, mas não estão legalmente obrigadas. ⚠️ Pegadinha recorrente: confundir a obrigatoriedade da DVA (companhias abertas) com a da DFC (todas as sociedades por ações, com a exceção facultativa das fechadas de menor porte) — são âmbitos de obrigatoriedade diferentes, já testado na Aula 4.1. Estrutura da DVA: a formação do valor adicionado 3.1. Primeira parte: a geração do valor adicionado 💡 A lógica do "insumos adquiridos de terceiros": a DVA mede a riqueza gerada pela própria entidade — por isso, o que foi comprado pronto de terceiros (matéria-prima, mercadoria para revenda, serviços de terceiros) é deduzido, pois essa parcela da riqueza foi gerada por outras entidades na cadeia produtiva, não pela empresa que está elaborando a demonstração. Só o valor que a própria entidade agregou ao que comprou é que compõe seu valor adicionado. 3.2. Segunda parte: a distribuição do valor adicionado ⚠️ A verificação obrigatória: o total do valor adicionado a distribuir (parte 1) deve ser exatamente igual ao total do valor adicionado distribuído (parte 2) — a DVA, tal como o Balanço Patrimonial, tem uma "equação de fechamento" que funciona como mecanismo de autoverificação, análogo ao princípio das partidas dobradas (Aula 3.2). Os quatro destinatários da riqueza gerada A segunda parte da DVA é o que a torna singular entre as demonstrações contábeis — evidencia, numa única peça, para quatro grupos de agentes, quanto cada um recebeu da riqueza total gerada: | Destinatário | O que recebe | |---|---| | Empregados | Salários, benefícios, encargos (FGTS) | | Governo | Tributos de todas as esferas (federal, estadual, municipal) | | Financiadores (capital de terceiros) | Juros, aluguéis pagos a terceiros | | Acionistas (capital próprio) | Dividendos, juros sobre capital próprio, e a parcela retida na empresa (lucros retidos, que representam riqueza que permanece na entidade, em benefício futuro dos próprios acionistas) | Essa estrutura permite uma leitura de cunho social e econômico do desempenho da empresa: qual a proporção da riqueza gerada que fica com os trabalhadores, quanto vai para o Estado em tributos, quanto remunera quem emprestou capital, e quanto fica com quem investiu capital próprio. DVA × DRE: a distinção conceitual central | Aspecto | DRE | DVA | |---|---|---| | Pergunta que responde | Qual foi o lucro/prejuízo da empresa para os sócios? | Quanta riqueza a empresa gerou, e como foi distribuída entre todos os agentes envolvidos? | | Ponto de partida | Receita bruta de vendas | Receitas totais, menos insumos de terceiros | | Tratamento dos tributos sobre vendas | Deduzidos na apuração da receita líquida | Incluídos na receita (tratados no valor adicionado bruto) e depois evidenciados como parte da distribuição ao governo | | Tratamento de salários | Despesa que reduz o lucro | Parcela da riqueza distribuída aos empregados, não uma "dedução" no mesmo sentido | | Foco | Rentabilidade para o acionista | Contribuição econômica e social da entidade | ⚠️ A pegadinha mais fina do tema: na DVA, salários e tributos não são "despesas que reduzem um resultado" no mesmo sentido da DRE — são destinações da riqueza gerada, apresentadas ao lado das destinações aos financiadores e aos acionistas, todos como beneficiários legítimos do valor criado pela atividade da entidade. A DVA não tem "lucro" como objetivo central — tem "distribuição equitativa evidenciada" como objetivo central. Exemplo resolvido (simplificado) Companhia aberta apresenta: Receita de vendas (com tributos incluídos) R$ 1.000.000; Insumos adquiridos de terceiros R$ 400.000; Depreciação R$ 50.000; Receitas financeiras R$ 20.000. Supondo a distribuição: Pessoal R$ 200.000; Tributos R$ 180.000; Juros pagos a terceiros R$ 40.000; Dividendos R$ 90.000; Lucros retidos R$ 60.000. Questões comentadas (estilo das principais bancas) Questão 1 (estilo Cebraspe — Certo/Errado). A Demonstração do Valor Adicionado é obrigatória apenas para as companhias abertas, nos termos do art. 176, § 3º, da Lei nº 6.404/1976, não se estendendo automaticamente às sociedades de grande porte não constituídas como companhias abertas. Gabarito: CERTO. A obrigatoriedade restrita às companhias abertas — distinta dos critérios de sociedade de grande porte (Aula 2.5), que geram outras obrigações (elaboração de demonstrações nos moldes da Lei das S.A.), mas não especificamente a DVA. Questão 2 (estilo FGV — múltipla escolha). Na estrutura da DVA, os insumos adquiridos de terceiros (matérias-primas, mercadorias para revenda, serviços de terceiros) são deduzidos da receita porque: (A) representam despesas não dedutíveis para fins fiscais; (B) constituem riqueza gerada por outras entidades na cadeia produtiva, e não pela entidade que elabora a demonstração, de modo que apenas o valor efetivamente agregado pela própria entidade compõe seu valor adicionado; (C) são sempre isentos de tributação, não integrando a base de cálculo de nenhum imposto; (D) representam capital de terceiros, e não insumos operacionais; (E) devem ser excluídos por não gerarem qualquer benefício econômico futuro. Gabarito: B. A lógica central da DVA: medir a riqueza que a própria entidade gerou, excluindo o que já veio pronto (com valor já agregado por terceiros) da cadeia produtiva. Questão 3 (estilo FCC — múltipla escolha). Na Demonstração do Valor Adicionado, os salários e encargos pagos aos empregados são apresentados: (A) como despesa que reduz o valor adicionado a distribuir, no mesmo sentido de uma despesa na DRE; (B) como parcela da distribuição do valor adicionado total gerado pela entidade, ao lado das distribuições ao governo, aos financiadores de capital de terceiros e aos acionistas; (C) como dedução direta da receita bruta, antes da apuração do valor adicionado bruto; (D) como item de valor adicionado recebido em transferência; (E) como redução do capital social da entidade. Gabarito: B. O tratamento distintivo da DVA: pessoal é destinatário da riqueza gerada, não uma dedução redutora de resultado no sentido da DRE. Questão 4 (estilo Cesgranrio — múltipla escolha). O total do valor adicionado a distribuir, apurado na primeira parte da DVA, deve ser: (A) sempre superior ao total distribuído na segunda parte, representando lucro retido não evidenciado; (B) exatamente igual ao total do valor adicionado efetivamente distribuído na segunda parte da demonstração, funcionando como mecanismo de autoverificação; (C) inferior ao total distribuído, quando há prejuízo no exercício; (D) apurado de forma totalmente independente da segunda parte, sem necessidade de correspondência; (E) sempre igual ao lucro líquido apurado na DRE do mesmo período. Gabarito: B. A equação de fechamento da DVA — valor a distribuir = valor distribuído, mecanismo análogo à igualdade débito-crédito das partidas dobradas. Questão 5 (estilo Cebraspe — Certo/Errado). Os lucros retidos no exercício, quando a companhia opta por não distribuir a totalidade do lucro líquido aos acionistas, são apresentados na DVA como parte da remuneração de capitais próprios, evidenciando que essa parcela da riqueza gerada permanece na entidade em benefício futuro dos próprios acionistas. Gabarito: CERTO. Os lucros retidos integram a remuneração de capitais próprios na DVA — mesmo não distribuídos como dividendos, representam riqueza que permanece vinculada aos interesses dos acionistas. Questão 6 (estilo FGV — múltipla escolha). A analogia mais adequada para compreender o conceito de "valor adicionado" na DVA, no âmbito da contabilidade macroeconômica, é com: (A) o balanço de pagamentos do país; (B) a taxa Selic; (C) o Produto Interno Bruto (PIB), cuja formação agregada resulta da soma dos valores adicionados de todas as entidades produtivas de uma economia; (D) a taxa de câmbio; (E) o índice de inflação (IPCA). Gabarito: C. O valor adicionado de uma empresa individual é, conceitualmente, o componente que ela contribui para o PIB nacional — a mesma lógica de medição de riqueza gerada, aplicada em escala macroeconômica. Questão 7 (estilo Cesgranrio — múltipla escolha). Uma empresa apresenta receitas totais de R$ 800.000, insumos adquiridos de terceiros de R$ 300.000, depreciação de R$ 40.000, e valor adicionado recebido em transferência (receitas financeiras) de R$ 15.000. O valor adicionado total a distribuir é de: (A) R$ 500.000; (B) R$ 460.000; (C) R$ 475.000; (D) R$ 445.000; (E) R$ 415.000. Gabarito: C. Valor Adicionado Bruto = 800.000 − 300.000 = 500.000; Valor Adicionado Líquido = 500.000 − 40.000 = 460.000; Valor Adicionado Total a Distribuir = 460.000 + 15.000 = R$ 475.000.