Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício - Contabilidade | Tuco-Tuco
Aula de Contabilidade (Demonstrações Contábeis do setor privado (BP, DRE, DFC, DMPL, DVA)): Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício. Aula de Contabilidade para estudantes que se preparam para concursos públicos para cargos de Contador. Estude gratuitamente para concursos públicos e OAB no Tuco-Tuco.
Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício
O Balanço Patrimonial (BP)
1.1. Conceito e base legal
O Balanço Patrimonial é a demonstração contábil que evidencia, de forma estática, a posição patrimonial e financeira de uma entidade em determinada data — apresentando seus ativos, passivos e patrimônio líquido.
Base legal: art. 178 da Lei 6.404/76 (já tratado na Aula 3.4) e CPC 26 (Apresentação das Demonstrações Contábeis), que detalha os requisitos técnicos de apresentação.
1.2. Estrutura do Ativo
Art. 178, § 1º. No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez, nos seguintes grupos:
I — ativo circulante; e
II — ativo não circulante, composto por ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível.
Critério de classificação em circulante (CPC 26): um ativo é classificado como circulante quando satisfizer qualquer um dos seguintes critérios:
Espera-se que seja realizado, ou pretende-se vendê-lo ou consumi-lo, no decurso normal do ciclo operacional da entidade;
É mantido essencialmente com o propósito de ser negociado;
Espera-se que seja realizado dentro de 12 meses após a data do balanço;
É caixa ou equivalente de caixa, salvo se sua troca ou uso para liquidação de passivo estiver restrita por, no mínimo, doze meses após a data do balanço.
Todos os demais ativos são classificados como não circulante.
⚠️ O ciclo operacional prevalece sobre os 12 meses: se o ciclo operacional normal da entidade for superior a 12 meses (ex.: uma construtora, cujo ciclo de produção de um empreendimento pode levar anos), os itens realizáveis dentro desse ciclo — ainda que superior a um ano — são classificados como circulantes. O critério dos "12 meses" é subsidiário, aplicável quando o ciclo operacional não é claramente identificável ou é de curta duração.
1.3. Estrutura do Passivo
Art. 178, § 2º. No passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos:
I — passivo circulante;
II — passivo não circulante; e
III — patrimônio líquido.
O critério de classificação do passivo circulante é espelhado ao do ativo: obrigações que se espera liquidar no ciclo operacional normal, ou mantidas essencialmente para negociação, ou exigíveis dentro de 12 meses, ou aquelas para as quais a entidade não tem direito incondicional de diferir a liquidação por, no mínimo, doze meses após a data do balanço.
1.4. O modelo resumido do Balanço Patrimonial
A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)
2.1. Conceito
A DRE é a demonstração contábil dinâmica que evidencia a formação do resultado (lucro ou prejuízo) de uma entidade ao longo de um determinado período, confrontando as receitas auferidas com os custos e despesas incorridos.
Diferentemente do Balanço (uma "fotografia" em um instante), a DRE é um "filme" — mostra o que aconteceu ao longo de todo o exercício.
2.2. Estrutura da DRE (art. 187 da Lei 6.404/76, com a redação atual)
Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará:
I — a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos;
II — a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto;
III — as despesas com vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas financeiras, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais;
IV — o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais;
V — o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto;
VI — as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados;
VII — o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social.
2.3. O modelo estruturado da DRE
⚠️ A extinção formal do "resultado não operacional" como grupo segregado: a redação atual do art. 187 (pós Lei 11.941/2009) manteve a menção às "receitas e despesas não operacionais" no inciso IV, mas a prática contábil convergida às IFRS tende a não segregar rigidamente um bloco "não operacional" isolado ao final da demonstração, como se fazia tradicionalmente — a tendência é apresentar o resultado de forma mais integrada, destacando itens não recorrentes em notas explicativas, quando relevantes, em vez de num grupo estanque na face da DRE.
2.4. Lucro por ação (LPA)
O LPA é calculado dividindo-se o lucro líquido do exercício (atribuível aos acionistas ordinários) pela quantidade média ponderada de ações em circulação durante o período. É indicador exigido para companhias abertas (regulado pelo CPC 41), permitindo comparação da rentabilidade entre diferentes períodos e entre diferentes empresas, independentemente do tamanho absoluto do capital social.
Notas explicativas
As notas explicativas integram o conjunto das demonstrações contábeis (não são um "anexo" opcional), complementando as informações apresentadas nos quadros numéricos com:
Descrição das principais políticas contábeis adotadas;
Detalhamento de saldos relevantes (composição de estoques, imobilizado, dívidas);
Informações sobre partes relacionadas;
Passivos contingentes não reconhecidos, mas divulgáveis (CPC 25);
Eventos subsequentes relevantes ocorridos entre a data do balanço e a data de sua aprovação/publicação.
A relação entre Balanço, DRE e Patrimônio Líquido
Um ponto de integração fundamental, muito testado em questões que conectam as demonstrações entre si:
$\text{PL final} = \text{PL inicial} + \text{Lucro/Prejuízo do exercício} - \text{Distribuições aos sócios} + \text{Outras mutações}$
O resultado do exercício apurado na DRE é a peça que "alimenta" a variação do Patrimônio Líquido entre o balanço de abertura e o balanço de encerramento do período — a ponte entre a demonstração dinâmica (DRE) e as duas demonstrações estáticas (Balanços de início e fim de período), formalizada de modo mais completo na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), tema da próxima aula.
Questões comentadas (estilo das principais bancas)
Questão 1 (estilo Cebraspe — Certo/Errado). No Balanço Patrimonial, um ativo é classificado como circulante quando se espera sua realização no decurso normal do ciclo operacional da entidade, ainda que esse ciclo seja superior a doze meses, prevalecendo o critério do ciclo operacional sobre o critério subsidiário dos doze meses.
Gabarito: CERTO. O critério do ciclo operacional é primário; o dos 12 meses é subsidiário, aplicável quando o ciclo não é claramente identificável.
Questão 2 (estilo FGV — múltipla escolha). Segundo o art. 178 da Lei nº 6.404/1976, as contas do ativo, no Balanço Patrimonial, são dispostas:
(A) em ordem alfabética, independentemente da liquidez;
(B) em ordem crescente de grau de liquidez;
(C) em ordem decrescente de grau de liquidez;
(D) por ordem de aquisição, do mais antigo ao mais recente;
(E) sem qualquer critério de ordenação legal.
Gabarito: C. Ordem decrescente de liquidez — do mais líquido (caixa) ao menos líquido (intangível, por exemplo).
Questão 3 (estilo FCC — múltipla escolha). Na estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício prevista no art. 187 da Lei das S.A., o Lucro Bruto é obtido subtraindo-se da Receita Líquida:
(A) as despesas com vendas;
(B) as despesas gerais e administrativas;
(C) o custo das mercadorias e dos serviços vendidos;
(D) o Imposto de Renda e a Contribuição Social;
(E) o resultado financeiro líquido.
Gabarito: C. Lucro Bruto = Receita Líquida − CMV/CPV/CSV — a primeira grande margem da DRE.
Questão 4 (estilo Cesgranrio — múltipla escolha). O Lucro por Ação (LPA), exigido para companhias abertas nos termos do CPC 41, é calculado:
(A) dividindo-se o lucro líquido do exercício pelo número de sócios da companhia;
(B) dividindo-se o lucro líquido do exercício atribuível aos acionistas ordinários pela quantidade média ponderada de ações em circulação no período;
(C) multiplicando-se o lucro líquido pelo valor nominal de cada ação;
(D) dividindo-se a receita bruta pelo número total de ações emitidas;
(E) dividindo-se o patrimônio líquido pelo número de ações em circulação.
Gabarito: B. A fórmula correta do LPA — lucro líquido atribuível aos ordinaristas dividido pela quantidade média ponderada (não o total simples) de ações em circulação.
Questão 5 (estilo Cebraspe — Certo/Errado). As notas explicativas constituem anexo opcional das demonstrações contábeis, cuja omissão não compromete a adequação da apresentação das demonstrações elaboradas em conformidade com as normas contábeis vigentes.
Gabarito: ERRADO. As notas explicativas integram o conjunto obrigatório das demonstrações contábeis — não são anexo opcional; sua omissão compromete a adequação da apresentação exigida pelas normas (CPC 26).
Questão 6 (estilo FGV — múltipla escolha). Um passivo é classificado como circulante, entre outros critérios, quando:
(A) a entidade tem direito incondicional de diferir sua liquidação por, no mínimo, doze meses após a data do balanço;
(B) se espera liquidá-lo no decurso normal do ciclo operacional da entidade, ou a entidade não tem direito incondicional de diferir sua liquidação por, no mínimo, doze meses após a data do balanço;
(C) é exigível apenas após vinte e quatro meses da data do balanço;
(D) decorre exclusivamente de operações com partes relacionadas;
(E) está vinculado a ativo classificado como não circulante.
Gabarito: B. Os critérios de classificação do passivo circulante — espelhados aos do ativo, com destaque para a ausência de direito incondicional de diferimento por doze meses.
Questão 7 (estilo Cesgranrio — múltipla escolha). A relação entre o resultado apurado na Demonstração do Resultado do Exercício e o Patrimônio Líquido evidenciado no Balanço Patrimonial é corretamente descrita como:
(A) o resultado da DRE não tem qualquer relação com o Patrimônio Líquido, sendo demonstrações independentes;
(B) o lucro ou prejuízo apurado na DRE integra a variação do Patrimônio Líquido entre o balanço de abertura e o de encerramento do período, sendo detalhado de forma mais completa na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido;
(C) o resultado da DRE substitui integralmente o saldo do Patrimônio Líquido no balanço seguinte;
(D) apenas prejuízos, e não lucros, afetam o Patrimônio Líquido;
(E) a DRE é elaborada a partir do saldo final do Patrimônio Líquido, e não o contrário.
Gabarito: B. A integração entre as demonstrações: o resultado da DRE é um dos componentes da variação do PL, evidenciado com detalhamento completo na DMPL — tema da próxima aula.