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Patrimônio Público: Conceito e Composição - Ciências Contábeis Aplicadas ao Setor Público | Tuco-Tuco

Aula de Ciências Contábeis Aplicadas ao Setor Público (Patrimônio e Sistemas Contábeis): Patrimônio Público: Conceito e Composição. Aula de Ciências Contábeis. Patrimônio público é o conjunto de direitos e bens, tangíveis ou intangíveis, onerados ou não, adquiridos, formados, produzidos, recebidos, mantidos ou utilizados pelas entidades do setor público, que seja portador ou represente um fluxo de benefícios, presente ou futuro, inerente à prestação de serviços públicos ou à exploração econômica por entidades do setor público, e suas obrigações. Estude gratuitamente para concursos públicos e OAB no Tuco-Tuco.

Patrimônio Público: Conceito e Composição A definição de patrimônio público sob o enfoque contábil 1.1. Definição e seus elementos Como antecipado no Módulo 1, o patrimônio público é o objeto da CASP. Agora vamos dissecá-lo. A definição de referência (construída pela antiga NBC T 16.2 e mantida, em essência, pelo MCASP): Patrimônio público é o conjunto de direitos e bens, tangíveis ou intangíveis, onerados ou não, adquiridos, formados, produzidos, recebidos, mantidos ou utilizados pelas entidades do setor público, que seja portador ou represente um fluxo de benefícios, presente ou futuro, inerente à prestação de serviços públicos ou à exploração econômica por entidades do setor público, e suas obrigações. Cada expressão dessa definição já foi objeto de questão. Vale mapear: | Expressão da definição | O que significa | Como a banca distorce | |---|---|---| | "direitos e bens" | Ativos em sentido amplo: créditos, valores, bens corpóreos e incorpóreos | Suprimir "direitos" ou "bens" | | "tangíveis ou intangíveis" | Inclui bens sem substância física (softwares, marcas, direitos de uso) | "Somente bens tangíveis" | | "onerados ou não" | Bens gravados com ônus (hipoteca, penhor, cessão) também integram o patrimônio | "Apenas bens livres de ônus" | | "adquiridos, formados, produzidos, recebidos, mantidos ou utilizados" | A origem do bem é irrelevante: compra, construção própria, doação, transferência, ou mero uso controlado | Restringir a bens "adquiridos" | | "fluxo de benefícios, presente ou futuro" | Benefícios atuais também contam (não só expectativas futuras) | "Somente benefícios futuros" | | "prestação de serviços públicos ou exploração econômica" | Alcança tanto a atividade-fim estatal quanto a atuação econômica do Estado | Excluir uma das vertentes | | "e suas obrigações" | O passivo integra o patrimônio | Definir patrimônio só como bens e direitos | 1.2. Patrimônio como objeto ≠ patrimônio como equação Não confunda dois usos da palavra "patrimônio": Sentido amplo (objeto da CASP): todo o conjunto — bens, direitos e obrigações; Sentido estrito (elemento do balanço): o Patrimônio Líquido (situação líquida patrimonial), que é apenas o valor residual (Ativo − Passivo). Em prova, "patrimônio público" costuma vir no sentido amplo; "patrimônio líquido" ou "situação líquida", no sentido estrito. A leitura atenta do enunciado resolve. 1.3. A equação fundamental aplicada ao setor público $\text{ATIVO} = \text{PASSIVO} + \text{PATRIMÔNIO LÍQUIDO}$ ou, na forma que evidencia a situação líquida: $\text{PL (Situação Líquida)} = \text{ATIVO} - \text{PASSIVO}$ Peculiaridade do setor público, cobrada com frequência: o patrimônio líquido pode ser negativo — quando o passivo supera o ativo (passivo a descoberto), a situação líquida é deficitária. Isso não gera "falência" do ente (a continuidade do Estado é premissa), mas evidencia desequilíbrio patrimonial e é comum em entes com grandes passivos previdenciários reconhecidos. O detalhamento das situações líquidas (positiva, negativa e nula) será feito na Aula 2.4. Ativo no setor público 2.1. Definição (NBC TSP Estrutura Conceitual) Ativo é um recurso controlado no presente pela entidade como resultado de evento passado. Três requisitos cumulativos — decore-os como um checklist: Recurso; Controle no presente pela entidade; Decorrência de evento passado. ⚠️ Atenção à literalidade: a definição de ativo da Estrutura Conceitual do setor público não menciona expressamente "benefícios econômicos futuros esperados" no enunciado principal (como fazia a estrutura conceitual societária clássica). O componente de benefícios está embutido no conceito de recurso. Bancas de literalidade (Cebraspe, FGV) exploram essa diferença de redação. 2.2. O que é "recurso" Recurso é um item com potencial de serviços ou com capacidade de gerar benefícios econômicos. Note o conector: ou — basta um dos dois. | Via de caracterização | Conceito | Exemplos públicos | |---|---|---| | Potencial de serviços | Capacidade de prestar serviços que contribuam para os objetivos da entidade, sem necessariamente gerar entradas de caixa | Escolas, hospitais públicos, praças, quartéis, acervos de museus | | Benefícios econômicos | Capacidade de gerar entradas de caixa ou reduzir saídas | Imóveis alugados a terceiros, participações societárias, créditos tributários, dívida ativa | É por isso que a CASP reconhece como ativo bens que jamais gerarão receita: o potencial de serviços é suficiente. Essa é a adaptação mais emblemática do conceito de ativo às especificidades do setor público. 2.3. Controle (e não propriedade) O critério é o controle, não a propriedade jurídica. Indicadores de controle, segundo a Estrutura Conceitual: Propriedade legal (indica, mas não é essencial nem suficiente); Acesso ao recurso e capacidade de negar ou restringir o acesso de terceiros; Meios de garantir que o recurso seja usado para os objetivos da entidade; Existência de direito exigível sobre o potencial de serviços/benefícios. Consequências práticas cobradas em prova: Bem de propriedade da entidade, mas controlado por terceiro (ex.: imóvel da União cedido definitivamente a autarquia que o controla) → ativo de quem controla; Bem arrendado/objeto de contrato que transfere controle → pode ser ativo do arrendatário, conforme a norma específica; Recursos naturais (petróleo, minerais, espectro eletromagnético) sobre os quais o Estado exerce soberania: o poder soberano, por si só, não gera ativo; o ativo surge quando o direito é exercível e o item atende à definição e aos critérios de reconhecimento (ex.: direitos de concessão contratados). ⚠️ Pegadinha: "A propriedade jurídica é requisito indispensável para o reconhecimento de um ativo no setor público." — Errado. O requisito é o controle; a propriedade é mero indicador. 2.4. Evento passado O controle deve resultar de transação ou outro evento já ocorrido: compra, construção, doação recebida, arrecadação, fato gerador de tributo (que origina o direito de receber), decisão judicial favorável definitiva etc. Expectativas de eventos futuros não geram ativo — por exemplo, a mera previsão orçamentária de receita não é ativo (não há evento passado que confira controle sobre recurso). 💡 Conexão com temas futuros: o poder de tributar é uma capacidade soberana permanente, mas o ativo (crédito tributário) só surge com a ocorrência do fato gerador — tema aprofundado nas Aulas 10.4 e 13.2 (NBC TSP 01). Passivo no setor público 3.1. Definição (NBC TSP Estrutura Conceitual) Passivo é uma obrigação presente, derivada de evento passado, cuja extinção deva resultar na saída de recursos da entidade. Checklist de três requisitos: Obrigação presente (na data do relatório); Derivada de evento passado; Extinção com saída de recursos (recursos = itens com potencial de serviços ou benefícios econômicos — a saída pode ser dinheiro, bens ou prestação de serviços). 3.2. Obrigação legal e obrigação não legalmente vinculante Ponto sofisticado da Estrutura Conceitual, cada vez mais presente em provas: | Tipo de obrigação | Conceito | Exemplo | |---|---|---| | Legalmente vinculante | Exigível por força de lei, contrato ou outro instrumento jurídico | Empréstimos contraídos, fornecedores, precatórios, salários | | Não legalmente vinculante (equivalente à "obrigação construtiva/não formalizada") | A entidade criou expectativa válida em terceiros de que cumprirá o compromisso, dele não podendo se esquivar realisticamente | Anúncio oficial e detalhado de programa de indenizações que gera expectativa legítima nos beneficiários | Requisitos para que a obrigação não legalmente vinculante gere passivo: (i) a entidade indicou a terceiros, por padrão de comportamento, políticas divulgadas ou declaração suficientemente específica, que aceitará certas responsabilidades; (ii) criou expectativa válida de cumprimento; e (iii) não tem alternativa realista senão cumprir. ⚠️ Cuidado com anúncios políticos genéricos: promessas eleitorais ou intenções gerais de governo não criam passivo — falta a especificidade que gera expectativa válida e a impossibilidade realista de escapar. A banca contrasta "anúncio genérico" × "compromisso específico assumido oficialmente". 3.3. Obrigação presente × compromissos futuros A aprovação do orçamento, por si, não cria passivo (a despesa fixada é autorização, não obrigação presente); O empenho, isoladamente, também não cria passivo patrimonial — o passivo surge, em regra, com a ocorrência do fato gerador (recebimento do bem/serviço — liquidação), tema das Aulas 4.x e 9.7; Obrigações que dependem exclusivamente de eventos futuros incertos sob controle da entidade não são passivo (podem ser divulgadas como contingências — NBC TSP 03, Aula 13.4). Patrimônio líquido (situação líquida patrimonial) 4.1. Definição Patrimônio líquido (situação líquida) é o valor residual dos ativos da entidade depois de deduzidos todos os seus passivos. Características cobradas: É residual: não se define autonomamente, mas por diferença; Pode ser positivo, nulo ou negativo (passivo a descoberto) — diferentemente da lógica empresarial usual, o PL negativo de um ente público não impede sua continuidade; No setor público não há "capital social" nem sócios: o PL compõe-se, tipicamente, de resultados acumulados (superávits/déficits patrimoniais de exercícios anteriores e do exercício), ajustes de avaliação patrimonial (ex.: reavaliações) e demais reservas previstas; A Estrutura Conceitual admite, para o setor público, os elementos contribuições dos proprietários e distribuições aos proprietários (relevantes quando há relação de propriedade, como entre ente controlador e estatal ou entre entes e organismos), mas na administração direta típica esses elementos são raros — em prova, aparecem como elementos definidos pela EC, e não como itens cotidianos do balanço. 4.2. PL e os três "resultados" do setor público Relembrando a tríade da Aula 1.1 e situando o PL: | Resultado | Onde se apura | O que impacta | |---|---|---| | Patrimonial (VPA − VPD) | DVP | Altera o PL (resultados acumulados) | | Orçamentário (receita realizada − despesa empenhada) | Balanço Orçamentário | Não altera diretamente o PL (execução orçamentária ≠ variação patrimonial necessariamente) | | Financeiro | Balanço Financeiro / BP | Não altera diretamente o PL | 💡 Ideia-chave: só o resultado patrimonial transita para o PL. Um ente pode ter superávit orçamentário e, simultaneamente, déficit patrimonial (ex.: reconheceu grandes provisões no exercício) — as bancas exploram exatamente essa independência entre os resultados. Classificação dos bens públicos: uso comum, uso especial e dominicais 5.1. A classificação do Código Civil (art. 99) | Espécie | Definição legal | Exemplos | Afetação | |---|---|---|---| | Bens de uso comum do povo | Destinados ao uso geral e indistinto da coletividade | Rios, mares, estradas, ruas, praças | Afetados ao uso coletivo | | Bens de uso especial | Destinados a serviço ou estabelecimento da administração | Edifícios de repartições, escolas, hospitais, veículos oficiais, quartéis | Afetados ao serviço público | | Bens dominicais | Constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal ou real, sem destinação pública específica | Terras devolutas, imóveis desocupados, títulos e créditos | Desafetados (disponíveis) | Notas jurídicas que caem junto com a contabilidade: Alienabilidade: bens de uso comum e de uso especial são inalienáveis enquanto afetados (a desafetação pode torná-los alienáveis); os dominicais podem ser alienados, observadas as exigências legais (CC, arts. 100 e 101); Imprescritibilidade: bens públicos não se sujeitam a usucapião (CC, art. 102; CF, arts. 183, § 3º, e 191, parágrafo único); Impenhorabilidade: débitos do ente são pagos por precatórios (CF, art. 100), não por penhora de bens públicos; Parágrafo único do art. 99: não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado. 5.2. O tratamento contábil de cada espécie A classificação civil não coincide com a classificação contábil, e é aqui que mora a maior parte das questões: a) Bens de uso especial — são os "imobilizados clássicos" do setor público: reconhecidos no ativo imobilizado, mensurados e depreciados normalmente. b) Bens dominicais — reconhecidos no ativo (imobilizado ou, conforme o caso e a norma aplicável, propriedade para investimento, quando mantidos para renda ou valorização — NBC TSP 06). Sua eventual alienação gera baixa e apuração de resultado (VPA/VPD). c) Bens de uso comum do povo — o ponto sensível: Visão superada (enfoque orçamentário histórico): não eram registrados no ativo; quando muito, o gasto com sua construção era tratado como despesa. Visão atual (enfoque patrimonial — MCASP/NBC TSP): devem ser reconhecidos como ativo sempre que atenderem à definição de ativo (controle + potencial de serviços/benefícios) e aos critérios de reconhecimento (possibilidade de mensuração que observe as características qualitativas). Isso alcança, em especial, os bens de infraestrutura — rodovias, pontes, redes de água e esgoto, iluminação —, que são parte do imobilizado, sujeitos inclusive a depreciação conforme o caso. O MCASP orienta que os bens de uso comum construídos ou recebidos pela entidade e por ela controlados sejam reconhecidos; elementos naturais sem mensuração confiável (o mar, um rio em estado natural) não são registrados, por não atenderem aos critérios de reconhecimento — não por serem "bens de uso comum". ⚠️ Pegadinha nº 1: "Os bens de uso comum do povo, por serem inalienáveis, não podem figurar no ativo das entidades públicas." — Errado. Inalienabilidade é atributo jurídico; o reconhecimento contábil depende da definição de ativo e da mensurabilidade. Uma rodovia é inalienável e é ativo. ⚠️ Pegadinha nº 2: "Todos os bens de uso comum devem ser registrados no ativo." — Errado também, pelo extremo oposto: só os que atendem à definição e aos critérios de reconhecimento (um trecho de mar territorial não é mensurável com confiabilidade). d) Bens do patrimônio cultural (monumentos, obras de arte, acervos históricos) — categoria destacada pelo MCASP: reconhecidos quando possível mensurá-los com segurança; caso contrário, divulgados em notas explicativas. Podem ter vida útil indefinida (sem depreciação) conforme suas características. Detalhamento na Aula 7.7. 5.3. Quadro-síntese: espécie civil × tratamento contábil | Espécie (CC, art. 99) | Regra contábil atual | Depreciação | |---|---|---| | Uso comum (infraestrutura construída/controlada) | Reconhecer no imobilizado se atender definição + mensuração | Sim, quando aplicável | | Uso comum (elementos naturais não mensuráveis) | Não reconhecer (falha o critério de reconhecimento) | — | | Uso especial | Reconhecer no imobilizado | Sim | | Dominicais | Reconhecer (imobilizado ou propriedade para investimento) | Conforme a natureza | | Patrimônio cultural | Reconhecer se mensurável; senão, nota explicativa | Em regra não, se vida útil indefinida | Composição do patrimônio no Balanço Patrimonial: visão panorâmica Para fechar a aula, uma visão de sobrevoo da composição patrimonial que será detalhada nas Aulas 2.2 (classificações) e 6.2/6.3 (Balanço Patrimonial): Duas observações panorâmicas que evitam erros comuns: A dívida ativa é ativo (crédito do ente contra terceiros), apesar do nome — nunca passivo; As provisões matemáticas previdenciárias (RPPS) são frequentemente o maior passivo dos entes e a principal causa de PL negativo nos balanços públicos brasileiros. Mapa mental da aula (síntese) Questões comentadas (estilo das principais bancas) Questão 1 (estilo Cebraspe — Certo/Errado). Segundo a NBC TSP Estrutura Conceitual, ativo é um recurso controlado no presente pela entidade como resultado de evento passado, sendo a propriedade legal condição indispensável à caracterização do controle. Gabarito: ERRADO. A primeira parte reproduz a definição corretamente, mas a propriedade legal é apenas indicador de controle — não é condição indispensável (nem suficiente). Questão 2 (estilo Cebraspe — Certo/Errado). Um bem que não gere entrada de caixa para a entidade pública pode, ainda assim, ser reconhecido como ativo, desde que possua potencial de serviços e atenda aos demais critérios de reconhecimento. Gabarito: CERTO. O conceito de recurso admite potencial de serviços OU benefícios econômicos; a geração de caixa não é requisito. Questão 3 (estilo FGV — múltipla escolha). Sobre o passivo no setor público, segundo a NBC TSP Estrutura Conceitual, é correto afirmar: (A) somente obrigações decorrentes de lei ou contrato podem ser reconhecidas como passivo; (B) a aprovação da lei orçamentária anual faz surgir passivo correspondente às despesas fixadas; (C) obrigação não legalmente vinculante pode gerar passivo quando a entidade cria em terceiros expectativa válida de cumprimento e não possui alternativa realista de se esquivar; (D) o passivo caracteriza-se pela possibilidade de saída futura de recursos decorrente de evento futuro incerto; (E) promessas genéricas de campanha eleitoral geram passivo por obrigação construtiva. Gabarito: C. (A) exclui indevidamente as obrigações não legalmente vinculantes; (B) orçamento é autorização, não obrigação presente; (D) o evento gerador deve ser passado; (E) falta especificidade e expectativa válida. Questão 4 (estilo FCC — múltipla escolha). No que se refere aos bens públicos e seu tratamento contábil, assinale a alternativa correta: (A) os bens de uso comum do povo não integram o ativo por serem inalienáveis e impenhoráveis; (B) os bens dominicais são inalienáveis em qualquer hipótese; (C) as rodovias e pontes controladas pelo ente, quando mensuráveis com confiabilidade, devem ser reconhecidas no ativo imobilizado como bens de infraestrutura; (D) os bens de uso especial devem ser registrados em contas de compensação; (E) os bens do patrimônio cultural jamais são reconhecidos no ativo. Gabarito: C. (A) confunde atributo jurídico com critério contábil; (B) dominicais podem ser alienados na forma da lei; (D) uso especial integra o imobilizado; (E) patrimônio cultural é reconhecido quando mensurável — a vedação absoluta está errada. Questão 5 (estilo Cebraspe — Certo/Errado). O patrimônio líquido das entidades do setor público corresponde ao valor residual dos ativos após a dedução de todos os passivos, sendo vedada a apresentação de situação líquida negativa nas demonstrações contábeis. Gabarito: ERRADO. A definição está correta, mas não há vedação à situação líquida negativa (passivo a descoberto) — situação, inclusive, comum em entes com provisões previdenciárias elevadas. Questão 6 (estilo Avalia/Cesgranrio — múltipla escolha). Determinado município apurou, no exercício: superávit orçamentário de R$ 10 milhões e, na DVP, VPD superiores às VPA em R$ 25 milhões, em razão do reconhecimento de provisões judiciais. Sobre os efeitos no patrimônio líquido: (A) o PL aumentará R$ 10 milhões, pelo superávit orçamentário; (B) o PL diminuirá R$ 25 milhões, pois somente o resultado patrimonial o afeta diretamente; (C) o PL diminuirá R$ 15 milhões, pela soma algébrica dos resultados; (D) o PL não sofrerá alteração, pois provisões afetam apenas contas de controle; (E) o PL aumentará R$ 35 milhões. Gabarito: B. O resultado patrimonial (déficit de R$ 25 milhões) é o que transita para o PL; o resultado orçamentário não o altera diretamente. As provisões são passivo patrimonial (não contas de controle), o que afasta a alternativa D. Questão 7 (estilo FGV — múltipla escolha). A respeito da definição de patrimônio público, é correto afirmar que ele compreende: (A) apenas os bens tangíveis não onerados, adquiridos com recursos orçamentários; (B) bens e direitos, tangíveis ou intangíveis, onerados ou não, portadores de fluxo de benefícios presente ou futuro, além das obrigações da entidade; (C) exclusivamente os bens de uso especial e dominicais, excluídos os de uso comum; (D) os bens e direitos da entidade, excluídas as obrigações, que compõem conceito distinto; (E) somente os itens que representem benefícios econômicos futuros mensuráveis em moeda. Gabarito: B. Reproduz fielmente a definição. As demais alternativas cometem, cada uma, uma das distorções mapeadas no item 1.1 desta aula. Exercícios: O conceito de ativo no setor público fundamenta-se no controle presente decorrente de evento passado, admitindo-se o reconhecimento de itens que possuam apenas potencial de serviços, mesmo que desprovidos de capacidade de gerar entradas de caixa ou benefícios econômicos diretos. A propriedade legal do bem constitui condição indispensável para o seu reconhecimento como ativo no Balanço Patrimonial da entidade pública, de modo que bens cedidos a terceiros continuam obrigatoriamente sob o ativo do proprietário formal. Uma obrigação não legalmente vinculante pode dar origem a um passivo patrimonial no setor público caso a entidade tenha criado uma expectativa válida em terceiros por meio de um compromisso específico e não possua alternativa realista a não ser honrar tal obrigação. Os bens de uso comum do povo construídos pela administração pública, tais como rodovias e pontes, devem ser reconhecidos no ativo imobilizado quando satisfizerem a definição de ativo e permitirem mensuração confiável, estando sujeitos inclusive à depreciação. A verificação de patrimônio líquido negativo (passivo a descoberto) nas demonstrações contábeis de um ente público é vedada pelas normas contábeis aplicadas ao setor público, ensejando o reajuste imediato das contas do ativo para manter o equilíbrio da equação patrimonial. O Patrimônio Líquido de um ente público é alterado diretamente pelo resultado patrimonial apurado na Demonstração das Variações Patrimoniais, enquanto o resultado orçamentário não transita, por si só, para a situação líquida patrimonial. A aprovação da Lei Orçamentária Anual gera, no momento do seu sancionamento, a contabilização de passivos patrimoniais equivalentes ao montante total das despesas fixadas para o exercício financeiro. Por possuírem destinação pública específica, os bens dominicais são absolutamente inalienáveis e impenhoráveis, não podendo sofrer baixas ou compor a categoria de propriedade para investimento na contabilidade pública. Os bens do patrimônio cultural, como monumentos e acervos históricos, devem ser reconhecidos no ativo sempre que for possível a sua mensuração com segurança, devendo ser divulgados em notas explicativas caso essa mensuração confiável não seja viável. Na perspectiva contábil ampla da CASP, o patrimônio público compreende exclusivamente o conjunto de bens e direitos tangíveis da entidade, sendo as obrigações e os bens intangíveis classificados em demonstrativos autônomos fora do conceito de patrimônio. Complete a frase: O patrimônio público é o conjunto de direitos e bens, tangíveis ou intangíveis, onerados ou não, que seja portador ou represente um fluxo de benefícios, presente ou futuro, inerente à prestação de serviços públicos ou à exploração econômica, e suas _____. Complete a frase: No setor público, a capacidade de um item prestar serviços que contribuam para os objetivos da entidade, sem necessariamente gerar entradas diretas de caixa, caracteriza o _____. Complete a frase: O elemento essencial para a caracterização e o reconhecimento de um ativo no setor público é o _____, e não a propriedade jurídica formal do bem. Complete a frase: A obrigação assumida por uma entidade pública decorrente de padrão de comportamento ou declaração específica que gera uma expectativa válida em terceiros é classificada como _____ Complete a frase: Dentre os diferentes resultados apurados nas demonstrações do setor público, apenas o resultado _____ afeta diretamente a composição do Patrimônio Líquido. Complete a frase: As rodovias, pontes e redes de iluminação pública construídas e controladas pelo poder público enquadram-se como bens de uso comum do povo denominados bens de _____, devendo ser reconhecidos no ativo imobilizado quando passíveis de mensuração. Complete a frase: Quando o valor total dos passivos de uma entidade pública supera o montante integral de seus ativos, a situação líquida patrimonial apurada é denominada _____ Complete a frase: Os bens públicos pertencentes às pessoas jurídicas de direito público que não possuem destinação pública específica e integram seu patrimônio como objeto de direito pessoal ou real são denominados _____ Complete a frase: A mera estimativa e aprovação de receitas na lei orçamentária anual não autoriza o reconhecimento imediato de um ativo contábil, pela ausência de um _____ Complete a frase: Edifícios de repartições, escolas e hospitais públicos são enquadrados como bens de uso especial e, no Balanço Patrimonial, devem ser registrados no ativo _____, sujeitando-se à depreciação.