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Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) e Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) - Ciências Contábeis Aplicadas ao Setor Público | Tuco-Tuco

Aula de Ciências Contábeis Aplicadas ao Setor Público (Demonstrações Contábeis): Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) e Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Aula de Ciências Contábeis para estudantes que se preparam para concursos públicos. Estude gratuitamente para concursos públicos e OAB no Tuco-Tuco.

Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) e Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) A DFC no setor público: conceito e bases A DFC evidencia as movimentações de caixa e equivalentes de caixa do período, classificadas em três fluxos — das operações, de investimento e de financiamento —, apurando a geração líquida de caixa e conciliando os saldos inicial e final. Bases: NBC TSP 12 (convergida da IPSAS 2) e MCASP (DCASP). Marcas registradas: Regime de caixa por definição — a exceção expressa à competência dentro do conjunto (Aula 6.1); Caixa e equivalentes: numerário e aplicações de liquidez imediata, curtíssimo prazo e risco insignificante de mudança de valor (o mesmo conceito das Aulas 2.2 e 6.2); Método direto para o fluxo das operações: o MCASP adota a apresentação direta (classes principais de recebimentos e pagamentos brutos), com conciliação entre o resultado patrimonial e o fluxo operacional divulgada em notas — a "ponte" que o método indireto faria no corpo; Mesmo ponto de chegada do BF: saldo final idêntico, arquitetura distinta (Aula 6.5) — a conciliação entre os dois é questão de elite. Os três fluxos: o mapa de classificação 2.1. Fluxo das atividades das OPERAÇÕES O "dia a dia" financeiro do ente — e o fluxo que concentra as pegadinhas: | Ingressos | Desembolsos | |---|---| | Receitas derivadas (tributos, contribuições) e originárias (patrimoniais, serviços) arrecadadas | Pessoal e demais despesas correntes pagas | | Transferências correntes recebidas (FPM, FPE, SUS...) | Juros e encargos da dívida pagos | | Outros ingressos operacionais (inclusive movimentos extraorçamentários de terceiros: consignações, depósitos — e as transferências financeiras internas, nas versões não consolidadas) | Transferências concedidas; outros desembolsos operacionais (devoluções de depósitos, recolhimentos) | ⚠️ A pegadinha nº 1 da DFC pública: no MCASP, juros e encargos da dívida são fluxo das OPERAÇÕES (desembolso operacional) — enquanto a amortização do principal é fluxo de financiamento. O mesmo serviço da dívida se divide entre dois fluxos: juro = operacional; principal = financiamento. Bancas trocam essa alocação incessantemente. 2.2. Fluxo das atividades de INVESTIMENTO Aquisição e alienação de ativos não circulantes e operações de crédito concedidas: | Ingressos | Desembolsos | |---|---| | Alienação de bens (imobilizado, investimentos, intangível) | Aquisição de ativos não circulantes (obras, equipamentos, participações, intangíveis) | | Recebimento de amortização de empréstimos concedidos pelo ente | Concessão de empréstimos e financiamentos a terceiros | 2.3. Fluxo das atividades de FINANCIAMENTO A captação e a devolução de recursos de terceiros e de "proprietários": | Ingressos | Desembolsos | |---|---| | Operações de crédito contratadas (empréstimos obtidos) | Amortização/refinanciamento do principal da dívida | | Integralização de capital recebida (estatais) | Outros desembolsos de financiamento | 2.4. O gabarito de classificação (a tabela que resolve 90% das questões) | Evento | Fluxo | |---|---| | Arrecadação de tributos | Operações (ingresso) | | Transferência do FPM recebida | Operações (ingresso) | | Pagamento de pessoal | Operações (desembolso) | | Juros da dívida pagos | Operações (desembolso) | | Amortização do principal | Financiamento (desembolso) | | Operação de crédito contratada | Financiamento (ingresso) — no BO, receita de capital; na DVP, qualitativa: três leituras, um evento | | Aquisição de imobilizado | Investimento (desembolso) | | Alienação de bens | Investimento (ingresso) — no BO, receita de capital; na DVP, só o ganho/perda | | Empréstimo concedido pelo ente | Investimento (desembolso) | | Recebimento do principal de empréstimo concedido | Investimento (ingresso) | | Depreciação, provisões | Fora da DFC (sem fluxo de caixa) | 2.5. Apuração e apresentação $\text{Geração líquida de caixa} = F{operações} + F{investimento} + F_{financiamento}$ $\text{Saldo final} = \text{Saldo inicial} + \text{Geração líquida}$ Leituras típicas: fluxo operacional positivo e recorrente é o "pulmão" do ente (capacidade de custear serviços e sobrar para investir); investimento tende a ser negativo (ente que investe); financiamento revela a estratégia (captação × desalavancagem). Fluxo operacional negativo financiado por operações de crédito é o sinal amarelo clássico das discursivas. Caso integrado da DFC Saldo inicial de caixa: 240. Movimentos do exercício: tributos arrecadados 640; transferências correntes recebidas 250; alienação de veículo 60; operação de crédito 200; pagamentos: pessoal 500; fornecedores/custeio 210; juros 35; aquisição de equipamentos 150; amortização de principal 80; consignações: retidas 25, recolhidas 20. | Fluxo | Cálculo | Resultado | |---|---|---| | Operações | (640 + 250 + 25) − (500 + 210 + 35 + 20) | +150 | | Investimento | 60 − 150 | −90 | | Financiamento | 200 − 80 | +120 | | Geração líquida | 150 − 90 + 120 | +180 | | Saldo final | 240 + 180 | 420 | Leitura: operacional saudável (+150) custeou parte do investimento; a captação (200) superou a amortização (80) — o ente alavancou-se para investir. E a checagem de coerência: um BF do mesmo exercício chegaria aos mesmos 420 por sua própria arquitetura. A DMPL: a demonstração que abre o patrimônio líquido 4.1. Conceito e obrigatoriedade A DMPL evidencia, linha a linha e coluna a coluna, todas as mutações do patrimônio líquido entre o início e o fim do exercício — é a "lupa" sobre o grupo 2.3 do BP e o demonstrativo que abre a conciliação DVP × BP construída na Aula 6.6. Obrigatoriedade (fixada na Aula 6.1, agora aplicada): elaborada pelas empresas estatais dependentes (constituídas sob forma societária) e pelos entes que as incorporarem na consolidação; para os demais, a evidenciação das mutações se dá pela abertura de resultados acumulados e notas. 4.2. A estrutura matricial Colunas = componentes do PL; linhas = eventos que o mutam: 4.3. As linhas que caem Resultado do exercício: a linha-elo com a DVP (mesmo valor, obrigatoriamente); Ajustes de exercícios anteriores: direto em resultados acumulados, sem transitar pelo resultado (Aulas 2.4, 4.4 e 5.1) — a DMPL é onde essa mutação "aparece" formalmente; AAP e sua realização: a reavaliação entra na coluna própria; sua realização (pela depreciação do bem reavaliado ou pela baixa) migra da coluna AAP para resultados acumulados, com total do PL inalterado — movimento interno (PL × PL, o permutativo do patrimônio líquido da Aula 4.2); Movimentos de soma zero: constituição/reversão de reservas e realização de AAP mudam colunas, não o total — questões pedem exatamente "quais linhas alteram o total do PL?" (resposta: AEA, aportes, AAP novos, resultado, distribuições); A última coluna (total) reproduz a rolagem do PL das Aulas 2.4/6.3 — a DMPL é aquela equação em formato de tabela. 4.4. Mini-caso PL inicial 575 (resultados acumulados 545; AAP 30). No exercício: resultado da DVP +90; realização de AAP por depreciação do bem reavaliado: 6; ajuste de exercícios anteriores: −12. | | AAP | Result. acum. | Total | |---|---|---|---| | Saldo inicial | 30 | 545 | 575 | | AEA | — | −12 | −12 | | Resultado do exercício | — | +90 | +90 | | Realização de AAP | −6 | +6 | 0 | | Saldo final | 24 | 629 | 653 | Checagem: 575 + 90 − 12 = 653 ✔ — a realização da AAP não alterou o total (movimento interno), mas recompôs as colunas: eis a informação que só a DMPL entrega. Mapa mental da aula (síntese) Questões comentadas (estilo das principais bancas) Questão 1 (estilo Cebraspe — Certo/Errado). Na demonstração dos fluxos de caixa elaborada conforme o MCASP, os pagamentos de juros e demais encargos da dívida classificam-se no fluxo de caixa das atividades das operações, ao passo que a amortização do principal classifica-se no fluxo das atividades de financiamento. Gabarito: CERTO. A alocação-símbolo da DFC pública: o serviço da dívida partido entre dois fluxos. Questão 2 (estilo Cebraspe — Certo/Errado). A depreciação dos bens do imobilizado e a constituição de provisões integram o fluxo de caixa das atividades operacionais, por representarem variações patrimoniais diminutivas do exercício. Gabarito: ERRADO. VPD sem fluxo de caixa não entram na DFC (regime de caixa!). Compõem, quando muito, a conciliação resultado × fluxo operacional divulgada em notas. Questão 3 (estilo FGV — múltipla escolha). Classifique, nos fluxos da DFC: (i) contratação de operação de crédito; (ii) aquisição de equipamentos hospitalares; (iii) recebimento de transferência do FPE; (iv) recebimento do principal de empréstimo anteriormente concedido pelo ente: (A) i — financiamento; ii — investimento; iii — operações; iv — investimento; (B) i — investimento; ii — financiamento; iii — operações; iv — financiamento; (C) i — operações; ii — investimento; iii — financiamento; iv — operações; (D) i — financiamento; ii — operações; iii — investimento; iv — investimento; (E) i — financiamento; ii — investimento; iii — investimento; iv — operações. Gabarito: A. O gabarito de classificação do item 2.4 aplicado: captar dívida = financiamento; comprar ativo = investimento; transferência corrente = operações; retorno de empréstimo concedido = investimento (espelho da concessão). Questão 4 (estilo FCC — múltipla escolha). Uma entidade apresentou fluxo das operações de +R$ 900.000, fluxo de investimento de −R$ 1.200.000 e fluxo de financiamento de +R$ 500.000, com saldo inicial de caixa de R$ 300.000. A geração líquida de caixa e o saldo final são, respectivamente: (A) R$ 200.000 e R$ 500.000; (B) R$ 200.000 e R$ 300.000; (C) −R$ 300.000 e zero; (D) R$ 500.000 e R$ 800.000; (E) R$ 900.000 e R$ 1.200.000. Gabarito: A. Geração = 900 − 1.200 + 500 = +200; saldo final = 300 + 200 = 500. Leitura bônus: o investimento (1.200) foi bancado por operações (900) + captação líquida (500) — perfil de ente investidor alavancado. Questão 5 (estilo Cebraspe — Certo/Errado). A demonstração das mutações do patrimônio líquido deve ser elaborada pelas empresas estatais dependentes constituídas sob a forma societária e pelos entes que as incorporarem no processo de consolidação das contas, evidenciando, entre outras mutações, os ajustes de exercícios anteriores, que alteram o total do patrimônio líquido sem transitar pelo resultado do período. Gabarito: CERTO. Obrigatoriedade (Aula 6.1) + a natureza dos AEA — dois pontos finos num item só. Questão 6 (estilo Avalia/Cesgranrio — múltipla escolha). Na DMPL, a realização de parcela do ajuste de avaliação patrimonial, em decorrência da depreciação do bem reavaliado, é evidenciada mediante: (A) redução da coluna de ajustes de avaliação patrimonial e aumento da coluna de resultados acumulados, sem alteração do total do patrimônio líquido; (B) registro de VPA no resultado do exercício; (C) redução do total do patrimônio líquido; (D) aumento da coluna de reservas de capital; (E) estorno da reavaliação original. Gabarito: A. O movimento interno de soma zero — a informação que só a matriz da DMPL evidencia. Questão 7 (estilo FGV — múltipla escolha). Sobre as relações entre DFC, Balanço Financeiro e DVP, é correto afirmar: (A) a DFC e o Balanço Financeiro partem do mesmo saldo inicial e chegam ao mesmo saldo final de caixa, diferindo na arquitetura de classificação dos fluxos; (B) o resultado patrimonial da DVP coincide, necessariamente, com a geração líquida de caixa da DFC; (C) a DFC é elaborada pelo regime de competência, como as demais demonstrações; (D) a alienação de um bem figura na DFC pelo ganho apurado, e não pelo valor recebido; (E) as transferências financeiras internas são somadas aos fluxos na versão consolidada do ente. Gabarito: A. O mesmo caixa por dois caminhos — a coerência-mestra do módulo. (B) confunde competência com caixa (a conciliação entre eles vai em notas); (D) inverte DFC (valor recebido) e DVP (só o ganho); (E) internas se anulam na consolidação.